Choldra ignóbil

Aquilo que a Isabel Jonet disse não tem nada de errado ou desadequado com os dias que correm. Qualquer pessoa sensata perceberá isso. O mesmo não se passa com os arautos da democracia que veneram quem tem opiniões iguais às suas e condenam à fogueira quem ousa ter opiniões diferentes. Mas descontando o facto de tais acéfalos não entenderem as declarações de Isabel Jonet ou sequer considerarem a sua capacidade para as dizer (há limitações próprias de quem vê o mundo com tamanho dogmatismo e toldado por ideologias totalitárias), o que acho realmente ignóbil é a crítica animal a uma pessoa que tem passado a vida a ajudar quem precisa. Goste-se ou não dela. Goste-se ou não da maneira como ela o faz. Ao contrário de muitos, Isabel Jonet não se limita a vociferar de mão estendida para o estado, reclamando este mundo e o outro: mete mãos à obra e vai ao terreno, que provavelmente conhece melhor do que os activistas politicamente correctos que a criticam.

Triste país este em que quem ousa fazer bem aos outros fora dos espartilhos dos complexos de dependência do estado e do politicamente correcto vigentes está sujeito a uma apreciação tão abjecta desta choldra ignóbil.

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48 pensamentos sobre “Choldra ignóbil

  1. hotboot

    “mete mãos à obra e vai ao terreno” é aí que está o pecado capital, nesta choldra à beia-mar plantado é que faz e trabalha que é criticado; é quem dá o seu melhor que é ofendido, é quem rende mais que é explorado. Mas alguém se admira que agora se queixam que não há empreendedores, que não há quem invista… aconselho esses a ler o discurso de “John Galt”, o que passa por cá é tal e qual e a piorar cada vez mais…

  2. Rafael

    Há a crítica animal a uma pessoa que tem passado a vida a ajudar quem precisa. E depois há a crítica animal a quem critica. Isso faz do Tiago Loureiro melhor do que a choldra ignóbil ou membro dela? Também não está a condenar quem não tem uma opinião à sua, qual arauto da democracia?

  3. ricardo saramago

    Quando o bom senso e a inteligência se tornam escandalosos constatamos que a nossa sociedade está mentalmente doente. A crise é mais funda do que julgamos.

  4. jhb

    A Isabel Jonet não está acima de qualquer crítica, para começar. Em segundo lugar, quem defende que o combate à pobreza é uma tarefa do Estado não se coloca numa posição “de mão estendida para o estado” nem nos “espartilhos dos complexos de dependência do estado”, muito pelo contrário, coloca-se numa posição crítica em relação ao desempenho do Estado na matéria. E para terminar, o que ela disse é completamente abjeto sim senhor. Primeiro, e não é a primeira vez, insinua que os que dependem do Estado são uma cambada de chulos preguiçosos o que é redondamente falso, que temos vivido como uns reis acima das nossas possibilidades o que também é falso, e por fim, sai-se com a de que o empobrecimento dos portugueses é bom porque vai-nos levar a ver que a vida não é só consumir e que se não se pode comer bife todos os dias (o que para ela é obviamente um pecado, pelo menos quando certas pessoas o fazem), não se come bife todos os dias.

    Esta do “bife todos os dias” é que a delata. A mulher ainda pensa em termos dos que podiam comprar carne e comê-la regularmente e os pobres que nem uma vez por mês tinham um bife para comer…

    Salazar não o diria melhor…E a cereja em cima do bolo é a de “não há miséria em Portugal”.

  5. João

    Mais até… muitos comentários que foram feitos às palavras de Jonet vêm de pessoas que aparentemente não viram o programa na sua totalidade, tendo apenas visto o video do youtube que por aí circula e que está descontextualizado de tudo o que tinha sido dito anteriormente. Só para exemplificar: Jonet é acusada por muitos de querer manter os pobres como pobres, por isso “fortalecer” o poder da organização a que preside, mas no entanto é ela mesmo que no programa diz que a ajuda alimentar básica (que o BA fornece) não deveria ter de existir num Portugal inserido numa Europa moderna do século XXI.

  6. Nogueira da Costa

    Jhb, a posição crítica que têm em relação ao estado é que o estado, como por magia, devia “dar” mais a toda a gente – sem tirar a ninguém que não as “grandes empresas” e “grandes fortunas” e todas essas coisas que servem de bode expiatório que, reza a mitologia esquerdista, desaparecendo tornam-nos todos ricos. Devia dar em abundância (fazendo o milagre da multiplicação talvez) e ainda pedir desculpa às pessoas a quem “dá” e por favor para eles não se sentirem inferiorizados.

    É verdade que em Portugal não faltam redes sociais, e que não há miséria como há em muito outro lado. Claro que quem estava habituado à abundância agora, quem construiu a sua vida numa altura em que havia de tudo porque se pedia emprestado – a comer o pão que a minha geração e a dos meus filhos vai ter que pagar (sim, eu usei a palavra pão, se bife já é salazarento, pão, ai jesus meu Deus) – agora passa mal.

  7. As pessoas ficaram chocadas porque ela tocou no tabú da “pobreza”, coisa que ninguém tinha feito antes. E ela tem muita razão, há os que passam mal, mas a maioria são só aqueles que estão mal habituados.

  8. Tiro ao Alvo

    jhb,
    Estavas tão bem calado…
    Tu deves ser dos que comem bifes todos os dias, sem cuidar de saber de quem teve o trabalho de criar os animais e de os preparar para tu te regalares. Tu jalgas que todas as pessoas podem comer bifes,sempre que o desejarem?
    Tu não vives neste mundo. Tu és um egoista, desculpa que te diga. E um egoíista atrevido. Não reparaste que a senhora censurou os próprios filhos por desperdiçarem água?
    Tem tento na língua!

  9. Não há nada de errado no que disse Isabel Jonet. Há pessoas para quem a pobreza e a carência é terem de abdicar do cabeleireiro, ginásio, tabaco, terceiro carro, roupas de marca, e outras porcarias fúteis e acessórias próprias de países terceiro-mundistas onde a maralha socialista manda mais do que a sustentabilidade das contas.

  10. JP

    Até agora a Isabel Jonet foi a única pessoa a ter a coragem de sintetizar com realismo o futuro do “estado social” da república, quando disse que quase todos aqueles que têm hoje mais de 45 anos e estão desempregados provavelmente nunca mais terão um emprego na vida, sem espinhas. Isto é que nos deveria fazer saltar da cadeira.

  11. jhb

    6, A posição critica dos que como eu creem que cabe ao Estado combater a pobreza é de que o dinheiro dos nossos impostos e demais contribuições deve ser gasto e bem gasto nesse e noutros apartados semelhantes como educação e saúde. Obviamente a magia não é uma das formas de aliviar a pobreza que nós defendemos, ao contrário de outros que acreditam piamente que rezar mata a fome…
    Defendemos que o Estado invista em e suporte uma rede de proteção contra a exclusão social, que seja capaz de criar as condições mínimas de qualidade vida a quem não o possa fazer por si mesmo.
    Defendemos isto porque, acima de tudo, acreditamos que garantir um mínimo de qualidade de vida a quem de outra forma não o consegue, beneficia a todos.

    8, Sem comentários…

  12. “Defendemos que o Estado invista em e suporte uma rede de proteção contra a exclusão social, que seja capaz de criar as condições mínimas de qualidade vida a quem não o possa fazer por si mesmo.”

    Muito bem. Mas como o dinheiro não chega para tudo, tem de se prioritizar. Não podemos ter uma rede contra a exclusão social e também televisão estatal, subsídios à cultura, aborto grátis, etc. O dinheiro que se gasta com a RTP seria suficiente para o estado ter os seus próprios bancos alimentares. Em vez disso, temos salários chorudos de directores da RTP por um lado, e pessoas a passarem fome por outro.

  13. DAD

    O título deste post é bastante mais ofensivo e idiota que qualquer uma das reacções que li às palavras da Isabel Jonet. Não me parece vir de uma pessoa sensata, como o autor parece intitular-se.

    Quanto ás declarações da Isabel Jonet, elas são principalmente desastradas pela generalização que fazem, uma vez que, no fundo, estes casos coexistem (situações de real pobreza a roçar a miséria e situações de mera supressão de gastos supérfluos).
    O que motiva a irritação de certas pessoas (do outro lado, se assim lhe quiserem chamar) é o tom paternalista e moralista com que isto é dito (estivemos a viver acima das nossas possibilidades) e os exemplos caricatos e atabalhoados que são utilizados (o concerto vs a radiografia). Principalmente para os casos em que isto não é verdadeiro ou justo, acaba por funcionar como um abrasivo.

    Por ultimo, o trabalho meritório da IJ á frente do Banco Alimentar não a torna, ou ás suas intervenções publicas, incontestável. Creio que ai todos estaremos de acordo.

  14. # 15. “Mas como o dinheiro não chega para tudo, tem de se prioritizar.” Exactamente. Como o dinheiro não chega para sustentar em simultâneo um Estado Social e uma oligarquia rentista hereditária, que nada produz mas enriquece obscenamente, temos obviamente que eliminar a oligarquia. E rapidamente, enquanto é tempo de as cabeças rolarem apenas em sentido figurado.

    Para “prioritizar” (que palavra feia, este barbarismo ‘yuppie’), é preciso fazer escolhas. E compete ao Povo Soberano fazê-las, não a uns tantos garotelhos que leram uns livrecos de gestão e se tomam por tecnocratas.

  15. Miguel Noronha

    Nada como o poder de decidir o destino do dinheiro dos outros. O autoritarismo socialista no seu melhor.

  16. JB

    Oh Tiro ao Alvo [mas do vizinho], a senhora abriu a boca e dado não haver moscas, saiu asneira. Até aqui estamos todos de acordo. Aconselho-te, apenas [mas sei que não vais seguir], que ouças a entrevista, mas imparcialmente – que foi o que fiz. Não condena os filhos, os cinco – haja bifes!, apenas constata! E se dissesse que tinha educado os filhos, eles certamente não desperdiçariam a água. Quanto ao BA, seria bom lembrarmos-nos que a senhora gere a caridade alheia com força voluntária, e que o mais do bem que isso traga aos outros, torna-a a Rainha Santa, o tal egoísmo spotlight que todas estas almas iluminadas adoram. Mil entrevistas, declarações, bitaites sobre a vida alheia, como as pessoas – les autres, devem empobrecer para reaprenderem a viver, enfim. Tanta cegueira para defender a Jonet… Podias, de certo, usar o teu discernimento para perceberes que “a abjecta choldra ignóbil” é comandada e governada por décadas de Jonets!

  17. LDR

    Eu vi este programa desde que começou até ao fim, e a única pessoa coerente foi a Isabel Jonet, que infelizmente não ocupa nenhum cargo governativo. Não sei o que é que a Manuela Ferreira Leite faz no PSD, nem percebo como é que um terço do PSD votou na mesma.

    Os merdia pegaram na questão de Isabel Jonet ter dito que em Portugal não há miséria, quando a mesma comparava a situação de Portugal à Grécia. E explicou. Na Grécia não há medicamentos…

    É curioso que nos autocarros das nossas cidades, as pessoas que não vivem do estado têm o mesmo discurso de Isabel Jonet.

  18. lucklucky

    “que temos vivido como uns reis acima das nossas possibilidades o que também é falso”

    A ignorância de jhb continua,
    Pelos vistos podemos pagar as dívidas?

  19. jsp

    A sacrossanta inveja, inscrita maioritàriamente no ADN portuga, mais à mentalidade de funcionário-público ( regedor, caso seja possível…) aliada à inconfessável , e inconfessada, índole parasitária ,dá nisto : regougar de canalhas inúteis, incapazes de um gesto pelo seu semelhante.
    Para isso, reza a cartilha desta corja, lá está o “Estado”.
    Pois foi o vosso “Estado” que nos põs neste estado , imbecis ignorantes.

  20. “É curioso que nos autocarros das nossas cidades, as pessoas que não vivem do estado têm o mesmo discurso de Isabel Jonet.”

    Exatamente. Mas na política, é-se politicamente correto.

  21. JB

    Desculpem lá, mas este texto é para a maioria que aqui defende a Tia Bli! Oh minha gente, que vosso será o Reino dos Céus!

    http://arrastao.org/2682493.html

    Uma crónica de António Lobo Antunes dedicada a Isabel Jonet
    por Sérgio Lavos
    “Os Pobrezinhos

    Na minha família os animais domésticos não eram cães nem gatos nem pássaros; na minha família os animais domésticos eram pobres. Cada uma das minhas tias tinha o seu pobre, pessoal e intransmissível, que vinha a casa dos meus avós uma vez por semana buscar, com um sorriso agradecido, a ração de roupa e comida.

    Os pobres, para além de serem obviamente pobres (de preferência descalços, para poderem ser calçados pelos donos; de preferência rotos, para poderem vestir camisas velhas que se salvavam, desse modo, de um destino natural de esfregões; de preferência doentes a fim de receberem uma embalagem de aspirina), deviam possuir outras características imprescindíveis: irem à missa, baptizarem os filhos, não andarem bêbedos, e sobretudo, manterem-se orgulhosamente fiéis a quem pertenciam. Parece que ainda estou a ver um homem de sumptuosos farrapos, parecido com o Tolstoi até na barba, responder, ofendido e soberbo, a uma prima distraída que insistia em oferecer-lhe uma camisola que nenhum de nós queria:

    – Eu não sou o seu pobre; eu sou o pobre da minha Teresinha.

    O plural de pobre não era «pobres». O plural de pobre era «esta gente». No Natal e na Páscoa as tias reuniam-se em bando, armadas de fatias de bolo-rei, saquinhos de amêndoas e outras delícias equivalentes, e deslocavam-se piedosamente ao sítio onde os seus animais domésticos habitavam, isto é, uma bairro de casas de madeira da periferia de Benfica, nas Pedralvas e junto à Estrada Militar, a fim de distribuírem, numa pompa de reis magos, peúgas de lã, cuecas, sandálias que não serviam a ninguém, pagelas de Nossa Senhora de Fátima e outras maravilhas de igual calibre. Os pobres surgiam das suas barracas, alvoraçados e gratos, e as minhas tias preveniam-me logo, enxotando-os com as costas da mão:

    – Não se chegue muito que esta gente tem piolhos.

    Nessas alturas, e só nessas alturas, era permitido oferecer aos pobres, presente sempre perigoso por correr o risco de ser gasto

    (- Esta gente, coitada, não tem noção do dinheiro)

    de forma de deletéria e irresponsável. O pobre da minha Carlota, por exemplo, foi proibido de entrar na casa dos meus avós porque, quando ela lhe meteu dez tostões na palma recomendando, maternal, preocupada com a saúde do seu animal doméstico

    – Agora veja lá, não gaste tudo em vinho

    o atrevido lhe respondeu, malcriadíssimo:

    – Não, minha senhora, vou comprar um Alfa-Romeu

    Os filhos dos pobres definiam-se por não irem à escola, serem magrinhos e morrerem muito. Ao perguntar as razões destas características insólitas foi-me dito com um encolher de ombros

    – O que é que o menino quer, esta gente é assim

    e eu entendi que ser pobre, mais do que um destino, era uma espécie de vocação, como ter jeito para jogar bridge ou para tocar piano.

    Ao amor dos pobres presidiam duas criaturas do oratório da minha avó, uma em barro e outra em fotografia, que eram o padre Cruz e a Sãozinha, as quais dirigiam a caridade sob um crucifixo de mogno. O padre Cruz era um sujeito chupado, de batina, e a Sãozinha uma jovem cheia de medalhas, com um sorriso alcoviteiro de actriz de cinema das pastilhas elásticas, que me informaram ter oferecido exemplarmente a vida a Deus em troca da saúde dos pais. A actriz bateu a bota, o pai ficou óptimo e, a partir da altura em que revelaram este milagre, tremia de pânico que a minha mãe, espirrando, me ordenasse

    – Ora ofereça lá a vida que estou farta de me assoar

    e eu fosse direitinho para o cemitério a fim de ela não ter de beber chás de limão.

    Na minha ideia o padre Cruz e a Saõzinha eram casados, tanto mais que num boletim que a minha família assinava, chamado «Almanaque da Sãozinha», se narravam, em comunhão de bens, os milagres de ambos que consistiam geralmente em curas de paralíticos e vigésimos premiados, milagres inacreditavelmente acompanhados de odores dulcíssimos a incenso.

    Tanto pobre, tanta Sãozinha e tanto cheiro irritavam-me. E creio que foi por essa época que principiei a olhar, com afecto crescente, uma gravura poeirenta atirada para o sótão que mostrava uma jubilosa multidão de pobres em torno da guilhotina onde cortavam a cabeça aos reis”

  22. Que nojo este Oliveira, utilizar gente verdadeiramente sofredora para tentar mostrar o seu ponto (como se esta comparação tivesse algum cabimento). Esta gente é capaz de tudo e não há dúvida que “Choldra ignóbil” está bem aplicado.

  23. jojoratazana

    O que a devia de envergonhar, esta senhora e muitos diletantes, que por aqui escrevem, é não perceberem que a maioria do povo português não viveu acima das suas possibilidades.
    Ao contrário das Esabelinhas e companhia, tenham vergonha.

  24. ricardo saramago

    Os fariseus não gostam da caridade e odeiam aqueles que enfrentam a pobreza real sem complexos.
    Aos verdadeiros pobres, presos na sua miséria pouco interessa se são do Estado ou das tias, desde que consigam pôr algo na barriga.

  25. lucklucky

    “…é não perceberem que a maioria do povo português não viveu acima das suas possibilidades…”

    Você julga que o defice é o quê?
    Viveram e continuam a viver.

  26. jhb

    O défice é um instrumento da politica macroeconómica…Tentemos ver um pouco além das contas de merceeiro…

  27. jojoratazana

    Fale por si.
    Não devo nada a ninguém, antes pelo contrário.
    Vão lá pagar o que devem, aprendam a viver como os cubanos.
    E tenham mas é vergonha na cara, todos aqueles que sempre viveram da corrupção , compadrio e que transformaram esta nação num estado cleptocrata..

  28. “é não perceberem que a maioria do povo português não viveu acima das suas possibilidades.”

    Sim, viveram dentro das suas possibilidades que eram artificialmente elevadas pelo dinheiro emprestado. Mas se acha que a classe média não vivia bem, então é porque não sabe mesmo o que é viver mal e isso prova mais uma vez como Isabel Jonet tinha muita razão ao dizer como as pessoas se tornaram mal habituadas.

  29. “Tentemos ver um pouco além das contas de merceeiro…”

    Porque é que não vai dizer isso àqueles que não nos querem emprestar dinheiro?

  30. jhb

    Já há muito tempo que muita gente tem dito isso a quem nos impôs este programa de empobrecimento…

    Se quiser juntar a sua voz à nossa é muito bem vinda.

  31. jhb

    “isso prova mais uma vez como Isabel Jonet tinha muita razão ao dizer como as pessoas se tornaram mal habituadas.”

    E por isso mesmo merecem este correctivo, segundo a mesma…

  32. Não, o que é necessário é ver as coisas sob perspectiva e não estar sempre a acenar a bandeira da pobreza quando na maior parte dos casos é totalmente descabida.

  33. Lobo Ibérico

    @JB,

    1. essa crónica já é de 1998. Revisionismo, hein? I see what you did there.

    2. tem tirado a fome a alguém, ultimamente? – o próprio não conta.

    3. uma sugestão para um acto altruísta – deixar de roubar oxigénio aos seus semelhantes para bolsar peçonha.

    Caviar much?

  34. Tiro ao Alvo

    “O défice é um instrumento da politica macroeconómica…Tentemos ver um pouco além das contas de merceeiro…”
    Que sentença tão estúpida. A ignorância é atrevida e deve ser desculpada, mas, o que é demais é erro.

  35. Pingback: Se pretendem (realmente) fazer algo verdadeiramente util « O Insurgente

  36. Fernando S

    Quando se diz que temos vivido acima das nossas possibilidades estamos a falar do conjunto do pais. O conjunto do pais consumiu e consome mais do que pode produzir. Trata-se actualmente de uma evidencia. O endividamento excessivo é um sinal claro. O risco de bancarrota significa que a situação já não é sustentavel.
    A ajuda externa deve servir para evitar a bancarrota, isto é, que o consumo tenha cair brutalmente para o nivel daquilo que podemos produzir. E até para evitar que o que podemos produzir, que também depende de consumos e de investimentos, caia ainda mais fortemente, obrigando a reduções de consumo adicionais e ainda mais brutais. Ou seja, serve para termos algum tempo para ajustarmos progressivamente o nosso consumo e a nossa produção àquilo que são as possibilidades do pais. Ajustar significa necessariamente baixar e reorientar o consumo e procurar reorganizar a produção.
    Repitamos todos : TEMOS DE CONSUMIR MENOS !! (pelo menos durante algum tempo, mais ou menos longo segundo os erros ou as boas decisões que formos fazendo e tomando).

    Claro que uns consumiram e consomem mais do que outros, claro que uns captaram e captam mais do que outros do excesso de consumo. Os pontos de vista, mais ou menos interessados ou objectivos, são muitos e variados. Mas deixemos para já de lado esta discussão.
    O que é certo é que uma esmagadora maioria dos portugueses acabou por beneficiar do excesso de consumo permitido pelo endividamento. Em parte directamente através do endividamento individual contraido por familias e empresas junto de instituições bancárias, que por sua vez se endividaram para conceder mais e mais crédito. Mas apenas em parte. A maior parte foi indirectamente através dos enormes recursos lançados na economia por um Estado sobre-endividado. Pagando melhor funcionários e pensionistas, concedendo generosamente prestações e subsidios, fornecendo bens e serviços públicos gratuitamente ou muito abaixo do custo efectivo, comprando bens e serviços a fornecedores, empresas e particulares. Com efeitos multiplicadores : o dinheiro recebido por empresas e famílias serviu para pagar outras empresas e outras familias e assim sucessivamente. Beneficiaram certas categorias mais directamente ligadas e dependentes do Estado, dos “rentistas” aos beneficiários do “Estado Social” passando pelos funcionários públicos. Beneficiaram os proprietarios, gestores, quadros e trabalhadores de empresas fornecedoras do Estado. Beneficiaram as pessoas trabalhando em sectores de actividade com procuras mais fortes provenientes das familias e empresas acima referidas. Foi o conjunto da economia que se endividou, directa ou indirectamente, foi a esmahadora maioria das familias que pode assim, e pode ainda, consumir acima das possibilidades do pais.

  37. anti-praticos

    “que é certo é que uma esmagadora maioria dos portugueses acabou por beneficiar do excesso de consumo permitido pelo endividamento. Em parte directamente através do endividamento individual contraido por familias e empresas junto de instituições bancárias, que por sua vez se endividaram para conceder mais e mais crédito. Mas apenas em parte. A maior parte foi indirectamente através dos enormes recursos lançados na economia por um Estado sobre-endividado. Pagando melhor funcionários e pensionistas, concedendo generosamente prestações e subsidios, fornecendo bens e serviços públicos gratuitamente ou muito abaixo do custo efectivo, comprando bens e serviços a fornecedores, empresas e particulares. Com efeitos multiplicadores : o dinheiro recebido por empresas e famílias serviu para pagar outras empresas e outras familias e assim sucessivamente. Beneficiaram certas categorias mais directamente ligadas e dependentes do Estado, dos “rentistas” aos beneficiários do “Estado Social” passando pelos funcionários públicos. Beneficiaram os proprietarios, gestores, quadros e trabalhadores de empresas fornecedoras do Estado. Beneficiaram as pessoas trabalhando em sectores de actividade com procuras mais fortes provenientes das familias e empresas acima referidas. Foi o conjunto da economia que se endividou, directa ou indirectamente, foi a esmahadora maioria das familias que pode assim, e pode ainda, consumir acima das possibilidades do pais.”

    E? As familias contrairam empréstimos que podiam pagar nessa altura.Mas já agora, mesmo partindo do seu principio que houve algo de errado nas dec~isões familiares, quem emprestou o dinheiro (os bancos) não devia ter verificado que não havia condições para pagar os empreéstimos(subprime)?Então se aprovaram os empréstimos, quem é que afinal viveu mais acima das possibilidades? Parece-me evidente que a banca é que tem reais responsabilidade nessa área, e não tanto quem quis.Que eu saiba ninguém obrigou os bancos a emprestarem..
    E que culpa teem as familias das malfeitorias dos seus governantes?O beneficiador não é o decisor
    Já agora:http://estadosentido.blogs.sapo.pt/2293611.html
    Sugiro a leitura desse post
    Boas.

  38. Fernando S

    anti-praticos,

    Nem todas as familias que contrairam empréstimos podiam razoavelmente pagar. De resto, um empréstimo de longo prazo deve ter em conta as condições para pagar ao longo do tempo, não apenas “na altura”. E quando essas condições não existem, “na altura” ou mais tarde, como hoje para muitos, é perfeitamente normal que quem tem compromissos assuma a sua responsabilidade, reveja a situação, e se necessario volte atras com o empréstimo e altere as suas condições de vida. Sempre houve familias que o tiveram de fazer, em todos os tempos. Nos ultimos tempos muitas familias teem vindo a fazer o mesmo. Podemos lamentar, é duro para quem vive essas situações, mas não é o fim do mundo. Trata-se de um principio de responsabilidade individual e admira-me que alguém que se reclama do liberalismo com tanta convicção não o reconheça e esteja à espera que ou Estado, ou governo, ou os Bancos, resolvam o problema.

    Mas o ponto principal nem é esse. O mais importante é que, contraindo empréstimos ou gastando apenas o que tinham, a generalidade dos portugueses gastaram mais (e assumiram mais compromissos) do que era compativel com as possibilidades do pais. Beneficiaram de facilidades e aproveitaram-nas ? Muito bem, agora que chegaram as dificuldades, é normal que suportem as consequencias negativas.

    Claro que os Bancos também assumiram riscos mais elevados ao concederem tanto crédito. E é por isso normal que agora sofram as consequencias. Não nos esqueçamos que os Bancos teem também passado tempos dificeis. As dificuldades financeiras dos Bancos traduzem precisamente esta situação. As necessidades de recapitalização teem precisamente a ver com imparidades e prejuizos acumulados.
    Dito isto, não faria sentido serem os Bancos a terem de suportar os custos relativos às dificuldades de reembolso de pessoas que contrairam livremente empréstimos e que não estão em situação limite de insolvabilidade. Pretender que a responsabilidade não é de quem contraiu livremente os empréstimos mas sim de quem os concedeu é, mais uma vez, uma quebra do principio da responsabilidade individual. Ao concederem empréstimos os Bancos estão pura e simplesmente a desempenhar uma das suas actividades principais. Não seria de esperar que fizessem outra coisa. De resto, muitas vezes, a critica feita aos Bancos é de que … não emprestam tanto e tão facilmente quanto seria desejavel. Por sinal, os dois tipos de criticas veem normalmente do mesmo tipo de pessoas. São as duas faces de uma mesma medalha, a de quem não acredita na virtualidade da livre negociação e espera que seja uma entidade externa ao mercado, em principio o Estado, a impor aos Bancos um determinado tipo de comportamento “social”. Este atirar das culpas para os Bancos, que são essencialmente entidades privadas que actuam nos mercados, inclusivé a proposito da crise dos sub-prime, é mais um exemplo de uma posição que não tem nada de liberal e que é caracteristica da esquerda.

  39. anti-praticos

    “Mas o ponto principal nem é esse. O mais importante é que, contraindo empréstimos ou gastando apenas o que tinham, a generalidade dos portugueses gastaram mais (e assumiram mais compromissos) do que era compativel com as possibilidades do pais. Beneficiaram de facilidades e aproveitaram-nas ? Muito bem, agora que chegaram as dificuldades, é normal que suportem as consequencias negativas”
    Estamos a falar de uma época anterior á crise de 2008, em que muitas familias podiam perfeitamente pagar , na altura, e no longo prazo.Nada contra que cada um assuma as responsabilidades.Mas o meu ponto é : se é justo falarmos das familias ou se na verdade é mais justo falarmos de uma banca qu viveu acima da ssuas possibilidades.E sou defensor de que quem provoca e dá azo ás crises(ou seja o responsável) é a quem compete sofrer as consequencias.
    Nao coloco em causa o seu conceito de responsabilidade individual.Mas temos que ter em conta a questao da boa fé.E é ai que a porca torce o rabo.E nao se esqueça, que num dia podemos ter condicoe e no outros já nao termos.A vida tem imprevistos e o amanha nao se sabe bem como será
    Ora, eu acredito que ainda que erroneamente, as familias agiram de boa fé, quando contrairam os empréstimos,acreditando honestamente e genuinamente que tinham capacidade financeira,nao estando conscientes da sua situaçao, (ou aquilo que falei antes).Mas o mesmo já nao se pode dizer da banca, que tinha técnicos preparados para avaliar essa situaçao e que como tal estava perfeitamente ciente que nao podiam conceder esses emprestimos,sendo que no fim, esses pormenores foram ostensivamente ignorados, ou seja, um caso de má fé, causando dificuldades a si e ás familias.
    Em suma, há uma diferença entre uima parte e outra, pelo que nao podemos dizer com tanta certeza que cometeram excessos sabendo disso(as familias)
    Acrescento que nao me oponho á banca, mas esta tem que ser exercida com ética e integridade, como tudo aliás
    De resto, tem razao ao criticar a incoerencia da esquerda, que tanto demoniza como depois pede o auxilio dos bancos

  40. AA

    Caro anti-praticos, A questão é se as pessoas viveram acima das possibilidades, não é uma de “culpa”. Se acha que é indiferente para a sua análise existir à altura um Estado em implosão, que ia cair em cima das pessoas e do seu estilo de vida, então estamos a perder tempo. Acontece que não era o caso. Não é indiferente o Estado estar em ordem, ou estar a endividar-se a níveis históricos. Pode dizer que não era bem isso que estava acontecer, que as pessoas não sabiam, não foram avisada, não foram educadas, a maioria dizia que estava tudo bem, o que quiser. De novo, ninguém fala em “culpa” das pesssoas (embora a tenham, o Estado megalómano deve-se a elas, mas adiante). Não pode dizer ai e tal havia crédito barato, e falar de outros factores externos, e esquecer aquele que esbulha metade da riqueza produzida anualmente no país, e gasta mais do que isso. Neste contexto o que as pessoas deviam ter feito era preparar-se para o pior, ou pelo menos não se darem a exuberâncias “de repente” possíveis. Depois do facto está claro que as pessoas viveram acima das suas possibilidades.

  41. anti-praticos

    AA, os problemas teem raizes,e não é ignorando o que esteve por detrás desse problema como voce faz que iremos resolve-lo.Se as pessoas tivessem sabido a verdade da altura sobre o que lhes estava acontecer, nada disso tinha acontecido.A verdade é que os bancos aproveitaram-se da escassa cultura economica da população, levando a essa situação, prejudicando-se a si proprios e aos outros.Portanto é justo que a solução não seje fazendo pagar justos por pecadores, mas sim fazendo pagar os qu causaram.
    Volto a insistir: é demasiado simplista e redutor fala-se em viver-se acima das possibilidades.Existeme statisticas? Podem existir mas interpreta-se mal esses dados

  42. AA

    O que está por detrás dos problemas é a despesa do Estado.
    E de novo, esta não é duma discussão de justos e pecadores.
    Com “culpa” ou não das pessoas, não se pode ignorar existe um Estado que as parasita, e que indo à falência ia carregar sobre as pessoas.
    Depois do facto, está provado que as pessoas viveram acima das possibilidades.

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