No Fio da Navalha

 

O meu artigo de hoje no jornal i.

Livres

A crise tem feito muitos pensarem ser altura de agir, de não dar mais tempo aos partidos e de o povo tomar as rédeas do poder. Um fenómeno preocupante por propiciar o surgimento de homens providenciais que não se dizem políticos, mas que sujam ainda mais as mãos.

Sucede que não existe um povo, mas inúmeros indivíduos com desejos e necessidades diferentes uns dos outros. A unidade que nos junta está nos laços familiares, na língua, na cultura, no nosso passado e no futuro que podemos construir, mas não esgota a nossa individualidade. Somos mais que um povo: somos pessoas concretas.

Sentimos hoje uma enorme frustração por não conseguirmos dar a volta aos problemas que nos afectam. Habituados que estamos a considerar tudo de forma colectiva, vemos a solução no acesso ao poder dentro do Estado: se mandarmos, recuperamos as nossas vidas. Mas não é assim: outros decidiriam por nós, algo que piora quando as massas mandam.

Se queremos as nossas vidas de volta, é tempo de exigir que os governos tenham menos poder. Que o Estado decida menos e gaste menos. Isso pressupõe poder de escolha e mais responsabilidade. Esperar menos do Estado e mais de nós, no que a nós e aos nossos diz respeito. Se não queremos ser mais explorados pelo Estado, este tem de decidir menos sobre os assuntos que nos interessam. Um Estado com menos poder é um Estado com menos vícios. Um país com cidadãos mais livres e responsáveis é um país verdadeiramente solidário e mais justo.

Anúncios

3 thoughts on “No Fio da Navalha

  1. tina

    “Um Estado com menos poder é um Estado com menos vícios”

    Seria interessante um estudo que correlacionasse e comparasse a corrupção e o desperdício com cada euro investido no privado e no público. Se, por exemplo, dissessem aos portugueses que por cada 100 euros dados aos estado, 40 seriam desperdiçados em más decisões, estudos da treta, etc, comparado com 15 desperdiçados no privado, as pessoas já pensariam duas vezes. É urgente cada vez falar-se mais em números e educar-se a população nesse sentido, por mais que a esquerda se oponha à revelação da verdade.

  2. Paulo Pereira

    O que é preciso é cortar na despesa supérfula e burocrática.

    Misturar toda a despesa publica no mesmo saco não leva a lado nenhum.

  3. MS

    Pois Paulo mas a despesa supérfula é residual e pouco significativa.(Como diria o Camilo Lourenço) É imperativo despedir e cortar salários na função pública

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.