Equidade Fiscal – Um exemplo com Cervejas

Equidade fiscal, via Facebook de João Duque.

Era uma vez dez amigos que se reuniam todos os dias numa cervejaria para beber e a factura era sempre de 100 euros. Solidários, e aplicando a teoria da equidade fiscal, resolveram o seguinte:

  • Os quatro amigos mais pobres não pagariam nada;
  • O quinto pagaria 1 euro;
  • O sexto pagaria 3;
  • O sétimo pagaria 7;
  • O oitavo pagaria 12;
  • O nono pagaria 18;
  • O décimo, o mais rico, pagaria 59 euros.
Satisfeitos, continuaram a juntar-se e a beber, até ao dia em que o dono da cervejaria, atendendo à fidelidade dos clientes, resolveu fazer-lhes um desconto de 20 euros, reduzindo assim a factura para 80 euros.Como dividir os 20 euros por todos?Decidiram então continuar com a teoria da equidade fiscal, dividindo os 20 euros igualmente pelos 6 que pagavam, cabendo 3,33 euros a cada um. Depressa verificaram que o quinto e sexto amigos ainda receberia para beber.

Gerada alguma discussão, o dono da cervejaria propôs a seguinte modalidade que começou por ser aceite:

  • Os cinco amigos mais pobres não pagariam nada;
  • O sexto pagaria 2 euros, em vez de 3, poupança de 33%;
  • O sétimo pagaria 5, em vez de 7, poupança de 28%;
  • O oitavo pagaria 9, em vez de 12, poupança de 25%;
  • O nono pagaria 15 euros, em vez de 18.
  • O décimo, o mais rico, pagaria 49 euros, em vez de 59 euros, poupança de16%.

Cada um dos seis ficava melhor do que antes e continuaram a beber.

No entanto, à saída da cervejaria, começaram a comparar as poupanças.

  • Eu apenas poupei 1 euro, disse o sexto amigo, enquanto tu, apontando para o décimo, poupaste 10!… Não é justo que tenhas poupado 10 vezes mais…
  • E eu apenas poupei 2 euros, disse o sétimo amigo, enquanto tu, apontando para o décimo, poupaste 10!…Não é justo que tenhas poupado 5 vezes mais!…
  • E os 9 em uníssono gritaram que praticamente nada pouparam com o desconto do dono da cervejaria.

“Deixámo-nos explorar pelo sistema e o sistema explora os pobres”, disseram. E rodearam o amigo rico e maltrataram-no por os explorar.

No dia seguinte, o ex-amigo rico “emigrou” para outra cervejaria e não compareceu, deixando os nove amigos a beber a dose do costume. Mas quando chegou a altura do pagamento, verificaram que só tinham 41 euros, que não dava sequer para pagar metade da factura (90)!…

 Aí está o sistema de impostos e a equidade fiscal.
Os que pagam taxas mais elevadas fartam-se e vão começar a beber noutra cervejaria, noutro país, onde a atmosfera seja mais amigável!…[David R. Kamerschen, Ph.D. -Professor of Economics, University of Georgia]

18 pensamentos sobre “Equidade Fiscal – Um exemplo com Cervejas

  1. António Dias Diogo

    É um claro exemplo da “drunken economy”. O que pagava mais deixou de querer beber com os amigos e passou a beber sozinho. O que deve ser uma atividade muito solitária.
    Lembro-me de ter lido numa casa de banho da B.U. uma quadra que se adapta a este caso:

    If you like to (4 letter. word)
    and think its funny
    (4 letter word) yourself
    and save your money.

  2. tuga manso

    E o amigo que mudou verificou que na nova cervejaria havia já alguns que fizeram o mesmo que ele. E como eram todos ricos a cerveja começou a falhar visto que nenhum deles a queria fabricar. – Faltam operários, disse um deles. E ficou combinado ir buscar alguns dos amigos pobres para fabricar a cerveja…. o resto é espectável, não é verdade sr. insurgente?

  3. Paulo

    percebo a sua lógica mas acho que não é democrática…, prender o décimo na cervejaria para que ele não se pire o ou confiscar-lhe logo a fortuna no início não é solução!! (assinado: neoestúpido)

  4. Antonio

    O exemplo pode parecer interessante mas não consegue reproduzir a realidade. Porque quem emigra são os pobres e não os ricos.

  5. Pingback: Anónimo

  6. “O exemplo pode parecer interessante mas não consegue reproduzir a realidade. Porque quem emigra são os pobres e não os ricos.”
    Como é sabido, a emigração Portuguesa para o exterior é essencialmente de baixa qualificação. Angola está cheia de não qualificados Portugueses.

  7. tric

    a equidade fiscal é interessante…mas o exercício mental que se fez não tem nada a haver com equidade fiscal…pois o desconto de 20 euros não segue o padrão da mesma equidade fiscal inicial e nem tem em atenção a solidariedade…como aconteceu na primeiro exercício de equidade fiscal antes do desconto…o mais lógico e natural, pelo principio de solidariedade e equidade, entre os amigos, é que o mais pobres tivessem o descontos maiores e o mais rico o menor desconto, era assim que ficava se se tivesse seguido o raciocinio que se aplicou logo de inicio…amigos…

  8. Ramone

    “7.Manso,
    A cerveja já estava fabricada. Seja como for, pela minha experiência, um empresário consegue fazer o trabalho do operário (até porque geralmente já o fez no passado). Já o contrário…”

    Claro, já se está a ver o Soares dos Santos e os accionistas da Jerónimo a endender tudo de plantação de couves e criação de gado; ou os directores da Mota Engil a saber imenso sobre assentar tijolo, ou canalização; ou os accionistas da PT a saberem como se constroi um telefone, como se montam de linhas, etc

  9. Mas vocês não dormem? Comentários aprovados logo que acordei, para não se queixarem de falta de voz.

    Sem querer alongar-me (há um motivo para ter acordado cedo)…

    tric,
    O esconto foi de 33% para um e decrescendo até ser de 16% para o último. Leu esses valores antes de comentar?

    Ramone,
    Foca muito nas empresas do PSI-20. Conheço dezenas de pequenos empresários que geralmente são eles que põem as “mãos na massa”. E como sabe 98% das empresas Portuguesas são PME.

  10. jhb

    “Seja como for, pela minha experiência, um empresário consegue fazer o trabalho do operário (até porque geralmente já o fez no passado). Já o contrário…”

    Se um empresário “geralmente” já foi operário, como é que um operário nao consegue vir a fazer o trabalho de um empresário…?

  11. Diana Magalhães

    A questão que se coloca atualmente em Portugal é que os mais ricos pagam uma percentagem menor de impostos que os mais pobres. No rendimento do trabalho temos escalões (entre 11% e 46%), é verdade, mas as ações e juros pagam apenas 10% de impostos sobre o seu rendimento (podem ver no site http://www.deco.proteste.pt/investe/acoes-s33290.htm) e os dividendos das SGPS estão isentos de impostos (têm regras para ter a isenção mas estas podem ser facilmente contornadas). Ou seja, quem é que tem ações e é dono de SGPSs? Não são os pobres de certeza…
    Nota: se não for assim, até agradeço que me corrijam

  12. Paulo Pereira

    No sistema economico capitalista a proporção entre trabalhadores e capitalistas é mais ou menos de 25 para 1.

    Por isso são os trabalhadores que bebem quase toda a cerveja !

    Os capitalistas para aumentarem os seus lucros e serem mais ricos (o objectivo dos capitalistas) querem é que os trabalhadores bebam cada vez mais cerveja.

    O problema é que muitas capitalistas ainda não entenderam de onde vem o dinheiro que os trabalhadores têm para gastar em cerveja !

    O RCM já entendeu, finge que não entende, mas vem com estas lengalengas para entreter a malta !

  13. tric

    “O esconto foi de 33% para um e decrescendo até ser de 16% para o último. Leu esses valores antes de comentar”
    .
    não, mas os espírito mantém-se… vá-la, não lhes deu para perseguirem quem não pagou as cervejas…

  14. Ramone

    Ricardo,

    Sim, entre pequenos empresários acredito que seja assim. Mas os pequenos empresários são uma das classes que está a ser devorada pelo troikismo.

  15. jose

    “O exemplo pode parecer interessante mas não consegue reproduzir a realidade. Porque quem emigra são os pobres e não os ricos.”
    Como é sabido, a emigração Portuguesa para o exterior é essencialmente de baixa qualificação. Angola está cheia de não qualificados Portugueses.

    E desde quando é que ser qualificado equivale a não ser pobre? Vive em Portugal você?

  16. Anarca

    jose,

    Exactamente. Portugal não tem condições para se ser bem sucedido, mesmo com as melhores qualificações.
    Vão-se embora os qualificados, ou não, para arranjar trabalho ou criar o trabalho mais facilmente que cá; Vai o empresário para onde o seu esforço e sucesso não é invejado e mal tratado.

    Cá, quem quiser criar emprego, mete-se num embróglio e custos, e só de pensar nisso, desiste. E se mesmo assim avançar e for bem sucedido tem que levar com os mamões e invejosos.

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