No Fio da Navalha

 

O meu artigo de hoje no i.

Salazar e o socialismo

Em declarações a este jornal, o presidente da Fundação Inatel, depois do corte de 30% do apoio financeiro do Estado, terá dito que “Salazar não primava por ser de esquerda e acarinhava o Inatel”. Esta frase de Vítor Ramalho parte do pressuposto que Salazar, por ser de direita, não prezava instituições de serviço público. Um erro de análise que nos tem prejudicado bastante.

Se são muitas as diferenças entre a esquerda e a direita, a crença no papel benéfico do Estado na implementação de políticas de organização social não é necessariamente uma delas. Salazar via no Estado um elemento aglutinador da nação e também uma entidade capaz de nos direccionar conforme os seus desígnios, colmatando a pouca capacidade do português de se bastar a si mesmo. Salazar não estava, aliás, longe do pensamento dominante em meados do século xx, que também marcou os socialistas europeus. As diferenças poderiam ser no caminho a seguir, nunca no papel dominante que o Estado deveria ter.

Estando o debate político, neste início de século, centrado não na discussão da estratégia a ser seguida pelo Estado, mas na sua real dimensão e papel preponderante na vida dos indivíduos, o que diferencia os políticos de hoje é a sua posição nesta matéria. Um político que atribua ao Estado um papel predominante está mais próximo de Salazar que aquele que não o faz. Talvez isso explique por que motivo o socialista Vítor Ramalho está à frente de uma instituição criada pelo Estado Novo.

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19 thoughts on “No Fio da Navalha

  1. tina

    É muito interessante a nostalgia que ressurgiu por Salazar, um homem de estado. Ao lado dele, os liberais são uns verdadeiros monstros!..

  2. Aladin

    Embora o salazarismo não fosse fascismo, bebia nele alguma coreografia e alguns princípios. E Mussolini definia muito bem o fascismo: “Tudo para o estado, tudo pelo Estado, nada contra o Estado” ( se não eram estas as palavras exactas, andava lá perto).

    O que, reconheça-se, o torna bastante próximo dos seus congéneres alemão e soviético.
    E, helas!, qual o inimigo jurado destes irmãos?
    Exactamente o liberalismo.

  3. Nunes

    “Um político que atribua ao Estado um papel predominante está mais próximo de Salazar que aquele que não o faz. ”
    Claro, até porque não há mais nenhum critério para diferenciar políticos. LOL

  4. lucklucky

    “Claro, até porque não há mais nenhum critério para diferenciar políticos. LOL”

    Há vários mas a esquerda gosta sempre de critérios populistas. O explorador capitalista e o neo-ultra-liberal mesmo a quem aumenta o estado como o PSD…ou seja quem faz o jogo da própria esquerda.

  5. No tempo do Salazar o peso do estado na economia era de 15%. Havia autoridade moral que foi uma referência e condição necessária à época…

    Aliás qualquer austríaco que se preze hoje teria de utilizar muitas das suas políticas económicas. Não esquecer que Salazar foi considerado o melhor investidor de sempre em Portugal (bloomberg) e o maior português de sempre pelos portugueses.

  6. edgar

    Só falta mesmo afirmar que Salazar era socialista.
    Até que ponto podem ir a manipulação e a mentira para defender o indefensável?

  7. lucklucky

    Salazar era socia lista numas coisas, não noutras. O Condicionamento Industrial, a Fnat>Inatel, a proibição da água suja do capitalismo= CocaCola são tudo aspectos Sociais do Estado Novo.
    O Fascismo onde Salazar se inspirou até era mais socia lista que Salazar. Limites ás horas de trabalho dia, pensões de reforma pelo Estado, Segurança Social foi tudo instituído por Mussolini em Italia.

  8. pedro

    Vivendipt só o termo “políticas económicas” é muito pouco austríaco, uma vez que esta escola preza-se mais pela “não política”. E de lembrar que os principais autores austríacos viveram numa época em que o peso do Estado era muito menor do que o actual.

  9. pedro

    Fascismo e socialismo:

    ambos não vêm problemas éticos nos impostos, ambos gostam do planeamento central, ambos consideram o estado um elemento benéfico para a sociedade, ambos colocam o colectivo acima do individuo.

  10. PiErre

    Tudo pela Nação; nada contra a Nação. (Salazar)
    Tudo pelo Estado; nada contra o Estado. (Mussolini)
    O Estado acima de tudo; o indivíduo nada vale. (Hitler)

    E assim sucessivamente. Stalin, Enver Hoxa, Fidel, etc., etc., etc., todos foram estatistas, ou seja, todos foram socialistas, para quem o indivíduo humano nada valia sozinho e devia obedecer cegamente ao Estado, ao Tirano, ao Ditador.

    Salazar foi socialista como são todos os estatistas. ” Se soubessem o que custa mandar, obedeceriam toda a vida”, dizia Salazar e diziam ou faziam e fazem todos os socialistas, para quem mandar nos outros é a suprema ambição.

  11. paam

    Se havia coisa que Salazar não gostava era de comunistas. Entretanto eles vão conseguindo o que querem. Destruir o país.

    Queriam o fim do offshore da madeira?
    Madeira: Estado perdeu 360 milhões em três anos com saída de empresas da zona

    Greves para dificultar o movimento de pessoas e mercadorias?

    Greve: Portos portugueses totalmente paralisados
    Greve leva a cancelamento de 62% de comboios em Lisboa e 44% no Porto até às 18h00

    Quantos milhões não perde o país com estas greves? Por causa da greve nos portos há cruzeiros que não param em Portugal, há mercadorias que não chegam ao seu destino, levando à quebra de contratos, existem matérias primas que não chegam às fábricas e tudo isto quando o país mais necessita de laborar e exportar. Quais os custos produtivos quando milhares de pessoas chegam atrasadas, ou faltam, ao trabalho porque a CP decidiu convocar mais uma greve?

    E não são greves de um dia. São greves de semanas convocadas pelos mesmos de sempre, os cães de fila dos sindicatos do PCP.

  12. lucklucky

    A própria teoria autarquica da economia que defende que tudo deve ser produzido no país é apoiada por muita gente de esquerda e direita hoje em Portugal.

  13. Eremita

    Ficamos assim a saber que Salazar era “soialista” mas não gostava de comunistas. Socialistas seriam assim todos os que o apoiaram e ajudaram no aparelho do Estado Novo, desde o Cardeal Cerjeira até ao Espírito Santo e ao Champalimaud. Segundo este raciocínio até o Luís XIV era um “socialista” avant la lettre…

  14. Aladin

    ” A própria teoria autarquica da economia”

    A “autarchia” era a pedra de toque da filosofia económica do nacional-socialismo que, by the way, aplicou 80% das medidas económicas preconizadas no Manifesto Comunista.
    A autarchia previa isso mesmo, autosuficiência. Desconfiava do comércio internacional, que entendia favorável ao judaísmo internacional e ao liberalismo. E, como para se ter autarchia era necessário ter matéria prima e recursos, era necessário um espaço vital, um “lebensraum”.

    Salazar não era socialista, tal como não era fascista, mas o seu estado corporativo bebia abundantemente nestas doutrinas.

    Claro que ele não se considerava socilaista. Mas, nesse particular era como aquelas pessoas que odeiam profundamente Israel e recusam completamente ser antissemitas.
    Chama-se a isso, estado de negação, ou, como Sartre lhe chamava, “má fé”. A pessoa é aquilo que não acredita ser e acredita ser aquilo que não é.

  15. ricardo saramago

    Não é “autarquica” é autárcica.
    Viver em economia fechada chama-se autarcia.
    Autarquias são as câmaras municipais.

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