Dependencias

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É curioso como é que um órgão oficial do MPLA e logo do Governo Angolano (o Jornal de Angola), insulta, diariamente, Portugal, a sua classe política, o seu povo e os seus costumes e não há um político com responsabilidades ou um jornalista com “cojones” para responder, para dizer uma palavra que seja. É que isto de andar a levar sucessivos bejardos de meia dúzia de ex-guerrilheiros nascidos na cubata, que há 30 anos lambiam as nádegas ao Brezhnev e que hoje se fazem novos-ricos com o assalto a um povo nosso irmão, é gravoso. A mesma lenga-lenga do colonialismo permanece, qual assombração em quem ainda não reparou que, para pesar dos angolanos, Angola é uma colónia do seu Presidente, respectivos familiares e amigos. Mas já ninguém fala disso. Mesmo os papagaios de serviço preferem vivas a uma Palestina que nada nos diz, sem nunca mencionar Cabinda, cujo trágico destino teve a nossa mão.

Tivesse sido algum órgão do Partido Democrata Cristão Alemão – o Partido da Merkel – a tecer metade das considerações que o MPLA tem feito sobre Portugal, seria o fim do mundo. A RTP fazia meia dúzia de reportagens, os jornais ganhavam manchete de capa, meia dúzia de editoriais furibundos e não sei quantos dirigentes do PS, PSD e CDS iriam à televisão defender a honra nacional – se é que ainda resta alguma. Mas provavelmente a Alemanha não tem muitos diamantes nem o Relvas deve ter por lá grandes negociatas.

Claro. Porque – que eu saiba – ainda nenhum jornalista foi afastado por tecer críticas à Alemanha, como sucedeu a Pedro Rosa Mendes. Provavelmente os Soares não andavam à caça de pedras preciosas com o actual partido germânico da oposição – apesar de terem chovido uns quantos cheques para o bolso de quem nós sabemos. Quiçá, para inúmeros cavaquistas, não existissem em Berlim ou em Munique as “oportunidades” que estes encontraram (e alguns ainda encontram) em Luanda. E isto é o básico. Porque o filho de Merkel não controla uma parte importante da economia nacional, isso já nós sabemos, apesar da mãe o fazer indirectamente, o que, ao que vejo, não a impede de ser constantemente destratada na nossa comunicação social.
Isto soa a teoria da conspiração, qual Código Da Vinci, mas ultimamente também já não vejo – nas reportagens televisivas – a tal xenofobia proteccionista contra as lojas chinesas e os constantes documentários sobre as atrocidades que se vão cometendo na terra dos mandarins vermelhos – até posso andar distraído. Que até se esperava que aumentasse com a crise em crescendo. Mas para o leitor não me vir acusar de tecer conspirações aguçadas, vou escusar-me a recordar como os recentes investimentos chineses em Portugal têm gerado bom emprego na população afecta aos partidos do governo.
E antecipando-me à ronda proteccionista que decerto virá invadir a caixa de comentários, a culpa disto tudo não é do neoliberalismo ou do capitalismo selvagem nem de nenhum desses bonitos chavões raptados aos ensaios do Dr. Boaventura. A culpa é dum pornográfico triângulo de relações obscuras entre o Estado – com os seus agentes e os interesses dos mesmos – a comunicação social e os interesses estrangeiros, também eles com uma relação bastante complexa com os seus respectivos Estados e dirigentes. A Academia fala constantemente em Neo-Colonialismo, referindo-se ao desiquilíbrio nas relações entre o Ocidente senhor e a África submissa. Julgo que devem rever o termo…

14 pensamentos sobre “Dependencias

  1. Ala que se faz tarde

    a expressão «ex-guerrilheiros nascidos na cubata, que há 30 anos lambiam as nádegas ao Brezhnev» diz tudo sobre a sua decadência mental. Esses ex-guerrilheiros são heróis nacionais. Libertaram o país dos racistas portugueses, lutaram para que os racistas sul-africanos não anexassem Angola ao Apartheid e dos racistas americanos que contrataram mercenários para destruir a autoridade do país…

    Recomendo-lhe vivamente que volte aos bancos da escola para aprender sobre a história de Angola. Antes, durante e depois dos racistas portugueses terem por lá passado.

  2. Ricardo Lima

    Heróis Nacionais !? Esse bando comunistas feitos cleptocratas ? Eu é que lhe recomendo um livrinho, chamado “Predadores” do grande Pepetela, para ver como é que os ex-guerrilheiros enriqueceram em Angola. E não me venha com conversas de americanos e sul-africanos quando o MPLA tinha soldados cubanos e armamento soviético.

  3. Ricardo Lima

    E vá ver o que é que o Agostinho Neto fez aos ex-combatentes portugueses ou aos seus rivais dentro do próprio partido, como Nito Alves. Deve ser o Estalinismo 2.1.

  4. Pedro Sá

    Também não exagere. O Nito Alves era 1000x pior, mais radical, mais racista, mais pró-soviético, mais sanguinário. Ao pé dele o Agostinho Neto era um menino de coro.

  5. Ricardo Lima

    Certamente. O que não justifica necessariamente o destino de alguns dos seus seguidores. Olhe a Sita Valles, por piores que fossem as suas ideias, foi sucessivamente violada, torturada e morta, gradualmente a tiros. Repito, gradualmente. E como ela, vários.

  6. jsp

    O sô “Ala que se faz tarde” deixe-se de merdas propagandísticas e faça o favor de (re)ler o artigo de AJS ( não , não se trata do tipo em que está a pensar:..) no DN de Janeiro de 79.
    A coisa circula por aí – e , (re)lendo-a, não voltará a fazer figura de debilóide mental.

  7. ricardo saramago

    Parafraseando um feliz ex-colonizado liberto das garras do racismo e do colonialismo:
    “Patrão! Quando é que a independência acaba?……”

  8. JPT

    Por causa deste post, fui ao abrupto ler os famosos editoriais. No que toca a Portugal, concordo com quase tudo o que lá está. Há lá um texto de um tal Rui Ramos, que descreve, como poucos (ainda melhor que a Jonet, direi), as nossas putativas elites, a nossa putativa classe média (classe medíocre seria mais preciso) e o nosso putativo desenvolvimento das últimas décadas. E é com muito a propósito que o editorialista responde ao Pacheco, que tão interessado se mostra no modo como as élites angolanas construiram a sua riqueza (cito): “Basta saber qual era o património dos velhos políticos antes do 25 de Abril de 1974 e qual é agora. Quanto aos políticos mais novos, basta saber qual era o seu património antes de entrarem para a política e qual é agora”. Ninguém sabe? Ou todos sabem e ninguém diz nada? É isto um estado de direito? Claro que levar lições de ladrões não é fácil. Mas quem melhor que um ladrão para conhecer outro? E quem pode em Portugal atirar a primeira pedra a ladrões? Quem, por acção ou omissão, não conheceu e não beneficiou de um esquema, de uma cunha, de um negócio arranjado por um primo? Uma coisa é certa, a moralidade da élite de Angola e a do Pacheco merecem-me, neste momento, precisamente a mesma consideração. E, enquanto o interesse da elite angolana não é roubar-me – a mim, contribuinte português – o interesse de Pacheco é. Ele, e a Manela, e o Bagão, e o Cavaco, e a santa aliança dos reformistas ditos de direita que as únicas reformas que fizeram foram as deles e as dos amigos prejudicaram-me, e prejudicam-me e querem-me prejudicar muito mais do que a elite angolana. Por isso, com o devido respeito, estou-me a lixar para o que o Jornal de Angola diz do Pacheco. Entre essa malta, só se perdem as que caem no chão, e, mais, zangadas tais comadres, sempre se vão ouvindo umas verdades.

  9. Lobo Ibérico

    “a expressão «ex-guerrilheiros nascidos na cubata, que há 30 anos lambiam as nádegas ao Brezhnev» diz tudo sobre a sua decadência mental. Esses ex-guerrilheiros são heróis nacionais. Libertaram o país dos racistas portugueses, lutaram para que os racistas sul-africanos não anexassem Angola ao Apartheid e dos racistas americanos que contrataram mercenários para destruir a autoridade do país…

    Recomendo-lhe vivamente que volte aos bancos da escola para aprender sobre a história de Angola. Antes, durante e depois dos racistas portugueses terem por lá passado.”

    Dafuq?

    Aqui:
    “Cândida Almeida: ‘Estou onde quero e cheguei onde quis'”
    http://sol.sapo.pt/inicio/Sociedade/Interior.aspx?content_id=54529

    “Recuando agora no tempo: foi para Moçambique aos 16 anos. O que mais a chocou na realidade colonialista?

    Tudo o que dizia respeito à população. Toda a administração e toda a classe média-alta, à excepção de uma ou outra família, eram brancas. Não havia nada que proibisse os negros de entrar em restaurantes, em casas de banho públicas, etc., mas as coisas não aconteciam assim. Havia uma influência muito forte da África do Sul e do apartheid.

    _____ Recordo um episódio que me chocou e emocionou: um dia, estava no jardim, uma senhora preta sentou-se ao pé de mim e começou a chorar. Explicou-me então que era da África do Sul e como estava satisfeita por poder estar sentada no mesmo banco que eu. _____”

    Racistas pra chuchu.
    Esta senhora é de esquerda e não faz o mesmo retrato que lhe ensinaram, a si, na lavag… nas reuniões do partido. E viveu lá.
    Este também olha para uma torrada queimada e consegue lá ver o Salazar.

    Outra coisa.
    O herói de guerra mais medalhado da nossa História:
    http://ultramar.terraweb.biz/CTIG/Imagens_CTIG_TenCorMarcelinoda%20Mata.htm

    Please kill yourself. KTHXBYE.

  10. Marco

    Como são «meia dúzia de ex-guerrilheiros nascidos na cubata» está mal. Se tivessem um nome a dar para o estranja estava bem e chamava-se empreendedorismo… A minha questão é sempre a mesma: pensam de facto assim ou escrevem estas merdas para fomentar o ódio pela Direita?

  11. A. R

    Mas resta dúvida a alguém que Angola é governada por uma Oligarquia familiar que é em tudo semelhante à da Guiné equatorial? Do maná petrolífero sobram umas migalhas que quando dadas aos mais pobres conseguem votos como o Obamaphone conseguiu dos mexicanos.

  12. Não dizemos nem fazemos nada, em grande medida, devido ao que é muito bem visto nesta série de vídeos que vale a pena ver: «Conversa sobre o racismo» e está disponível na internet.

  13. lucklucky

    “meia dúzia de ex-guerrilheiros nascidos na cubata”

    Também não concordo com a expressão. Os guerrilheiros eram parte da população mais educada pelos coloniais junto com a educação sovética tão ou mais racista que a dos colonizadores.

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