No Fio da Navalha

 

O meu artigo de hoje no jornal i.

Prioridades

Isabel Jonet, presidente do Banco Alimentar, afirmou na passada semana que, por não ser possível continuar a sustentar a prestação gratuita de certos serviços estatais, será necessário reaprender a hierarquizar as prioridades. O que parece óbvio indignou muita gente, principalmente nas redes sociais, onde as pessoas se encolerizam mais depressa que a própria sombra.

Pelo menos desde Salazar que o Estado trata os Portugueses como crianças. À época não podiam votar porque não percebiam nada de política. Agora porque não sabem escolher. Crianças a quem, oferecido o essencial, lhes foi permitido o acesso a certos luxos: a um consumismo desenfreado conseguido à custa de se ter o necessário de borla e que resultou na desresponsabilização individual. A título de exemplo, quantos não dão fortunas por bens dispensáveis, mas não aceitam pagar a educação dos filhos? Sendo a educação o bem mais duradouro que uma criança receberá, que legitimidade tem quem gasta em bens supérfluos para exigir à sociedade o pagamento de algo que é do interesse do seu filho e para o qual ele próprio não está disposto a contribuir?

Hierarquizar é escolher. Escolher faz parte da liberdade que nos foi prometida, e que é mais que o mero direito ao voto. Liberdade pressupõe escolher, sabendo que quando nos dão algo é porque foi pago por outrem. A justiça implica agir em consciência, não apenas dos nossos alegados direitos adquiridos, mas também de como eles oneram terceiros.

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10 thoughts on “No Fio da Navalha

  1. APC

    Escolher é algo bastante complicado…

    Que o diga todos aqueles que decidem, por exemplo, tirar o curso de letras, psicologia, matemática ou biologia, estão a escolher o que gostam de fazer e ao mesmo tempo estão a escolher um curso que vai tornar o acesso a um bom emprego algo de bem mais complicado. Têm três opções, ou criam o próprio emprego e empreendem ou buscam emprego noutro mercado que não o Português ou então sabem que vão ter de estar entre os 1% dos melhores e ter acesso a bolsas de investigação.

    Muitos portugueses escolhem a 4ª opção, esperar que o estado “crie” empregos e dê sustento a todos.

    E depois admiram-se que estamos como estamos.

  2. jhb

    “conseguido à custa de se ter o necessário de borla”

    Quê? Quando é que se deixou de pagar impostos em Portugal?

  3. Pingback: No Fio da Navalha « 25 de Novembro sempre !

  4. PiErre

    André Abrantes Amaral está a lançar uma grande confusão. Então não sabe que quem gastou fortunas colossais em bens dispensáveis foi o Estado, liderado por governos incapazes e não o cidadão comum que foi esbulhado à força dos rendimentos do seu trabalho para sustentar as arbitrariedades extravagantes das “elites” políticas?
    Em que mundo e em que país é que vive, senhor André Abrantes Amaral? Quem são afinal os irresponsáveis que se lançam em consumismos sem rei nem roque, ainda por cima extorquindo o dinheiro dos outros para o malbaratar?

  5. Reinaldo Coelho

    Gostava de saber a lista dos depositantes do BPN, aquando da nacionalização.Para ver quem vivia acima das possibilidades.

  6. Pedro

    PiErre, não foi só o estado que gastou fortunas colossais em bens dispensáveis e para constatar essa realidade basta ver que o stock da dívida dos privados e das empresas representa 370% do PIB, o segundo mais alto do mundo, sendo apenas suplantado pelo Japão.

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