Relembrando o manifesto pela despesa pública

Um grupo de notáveis ligados à esquerda veio a público exigir mais despesa pública, em investimentos como o TGV e o novo aeroporto de Lisboa. Menos de dois anos depois, o estado esteve prestes a falir, apenas salvo pela União Europeia e o FMI. O manifesto pela despesa pública não foi no século passado, foi apenas há 3 anos. Há 3 anos era isto que estavamos a discutir. Em perspectiva, parece uma discussão ridícula dada a situação financeira do país. Neste momento discute-se a perda de dois salários por parte de funcionários públicos. A questão é como esta discussão será vista daqui a 3 anos. Relembro então quem foram os subscritores do manifesto:

Adriano Pimpão, Economista, Professor Catedrático, Universidade do Algarve
Alexandre Azevedo Pinto, Economista, Investigador, Faculdade de Economia da Universidade do Porto
Álvaro Domingues, Geógrafo, Professor Associado, Faculdade da Arquitectura da Universidade do Porto
Ana Cordeiro Santos, Economista, Investigadora, Centro de Estudos Sociais
Ana Narciso Costa, Economista, Professora Auxiliar, ISCTE-IUL
André Freire, Politólogo, Professor Auxiliar, ISCTE
António Romão, Economista, Professor Catedrático, ISEG-UTL
António Simões Lopes, Economista, Professor Catedrático, ISEG
Artur Cristóvão, Professor Catedrático, Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro
Boaventura de Sousa Santos, Sociólogo, Professor Catedrático, Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra
Carlos Bastien, Economista, Professor Associado, ISEG
Carlos Figueiredo, Economista
Carlos Fortuna, Sociólogo, Professor Catedrático, Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra
Carlos Santos, Economista, Professor Auxiliar, Universidade Católica Portuguesa
Francisco Louçã, Economista, Professor Catedrático, ISEG
Fátima Ferreiro, Professora Auxiliar, Departamento de Economia, ISCTE-IUL
Isabel Carvalho Guerra, Socióloga, Professora Catedrática
Jorge Bateira, Economista, doutorando, Universidade de Manchester
Jorge Gaspar, Geógrafo, Professor Catedrático, Universidade de Lisboa
Jorge Vala, Psicólogo Social, Investigador
José Castro Caldas, Economista, Investigador, Centro de Estudos Sociais
José Manuel Henriques, Economista, Professor Auxiliar, ISCTE-IUL
José Manuel Rolo, Economista, Investigador, Instituto de Ciências Sociais
José Penedos, Gestor
José Reis, Economista, Professor Catedrático, Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra
João Castro Caldas, Engenheiro Agrónomo, Professor Catedrático, Departamento de Economia Agrária e Sociologia Rural do Instituto Superior de Agronomia
João Galamba, Economista, doutorando em filosofia, FCSH-UNL
João Guerreiro, Economista, Professor Catedrático, Universidade do Algarve
João Leão, Economista, Professor Auxiliar, ISCTE-IUL
João Pinto e Castro, Economista e Gestor
João Rodrigues, Economista, doutorando, Universidade de Manchester
João Tolda, Economista, Professor Auxiliar, Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra
Luis Francisco Carvalho, Economista, Professor Auxiliar, ISCTE-IUL
Manuel Belo Moreira, Engenheiro Agrónomo, Professor Catedrático, Departamento de Economia Agrária e Sociologia Rural, Instituto Superior de Agronomia
Manuel Branco, Economista, Professor Associado, Universidade de Évora
Manuel Brandão Alves, Economista, Professor Catedrático, ISEG
Margarida Chagas Lopes, Economista, Professora Auxiliar, ISEG
Margarida Proença, Economista, Professora Catedrática, Escola de Economia e Gestão, Universidade do Minho
Mário Murteira, Economista, Professor Emérito, ISCTE- IUL
Mário Rui Silva, Economista, Professor Associado, Faculdade de Economia do Porto
Mário Vale, Geógrafo, Professor Associado, Universidade de Lisboa.
Nuno Teles, Economista, doutorando, School of Oriental and African Studies, Universidade de Londres
Paulo Areosa Feio, Geógrafo, Dirigente da Administração Pública
Pedro Adão e Silva, Politólogo, ISCTE
Pedro Costa, Economista, Professor Auxiliar, ISCTE-IUL
Pedro Hespanha, Sociólogo, Professor Associado, Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra
Pedro Nuno Santos, Economista
Raul Lopes, Economista, Professor Associado, ISCTE-IUL
Ricardo Paes Mamede, Economista, Professor Auxiliar, ISCTE-IUL
Tiago Mata, Historiador e Economista, Universidade de Amesterdão
Tiago Santos Pereira, Investigador, Centro de Estudos Sociais
Vitor Neves, Economista, Professor Auxiliar, Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra

26 pensamentos sobre “Relembrando o manifesto pela despesa pública

  1. migspalexpl

    O que acho fantástico é o autor deste post achar que estes 3 anos “provam” que a receita Keynesiana para sair de uma depressão não funciona (e que pelo contrário, há que balançar contas e seguir a via austera). Iria jurar nos últimos anos não andamos aplicar outra coisa que não austeridade.

  2. tina

    E depois vão lá para a televisão, falar do alto da sua sabedoria, tanto tempo de antena e milhares de euros gasto com inúteis!

  3. asa

    O que acho é que o migspalexpl ainda não entendeu que em 2009 estavamos em eleições, e era um mar das rosas, e que para além disso a receita Keynesiana anda a ser aplicada desde 1995. (não quero errar mas ainda me lembro de uma capa públicada por uma revista da área em que aparecem quatro primeiro ministros europeus, e um dele era o guterres caracterizados tal qual Keynes).

  4. Menos socialismo, please!!!

    Portugal já não é socialista que chegue?

    – impostos » elevado
    – peso do estado » elevado
    – dívida » elevada
    – função pública » elevada
    – desemprego » elevado
    – falências » elevada
    – pobreza » elevada

    Para quê então andar por aí a pedir mais socialismo com estes resultados?

    A melhor ciência económica comprova que o socialismo é uma via para o fracasso.

  5. vivendipt

    “O que acho é que o migspalexpl ainda não entendeu que em 2009 estavamos em eleições”

    Se andássemos ao mesmo ritmo de 2009 o défice hoje seria acima de 20%.

  6. tina

    “O que não é nada mais do que a receita recomendada por Keynes, utilizada com sucesso para sair da grande depressão.”

    E já perguntaram ao Keynes o que é que ele acha de pedir dinheiro emprestado para o invest público quando a dívida do país já é igual ou superior ao seu PIB?

  7. migspalexpl

    “a receita Keynesiana anda a ser aplicada desde 1995” ?

    não sabia que estamos numa recessão/depressão económica desde 95…

    a receita Keynesiana defende investimento público em tempos de recessão, e contracção da despesa pública em tempos de crescimento.

  8. migspalexpl

    “E já perguntaram ao Keynes o que é que ele acha de pedir dinheiro emprestado para o invest público quando a dívida do país já é igual ou superior ao seu PIB?”

  9. Revoltado

    Parece-me que é um erro grave comparar a situação vivida na grande depressão com a actual. E mais grave ainda é a aplicação da mesma receita. Se bem entendo, a política usada para ultrapassar a grande depressão foi a de injectar dinheiro na economia para a estimular. Fazia sentido na época, numa economia tão vasta como a dos estados unidos e num mundo ainda não globalizado. Actualmente um estado, como o português, injecta o dinheiro na sua economia mas vai estimular a economia chinesa ou alemã devido à globalização e à baixa produtividade da nossa economia em sectores vitais. Para completar com a cereja no topo do bolo o dinheiro que o estado usou para estimular a economia foi emprestado a juros elevados. A meu ver esta é uma receita mais que certa para o desastre.

  10. Joshua

    Imaginem se em nas décadas 1820 e 1830, no UK, pululassem insurgentes na corte britânica, quando a dívida pública atingiu-se os 250%do PIB. Meu santo Keynes, até a família real teria sido “privatizada” por qualquer esclavagista de vão escada, sempre em nome da economia livre e de défices zero. Nem quero imaginar como estaria o UK se os insurjas conseguissem aplicar os dogmas económicos que professam …

  11. tric

    O Passos Coelho tambem apoiou, queria um Cluster lol…o Luís Filipe Menezes até foi berrar para o El País a favor do TGV…remember!!??

  12. Mário Amorim Lopes

    Para esses economistas, tenho algumas (bastantes) dúvidas que gostava que fossem tecnicamente respondidas:

    1) Efeito do multiplicador keynesiano do consumo. Robert Barro fez alguns estudos onde chegou a valores próximos de zero para o multiplicador. Em layman terms, isto significa que impulsionar o consumo não tem um efeito multiplicador no PIB, mas perde-se.
    2) Como pagar a despesa e investimento público? Segundo Ricardo, essa dívida terá de ser paga com impostos ou hoje ou amanhã, e as pessoas sabem disso (algumas, pelo menos). Contraír mais dívida? Não podemos.
    3) Produtividade desses investimentos públicos. Se eu construo uma empresa que vai à falência, posso vender os meus activos (incluindo o meu stock de capital) — as instalações, o parque informático — e permitir a realocação em investimentos mais produtivos. Se todos nós fazemos uma auto-estrada, um aeroporto ou um TGV que não é produtivo, não é possível realocar os recursos e torna-se uma despesa constante para o Estado. Conseguem estimar de forma séria qual o impacto na eficiência marginal do capital privado que esse tipo de invesitmentos teriam?
    4) Qual o efeito a longo prazo? A curto prazo gera empregos, verdade, mas em investimentos não produtivos, isso vai-se pagar mais tarde. Foi o que aconteceu com Portugal. Imaginem que tínhamos construído metade das auto-estradas e distribuido esse dinheiro pelos agentes económicos. E, sendo as empresas o *verdadeiro* motor da economia, não é provável que essa redistribuição fosse mais eficiente?

    Enfim, eu devo saber de um outro tipo de economia, porque este tipo de medidas do lado da procura parecem-me somente um elixir da juventude, que acaba por trazer a velhice bem mais cedo.

    E quanto à Grande Depressão, não é comparável e o próprio Keynes o referiu. A economia tinha chegado a um halt e era necessário despertar o investimento e colocar dinheiro a circular.

  13. Mais uma vez relembro que o UK estava em Guerra boa parte do sec. XIX. Os 250% de dívida nada tinham a ver com estímulos á economia. Tal como boa parte do sec. XX. Fazer comparações sérias ajuda á qualidade do debate.

    As guerras napoleónicas acabaram em 1815. Sequiram-se décadas de prosperidade (com algumas interrupções) sempre com a dívida pública a descer.

  14. lucklucky

    O Keynesianismo da grande depressão só travou o relançar da economia, em 1938 ainda os EUA estavam em grandes sarilhos, para ainda piorar a festa tivemos a intimidação neo fascista de Roosevelt.
    O que tornou possível o crescimento foi algo que quem acredita demasiado no Governos não conseguem ver: tecnologia, mudança dos motores navais para diesel, subida da potência dos motores aéreos para para mais de 1000cv em 1940 em vez de 300cv no início dos anos 30 são só alguns dos exemplos.

  15. Um “documento” que Pedro Passos Coelho também teria assinado. Afinal, antes das eleições legislativas de 2009, e quando Manuela Ferreira Leite dizia que não havia dinheiro para nada, o actual primeiro-ministro jurava que o investimento no TGV era capaz de ser uma excelente ideia.

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