O espírito Comunista – Um exemplo com um Génio

Um dia um agricultor encontrou uma lâmpada num terreno seco para além da sua propriedade. Ao esfregá-la saiu de lá um génio que, agradecido, lhe disse:

“Por me teres salvo, vou conceder-te um desejo. Podes-me pedir qualquer coisa, mas seja o que for que me peças, o teu vizinho tê-lo-á em dobro. Tens até amanhã para decidir.”

O agricultor voltou para casa a pensar no assunto. Comeu a pensar no assunto. Mal dormiu a pensar no assunto. O que pediria?

O agricultor nunca se havia dado muito bem com o vizinho e só não estalava uma luta porque ambos tinham muito terreno. E o agricultor pensava: “Se eu pedir uma loja na cidade, o meu vizinho terá 2 e poderá fazer-me concorrência feroz”. “Posso pedir um grande monte de sementes, mas nesse caso ele terá 2 montes de sementes e produzirá o suficiente para invadir o mercado da cidade e a minha produção nada valerá”. “Posso até pedir um pote de moedas de ouro, mas nesse caso o meu vizinho terá 2 e o meu pote não valerá muito”. “Posso ainda pedir algo para me beneficiar como inteligência, sabedoria ou beleza, mas o meu vizinho terá sempre o dobro e vencer-me-á sempre…”. O homem pensou e pensou e pensou e passou a noite a conjecturar.

Chegou o dia seguinte e o agricultor na hora combinada voltou a esfregar a lâmpada. O que pediu ele?

“Arranque-me 1 olho!”

6 pensamentos sobre “O espírito Comunista – Um exemplo com um Génio

  1. paam

    Se o desejo do agricultor A fosse: quero que a fortuna do meu vizinho agricultor B se multiplique por 2. Então o vizinho agricultor B teria a sua fortuna duplicada. Mas agora o vizinho agricultor B terá o dobro do desejo inicial, em que a fortuna do vizinho se multiplique por 4. Ou seja, a fortuna do vizinho A seria quadriplicada enquanto a do vizinho B apenas teria duplicado.

  2. migspalexpl

    este conto diz mais sobre quem o considera um argumento remotamente válido contra o comunismo, do que sobre o comunismo propriamente dito. alguém que acha natural o comportamento deste indivíduo, que prefere perder um olho a ganhar um monte de moedas de ouro, apenas para estar melhor do que o vizinho, não pode ser mentalmente saudável.

  3. Paulo Pereira

    No lado oposto do espectro teremos uns certos utópicos que preferem que se mantenha a pobreza endémica desde que se mantenha a “pureza imaculada” de um certo capitalismo de 1850 !.

  4. ricardo saramago

    A versão salazarista desta parábola é a famosa frase – “pobres, mas honrados”.
    No Portugal troikista de hoje diz-se – “os sacrifícios têm que ser iguais para todos”

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