URRSSE

Em Setembro de 2011 foi publicado um estudo sobre a exequibilidade e efeitos da Taxa sobre Transacções Financeiras (TTF) encomendado pela Comissão Europeia. A primeira reacção do Sr Barroso ao estudo foi de euforia. Confirmava uma receita aproximada de 0,1% do PIB europeu que, na altura, seria consignada ao Orçamento bruxelense. Uma maravilha. Até que ele ou alguém por ele o leu até ao fim.

 
Segundo o modelo utilizado, o estudo sugeria ou concluía o seguinte:

– a TTF diminuiria a liquidez dos mercados e aumentaria os custos de capital;
– provavelmente aumentaria a volatilidade no mercado;
– provocaria uma queda no PIB de cerca de 1,76%;
– a perda de receita de outros impostos equivaleria a cerca de 0,8% a 0,9% do PIB para uma receita da TTF de 0,1%

Ou seja, uma merda mesmo sem contar com a deslocalização das gestoras de activos (Londres, Estocolmo,etc) ou com a incidência fiscal da dita taxa. Aparentemente e como nisto dos modelos se se mete carne de um lado do outro saem chouriços, se se metem tomates sai polpa, alteraram o modelo e já dá resultados mais simpáticos e de acordo com o resultado que a Comissão Europeia e o Sr Barroso desejavam.
Seja como for, espantoso é Portugal embarcar nisto. Por um lado querem desincentivar o financiamento das empresas através de dívida (bancária, obrigacionista, etc) por outro propõem reduzir a liquidez da Bolsa. Querem que as empresas se financiem como? Do Orçamento do Estado?
A União das Repúblicas e Reinos Socialistas Soviéticos da Europa, soma e segue. Escondam o samovar.

Leitura complementar: Seria de bom tom deixar o sr Tobin descansar em paz; A taxa de Tobin e suas consequências

15 pensamentos sobre “URRSSE

  1. Paulo

    Hoje o Pacheco Pereira referiu na quadratura que a política seguida por PPC é de verdadeira traição à Pátria e não foi o primeiro nem será com certeza o último a seguir por este caminho pelo andar da carruagem…
    Não sabem no que se estão a meter e a 1ª Republica não cegou para as evidências!!!
    “Código Penal – Artigo 308.º – Traição à Pátria
    Aquele que, por meio de usurpação ou abuso de funções de soberania:
    a) Tentar separar da Mãe-Pátria ou entregar a país estrangeiro ou submeter à soberania estrangeira todo o território português ou parte dele; ou
    b) Ofender ou puser em perigo a independência do País;
    é punido com pena de prisão de dez a vinte anos.”

  2. José Augusto

    A Taxa Tobin (na verdade parece-me que se trata de um imposto e não de uma taxa) é, evidentemente, uma boa ideia, cujas vantagens superam largamente os possíveis inconvenientes. É curioso que quando se fala de taxar o capital, logo vem a ameaça “olha que eu me vou embora!”. Mas, na verdade, ninguém desaparece, e se o fizer será substituído por outro. Quando se trata de taxar rendimentos do trabalho não existem tantos pruridos.

    Mas estes são apenas pachos quentes que não resolvem os problemas de fundo.

    Os nossos verdadeiros problemas (alguns coincidentes com a Europa ou com os países do Sul) são:

    – Desindustrialização. Sem indústria não há crescimento económico ou ele se reduz ao mínimo. É preciso reconstruir a indústria nacional, perceber que produtos mais importamos e procurar a sua substituição por produção interna;

    – Para que isto seja possível, é indispensável, pelo menos temporariamente, um forte protecionismo a nível europeu, sem o que será impossível concorrer com chineses e indianos e o seu poderoso e maltrapilho exército de reserva.

    – Abandono do euro, regresso ao escudo, com forte desvalorização da moeda (tal como fez, com êxito, a Islândia, que desvalorizou a moeda nacional em 80%). País pobre com moeda de ricos não tem ponta por onde se pegue e só favorece a Alemanha, que nesta altura deveria ter o Marco com um valor muito superior ao do Euro.

    – Reconstruir a agricultura e as pescas, cujo peso no PIB se reduziu drasticamente.

    Sem estas e outras medidas, sempre com uma importantíssima intervenção por parte do Estado, é impossível a sobrevivência do nosso país, a menos que passemos os próximos 100 anos a tentar pagar os empréstimos que iremos consecutivamente contrair e ainda os respetivos juros (só à troika de um empréstimo de 78 mil milhões pagaremos juros no valor total de 34,4 mil milhões. Com a amigos assim os inimigos não fazem falta nenhuma – e vamos OBVIAMENTE pedir mais dinheiro porque nenhum problema estrutural do país se encontra resolvido).

  3. hcl

    “É preciso reconstruir a indústria nacional”
    “protecionismo”
    “agricultura e as pescas”
    “importantíssima intervenção por parte do Estado”

    É a batalha da produção. Por isso é que o post fala na URRSSE.

    Só vejo um pequenino (mas mesmo muito pequenino problema) :
    – O Estado está falido, assim como fazer a “importantíssima intervenção por parte do Estado”? Ele precisa é de sacar o mais possível.
    – O Estado gasta metade da riqueza. Mais intervenção é concretamente????
    – A dívida é em euros e dolares de modo que desvalorizar 80% é capaz de ser mau. Depois há aquilo da inflação que também é chato.
    – “poderoso e maltrapilho exército” são os trabalhadores chineses e indianos.
    – ” amigos assim os inimigos não fazem falta” Tem toda a razão, se eles não tivessem emprestado o dinheiro não dava para manter o estado do tamanho que está. Era uma transição infernal mas talvez valesse a pena.
    – Isto aqui não é a Islândia (300.000 hab). A população activa da Islândia não enchia o antigo estádio da Luz e deve dar para encher o novo e pouco mais.

  4. José Augusto

    Bom, temos aqui o espírito liberal a funcionar na sua plenitude. O meu comentário anterior (segundo neste post) “desapareceu”. Boa.

  5. José Augusto

    Vamos ver se agora me deixam dizer o seguinte:

    Meus caros, podem continuar a viver no mundo da Lua, podem ter as fantasias que quiserem, podem sonhar com a utopia liberal à vontade (na verdade, o liberalismo apenas conduz à tirania da minoria de “aptos” sobre a multidão de “inaptos”).

    Podem sonhar à vontade. Só que isso, infelizmente, não altera a realidade.

    Uma pequena nota: eu escrevi “exército de reserva”, Se alguém reduz a frase a “exército” apenas é porque desconhece o significado da expressão “exército de reserva”. E sim, são claramente maltrapilhos, e explorados pela grandes multinacionais a quem interessa manter a sua produção em países como a China e a Índia.

    Fortíssima intervenção dos Estado europeus pede-se, de outra forma nunca se conseguirá a indispensável reindustrialização.

    Todas as medidas que apontei são fundamentais. E outras serão necessárias implementar até à recuperação da Europa.

  6. Paulo Pereira

    Uma pequena taxa de 0,1% sobre as transações financeiras seria benéfica porque reduziria a volatilidade e assim o custo de capital.

    Os unicos prejudicados seriam os especuladores excessivos que perturbam o normal funcionamento dos mercados.

    A receita da taxa reduziria o deficit, o que é muito importante segundo dizem por aqui.

  7. hcl

    Paulo Pereira.

    Não é importante reduzir o deficit.
    É extremamente importante reduzir o que causa o deficit.

  8. Mário Amorim Lopes

    José Augusto, mas não foi isso que fez a URSS? Ou a China sob Mao Tse Tsung? Ou o Cambodja sob Pol Pot? Ou a Jugoslávia sob Tito? A Cuba sob Fidel? A Bolívia sob Morales? Agora a Venezuela sob Chavez?

    Não funcionou. Porque haveria agora de funcionar? O que sugeriu tem muita base ideológica. Base económica, tem zero. Só mesmo indo recuperar o Das Capital ou alguns artigos ao Rethinking Marxism ou à Review of Radical Political Economies, mas ainda assim teria dificuldade em sustentar essas teses com argumentos válidos.

    A sua receita tem um efeito, com certeza. Desemprego 0. Estaríamos todos a cultivar os nossos terrenos. Não, obrigado.

  9. Pingback: A taxa Tobin : O Comité

  10. José Augusto

    Mário Amorim Lopes, o que escreve não tem ponta por onde se pegue. Melhor, escreve sem diz3er nada, sem apresentar um único argumento válido. Assim não vale.

    A reindustrialização de Europa é fundamental. Sem indústria não há crescimento, a menos que exista uma tecnologia avançadíssima que o sustente. Não é manifestamente o caso de Portugal e de outros países principalmente do Sul da Europa.

    A globalização foi uma experiência mal sucedida porque a Europa nunca pensou que a China se abriria da forma como fez. A globalização é uma das causas mais relevantes para a crise europeia e é preciso combater os seus efeitos nefastos.

    Repare-se como a China tem acumulado excedentes e os utiliza para controlar empresas-chave por todo o mundo. É a isto que conduz o liberalismo económico internacional – concentração, desequilíbrios.

    Afinal parece que os liberais são agora amigos da China comunista. Boa.

  11. Mário Amorim Lopes

    Enfim José Augusto, não responde à questão crucial, mas como é Sábado e sou paciente, volto a repeti-la. O seu modelo — aquilo que sugere — foi aplicado nesses países que referi. Não funcionou. Porquê?

    Eu sei a resposta. Porque é um disparate económico.

  12. José Augusto

    Foi aplicado nos países que eu refiro?

    Meu caro amigo, vamos falar de coisas que você percebe. Vamos conversar acerca das regras da bisca nacional?

  13. José Augusto

    Amorim, já ouviu falar do licenciamento zero?

    E de “ideias zero”? Bom, essa é invenção sua.

    Um abraço e vá beber um copo, costuma ajudar.

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