Reacção

O meu artigo de hoje, no DE.

O que esperar de um aumento de carga fiscal? Crescimento da economia paralela, fuga aos impostos, evitar passar factura e partilhar o valor do IVA entre consumidor e prestador do serviço.
O que esperar quando há ainda menos dinheiro disponível todos os meses? Quebra de consumo e de investimento, dificuldades imediatas para os negócios de bens não transaccionáveis e ameaça ao crescimento económico futuro.
O que esperar quando o desemprego ultrapassa os 15% e 4 em cada 10 jovens não têm emprego? Emigração, uma emigração qualificada cuja reversão será mais difícil de concretizar.

Uma comentário sobre o artigo à esquerda de Marco Capitão Ferreira sobre o mesmo tema.

É referido que

Os ajustamentos pró-ciclicos, palavrão que quer dizer juntar à recessão económica uma contração da despesa pública, nunca funcionaram. Nunca. Em lado algum.

As palavras são fortes, com impacto, mas parece-me que acertam ao lado da principal questão e não correspondem à realidade. A contracção da despesa pública (infelizmente inferior à desejável) surge como resposta a défices orçamentais exagerados e a um nível incomportável de dívida pública. Quanto ao impacto de uma política de consolidação orçamental baseada na redução da despesa, sugiro a consulta destes três estudos:
Consolidação Orçamental numa Pequena Economia da Área do Euro (Vanda Almeida, Gabriela Castro, Ricardo Mourinho Félix e José R. Maria; BdP; 2011)

Conclui-se também que as estratégias de consolidação orçamental baseadas em redução das transferências para as famílias e da despesa do Estado são as menos penalizadoras para o PIB real, consumo privado, investimento e para o bem-estar no curto prazo.

Restoring Debt Sustainability After Crises: Implications for the Fiscal Mix (Emanuele Baldacci, Sanjeev Gupta e Carlos Mulas-Granados; IMF; 2010)

Successful debt consolidations are in general more likely when they are based on cuts in current expenditures.

The Benefits of Fiscal Consolidation in Uncharted Waters (Philipp Rother, Ludger Schuknecht e Jürgen Stark; ECB; 2010)

The above discussion and the literature have shown that consolidation should generally be based on expenditure reduction.

8 pensamentos sobre “Reacção

  1. A melhor ajuda que o Estado pode dar à criação de emprego é não ajudar, deixar a criação de emprego para o sector privado.

  2. Paulo Pereira

    Num regime de moeda externa só é possivel pagar a divida publica com crescimento económico que resulta de um aumento das exportações e da substituição das exportações, além da manutenção do consumo e do investimento em niveis estáveis.

    Logo a pergunta é como conseguir aumentar as exportações e substituir importações ?

    a) redução do IRC e da TSU nos sectores transacionáveis em primeiro lugar

    b) crédito bonificado e subsidios/QREN direcionados aos sectores trasacionáveis

  3. lucklucky

    “Os ajustamentos pró-ciclicos, palavrão que quer dizer juntar à recessão económica uma contração da despesa pública, nunca funcionaram. Nunca. Em lado algum.”

    Só pode dizer isto quem acredita que é os gastos do estado que criam crescimento…e crescimento maior que o endividamento.

  4. Meu caro LT,

    Deixei-lhe uma resposta cordata lá na minha casa. (http://financaspublicas.blogspot.com/)

    Lido, já depois, este comentáriom, devo dizer-lhe que não partilho do fetiche que a Academia em Portugal apresenta por muitas citações … ainda assim, encontra lá alguma (pouca) resposta.

    Não me parece que o fundamental seja estarmos aqui a elencar fontes para um lado e para o outro, porque as há, dou-lhe o benefício da dúvida de que o sabe, para todos os gostos.

    Disse e repito que não funciona. Nunca. Em lado nenhum.

    E explico porquê … as vezes que for preciso, sem a ilusão de que, aqui no Insurgente, verdadeira região austro-chicaguense da blogosfera portuguesa – e muito bem, porque para pensamento monolítico já basta o de outras paragens – vá conseguir convencer quem quer que seja.

    O inverso também é verdade, já agora.

    Cordias saudações,

    MCF

  5. JLeite

    @ Pedro Alves.
    Quem cria emprego são os clientes das empresas, não são as empresas nem os respectivos donos. Para o efeito é preciso que haja dinheiro no bolso dos clientes para que eles consumam/invistam.
    O emprego é criado quando é necessário aumentar a capacidade instalada, quando a existente não chega para a procura.

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