Avalista de Sócrates, avalista de Passos

Cavaco Silva

Desde 2006 assinando de cruz orçamentos, orçamentos rectificativos e demais iniciativas legislativas que lhe colocam à frente.

Cumprindo, afinal, de forma entusiasta e previsível o papel que a IIIª república lhe reservou: o inútil do despacho.

Um Bom Ano a todos.

Momentos 2012

Kelly Slater no Volcom Fiji Pro em tavarua e Dane Reynolds em Haleiwa, Oahu, Hawaii.

Kelly: a defining moment. Mais uma vez, ao fim de mais de vinte anos a a redefinir todo um desporto, numa onda apenas fá-lo pela milésima vez. Um tubo, um carve inacreditável e para finalizar, uma trancada em backside que só ele seria capaz. É ver. É logo no início do vídeo.

esta onda (clicar)

Dane: daquelas coisas que quem viu em directo na net ou ao vivo, só percebeu o que ele fez quando a imagem passou em super slow motion. Isto é completamente idiota, não é possível.

 

Go Galt

kafka1)   No fim do mês levantai o salário em notas. Deixai ficar no banco exactamente o suficiente para as contas que são pagas via transferência bancária autorizada. Prestação da casa, energia, água, etc

2)   Das notas que levareis para casa dividi em envelopes: alimentação, combustível, lazer, etc

3)   O que vos for possível (se for) poupar, comprai lingotes, libras, etc de ouro ou guardai as notas num local seguro e, se for possível, noutra moeda que não o euro – dólares australianos, coroas norueguesas ou dólares canadianos;

4)   Qualquer compra seja onde for recusai factura;

5)   Se vos for possível encostai o carro e passai a ir para o trabalho de bicicleta;

6)   Pesquisai agricultura hidropónica e trocai com os vizinhos e amigos. Tomates, salsa, etc

7)   Ver quem tem família que produza alheiras, chouriços, azeite, queijos e carne para troca. Comprai peixe, tanto quanto possível, directo aos pescadores, em notas e sem factura;

8)   Acrescentai a esta lista nos comentários

Desejo para 2013

Pegando neste post de jaa (óptimo de alfa a ómega), o meu maior desejo político para 2013 é uma derrota estrondosa do PSD nas eleições autárquicas, de forma generalizada em todo o país (menos em Lisboa, onde não se suporta mais a luminária Costa), não apenas em Gaia e Porto com Menezes e Marco António Costa.

Espero que essa derrota venha e que seja avassaladora e humilhante. E que seja uma oportunidade para o PSD menezista-passista que nos governa em estilo socrático, inteiramente dependente do dinheiro dos contribuintes e cheio de vontade de manter o status quo estatal para dele se servir ser corrido de vez do PSD. Porque como por aqui ocasionalmente se refere, o problema de Portugal não é apenas ter sofrido os desvarios do PS. É também não ter tido nunca nas últimas décadas um partido de direita ou uma coligação de direita com políticas de direita para equilibrar os tempos de delírio socialista. Se as eleições autárquicas de 2013 contribuirem para purgar o socialismo do PSD ao longo de doze anos do próximo ciclo autárquico (o socialismo do CDS reduzir-se-ia substancialmente apenas com o afastamento de Assunção Cristas), o próximo ano será um ano glorioso da nossa História.

Declaração de interesses: eu provavelmente nem contribuirei para a desejada derrota; provavelmente votarei na coligação encabeçada por Fernando Seara, mas um bocadinho de faz o que eu digo não faças o que eu faço de vez em quando não faz mal.

Recuso

kafkaHoje de manhã ouvi por minutos o fórum da Antena 1. Uma senhora de Trás-Os-Montes queixava-se e bem do saque a que se sujeita, da estupidez política que há tanto tempo nos pastoreia. Terminou a pedir que os portugueses, já em Janeiro, se manifestem. Por mim, estou cheio, farto de manifestações inconsequentes e que pouco mais pedem que a manutenção do status quo e a continuação da chulice institucionalizada de gente que regra geral não contribui em nada para coisa nenhuma. Com a excepção da ascese colectiva que proporcionam aos manifestantes para que servem as manifestações? Para nada.

Almocei fora hoje e paguei 9 euros. Por alma de quem é que os estado há-de receber, directo, 1,7 euros do meu almoço? Por cada 10 euros que gastais seja no que for, quase 2 euros vão para o buraco negro das contas públicas. A que propósito? Durante um ano recusei-me a pagar as portagens nas SCUT e paguei o preço. Ainda agora me recuso a ter Via Verde ou qualquer outro dispositivo para pagamento das portagens. E pago o preço sabendo Deus a falta que me faz a diferença. O que sei é que alguém vai ter que suar as estopinhas para me obrigar a cumprir a Lei e pago para isso. Quereis mesmo protestar? Só há uma maneira: recusai-vos a pagar. Recusai pedir facturas nos restaurantes, nos mecânicos, nos cabeleireiros ou ao canalizador que faz um pequeno serviço em vossa casa. Trocai alheiras por vinho, maçãs por batatas, assistência informática por serviços sexuais. Qualquer coisa serve. Parti os cartões de crédito e passai a pagar tudo em notas, moedas e lingotes de 2,5g de ouro.

Em 2013 é do mais elementar patriotismo e dignidade individual recusar sustentar os proxenetas que nos pastoreiam. Um bom ano de fuga fiscal em 2013 é o que vos desejo. Abracinhos.

Leitura dominical

Os pontos do vigário, a crónica de Alberto Gonçalves no DN.

Foi com algum atraso que soube da vigília em prol da Praça da Alegria. Em países menos exóticos, organizam-se vigílias pelas vítimas de massacres ou calamidades naturais no Terceiro Mundo. Aqui, o sentimento converge quase inteirinho para os conteúdos da RTP. Antes, houve o pesar face ao extermínio do Câmara Clara. Agora, temos a mágoa suscitada pelo êxodo do referido programa de variedades, forçado a mudar-se do Porto rumo à malévola capital. De tragédia humana em tragédia humana, os defensores do “serviço público” não se limitam a exigi-lo: reivindicam uma geografia específica para cada produto.

Espantosamente ou se calhar nem por isso, a vigília em questão juntou, segundo as notícias, diversas, e supostas, celebridades. Todas inconsoláveis, claro. O bispo emérito de Setúbal, Manuel Martins, confessou “sentir uma raiva muito grande”, aliás o seu estado natural, e acusou o Governo de “esvaziar a voz do povo”. Um cozinheiro aparentemente famoso, Hélio Loureiro, assegurou que “deslocalizar um programa que representa uma grande fatia dos nossos emigrantes é perder um pouco da nossa cultura”. Emocionado, rezam os relatos, o apresentador da Praça da Alegria, Jorge Gabriel, lembrou os “milhares de idosos solitários que nos assumem como a sua única família”.

Perceberam? Eu também não. Se um programa passa a ser realizado em Lisboa por troca com o “Porto” (na verdade, Vila Nova de Gaia), o povo perde o pio? Os emigrantes são incapazes de sintonizar emissões lisboetas? Só existem idosos acima do Douro? E, aproveito para sugerir, não se convoca uma vigília pelos velhinhos cuja família se resume a uma sucessão hertziana de “rubricas” de aconselhamento (digamos), conversa fiada e as cruéis cantorias do padre Borga ou similares? Como já aconteceu com boa parte da nossa classe política, o alegado Norte continua a exportar porcarias para o Terreiro do Paço e, misteriosamente, não festeja a proeza.

Eu, que sou do Norte a sério (na perspectiva de um transmontano, o Monte da Virgem situa-se praticamente na Mauritânia), não me ofendo nada com a transferência daPraça da Alegria e a supressão da RTP Porto. Embora reconheça que a perfeição implicaria o fim da RTP em geral. É possível que alguns ainda a chorassem. Mas ninguém ficaria a rir-se – excepto os contribuintes.