Déjà Vu

Dizia o meu velho professor de história que «a história re-repete-se, em ci-ci-ciclos históricos» (ele era gago). Pois com a conversa do ministro da finanças de ontem, no seguimento das sugestões de muitos outros pensadores nacionais, parece que vem aí um “banco de fomento”. É o vai-vém legislativo. A tendência imparável do fatal conceit de querer continuamente melhorar e aperfeiçoar tudo, esquencendo o passado e sobreestimando a capacidade de o fazer.

Em 1958, o ministro das finanças da altura anunciou a criação do Banco de Fomento Nacional. O objectivo era o mesmo de agora, financiar e orientar o investimento das empresas com vista ao progresso e crescimento económico. Como estamos, afinal de contas, a falar de Portugal, o banco só iniciou operações dois anos depois, em 1960. Em 1984, por altura da anteiror intervenção do FMI, a “estratégia nacional” passou pelo desenvolvimento das exportações e o banco foi redenominado Banco de Fomento e Exterior. Deixou de existir em 1998, quando foi integrado junto com o Banco Fonsecas e Burnay e o Banco Borges e Irmão dentro do actual Banco BPI.

Adivinha-se que, se agora re-criado, será também privatizado anos depois, altura em que novos (ou se calhar os mesmos) visionários proporão a criação de um banco de fomento.

6 pensamentos sobre “Déjà Vu

  1. Pingback: Anónimo

  2. Tiro ao Alvo

    Sem pôr em causa o que escreveu, parece-me que, agora, tendo em conta a forma como as coisas evoluíram, deve mesmo ser criado, de raiz, um banco do Estado, com duas vertentes: uma, voltada para a captação de financiamentos com juros baixos, como fez, no passado, o Banco de Fomento engolido pelo defunto Banco Borges, e outra voltada para o apoio às PME e para a exportação. E se assim fosse feito, a CG de Depósitos poderia estar inteiramente privatizada dentro de 2 ou três anos. Para bem de nós todos.
    Defendo isto por que, a CGD, tal como está a operar, não tem condições para perseguir, com êxito, aqueles objectivos que referi. A CGD “evoluiu” para Banco e Banco agressivo, inclusive promovendo o crédito ao consumo, isto para além de se ter metido em negócios escuros, que em nada beneficiaram a economia portuguesa, antes pelo contrário.
    Será que concorda comigo?

  3. Anti-gatunagem

    Ou seja, a cgd só serve para os esquemas mafiosos dos que vivem à custa de todos nós, através do estado e a solução é passarmos a ter outro banco do estado. Boa ideia que a banca ainda não é palhaçada suficiente.

  4. Paulo Pereira

    Em 1958 foi uma boa decisão para acelerar o crescimento económico e em 2012 poderia ser uma boa decisão para acelerar o crescimento económico.

    Entretanto vendia-se a CGD.

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