Uma verdade inconveniente

Perante a mais recente polémica em que se viu envolvido, há quem acuse Mário Crespo de deselegância e mau profissionalismo. Não partilho dessa opinião, mas percebo a ideia. Pode também haver quem note que demonstra pouca coerência e muito ressabiamento ao criticar abertamente o canal que não o acolheu quando, no início do ano, o próprio se propôs ser seu funcionário. Concordo que, tendo em conta o ocorrido, a sua atitude recente ganhe contornos um pouco suspeitos. Mas, no fundo, fazer o papel de virgens ofendidas perante as motivações suspeitas e as atitudes supostamente questionáveis de Mário Crespo foi apenas a forma encontrada pelos críticos para criar uma cortina de fumo. É que discutir o acessório torna mais fácil esconder o essencial: Mário Crespo apontou uma verdade tão indesmentível quanto inconveniente. E se oferecer alguma condescendência ao género de críticas que referi é aceitável, a coisa muda de figura quando se tenta fazer Mário Crespo passar por mentiroso. Afinal, os números relativos às despesas com a RTP são públicos e, quando muito, só fazem a afirmação que Mário Crespo tem proferido todas as noites pecar por modéstia.

Leitura complementar: O custo da RTP para os contribuintes

10 pensamentos sobre “Uma verdade inconveniente

  1. Paulo Pereira

    15 meses e lá se foram quase 400 milhões de euros para a RTP.

    Grande Passos / Relvas estão de parabéns !

  2. Carlos Pinheiro

    E a carta que ele escreveu no dia 1 de Janeiro deste ano à administração da RTP a oferecer-se para ir para os States outra vez? Nessa altura a RTP era boa?

  3. O Insurgente do Sistema

    O que diz Mário Crespo é verdade. A RTP gasta demasiado dinheiro dos contribuintes. Ponto final.
    Creio, no entanto, que o jornalista está ressabiado por não ter tido emprego na RTP em Washington.
    E tenho de dizer que ele é um jornalista que faz do seu jornal uma passerelle da mediocridade política, querendo com isso estabelecer uma rede de influência que lhe poderá ser-lhe útil no futuro. Como por exemplo levar o Ângelo Correia dois dias seguidos ao seu jornal – porque será?

  4. Pingback: A RTP não custa 1 milhão de euros por dia: custa mais « O Insurgente

  5. Pedro

    A questão é que os números não são como ele os diz. A RTP não custa 1 milhão por dia, porque os seus custos operacionais não correspondem a isso. Corespondem a bastante menos. O que ele fez foi juntar ao “bolo” o dinheiro que serviu para pagar dívidas (acumuladas em tempos passados por más gestões escolhidas de forma incompetente por sucessivos governos). Dívidas essas que a RTP foi obrigada a pagar este ano porque as agências de notação classificaram Portugal como “lixo”, e os bancos passaram a ter o direito de exigir o pagamento já. É certo que foi bastante dinheiro mas está relacionada com a reestruturação da empresa iniciada em 2004 por Morais Sarmento. Nada tem que ver com os custos diários da empresa na actualidade.
    A meu ver, é tudo uma questão de ressabiamento.

  6. Hevel

    Que a RTP deve ser bem gerida, é uma evidência. Discutirem-se os custos, é o mesmo que discutir os custos da Democracia…..acabe-se esta, uma ditadura é mais barata.

  7. António

    Há aqui alguma confusão, senão mesmo teoria de conspiração, sobre a qual assenta este ataque aos críticos de Mário Crespo. Que ele é um péssimo jornalista, é uma opinião comum. Que manifesta incompetência e oportunismo também é notório. Que a RTP gasta muito também é claro. Agora, a RTP não passou a ter a despesa que tem a partir do momento em que Mário Crespo decidiu abusar a sua posição para, num manifesto de incompetência, apoiar-se do púlpito para passar a sua opinião pessoal como notícia. De igual modo, a RTP tinha exactamente a mesma despesa antes do momento em que Mário Crespo decidiu atirar postas de pescada. As críticas a Mário Crespo são independentes do nível de despesa que a RTP tem. Elas dependem apenas de Mário Crespo, do seu historial de serviço e da opinião que ele veio a criar nas pessoas com base no seu percurso. Com este episódio triste ele veio relembrar as pessoas do péssimo serviço que presta, e a ser verdade as acusações de oportunismo então essa má imagem apenas fica ainda mais vincada.

    Com isto, que se evite a teoria de conspiração, que é perfeitamente desnecessária.

  8. António Costa Amaral (AA)

    sobretudo, liquide-se o grupo RTP
    é imoral que num tempo de aperto, em que cash is king, a RTP sugue tanto dinheiro (operacional ou financeiro, é indiferente), para produzir um “produto” que não se distingue da concorrência.

  9. Pingback: Estado fora da comunicação social, já! « O Insurgente

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