O caminho para a bancarrota

É sabido que cerca de três quartos da despesa corrente do estado, excluindo juros, é gasta nas chamadas funções sociais: Educação, Segurança Social e Saúde. São cerca de 30 mil milhões de euros, do total de 40 mil milhões. A dimensão destes gastos é na verdade ainda superior, pois a Segurança Social é uma entidade autónoma, cujos gastos advém na sua maioria das contribuições recebidas não entrando por isso na execução orçamental do estado. Assim, quando afirmamos que a despesa corrente do estado em funções sociais é de cerca de 30 mil milhões de euros, não estamos a considerar os 23 mil milhões de euros de despesa corrente da Segurança Social, dos quais apenas cerca de 7 mil milhões vêm do orçamento do estado. Ou seja, a despesa corrente social do estado é de aproximadamente 46 mil milhões de euros (30+23-7).

A dimensão dos encargos é, já de si, impressionante. Mas o mais notável é que a evolução dos mesmos era previsível, esperada mesmo, e quase nada foi feito para evitar a falência à vista de todos. Os gastos sociais no orçamento do estado duplicaram entre 1995 e 2011 (em termos reais, compensando para a inflação que ocorreu). Os gastos nas funções nucleares do estado pouco cresceram e os restantes baixaram para quase metade, à medida que o estado quase se tornou um mero gestor de despesa rígida que vai crescendo por inércia. E isto só na parte dos gastos que é visível no orçamento. Na despesa autónoma da Segurança Social o aumento é ainda maior, tendo duplicado não em valor real mas em percentagem do PIB (cujo valor real cresceu um pouco menos de 30% no mesmo periodo de 16 anos).

Esperar que os políticos que varreram o problema para baixo do tapete durante décadas consigam resolvê-lo agora não é wishful thinking; é delírio.

8 pensamentos sobre “O caminho para a bancarrota

  1. Paulo Pereira

    Porquê excluir os juros ?

    Porque não pagar menos juros , renegociando como fez a Grécia ?

    Parece que o maior corte foi na despesa social !

    Já agora , para onde vai parar o dinheiro gasto no estado social ?

  2. Sérgio

    O António Guterres de má memória, sempre adorou refugiados e nunca se importou de fazer dos portugueses parte desses desgraçados…

  3. hcl

    O dinheiro gasto na SS vai para o buraco do ozono.

    Ex:
    João tem uma mercearia onde vende batatas.
    João vende 1000€ de batatas.
    Jõao fez 150€ de lucro.
    Aparece Paulo Pereira Galamba da SS.
    – Ó Sr.Joaõ passe para cá 100€ pás viúvas e orfãos.
    João tenta discutir o valor.
    Paulo Pereira Galamba aponta para os 2 polícias que vieram com ele.
    João concorda com o pagamento.
    Paulo Pereira Galamba fica com 5€, dá mais 5€ a cada polícia e mais 10€ para distribuir pelos administrativos que trataram dos papéis.
    Paulo Pereira Galamba desloca-se a casa da viúva Miquelina (tem RSI).
    – Ó viúva tome lá 10€ para despesas.
    – Bem haja Sr.Paulo o Sr é um santo, um santo!!!
    A viúva Miquelina desloca-se à mercearia do Sr. João para comprar batatas. Encontra lá Paulo Pereira Galamba, os polícias e administrativos a comprar batatas.

    Pergunta:
    Quantos manguitos faz o Sr.João às costas(nao se esqueçam dos polícias) do Sr.Paulo Pereira Galamba?

  4. Pável Rodrigues

    Excelente, caro Sr. Sérgio. Simplesmente excelente. Pela argúcia do do comentário e, ainda mais, pelo subentendido. Como seguramente saberá melhor do que eu, no nosso Portugal há infelizmente muitos mais galambas do que chapéus! Bem haja.

  5. Pingback: Questões « O Insurgente

  6. Joshua

    “É sabido que cerca de três quartos da despesa corrente do estado, excluindo juros,é gasta nas chamadas funções sociais: Educação, Segurança Social e Saúde”

    Uma pequena dúvida: o saldo primário não tem sido positivo (ou com pequenos desvios negativos) nos últimos tempos? Se, excluindo os juros e outras despesas, o saldo é, em grosso modo, positivo, ou seja, o suficiente para pagar a despesa corrente, porquê “atacar” a despesa necessária com Educação, Segurança Social e Saúde (áreas essenciais para o desenvolvimento) e isentar outras despesas mais perniciosas?

  7. Sérgio

    Pável Rodrigues, gostaria de ter sido eu mas o crédito da bela e verdadeira história é do hcl. 🙂

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