Da insensibilidade social de quem defende o direito à greve

Diz o Sérgio Lavos que eu sou “fascista” porque considero imoral o direito à greve. Realmente, a malta do Arrastão a classificar pessoas é implacável, Qualquer argumento que seja elaborado – concorde-se ou não – e abane com o status quo, em vez de rebatido, é atacado aos berros, com rótulos de “fascista”.

Sim, considero imoral que grupos corporativos queiram defender interesses próprios, exercendo um direito que tem como condição de eficácia prejuízos causados a terceiros, em particular aos elementos mais frágeis da população, que mais dependem dos transportes públicos, da saúde pública, e da escola pública. Serei fascista por considerar imoral um direito que se alimenta do sacrifício das liberdades de terceiros?

Eu sempre recusei todo o tipo de totalitarismos, sejam de direita, sejam de esquerda. O equilíbrio está na valorização das liberdades, mas das liberdades de todos, e não de alguns. O que pergunto é, como devemos classificar quem acha que o direito à greve se autojustifica, porque sim, e que a vontade e os interesses de alguns legitimam danos maiores causados à comunidade? Aceito sugestões. 

26 pensamentos sobre “Da insensibilidade social de quem defende o direito à greve

  1. Meu caro, o problema de análise é sempre o mesmo: achamos que temos direitos e não aceitamos a sua diminuição ou a sua posição em causa; seja quanto a salários, seja quanto a serviços, seja quanto a liberdades, nada queremos ver diminuído; ou seja, nós não queremos aceitar que estamos na penúria, portanto das duas, uma: ou não estamos mesmo e o Governo está a mentir, ou estamos de facto e as oposições querem-nos enganar com o sentido de serem elas a ocupar o poder, porque é de poder que se precisa quando há crise, guerra ou penúria; é que quem está no poder sempre se protege melhor e melhor protege os seus. Creio ter respondido: os direitos para certa gente são intocáveis, até eles serem poder… uma vez no poder não «faltarão sacrifícios pelo poder, pelo partido, pelo grande líder»…

  2. Bruno

    Rodrigo, tem toda a razão. O Sérgio Lavos como qualquer comuna ou neo-comuna, não pode sequer ousar fugir ao que a cassete que aprendeu na adolescência diz, e por não poder fazê-lo, aproveita para mandar bitaites contra quem pensa diferente dele naquela cena do “deixa-me chama-lo fdp antes que ele me chame a mim”.

  3. fernando tavares

    Esta gente UGT e afins sabem que, paralizando os transportes, onde tem um poder inaudito e até anti-democrático, a “Greve,chamada, Geral” (sem tiros de pistola como aconteceu em Matosinhos contra um autocarro dos STCP que fazia o seu serviço), são meia duzia ou vá lá duzia e meia, de avençados da UGT,( sem recibo verde), que não perdem o dia de trabalho, pois o Sindicato é suficientemente «RICO» para lhes pagar o dia de greve!

    Ridículo, o argumento da UGT, para decretar uma Greve Geral, num País que, o que mais precisa será de encontrar meios de subcistência e trabalho urgente.

    Ridículo num País que, tem um Partido Comunista ligado umbilicalmente à CGTP e que, continua como há 30 e tal anos, a fomentar o «Quanto pior Melhor»!

    Nem o ” Muro de Berlim” os fez abrir os olhos!

    Não é com a paralização dos transportes, obrigando os mais necessitados a terem que ficarem nos apeadeiros ou nas paragens dos autocarros,sem meios económicos para alugarem um táxi que, se mede a adesão a uma Greve Geral, isto para si, Sr Arménio.

    Tudo isto, não passa de uma vigariçe encapotada oportunista das maleitas que o povo está a sofrer para políticamente tirar dividendos eleitorais e naturalmente atingirem fins inconfessáveis talvez como malfadado…. PREC.

    Curiosamente eu ««vi-o»»,lá estava ele, há pouco na TV que, lhe dá tempo de antena a este tresloucado que, os brandos costumes Nacionais o continuam a autorizara fazê-lo, encolhendo os ombros, quando tal personalidade debita os maiores dislates anti-democráticos, inclusivê propondo nova revolução armada!
    Enfim temos o que merecemos.

  4. João Afonso

    Não se esqueça que quem lhe chamou fascista, foram os mesmos que apelidaram de fascista o Dr. Mário Soares, em 1975, quando fez frente à implementação de uma ditadura de esquerda

  5. GriP

    (…)mas das liberdades de todos, e não de alguns(…)

    Espero que esteja também a contemplar a liberdade daqueles que não pretendem financiar transportes públicos, saúde pública e escola pública.

  6. Marco

    «como devemos classificar quem acha que o direito a cobrar juros crescentes se autojustifica, porque sim, e que a vontade e os interesses de alguns legitimam danos maiores causados à comunidade»

    «como devemos classificar quem acha que o direito ao lucro se autojustifica, porque sim, e que a vontade e os interesses de alguns legitimam danos maiores causados à comunidade»

    «como devemos classificar quem acha que o direito à propriedade privada se autojustifica, porque sim, e que a vontade e os interesses de alguns legitimam danos maiores causados à comunidade»

  7. Guillaume Tell

    Racista.

    Já agora proponho que seja organizada uma greve casa dele, só teremos o direito a atirar pedras aos muros, incendiar os seus caixões do lixo, proibir a outros de entrarem na casa dele, e o impedirmos de tomar qualquer tipo de transporte.

  8. nightwishpt

    “Sim, considero imoral que grupos corporativos queiram defender interesses próprios, exercendo um direito que tem como condição de eficácia prejuízos causados a terceiros, em particular aos elementos mais frágeis da população, que mais dependem dos transportes públicos, da saúde pública, e da escola pública.”

    E os que assinaram o acordo com a troika, andaram a brincar às nacionalização de prejuízos e privatização de monopólios, bem como demais negócios nada obscuros, e usam a força de matilhas treinadas para agredir grávidas e idosos diz o quê? Já os frágeis não contam?

  9. Lobo Ibérico

    @nightwishpt,

    “andaram a brincar às nacionalização de prejuízos”
    > Lucros privados, prejuízos privados. Daí a necessidade de Estado __mínimo__. Não mete o bedelho onde não deve. Não escolhe vencedores ou perdedores. É para falir, é para falir.

    “privatização de monopólios”
    > Monopólios são maus. __Todos__. Repita.

    “usam a força de matilhas treinadas para agredir grávidas e idosos”
    > Dafuq?!

  10. Pingback: rodrigo, o vermelho « BLASFÉMIAS

  11. “Sim, considero imoral que grupos corporativos queiram defender interesses próprios, exercendo um direito que tem como condição de eficácia prejuízos causados a terceiros, em particular aos elementos mais frágeis da população, que mais dependem dos transportes públicos,”

    Muito bem, quem mais as greves prejudicam são os elementos vulneráveis. Faz mesmo pena ver aquela gente toda à espera de autocarro. Ou pensar que também perderão 1 dia de salário. Os outros vão para o trabalho de carro. A esquerda é mesmo fascista, são eles quem mais mal faz aos pobres e quem mais impõe a sua vontade sobre os outros.

  12. Bravo! Está a falar da corporação bancária que tem feito greve à concessão de crédito, prejudicando não só os “elementos mais frágeis” da população como a generalidade das pessoas e a própria economia, certo? Ou será que o seu julgamento se circunscreve a qualquer acção empreendida por um qualquer Arménio Carlos? Atente para a corporação de interesses obscuros representada pelo Salgueiro do Salgado. Verdadeiros subsídio-dependentes, não concorda? Se mantiver a mesma linha discursiva, afirmarei a sua coerência intelectual. Em todo o caso, cumpre relembrar que a proibição/condicionamento do direito à greve é marca típica de regimes totalitários. De esquerda e de direita (vê como não sou sectário).

  13. PedroS

    “a corporação bancária que tem feito greve à concessão de crédito”

    Ninguém é obrigado a emprestar dinheiro a ninguém…. Se acha o contrário, então sugiro-lhe que me empreste €500000 para uma ideia de negócio que tenho, com juro de 1.5 % e um prazo de pagamento de 15 anos. mando-lhe o meu NIB para me colocar o dinheiro na conta, OK. Se recusar, foi acusá-lo de estar a fazer greve à concessão de crédito 😉

  14. juvenal clemente

    Qualquer noviço em direito de trabalho lhe dirá que a relação entre um empregador e um trabalhador não é de igualdade. O trabalhador dá trabalho e o empregador dá dinheiro por esse trabalho. Como tão bem você sabe, o trabalho é a única “arma” do trabalhador para tentar mudar as coisas. Porque é a única coisa que ele traz à mesa de que a outra parte precisa.

    Como qualquer noviço em relações humanas lhe dirá, quando você tira à outra parte aquilo que ela precisa de si para ter benefício próprio, geralmente as coisas tendem a mudar.

    Gostava de o ouvir falar em “cooperação na democracia” quando, em nome do mercado livre, os trabalhadores recebem cartas de despedimento colectivo porque o patrão decidiu que era muito mais barato pagar 50 cêntimos a mil chineses e os mete a todos no desemprego.

    Já isto… “considero imoral que grupos corporativos queiram defender interesses próprios”

    Nesta altura de crise em que estamos, o interesse próprio é tentar manter o emprego, tentar que não se baixem os salários mais, tentar que não se aumentem os impostos, tentar fazer ver que as vidas estão uma miséria, tentar fazer ver que o Estado tem sido negligente na maneira como gasta o dinheiro que nos cobra, tentar fazer ver que o Governo tem de impor regras aos autarcas, tentar fazer com que a Justiça actue como deve ser, tentar fazer com que os bancos não sejam os agiotas que são.

    Se isto são interesses próprios só daqueles que fizeram greve, você não está a ver o Mundo e Portugal com as lentes certas.

  15. juvenal clemente

    “Ninguém é obrigado a emprestar dinheiro a ninguém…. ”

    Você sabe perfeitamente como é que viemos aqui parar. Sabe perfeitamente que foram os empréstimos à toa feitos pelos bancos a países e famílias que não os podiam pagar. E agora estamos todos, por causa disso, a pagar o que não temos.

    Não, ninguém é obrigado a emprestar dinheiro a ninguém. O que é difícil é ver as nossas vidas paradas, vir alguém com a solução mágica que é o dinheiro, pensarmos nos nossos filhos a sofrer e dizermos “não, que não sei se consigo pagar isso daqui a 10 anos porque a bolha pode rebentar”.

  16. Danny Martins, por princípio, sou contra a recapitalização de bancos com dinheiros públicos, assim como entendo que os bancos devem emprestar dinheiro a quem quiserem, não são obrigados a fazê-lo. Agora, a partir do momento em que os bancos aceitam dinheiros públicos, ficam reféns, pelo menos em parte, dos governos em questão, e no fim, dos grupos de interesse que os rodeiam. O que acaba por acontecer é que há uns que conseguem crédito, sem o merecerem, e outros, que não o merecendo, não o recebem, mas porque têm menos capacidade de influência. E quem paga é o contribuinte, por via de impostos. A solução para os mais frágeis não é crédito, o crédito a quem não tem condições só serve para aumentar a pobreza e a dependência; a maneira de os proteger é não permitir a injecção de dinheiros públicos que protegem quem mais tem, à custa dos impostos de todos, incluindo dos mais pobres.

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  18. Meu caro Rodrigo, sou um comuna do pior, mas não acho que seja um fascista. Acho é que, como todos os da sua escola de pensamento, o Rodrigo é um egoísta, o que é pior que ser fascista. (Ao menos os fascistas tinham uma ideia sobre o colectivo e sobre o bem comum, o egoísmo não tem ideias e é próprio dos animais irracionais). O que é pena, que não o considero um animal irracional e, até acho que aborda alguns temas com inteligência e brilhantismo. Acho ainda pena que desperdice tanta inteligência e conhecimento a promover o egoísmo. Mais coerente seria estar isolado e quieto na sua vida iluminada.
    Aconselho-lhe a ler, ou reler, o pensamento filosófico-político de Tolstoy, nem que seja na wikipedia, só para o ajudar a criar pontos de contacto com aqueles que não têm a sua sorte nem o seu privilégio. Sabe que, infelizmente nem toda a gente tem, ou teve acesso a, à mesma literacia económico-financeira que aqui demonstra.
    Eu da minha parte vou continuar a aprender com o que escreve.

    Um abraço.

  19. Meu caro Rodrigo, vou aqui maça-lo de novo com a minha visão comuna do mundo e sobre o futuro.
    Vou aqui passar a minha argumentação que fiz numa discussão que se passou entre amigos no facebook e que teve como princípio um post de uma amiga que dizia assim “Piças para as greves dos transportes, trabalhem como todos nós, estamos todos a passar pelo mesmo!”. Os argumentos dos anti-greve eram na base do “perguiçosos”, “ah comprei o passe…” e apenas o mais inteligente que nem sequer era contra a greve, era contra o estado a que isto chegou foi de um senhor de 65 anos que se deu ao trabalho de argumentar. Os Anti-grevistas não tinham grandes argumentos que fossem para além do seu próprio egoísmo.
    Passo então a listar os meus posts por ordem (depois se quiser posso-lhe mandar um screenshot da conversa toda)
    1.”Estás a pensar ao contrario. Nós é que devíamos fazer greve também. Somos é uns conas.”
    2.(temos de trabalhar) feitos escravos, a agradecer a piedosas côdeas de pão que nos dão como ordenado… sim, sim, vou já rezar ao deus Milton Friedman e aos seus santinhos Chicago Boys, por favor alíviem-me do fardo que são os meus direitos sociais. Ámen.
    3.como eu sou um comuna cheio de democracia para dar, e porque sei que há quem não compreenda nem aceite o benefício de longo prazo que as greves produzem na sociedade (e quando falo de longo prazo falo na estruração da sociedade enquanto garantia do bem comum e não no impacto económico imediato), deixo-te aqui um manifesto anti-greve para que possas reenvindicar os teus direitos. Porque nós os comunas, preocupamo-nos com os direitos de todos, não é só com os de cada um. Beijinhos Tolstoinianos. http://ocomunaquehaemmim.wordpress.com/2012/11/27/manifesto-anti-greve/
    4.(sobre as empresas já terem facturado o dinheiro do passe) Os teus argumentos são válidos e tudo isto é matéria de reflexão, é certo. Mas as coisas não estão certas ou erradas em função da perspectiva de cada um. É verdade que há alguma descoordenação na luta laborar e pelos direitos de todos. E tudo isto devia ser discutido e repensado. Mas, essa conversa deverá ser noutro forum mais apropriado, entretanto vou-te incendiando o espírito Beijos incendiários
    5.só uma adenda, o objectivo da greve não é prejudicar as empresas, isso é um mito criado pela catequese capitalista, nenhum trabalhador em perfeito juízo quererá destruir aquilo que lhe dá o sustento. A greve serve, como última instância, para reivindicar direitos. É um argumento de negociação. Um argumento que, como tu muito bem sabes, os designers não têm, e bem jeito nos dava.
    6.(sobre a compra do passe) Esse é um problema que existe entre o Utente e a Empresa, e que tem de ser a gestão da empresa a resolver, como em qualquer disputa entre consumidores e marcas. Provavelmente, os utentes deveriam ter o direito de reivindicar o direito de reaverem do dinheiro do passe ou de serem recompensados pelo transtorno. Se calhar até têm, se calhar não se informam o suficiente. A “guerra” não é entre os trabalhadores e os utentes, tal como a catequese neo-liberal nos tenta convencer. Todos temos direitos e todos os devemos reinvindicar e, como utentes temos de os reinvindicar junto das empresas, como fazemos com qualquer outro serviço.
    Não me digam que vocês quando ficam sem MEO, ficam a refilar com os eletricistas da PT em revolta conspirativa em vez de telefonarem para a assistência ao cliente e pedirem para vos resolver o problema?
    7.Obrigado pelo seu contributo, José C. Desculpe não tratá-lo por senhor, apesar de acreditar que o seja. Mas a malta cá da ideologia tem estas “ruindades” Acredite que partilho de quase tudo o que diz. Só lhe peço que reflicta se as políticas a que estes governantes, os que estão e os que têm passado, não serão um maior prejuízo para o país que todas as greves juntas. Com todos os talentos que emigram, com cada vez mais gente sem dinheiro para gastar na economia real e com um estado cada vez mais sofrego da riqueza criada pelos trabalhadores, que nem a usa para melhorar as funções sociais do Estado mas sim para pagar dívida, que alguém contraíu acima das minhas (nossas) possibilidades. Não sei se tem presente o orçamento de estado para 2013, mas posso adiantar-lhe que cerca de 67% da despesa total do estado é na Gestão da dívida e Tesouraria Pública. Ao pé disto, os gastos com a educação ou com a saúde são para meninos. Lembro-lhe que a função principal do Estado é zelar pela coisa pública e pelo bem comum, não alimentar a desalmada e desumana especulação capitalista. Resta-me dizer-lhe que há quem não se esteja nas tintas, e que se mais pessoas, tal como José fez, participassem na discussão pública, mais depressa encontraríamos a solução. Olhe para a Islândia, eu sei que são só cerca de 300.000 pessoas, mas conseguiram entender-se e encontrar uma solução. Deviamos seguir o exemplo. Abraços meu caro José C. E mais uma vez obrigado pelo seu contributo.
    8.quando a economia se desgraçar toda e estivermos no desemprego forçado, vamos todos ter boas desculpas para não trabalhar… André F, eu também odeio perguiçosos sobretudo os que ganham a vida, sem nada fazerem, com o resultado do trabalho dos outros. Mas esse não fazem greve. São sérios…
    9.o sr teu pai é um sr com certeza. e não será só por ser teu pai. e tem todo o meu respeito como qualquer outra pessoa. até os capitalistas têm o meu respeito
    10.respeito todos, é a única maneira de mudar isto
    11. (piças para o Milton Friedman) o Friedman faz parte do pensamento neo-clássico do liberalismo, não devemos chamar-lhe liberal mas sim neo-liberal… o pensamento clássico do liberalismo até era fixe, era mais humano pelo menos.

    A partir daqui foi mais ou menos palhaçada 🙂

    Espero que o tenha elucidado sobre a moralidade do direito à greve, e também sobre a moralidade de, em conjunto, ou individualmente, todos termos meios de defender os nossos direitos. Pois há quem não tenha outra ferramenta de negociação, ou a capacidade de argumentação que o Rodrigo aqui tão bem demonstra. Nem todos somos iluminados. Infelizmente.

    Abraços comunas.

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