Crónica de uma morte anunciada

A apresentação da proposta de OE 2013 colocou o prego final no caixão da esperança que eu e muitos dos que votaram no PSD ou no CDS  tinham na implementação de reformas estruturais no Estado.

Existia a possibilidade de não terem sido implementadas até agora as ditas reformas porque estas implicariam uma mudança radical na orgânica do Estado o que só seria viável  com o primeiro orçamento feito por este governo. Teria o governo aproveitado este ano em que implementou um OE desenhado à pressa em 2011, para, nos gabinetes, desenhar o Estado reformado que tantas vozes destes partidos consideraram fundamentais. Um Estado que senão ideal para as ambições liberais de tantos que votaram nos partidos da coligação, que pelo menos diminuísse as funções e peso do Estado o suficiente para diminuírem a carga fiscal que já era insuportável para quem quer trabalhar e produzir. Um Estado mais promotor de liberdade de escolha e concorrência e menos garante de benefícios de corporações de rendas de interesses instalados. Era esta a esperança. A esperança que morreu.

Neste momento está claro que não foi o caso. Andaram em 2012 a fazer a gestão corrente do Estado que é aquele que gostam. Gostavam de ter mais dinheiro de contribuintes e, porque não, dos bancos, para gastar mais neste Estado que tudo consome. Mas é só isso que gostariam de ter de diferente. É deste Estado que gostam. Está claro e não está aberto a discussões.

Não se coloca em questão que muitos dos que estão no governo e na AR não estão de acordo com os Partidos. Como demonstraram na aprovação do OE os deputados da maioria, votamos em partidos, não em deputados. O CDS e o PSD mostraram que gostam deste Estado. Os indivíduos dentro do partido que não estão de acordo são portanto irrelevantes. E parece que só são aceites enquanto forem irrelevantes. Desde que não coloquem em questão o modelo de Estado que os partidos em que estão gostam e ajudaram a construir nos últimos 30 anos.

Este OE 2013 é a morte da relação o PSD e o CDS e os seus eleitorado que não gostam deste Estado. Este foi o erro político que os dirigentes destes partidos fizeram. Preferiram que o PSD e o CDS continuassem a ser os partidos das corporações e interesses. Terão feito bem as contas? Espero que não, será sinal que cada vez mais portugueses entenderam para que é que servem os partidos no nosso sistema político e a real diferença entre eles.

Quanto aos deputados que nos estão mais próximos, pessoal e ideologicamente, o Adolfo Mesquita Nunes e o Michael Seufert, apenas posso dizer que espero que lembrem o seu líder que deve esperar que o eleitorado agrícola e idoso lhes permaneça fiel, porque o eleitorado jovem liberal já perderam.

17 pensamentos sobre “Crónica de uma morte anunciada

  1. Slint

    AHHHH Então tu realmente votaste no PSD! É bom ver alguém admitir isso, é que quando as coisas dão para o torto(como sempre) o pessoal diz sempre “eu não votei neles”, fico a pensar que houve fraude eleitoral, já que ninguém votou neles.
    Pois bem…votaste neles, agora tens que os aturar! Mas diz-me sinceramente o que te fez votar neles? Não bastaram já os 30 e tal anos sempre com os mesmos do costume? ora deputados, ora secretários de estado, ora ministros, ora primeiros ministros? O que é que achavas que iria ser diferente. Eu não consigo entender, juro que não consigo.
    Como o meu pai diz: Pessoa que vota PS/PSD/CDS ou é burro ou anda a comer do tacho. Por isso diz-me qual és tu?

  2. Ricardo G. Francisco

    Caro Slint,

    Em relação à sua conclusão de que votei no PSD, sugiro que aprenda lógica para conseguir interpretar o que lê. Essa falta de capacidade de raciocínio lógico também explica a sua última pergunta. De qualquer forma a razão para muito votarem no PS/PSD/CDS é porque não querem partidos suportados por ideologias assassinas no poder. A maioria de votos longe de PCP/BE é o único indício que os Portugueses ainda podem ter alguma salvação.

  3. Bst

    Mas esperava-se outra coisa? Com Passos e Portas? Com a maçonaria, que depende da força do estado (que infiltrou) em força no governo? O Nunes (maçon?) e o Seufert fazem o que lhes mandam.

  4. JB

    Os “liberais” do nosso parlamento nao acreditam no “livre mercado”. Vai daí e votam conforme as ordens do chefe para não perderem o “tacho”.

  5. António Almeida

    Os liberais do nosso parlamento e desta casa não vão ter muito tempo para saborear o tacho. Nas próximas eleições o CDS volta aos 5-6% e eles não voltam a ser eleitos. Cá se fazem cá se pagam!

  6. vivendipt

    No PSD já deixei de votar desde o tempo do Durão Barroso e o prometido choque fiscal e agora irei estender a mesma intenção ao CDS-PP. Não alimento parasitas nem mentirosos.

    Já quem vota na esquerda em Portugal é um caso para atenção psiquiátrica. De quem vive no mundo da lua.

    Alternativas? Não há. Portugal é cada vez mais um não país…

  7. Rafael Ortega

    Faça um partido liberal ou o que lhe quiser chamar.
    Proponha na campanha eleitoral o que defende aqui no blog. eu voto em si, mas duvido que a maioria dos portugueses vote. O Socialismo está demasiado entranhado.
    Os portugueses estrebucham quando aumentam os impostos porque não sabem fazer contas e ver que os “ricos” não conseguiam pagar-lhes a crise e o Estado Social nem que lhes expropriassem tudo.
    No fundo o Gaspar até tem razão quando diz que os portugueses têm que escolher entre impostos ou cortes no Estado Social. A escolha está feita há muito tempo.

  8. JLeite

    As reformas estruturais já eram e ficarão para o próximo default.
    Com a recente benesse à Grécia e assumindo que vão aplicar as mesmas regras aos restantes países intervencionados, os governantes não vão conseguir resistir a cavalgar a onda e vão deixar ficar tudo como está.
    Mas, não é a primeira vez. Em tempos, por volta de 1675, o Conde da Ericeira proibiu a importação de lanifícios ingleses pois eram o item que mais pesava na balança comercial portuguesa. Passados alguns episódios históricos entretanto chega-se a 1700 e atraca a Lisboa o primeiro navio com ouro vindo do Brasil. Com a fartura de dinheiro que começou a haver na ocasião, foram levantados todas as restrições às importações.
    Em suma, perspectiva-se mais do mesmo. E se assim for, que merece um país que nem com a sua própria história aprende?

  9. lucklucky

    “As reformas estruturais já eram”

    Nunca haverá reformas estruturais, as pessoas não mudam a forma de pensar com essa facilidade. A unica coisa que acontecerá é o definhamento.

  10. Joaquim

    Como é possível assumir a decisão de não votar PSD ou CDS ao mesmo tempo que se recusa categoricamente a via do socialismo? Haja bom senso, a pólvora seca não resolve nada, só cria ruído. O OE 2013 é horrível, mas qual é a alternativa? Não me venham dizer candidamente que basta cortar na despesa pq essa já ninguém compra. A não ser que especifiquem e quantifiquem o que querem dizer.
    Já chega uma oposição sem qualidade, incapaz de se concentrar no essencial; deputados da coligação sem espinha, com ambições oportunistas e uns media que me deixam refém dos blogues. Tentemos manter alguma calma nos blogues de referência, resistam por favor à crítica estéril que surfa a onda. É preciso arregimentar em torno de causas concretas, com ideias concretas. Chega de atirar “bolas para o pinhal”.

  11. Miguel P

    (12)Caro Joaquim, se for um leitor atento d’ “O Insurgente”, saberá certamente que foram apresentadas inúmeras propostas pelos seus membros para o corte das gorduras do Estado. Foram propostos cortes nas fundações, nos observatórios, nos subsídios e numa outra série de roubos perpetuados pelo Estado, é uma questão de procurar. Bem haja

  12. Miguel P

    (Quanto ao texto) Subscrevo a proposta de Rafael Ortega (comentário 8), criem um partido, os senhores mostram ter capacidade intelectual, falta agora passar a palavra. Que se ande por universidades, cafés, restaurantes, comícios, que se faça de tudo, porque está provado que se não formos nós, vai ficar tudo na mesma. É uma questão de agir ou “morrer”. Esta traição cometida pela ala “liberal” do PSD e do CDS prova que não podemos contar com eles, mas eu pergunto, se eles não merecem o nosso voto, quem o merecerá? PS?BE?PCP? … estamos entre a espada e a parede e precisamos urgentemente de alternativas. Se elas não existem, então, ao bom espírito capitalista, criamo-la nós!

  13. lucklucky

    “Como é possível assumir a decisão de não votar PSD ou CDS ao mesmo tempo que se recusa categoricamente a via do soci*lismo?”

    Ainda não descobriu que o PSD e CDS são soci*listas?

  14. Joaquim

    (13) Houve cortes nas frentes que refere e em mais 100 que não refere. Vc é que não está atento.
    (15) Caro Lucky Luke, nem os xuxas são socialistas, quanto mais o PSD e o CDS. Vc deve saber que no contexto em que nos encontramos é preciso renegar algumas regras básicas do liberalismo para que lá mais á frente possamos ter condiços para pegar no tema como deve ser.

  15. Miguel P

    (16) Pois, fim do RSI, dos subsídios ao aborto, dos observatórios e o fim das missões militares portuguesas! Oh wait… não houve cortes nenhuns!

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