No Fio da Navalha

 

O meu artigo de hoje no jornal i.

Desnorteados

Critica-se o aumento de impostos, mas não se quer privatizar a TAP, a Caixa Geral de Depósitos e a RTP. Queremos mais apoio do Estado para a cultura, mas com os mesmos impostos. O governo parece estar sem rumo. E nós? Saberemos nós o que queremos?

Talvez continuar a ter um Estado que viva acima das nossas possibilidades. Quisemo-lo durante demasiado tempo. Primeiro à custa de alguns contribuintes. Depois, porque cresceu, nem isso. Mantivemo-lo com o dinheiro emprestado pelos “mercados”, que agora a esquerda já tanto odeia.

A situação que vivemos é muito difícil. É o desafio das nossas vidas e não se resolve sem sacrifícios. Com aumento de impostos ou corte na despesa, uma sociedade fortemente dependente do Estado vai sempre sofrer. Por isso precisamos de saber o que queremos para que o sacrifício que nos exigem sirva, não para aumentar a dívida mas para a pagar.

Basicamente, a percepção de que o modelo socialista se esgotou e o desenvolvimento do país não pode ser feito à sombra do Estado. Precisamos que este garanta as liberdades individuais, nos proteja dos arbítrios do poder, mas não empate o nosso esforço e destrua as nossas capacidades. Não queira viver à nossa custa. Precisamos de políticos humildes e não megalómanos e omnipotentes. Necessitamos de cidadãos que guardem a desconfiança, que nutrem uns pelos outros, para o Estado. Um novo rumo obriga a outra mentalidade e forma de estar.

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4 thoughts on “No Fio da Navalha

  1. Na generalidade concordo com o Andre. No entanto, devo confessar que a quantidade de discurso colectivista, a quantidade de verbos na primeira pessoa do plural que o Andre utiliza faz-me cocegas na boca do estomago.

    O Andre continua a usar expressoes como: “E nos? Saberemos nos o que queremos?”; “…Quisemo-lo…”; “…Mantivemo-lo…”; “…Precisamos saber o que QUEREMOS…”; “PRECISAMOS que o estado NOS garanta…”; “…NOS proteja…”; “…nao NOS empate o NOSSO esforco, destrua as NOSSAS capacidades…”; “Nao queria viver a NOSSA custa…”: “Precisamos de politicos humildes…” (sera mais facil encontrar unicornios do que politicos humildes); “Necessitamos…”

    A liberdade individual e’ COMPLETAMENTE incompativel com o colectivismo. Todos somos diferentes e todos temos desejos diferentes. Seria dificil meter 10 pessoas num restaurante e fazer com que concordassem sobre um unico prato para almocarem; E’ impossivel conhecer ou poder satisfazer os desejos de 10 milhoes de portugueses.

    A liberdade individual baseia-se num principio muito simples: EU nao sou propriedade de ninguem e NINGUEM e’ minha propriedade. Ter liberdade individual significa poder escolher como quero conduzir a minha vida e como quero gastar os frutos do meu trabalho.

    Numa sociedade livre, nada impossibilitaria a um grupo de individuos juntarem-se e viverem de acordo com os seus ideais: Gostariam de ter assistencia medica e educacao colectivas? Pois bem, criem-na e financiem-na; Nada impossibilitaria ate um grupo de comunistas de comprarem um belo terreno no Alentejo e viverem como desejam: todos a trabalharem e o comite central a decidir quem ha-de receber o que; Religiosos poderiam viver enclausurados; grupos etnicos poderiam governar as suas vidas como bem entendem; e assim sucessivamente…

    Sem o poder coercivo do estado, cada um poderia controlar a sua propria vida sem ter a possibilidade de impor aos outros aquilo que acha ser moral ou justo. Sem duvida que tal mundo seria muito melhor do que este mundo da primeira pessoa do plural.

  2. Pável rodrigues

    Reconhecendo embora que este assunto é muito sério e está aqui tratado com grande clarividência, atrevo-me a anexar um texto que me enviaram hoje por e-mail, e que talvez constitua uma possível interpretação, embora jocosa, para “o desnorte” a que o social/socialismo condenou o País:

    “Nos primeiros tempos da fundação da nacionalidade – tempo do nosso rei D. Afonso Henriques – no fim de uma batalha o exército vencedor tinha direito ao saque sobre os vencidos.
    (Saque – s. m. : acto de saquear. Roubo público legitimado).
    Pois bem, após uma dessas batalhas, ganha pelo 1º Rei de Portugal, o seu corneteiro lá tocou para dar “início ao saque” a que as tropas tinham direito e que só terminaria quando o mesmo corneteiro desse o toque para pôr “fim ao saque”.
    Mas, fruto de alguma maleita ou ferimento, o dito corneteiro finou-se, antes de conseguir tocar o “fim ao saque”.
    E, até hoje, ninguém voltou a tocar, anunciando o fim do saque.
    Afinal a culpa é mesmo do corneteiro!…
    Não haverá por aí alguém que conheça o toque ?”

  3. economista

    Se não é possivel (democraticamente?) satisfazer 10 milhões, solução ? Ditadura ? Escolhe como conduzir a vida (e o automóvel) ! … e gastar os frutos do seu trabalho ! E se a escolha sair errada ? A que porta vai bater ? Se não vive em sociedade …
    Ñão foi esta mentalidade do umbigo de Cavaco e seus antecessores eleitos e eleitores que nos trouxeram até aqui debaixo do fio da navalha ?

  4. Se nao e’ possivel satisfazer (democraticamente) 10 milhoes, a solucao e’ liberdade individual. A democracia continua a ser uma ditadura, so que a ditadura da maioria… De algum modo acha-se justo e moral que o que quer que seja que 50%+1 de um grupo ache moral e justo, os outros 50%-1 tem de aceitar como moral e justo. A democracia nao deixa de ser uma ditadura.
    Se eu fizer a escolha errada, vou bater a porta da minha familia, dos meus amigos, de instituicoes privadas de caridade. A isso chama-se responsabilidade individual.
    O meu amigo economista confunde o conceito de sociedade com o conceito de estado. Nao e’ o unico a confundir. Ha muitas diferencas. A mais gritante e’ que uma sociedade e’ uma associacao VOLUNTARIA de individuos; Um estado e’ uma associacao politica COERCIVA e OBRIGATORIA.

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