Onde cortar na despesa: cheque-ensino superior

O DN noticia hoje que um aluno do ensino superior privado gasta, em média, mais 3108 euros por ano em despesas de educação do que um aluno do ensino público. Segundo o orçamento de estado e os números apresentados pelas universidades, cada alunos das 3 maiores universidades do país (Universidade do Porto, UTL e Universidade de Coimbra) custará ao orçamento de Estado mais de 5500 euros. Há dois anos atrás, esse valor era 6300 euros.
Eu sugiro, então, uma correcção à notícia. Apesar de cada aluno do privado pagar mais 3108 euros por ano em despesas de educação, efectivamente gasta menos 2399 euros por ano. Os alunos do ensino público gastam mais, mas os contribuintes pagam por eles. Se todos os alunos do ensino superior púlico gastassem o mesmo que os do privado, ou se se substituisse o actual método de subsidiação directa do ensino superior por cheque-ensino, o estado pouparia cerca de 730 milhões de euros por ano, ou o correspondente um terço do aumento de IRS do próximo ano ou o triplo do aumento de IRC.

12 pensamentos sobre “Onde cortar na despesa: cheque-ensino superior

  1. Eu acho que esse argumento funciona bem no ensino secundário (até ao) mas não penso que o mesmo se possa aplicar ao ensino superior. É obvio que há gente a mais e gastos a mais na universidades públicas, mas estas, por norma, tem quase exclusivo dos laboratórios de engenharia, porque não há mercado para o privado.

  2. Carlos Guimarães Pinto

    Emanuel, esse argumento serve se falarmos de investimento inicial. Aqui estamos a falar de custos de funcionamento. Grande parte dos custos de funcionamento são salários o que não deve estar correlacionado com o tipo de cursos que cada um oferece.

  3. Paulo Pereira

    Sim, o estado deveria simplesmente emprestar a cada aluno o valor do custo normalizado por curso e concessionar a gestão das universidades publicas.

    A concorrência e o controle pedagógico e cientifico externo melhoram a qualidade e optimizam o custo.

    É claro que o custo teria de ser fixado de acordo com o andamento do PIB e dos salários medianos.

  4. Comunista

    O cheque ensino é mais uma daquelas ideias para colocar grandes empresas a mamarem deitadas à custa do Estado. A dita maior eficácia do privado no ensino é apenas propaganda. Quem quer vender o seu produto diz sempre que é o melhor e o mais eficaz.

  5. Carlos Guimarães Pinto

    Neste caso é a matemática que o diz. Mas a matemática também deve querer “mamar deitada”.

  6. Comunista

    Qual matemática? Há a matemática dos diplomas duvidosos por metro quadrado em que as universidades privadas são claramente vencedoras. Há a matemática de um mercado privado que começa por ser diversificado e competitivo para terminar concentrado e parasitário, especialmente no que respeita a funções obrigatórias de qualquer país, como é a educação. Parte do cheque ensino seria necessariamente desviado para a mama de acionistas de empresas envolvidas, desviado dos salários dos professores e do pessoal auxiliar que é o que dá o corpo e a mente ao manifesto, seria desviado para sustentar rentistas cujos pés jamais pisariam as escolas. Colocar o cheque ensino em campo levaria a um desinvestimento necesssário na escola pública e, portanto, a favorecer de incício as escolas lançadas por investimentos de grandes empresas, que depois, uma vez consolidadas passariam a exigir aumentos ao Estado e todo o tipo de benesses para levar conduzir as políticas públicas de educação. Vai ser assim por exemplo com a EDP; quando o Estado quiser introduzir alguma política energética que entre em conflito com os maiores accionistas estes vão naturalmente chantagear o Estado, enfim, para dar de um lado vão pedir do outro – e já se sabe que este outro lado é do dinheiro público, dos impostos. O mesmo seria com um sistema de educação concentrado nas mãos de privados.

  7. jhb

    É que ainda insistem no conto de fadas da “superior eficiência do sector privado”…
    E no ensino superior, olhando para o panorama das universidades privadas, o cheque ensino seria um desperdício de dinheiro público ainda maior que as PPP’s…

  8. Joshua

    Só uma questão: qual é o objectivo primordial no Ensino Superior Público e no Ensino Superior Privado? Desde já, obrigado.

  9. lucklucky

    “Colocar o cheque ensino em campo levaria a um desinvestimento necesssário na escola pública ”

    Excelentes notícias. Morte à escola única totalitária. Está com medo de perder o poder?

    “a favorecer de incício as escolas lançadas por investimentos de grandes empresas”

    Não. Favorece quem vier com um projecto atractivo no que dá e no que recebe. Pode ser uma associação de professores – finalmente teríamos os professores a pensar o ensino em vez de serem funcionários que seguem os ditames do Kremlin da 5 de Outubro – pode ser quem quiser.

  10. Comunista

    “Excelentes notícias. Morte à escola única totalitária. Está com medo de perder o poder?”

    Lucklucky

    Não estou disposto ao totalitarismo de duas ou três grandes empresas que dominariam o mercado. Prefiro poder responsabilizar governos eleitos pelas condições do ensino e ter poder de escolha de políticas de ensino público. Retirar o Estado da educação é retirar poder político aos cidadãos sobre a educação pública. E quem pense que o grande capital não tem política é porque anda distraído. É só vê-los na televisão a debitar mundividências. Pessoalmente prefiro que essas mundividências passem pela crítica regular do povo, concretizada, por exemplo, em eleições. Ninguém elegeu este governo para privatizar o sistema de ensino e portanto não tem legitimidade para tal.

  11. Paulo Pereira

    Não é necessário privatizar as universidades públicas mas sim promover a concorrencia entre elas e privadas através de um Empréstimo-cheque-ensino cujo valor seria calculado com base nos custos por aluno em 2012.

    cada universidade publica seria gerida de forma autónoma, sem recurso ao orçamento de estado e com base em propinas fixas e dariam prioridade aos alunos portugueses.

    o ministerio faria uma avaliação orçamental trimestral e pedagógica e cientifica anual em conjunto com entidades externas e seriam publicadas as contas trimestrais devidamente explicadas pela gestão e o relatório anual.

  12. PedroS

    “Prefiro poder responsabilizar governos eleitos pelas condições do ensino e ter poder de escolha de políticas de ensino público. Retirar o Estado da educação é retirar poder político aos cidadãos sobre a educação pública.”

    Acredita MESMO que actualmente os cidadãos têm algum tipo de poder sobre a educação pública?

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