O plano B de Portas está em marcha

 

O meu artigo no i, em Julho último, sobre como Paulo Portas estava preparado para quando o governo falhasse.

O plano B de Paulo Portas

O CDS tem sido um parceiro leal da coligação governamental com o PSD. Pondo de lado eventuais críticas à dimensão das reformas, à orientação político-social típica do CDS, os seus ministros apresentam-se cumpridores do programa da troika e integrados neste governo. Mas há algo que tem sido notado vezes sem conta, mesmo que muito pouco comentado: a discrição de Paulo Portas. O ministro dos Negócios Estrangeiros raramente aparece e cedo se predispôs, contra aquilo a que nos habituámos nele, a ficar na sombra. Qual é o plano B de Paulo Portas?

Se Portugal sair do euro, o programa deste governo, que é o da troika, desaparece. A desorientação será total e a credibilidade política de Pedro Passos Coelho nula. Sendo o PS o responsável maior da situação em que nos encontramos, e ficando o PSD perdido e sem programa, o único partido não comunista, com condições para apresentar um programa adequado à nova realidade que uma moeda portuguesa implica, será o CDS.

Já assistimos na Grécia ao colapso do PASOK e à significativa perda de votos do Partido da Nova Democracia. A revolução político-partidária foi brutal, varrendo tudo e todos. Paulo Portas não deseja nem está à espera que Portugal saia do euro. No entanto, e como qualquer bom jogador político, prepara-se antecipadamente para essa eventualidade. Um panorama que devemos ter em conta, até porque se há alguém que antevê todos os possíveis cenários políticos, é Paulo Portas.

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14 thoughts on “O plano B de Portas está em marcha

  1. Até porque agora temos aí um imbróglio. A comissão europeia só liberta a próxima tranche do guito se as condições negociadas, incluindo a descida da tsu forem integralmente cumpridas. E agora meus senhores, como fazemos? Ou estamos no euro cumprindo escrupulosamente o estabelecido ou não…

  2. Lionheart

    Finalmente o povo português é colocado perante a realidade, e não estou a tomar partido por ficar ou sair do Euro. Apenas se constata que se o Primeiro-ministro falasse as coisas como elas são, poupava-se muito chatice, quanto mais não seja a ilusão das pessoas que foram para a rua no Sábado. Os governantes têm de falar CLARO!! É inconcebível como Passos Coelho no discurso e na entrevista não disse nada de essencial. Um discurso redondo, errático, palavroso, que a meio já cansava toda a gente.

    O que os portugueses têm de perceber é que o país tem um problema de competitividade, que a Europa e os mercados exigem ver medidas de recuperação da nossa competitividade, de outro modo não acreditam que a economia portuguesa gere receitas para lhes pagar. Portugal tem de recuperar competitividade, dentro ou fora da união económica e monetária. De uma forma ou de outra. A descida da TSU foi imposta à bruta e mais se seguirá se não forem os portugueses a tomar a iniciativa, por isso convinha saber o que querem, ou serão os outros a decidir.

  3. Lionheart

    Quais são os riscos das duas opções? O maior risco da saída do euro é a fuga de capitais e o aumento da perifericidade do país.Estando fora da zona euro Portugal poderia ser visto como um caso de fracasso (no caso da zona euro estabilizar) e ficar ainda com pior imagem internacional (dependendo da maneira como se processa a saída e de como país se comportar daí em diante). Mais grave ainda é que as relações com a UE poderiam degradar-se ao ponto de expulsão da mesma.

    Ficando na zona euro há o risco do país se tornar ingovernável na mesma, porque os sacrifícios serão permanentes. Não será mais possível voltar ao nível de vida anterior à crise, a disciplina orçamental terá de ser contínua (o que nem é mau), e o crédito será proporcional ao grau de desenvolvimento do país. Ou seja, no fundo, Portugal fica com as exigências da zona euro, mas não tem direito aos benefícios. É como ser “dono” de um Ferrari mas não poder tocar na chave, porque quem pagou o carro foi outro. Os defensores da permanência no euro têm de reconhecer isto, ou estarão a enganar os portugueses.

    No fundo, mais do que o curto prazo, o que deveria ocupar o debate é qual das opções é a mais adequada para que Portugal recupere competitividade e volte a enriquecer. Porque o euro pode ser um espartilho que não deixa o país evoluir e convergir com os países mais ricos, dado que todo o ênfase está no controlo orçamental, o que é muito bom para os países que já são ricos e não querem que a partilha de soberania com países mais pobres lhes traga dissabores, mas é mau para os países menos ricos, que assim dificilmente conseguirão convergir com o Norte da Europa.

  4. lucklucky

    “….para que Portugal recupere competitividade…”

    Eu não que cesso de me espantar ao ler este absurdo, mesmo de pessoas que considero. Gente inteligente diz isto.

    Portugal não pode recuperar competitividade porque nunca teve essa competitividade, a riqueza portuguesa que os portugueses estão a perder é a riqueza que vem da dívida. Se Portugal voltar a ter essa riqueza terá de ser devido a mais competitividade , nova competitividade, a algo que nunca aconteceu.
    Ou seja implica que os Portugueses terão de mudar, de se transformar noutra coisa, Portugal terá de produzir o que nunca produziu.
    Ou ficará sempre assim. Isto se não começar a dar tiros nos pés e ir por aí abaixo.

  5. Joaquim Amado Lopes

    André,
    Se fôr como diz, nas próximas legislativas votarei branco ou nulo pela primeira vez (voto PSD, excepto em 1995 quando votei CDS). Também pelos ministros socialistas do CDS mas essencialmente por esse calculismo nojento de Paulo Portas. Portugal precisa de estadistas, não de politiqueiros calculistas.

  6. Ramone

    O Paulo Portas, a meu ver, está apenas a salvaguardar algum espaço para um qualquer tipo de coligação com o PS se este ganhar as próximas eleições com minoria.

  7. Lionheart

    Presumo que quando Portugal crescia a 5 ou 6% era mais competitivo, ou não? Ou nos anos 60, 70 e 80 também era a dívida que fomentava o crescimento? A estrutura do Estado era muito mais “leve”, as despesas sociais menores, a carga burocrática sobre as empresas também menor. Hoje quase que se trabalha só para cumprir com todos os requisitos legais sobre o ambiente, a segurança e essa treta toda. Era possível ter uma legislação que se focasse no essencial, que protegesse o ambiente e a segurança e a saúde dos trabalhadores, sem que as empresas tivessem de dispender recursos com consultores, auditores e essa gente toda, uma classe profissional protegida e muitíssimo bem paga (muitas vezes mais bem paga do que para aqueles para quem “trabalham”) cuja existência deriva da legislação que o Estado impõe sobre o sector produtivo. Uma palha que nada contribui para a produtividade e para a que o país aumente a produção.

  8. hotboot

    Em Portugal qualquer sujeito que se diga como socialista ganha as eleições… nunca existirá um colapso do PS… muito menos quando o actual Governo fez tudo para manter intacta a imagem dos Governos Socas.

  9. “…mas essencialmente por esse calculismo nojento de Paulo Portas. Portugal precisa de estadistas, não de politiqueiros calculistas.”

    Caro Joaquim Amado Lopes

    Calculistas e traidores.
    Este Paulo Portas é um nojento traidor porque também, “Cesteiro que faz um cesto faz um cento”.
    Eu já sabia há anos que o plano B de Paulo Portas é trair.

    Estadistas, não temos nenhum neste momento, até ver como é que o PPC vai aguentar isto.
    .

  10. paam

    O Plano A do Paulo Portas era passar entre os pingos da chuva. Estava a ser um bom plano até ter apanhado com uma tromba de água. O Plano B é esperar a queda deste governo, limitando a exposição do CDS, e até ajudar a enterrá-lo através da quebra da coligação. Não há nenhum político que conheça tão bem o país real como o Paulito das Feiras e ele, ao contrário do PPC, é um bom comunicador e de parvo não tem nada.

  11. Pingback: O plano B de Portas está em marcha (2) « O Insurgente

  12. Lionheart

    O Portas apenas procura salvar a pele, e se estivesse no lugar dele fazia o mesmo. Já que não consegue evitar que os outros façam asneiras e digam disparates, demarca-se. É o instinto de sobrevivência. É por isso que ele ainda nisto e outros não duram muito tempo. De resto, porque é que agora chamam traidor ao Portas, quando nem os psd’s apoiaram o governo? Onde é que estão os pesos pesados do partido no executivo? Por aqui se vê a confiança que tinham na liderança, mas depois a culpa é do CDS. Por favor.

  13. FilipeBS

    Os portugueses têm memória curta, sobretudo no que respeita a xuxalistas que prometem o céu na terra.

  14. FilipeBS

    Mas sim, é bem observado o que disse sobre a estratégia do Portas. Tudo indica que o homem tem esse plano B bem preparado. Nesse aspecto, é um político exímio.

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