Para que serve um banco público?

Para emprestar dinheiro a empresários amigos para que estes adquiram acções noutras empresas e lá escolham administradores amigos do governo (lembram-se de uma certa passagem da CGD para o BCP, não lembram?).

Como uma CGD tem sido tão útil na promoção da promiscuidade entre estado e grandes empresários, é de esperar que a ideia luminosa de criar um banco de fomento vá ter grande sucesso junto da classe política.

22 pensamentos sobre “Para que serve um banco público?

  1. Henrique Gama Pinto

    E para que serve um banco privado? Esses não “emprestam dinheiro a empresários amigos para que estes adquiram acções noutras empresas e lá escolham administradores amigos”?

  2. Miguel Noronha

    Na… Os privados sao ganaciosos e adoram lucros. Nao gostam de perder dinheiro. Ja os politicos podem brincar ah vontade com os bancos publicos.

  3. Luís Lavoura

    Ia fazer a mesma pergunta que no comentário 2. Se um banco público pode fazer isso, um banco privado também pode. O banco privado A pode emprestar dinheiro ao senhor X para que este compre ações do banco privado B e ajude a escolher para administradores de B pessoas amigas dos administradores de A.
    O comentário 3 não colhe, já que não é forçoso que o senhor X perca dinheiro com esta operação de compra e posterior revenda das ações do banco B.

  4. Henrique Gama Pinto

    Adoram lucros? Não gostam de perder dinheiro? Não foi o que o novo presidente do BCP disse em entrevista, referindo-se ao passado do seu banco…
    “os políticos podem brincar ah vontade com os bancos públicos” Infelizmente é bem verdade Miguel, mas já agora acrescento que os Bancos Privados brincam à vontade com os políticos.

  5. lucklucky

    E depois? só investe num banco privado quem quer. Nós somos todos obrigados a investir na CGD.

    É só contar os recentes aumentos de capital…

  6. Miguel Noronha

    Nem mais lucklucky.
    Eh engrançado darem como exemplo o BCP que foi precisamente um dos bancos “colonizado” por politicos graças ao dinheiro dos contribuintes. O caso Berardo reporta directamente a esse episodio.

  7. Luís Lavoura

    graças ao dinheiro dos contribuintes

    A Caixa Geral de Depósitos não recebe dinheiro dos contribuintes (em geral, exceto em raras recapitalizações). Governa (mal em minha opinião) o dinheiro de quem lá o deposita.

  8. Luís Lavoura

    Nós somos todos obrigados a investir na CGD.

    O Estado português não investe na CGD. Pelo contrário, suga-lhe impostos (tal como a todos os outros bancos).
    O Estado português, quando muito, recapitaliza ocasionalmente a CGD, mas isso é raro. Teve que o fazer recentemente, em grande parte devido à alteração das regras bancárias imposta pelo BCE.
    O lucklucky não é obrigado a ter conta na CGD, se considera que esse banco administra mal o dinheiro nele depositado.

  9. Luís Lavoura

    Aquilo que chateia sobremaneira os insurgentes é que a Caixa Geral de Depósitos, apesar de ser pública, permanece o maior banco português.
    Por mais que os insurgentes façam propaganda contra a Caixa, a maioria dos portugueses parece continuar a confiar preferencialmente nela.

  10. APC

    “O Estado português, quando muito, recapitaliza ocasionalmente a CGD, mas isso é raro.”

    Ocasionalmente? Ou todos os anos desde 2007 e com um saldo negativo de 2.1 mil milhões de euros mesmo depois de receber dividendos? E isso de alterar as regras nos rácios de capital terá sido porquê? Ou devem os bancos continuar a funcionar com níveis de alavancagem absolutamente ridículos? Saudosos eram os tempos em que todos os funcionários públicos tinham conta na cgd, créditos na cgd, poupanças na cgd…

    A título profissional, trabalhar com a cgd é um martírio, poucos são os bancos tão estupidamente burocráticos como a cgd…

  11. Guillaume Tell

    “Por mais que os insurgentes façam propaganda contra a Caixa, a maioria dos portugueses parece continuar a confiar preferencialmente nela.”
    A maioria dos portugueses também confiam nos políticos, não fosse o caso não iriam votar para a AR.

  12. edgar

    Como todos sabem a CGD tem sido gerida como se fosse banco privado e daí os prejuizos com a carteira de acções de outros bancos e de empréstimos muitos contestados.
    Mas falar assim esquecendo o que se tem passado nos outros bancos, estes privados, dos quais o BPN e BPP são exemplos maiores, é pura demagogia.
    O que não se percebe é que a banca privada tenha financiamentos do BCE a taxas simbólicas e possa emitir meios de pagamento para cobrar os juros e taxas que quer.

  13. Fernando S

    “O Estado português não investe na CGD… recapitaliza ocasionalmente a CGD”

    Por sinal, “recapitalizar” é “investir” !….

    Mas, das duas uma :
    – ou é verdade, e até certo ponto até é, e neste caso a pergunta é porque é que a CGD continua a ser do Estado ;
    – ou não é verdade, e até certo ponto não é (como lembra o APC), e neste caso a pergunta é porque é que o Estado gasta o dinheiro dos contribuintes (de todos, não apenas dos clientes) para manter artificialmente um Banco que, apesar dos privilégios de que goza, não faz mais e melhor do que os Bancos privados, antes pelo contrario.

    A existencia de um Banco do Estado, para além de ser um desperdicio de recursos, adultera e falseia fortemente a sã concorrencia num sector que bem precisa dela.

    Também é verdade que, num sistema economico onde o Estado capta mais de metade da riqueza nacional e interfere fortemente no resto, os outros Bancos privados acabam por estar também numa certa relacção de dependencia e de uma relativa promiscuidade com o poder politico. Esta ligação forte do Estado ao sistema bancario foi um dos traços principais do modelo economico actualmente em crise.

  14. Miguel P

    O caso da CGD é tão grave que, caso o Estado quisesse renegociar a dívida, não o ia conseguir, tal é o montante que a Caixa tem em sua posse de dívida pública! Ora se o Estado optasse por uma renegociação da dívida, ia afetar a CGD (e outros bancos) tão fortemente, que ia ser necessário uma intervenção estatal para o(s) salvar, o que por sua vez, levava o Estado à falência! Caso se decidisse por deixar cair os bancos, as famílias iam, na sua maioria, à falência (com todas as consequências que esta decisão acarretaria). É assim óbvio que a criação de um banco de fomento é uma grande asneira, como é qualquer tipo de política “pública” (principalmente em Portugal). Concluo dizendo o óbvio: precisamos de menos Estado e de mais liberdade individual …

  15. Luís Lavoura

    Fernando S, eu sou a favor da privatização da CGD, não precisa de me vir dar lições sobre o assunto.
    Agora, reconheço que a CGD tem sido gerida como um banco privado, tendo feito erros similares aos que os bancos privados fizeram.
    Também reconheço que a CGD em geral tem dado lucro ao Estado, ou seja, o Estado não precisa de meter dinheiro dela, pelo contrário, extrai lucro dela. Exceto desde os tempos da crise financeira, que exigiu recapitalizações da CGD tal como as exigiu nos bancos privados.
    Acho muito bem que os liberais, incluindo eu, defendam a privatização da CGD, mas não é preciso para isso estar a dizer falsidades sobre ela.

  16. Luís Lavoura

    Já agora, convem recordar que a CGD é desde há alguns anos responsável pela gestão do BPN, tendo portanto tido que arcar com os prejuízos resultantes desse banco.

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