Ora bem

Revolta-te por mim,  de Helena Matos.

As manifestações de hoje estão longe de traduzir a desaprovação em relação ao governo. A desaprovação em relação ao governo e sobretudo a desilusão com o governo é muito maior do que aquilo que viu ou verá nestas manifes pois nelas apenas está quem nunca apoiou este governo. A desaprovação em relação ao governo vê-se noutras coisas que não fosse a cápsula em que os jornalistas vivem directamente ligada ao folclore dos activismos bloquista e similares e vendo o mundo a partir das redes sociais e perceberiam que as manifestações de hoje não iam ser as maiores nem as menores de tempo algum. Alguns milhares de pessoas e imprensa militante a dar conta do grande acontecimento.Para lá desta evidência óbvia existe uma outra que entra pelos olhos dentro: quem apela à revolta da rua são os privilegiados do sistema. Aqueles que enriqueceram ou atingiram apreciáveis níveis de vida graças a esses estado que agora não conseguimos sustentar. São os artistas, os designers, os patrões da imprensa, os bispos eméritos das forças armadas, os provedores, os professores doutores em saberes  tão vagos quanto a licenciatura de Relvas, os empresários dos magalhães e similares, os sindicalistas com progressões automáticas garantidas…. que querem que o povo se revolte. Mas o povo foi para a praia. Se se querem revoltar revoltem-se eles. Mas isso não podem eles fazer porque têm um almoço, um jantar, uma viagem, uma exposição para montar… Eles estão a gozar e a tratar da vida enquanto sonham com montras partidas. Depois talvez fizessem um poema, uma exposição, uma tese, uma evocação… desse dia. Mas o povo não lhes fez a vontade. O povo que vai castigar este governo através da fuga fiscal e da abstenção não está para fazer o trabalho que as élites lhe pedem. E que pedem sobretudo para que elas élites do socio-estatismo possam voltar a ter a sua vida por mais algum tempo.

É no vão-se lixar que a minha vida ninguém me tira de quem se estende ao sol e mergulha no mar nos dias das manifestações, das eleições, dos dias disto e daquilo  que está a melhor expressão da resposta do povo ao governo e aos manifestantes.  E les marimbam-se para o governo e para as élites incomodadas. Lá no fundo o povo  gosta do país embora oficialmente lhe faça um grande manguito que é uma forma – a única que acham que lhes resta – de iludir a tristeza.

42 pensamentos sobre “Ora bem

  1. Samuel

    Ahah 500 mil, são alguns milhares. Engulando, direitistas!
    Nos vossos governos continuamos cá a lutar pelos nossos direitos, e vocês quando ouvem o Louçã a ameaçar que aumenta os impostos sobre as fortunas ameaçam logo que fogem para o estrangeiro. Nós só saímos se não tivermos emprego pelas vossas políticas.
    Liberdade sempre e Portugal até ao fim!
    A luta continua!

  2. Samuel

    LOL que engraçadinho. Agora até mandam piadas, aprenderam umas coisas com a esquerda, graças ao comuna do Ricardo Araújo Pereira.
    não, isto vai lá é com os mesmos dos últimos 30 anos! Passe bem.

  3. Joshua

    Ora bem o quê? Você se revê neste texto de “branqueamento” e “relativização” do que se passou hoje? Vamos ver, centenas de milhares de portugueses “saíram da sua zona de conforto” para gritar bem alto: ou há um recuo nesta política de saque à classe média e baixa, ou há problemas. Simples.

  4. ruicarmo

    As piadas como sabemos, é um exclusivo da esquerdalha. Mais um regime de monopólio. 30 anos? Hummm. Será caso para gritar: “Tás farto de dizer Yes? Vota pela URSS.”

  5. tina

    Bem, depende do descontentamento do povo. Na manifestação da geração à rasca houve muito mais gente, a situação na altura, mesmo antes do PS cair, tinha-se tornado insuportável e isso foi vísivel.

  6. Samuel

    Claro que não são, mas o sentido de humor da direita costuma ser tão limitado como o futebol do Rio Ave em comparação com o do Barcelona. Mas folgo em saber que há pessoas na direita com sentido de humor, quando perderem o poder conseguem alegrar-se como nós conseguimos agora.
    Ah, e claro que todas as pessoas que dizem de esquerda são pró-URSS, nem de outro modo podia ser! Ridículo demais para ser verdade que nos nossos dias ainda se ache isso…

  7. ruicarmo

    “Ora bem o quê? Você se revê neste texto de “branqueamento” e “relativização” do que se passou hoje? ”
    Sim, revejo. De outro modo seria complicado colocar na integra o texto da Helena Matos

  8. tina

    “ou há um recuo nesta política de saque à classe média e baixa, ou há problemas. Simples.”

    O que é vocês vão fazer? Esvaziar os pneus dos carros dos ministros do PSD?

  9. BST

    A questão é que o governo – seguindo o modelo do socratismo – esquece que as medidas devem ser explicadas e discutidas.
    Este governo está a reproduzir os tiques autoritários que têm minado a democracia em Portugal
    E do essencial, a reforma do estado, nem uma sombra.
    Mas que esperar de um governo que tem o ministro Relvas? Se a opinião pública de um país nada vale perante os interesses particulares de um ministro e de quem o protege, estamos mal.

  10. Joshua

    Estou a ver que aqui há uns interessantes apoiantes da espoliação fiscal e do empobrecimento generalizado. Para a próxima sejam claros, defendem a pobreza e a asfixia fiscal. Sejam verdadeiros, e não como o governo (aparentemente) apoiam, que usaram a mentira, repito, a mentira para se instalarem no poleiro. Haverá problemas se governarem contra os governados. Não têm dúvidas.

  11. ruicarmo

    Caro BST,
    se a situação é péssima,a comunicação do governo não será melhor. E no essencial, estou de acordo com o que escreveu.

  12. Samuel

    ““Ora bem o quê? Você se revê neste texto de “branqueamento” e “relativização” do que se passou hoje? ”
    Sim, revejo. De outro modo seria complicado colocar na integra o texto da Helena Matos”

    Ao menos admite que é branqueamento. Pelo menos é sincero! Parabéns.

  13. tina

    “Estou a ver que aqui há uns interessantes apoiantes da espoliação fiscal e do empobrecimento generalizado”

    Mas quando é que vocês se convencem que nós somos mesmo pobres e só não parece porque temos vivido à custa de dinheiro emprestado e que agora ninguém nos quer emprestar mais dinheiro, temos de voltar a ser pobres? Porque é que é tão difícil compreenderem isso, são assim tão burros?

  14. ruicarmo

    Samuel, não se engasgue outra vez. Calma, que explico: revejo-me, suscrevo a totalidade do texto da Helena Matos. Citei a sua frase por inteiro.
    “O Paulo Campos fez-me um coito, agora ando sozinho na A8.”

  15. Marão

    NO ESSENCIAL NÃO MEXEM – SÓ LÁ VÃO AO EMPURRÃO E PASSA POR AQUI:
    – Sistema eleitoral que contemple conjugação com círculos uninominais
    – 99 a 180 deputados no máximo, e acabar com os votos em manada na AR.
    – Ninguém deve poder concorrer fora do distrito ou concelho onde resida ou exerça actividade regular pelo menos nos últimos três anos. VÁLIDO PARA AUTÁRQUICAS.
    – Todos os eleitos pelo menos para os mais altos cargos poderem ser considerados, só seriam reconhecidos com bom comportamento moral e cívico, por obrigatórios testes de apuramento de efectiva idade adulta e comprovada sanidade mental.
    – Acabar com o exclusivo das ditaduras partidárias (onde os medíocres afastam os melhores para sobrevivência indigente) na participação e representação política do País, deixando espaço para iniciativas da sociedade civil que contemple participação e representação efectiva, nomeadamente, na AR.
    – Assim, considerar representação política fora da alçada dos partidos, nomeadamente, no parlamento, começando por contemplar o direito a assento por inerência a representantes de organizações sindicais, patronais e outras não estatais com expressão efectiva na sociedade, e ainda por profissões como operários, engenheiros, médicos, professores, jornalistas, trabalhadores, empresários …………….
    – Da obediência aos partidos só entraria gente por eleição mas com ligação efectiva ao eleitor. Regra dos 3 x 33 = 99 deputados. 1/3 Por inerência para autarcas, 1/3 ainda por inerência aos grupos e profissões atrás assinalados e, finalmente, 1/3 para eleitos em nome dos acantonamentos partidários.
    – Deixar uma cota ainda que residual para representação dos considerados analfabetos estruturais à antiga, que se ainda existirem, fácilmente podem provar que muito frequentemente possuem mais cultura geral e conhecimentos de vida de que muitos doutores novos que por aí passeiam a ignorância.
    -Reformular o conceito de abstenção, não a confundindo com insondáveis razões de ausência nas urnas. Criar um campo (X) para esse efeito em cada boletim de voto. Esta intransmissível , pessoal e inconfundível opção merece e deve exigir a dignidade de voto válidamente expresso. Uma civilizada, consciente e ponderada escolha não pode ser obrigada a ficar na rua em vala comum de incertos. Os nossos deputados, na Assembleia da República, apesar da aviltante disciplina partidária a que se submetem, para se abster tem que marcar presença. Uma cruzinha lá para me abster, querendo.

  16. Lobo Ibérico

    Lol, some shit never changes…

    O Samuel armado em vanguarda do proletariado, como se fosse o responsável pela instigação da revolta. Samuel, as pessoas estão a marimbar-se para si. Houve confluência de motivos de protesto e de interesse. As pessoas refilam porque lhes estão a ir ao bolso, não porque anseiem pela revolução socialista, dos seus sonhos húmidos.

    Depois de muito refilar após uma certa promoção de uma cadeia de supermercados, pensava que já tinha percebido que as pessoas só participam nas manifestações do seu partido se para aí estiverem viradas e se o motivo de protesto for comum.

    Disclaimer: sou anarquista. Liberdade total, responsabilidade total.

    Saudações libertárias!

  17. paam

    O problema é a classe alta que é a fonte de todos os males. Deviam ser taxados a 100%, as suas fortunas deviam ser confiscadas e os ricos deportados. Malditos ricos! Sempre com a mania de montar empresas e de se esforçarem para enriquecer. Qualquer pessoa que seja vista a trabalhar para enriquecer devia ter as pernas partidas como aviso e exemplo. Não queremos ricos neste país. Aqui somos todos pobres. Portugal livre de ricos, para sempre!

  18. ricardo saramago

    Não há solução dentro das instituições a não ser troikas e impostos.
    Se bem conheço as CGTPs estão em pânico porque estão a perder a mão na contestação.
    Os jornalistas e os Louçãs sonham com o Maio de 68.
    O CDS já deu uma facada no Passos e os ratos do PSD estão a fugir para todos os lados.
    O Cavaco faz conselhos de Estado para ouvir o Alberto João, o Soares, o Sampaio, e outras eminências.
    As regras do jogo estão a mudar e eles não percebem.
    A coisa tem tem tudo para ir de mal a pior.

  19. Samuel

    “Depois de muito refilar após uma certa promoção de uma cadeia de supermercados, pensava que já tinha percebido que as pessoas só participam nas manifestações do seu partido se para aí estiverem viradas e se o motivo de protesto for comum.” Assumo que me passou ao lado o que queria dizer com isto.
    Claro que as pessoas que lá estão não partilham todas dos meus sonhos, mas é inegável que a organização da manifestação é de esquerda.
    Boa sorte com o anarquismo, na teoria é excelente mas ainda não chegámos à fase em que é suposto isso ser solução. Se tivéssemos chegado, não falaria com tanta raiva para mim.
    De resto, Lobo Ibérico, pode escrever tudo em português (entenda-se “frases/palavras para as quais há uma tradução literal para português”, não lhe peço o mundo), que somos ambos portugueses, e o blog também. Se não tiver vergonha do seu país, claro está.

  20. JS

    A receita é simples, caros manifestantes. E quanto mais cedo melhor.
    “… the best option for peripheral countries is to default, devalue, decouple,” Daniel Hannan,

    Volta Portugal!. Estás perdoado. Bye-bye Bruxelas, have fun, diverte-te.

    Será que vai ser a Sra. Le Pen, mais os franceses da esquerda pura e dura, que vão salvar Portugal?.
    Atenção aos búzios.

  21. Joshua

    “Mas quando é que vocês se convencem que nós somos mesmo pobres e só não parece porque temos vivido à custa de dinheiro emprestado e que agora ninguém nos quer emprestar mais dinheiro, temos de voltar a ser pobres? Porque é que é tão difícil compreenderem isso, são assim tão burros?”

    Comentário pobre, sem dúvida. O discurso do “vivemos acima das nossas possibilidades” só pode ser válido nestas cabecinhas que repetem o “mantra” sem terem que pensar muito. Olhe, pense lá: somos um país pobre? Ou um pobre país?

    Não há um único país, sociedade, grupelho que viva neste regime económico que não tenha dívida. Dinheiro é dívida, tudo é dívida nesta sociedade capitalista. Viver sem dívida (ou sem acesso ao dinheiro emprestado, como diz) é ser, real e pragamaticamente, altermundista. É isto que defende, menina (a)tina?

  22. Joshua

    Amigo JS, eu, e muitos compadres, há muito que defendemos isso. Não por cegueira religiosa, simplesmente por sermos cronicamente realistas. Pedir um empréstimo maior para pagar um mais pequeno, é algo que a DECO repudia terminantemente e é sinónimo de desespero. Vejamos, 78 mil milhões + 34 mil milhões, nestes prazos, com estas condições e ainda por cima com experiências sócio-económicos em recessão, amigo, só dá para o default. E, sim. Quanto mais tempo perdemos neste “rame-rame”, mais dinheiro e poder negocial perdemos.

  23. Prontos, façam de conta que não houve hoje manifestações. Ou se houve foram todas a apoiar o Pedro. E não esquecer de tomar o calmante.

  24. ruicarmo

    Dédé, consegue compreender o que está escrito por exemplo aqui? :”A desaprovação em relação ao governo e sobretudo a desilusão com o governo é muito maior do que aquilo que viu ou verá nestas manifes pois nelas apenas está quem nunca apoiou este governo.”

  25. André

    Joshua,

    O problema não é a dívida.

    O problema é o nosso estado não conseguir ser gerido, nem sequer em gestão corrente, sem aumentar ainda mais a dívida.

    O Joshua já se deu conta que o anterior governo do PS-Sócrates viu-se forçado a negociar um pedido de empréstimo aos estados-membro pois a via habitual de pedir empréstimos para manter o estado a funcionar passou a ser sufocantemente proibitiva em termos dos custos envolvidos? E o Joshua não se deu conta de que o governo PS-Sócrates foi forçado a pedir um empréstimo senão o estado falia por completo?

    A expressão “viver acima das possibilidades” não é um discurso: é a constatação de um facto. Nós somos de um país paupérrimo, onde a maior indústria dos últimos 100 anos foi as remessas dos emigrantes. Ainda há muito boa gente que está viva nos dias de hoje que cresceu a andar descalça na rua, a vestir trapos e a implorar por uma tigela de caldo de couves para matar a fome, e a economia não mudou nada de significativo para sustentar um nível muito superior de riqueza. Tivemos uns 10 a 20 anos de infusão de dinheiro da UE e empréstimos, que fizeram-nos crer que eramos ricos, mas tirada essa mesada os nossos problemas continuam os mesmos. E isso é um facto que os Joshuas deste mundo, por muito ingénuos e inconscientes que sejam, não conseguem apagar com insultos e provocações.

  26. hf

    que ressabianço pavloviano contra as manifestações… é obvio que a maioria dos participantes não eram do bloco de esquerda, eles não tem tantos votantes.

  27. JS

    #24 Joshua. Os franceses, graças a Le Pen e à estrema esquerda, já perceberam o embuste que foi/é a parelha Sarko/Hollande.
    Vão exigir referendo e o resultado pelos vistos não será ficar com este €Euro/Marco. Veremos.
    D. Merkel, e associados de Bruxelas, vão ter com que re-pensar o esquema.
    Este €Euro/Marco imposto de forma tão anti-democrática, nunca irá longe.

    Curioso, mas explicável, como estes saltos qualitativos, na Europa, historicamente, começam em França…

    Por cá se o PPS ainda tiver uma réstia de visão, é ele a propor/exigir o referendo, que aliás a “Europa” proíbe!!!. Aproveitar o facto de as hostes do PSD e PS, depois da manifestação de hoje, estarem com o rabo entre as pernas e avançar com o referendo.

    Troika, ou não Troika eis a questão. Este “€Euro”, ou outra moeda … a designar em outro referendo.
    Durante uma semana de campanha quem é a favor, ou contra, que argumente.
    Chama-se democracia.
    Depois, com um bocado de sorte, só é preciso uma boa Comissão Liquidatária, ou não.
    E acabam-se as manifestações. Claro como àgua.
    Chama-se democracia. Perceberam?

  28. Rita Pinto

    As televisões só não mostraram as praias todas vazias por falta de meios…. isto com jeitinho daqui a pouco éramos mais na rua que os espanhóis. No porto a OPTIMUS D´BANDADA ate foi cancelada porque foi tudo para a manifestaçao no mesmo local em vez de ir ouvir musica de borla a mesma hora ….. …. Não tomem as vitaminas que não é preciso! Ah e nao se esqueçam : Nós não queremos confusões, só lemos o Corporações!!!

  29. FilipeBS

    Não fui à manif nem nunca iria. Não concordo com os motivos desta manif. Acho que a maior parte das pessoas continua a viver na ilusão, a achar que o dinheiro está aí escondido numa caverna qualquer e só por maldade do governo é que há austeridade. Concordo com os vários comentários que dizem que, no fundo, Portugal é essencialmente um país pobre, que teve ilusões de novo rico por causa dos dinheiros da UE e dos empréstimos. Agora que ninguém confia o dinheiro nas nossas mãos, temos que baixar ao nível que realmente somos.
    .
    Dito isto, acho, CONTUDO, que menorizar a manifestação que se passou hoje é uma completa estupidez e cegueira. Com ou sem razão, oportunamente ou não, muitíssima gente, muitissimo povo que não quer sair dos partidos para nada, saiu para a rua e protestou, como há décadas não se via. Tentar ignorar isto é um mau caminho. Seria melhor uma atitude pedagógica, de explicar às pessoas que a alternativa é esta ou muito pior…
    .
    Agora, quanto ao governo, o que acho que é que peca por defeito. Como se tem dito neste blogue, anunciar o saque ao bolso dos cidadãos sem o equivalente esforço por parte do Estado, dá nisto: os défices não são corrigidos, as pessoas sofrem na pele para nada, ficam com uma sensação de injustiça e revoltam-se.
    .
    Portanto, obviamente que este governo devia fazer mais. Não pode servir de consolação ser o governo menos mau dos últimos 15 anos.
    .
    Viva Portugal!

  30. Joshua

    Sobre a tentativa de concretizar, ou melhor, sustentar argumentativamente, o discurso dos “vivemos acima das nossas possibilidades” só há uma linha, e não passou por aquela que foi aqui descrita: nós, sociedade “ocidental”, consumimos os recursos limitados deste singelo planeta baseado na balela capitalista do “crescimento infinito”. Não dá crescer infinitamente num planeta com recursos finitos, mesmo com os artificialismos do sistema monetário-financeiro que domina este canto do mundo (falo da criação artificial de moeda, a dividocracia dominante, a obsolescência programa etc.).

    Claro que é necessário mais “democracia”. É evidente que estas manifestações pedem, implicita e por vezes explicitamente, um “efectivar” democrático, ou seja, que as pessoas sejam ouvidas e tidas. Basta de imporem políticas e experimentalismo sócio-económicos que ninguém sufragou. Isto aqui não é, nem pode ser, o Chile de Pinochet.

    Os que, como o escriba que assina esta posta importada, que corroboram a teoria de que os manifestantes de hoje são, desde sempre, contra este governo, duas dicas: tenham mais amigos (não correligionários) nas redes sociais e vejam os directos (agora, indeferidos) das manifestações. Com certeza que verão e ouvirão muitos que se envergonham de terem votado neste governo, eleito com um conjunto de mentiras e demagogias que em qualquer país democraticamente são teria uma consequência lógica: impugnação de mandato.

  31. lucklucky

    “nós, sociedade “ocidental”, consumimos os recursos limitados deste singelo planeta baseado na balela capitalista do “crescimento infinito”. Não dá crescer infinitamente num planeta com recursos finitos”

    “Claro que é necessário mais “democracia”. É evidente que estas manifestações pedem, implicita e por vezes explicitamente, um “efectivar” democrático, ou seja, que as pessoas sejam ouvidas e tidas.”

    Sobre a segunda citação escusa de tentar esconder o que parece querer,parece,porque as contradições são muitas…: Tirânia Maioria sobre os outros.
    Come disse o surpreendente são as contradições no texto. Parece escrito por duas pessoas diferentes
    O “efectivar” democrático deu a “dividocracia” dominante. Você parece criticar a dividocracia e depois quer tudo aquilo que deu a dividocracia. Para finalisar critica o Chile que combateu a dividocracia.
    Finalmente escusa de tentar lançar poeiras para os olhos a falar de recursos, ainda não chegámos lá. Portugal esteve, está e estará em recessão estgnação mascarada pela dívida durante estes últimos 10 anos e não tem nada que ver falta de recursos.

    “Basta de imporem políticas e experimentalismo sócio-económicos que ninguém sufragou. Isto aqui não é, nem pode ser, o Chile de Pinochet.”

    Ou é mentiroso ou ignorante. O Chile de Pinochet – e mesmo a esquerda que veio depois deixou o essencial do sistema sustentável de Pinochet -não tem mais 10-15% de Dívida Publica e por regra aceite tem de ter Défice entre 0 e 0,5%. Há abertura para casos excepcionais, mas nos anos a seguir aos casos excepcionais tem de ser compensado. Onde está o défice zero deste Governo? Até passam a vida a sonhar que vamos voltar aos mercados, ora voltar aos mercados – pedir mais dívida ainda- para pagar entre 15% a 25% dos ordenados e pensões do Estado é algo que não passa pela cabeça de um Chileno. A vida do Chileno não definida pelo dinheiro que lhe é emprestado. Por cá parece que é. E querem que continue a ser.

    “Liberdade sempre e Portugal até ao fim!”
    Mais uma demonstração da vigarice da esquerda. Tu só queres é liberdade para impor aos outros viver do dinheiro deles, Seja crédito infinito, seja impostos.

  32. tina

    “Viver sem dívida (ou sem acesso ao dinheiro emprestado, como diz) é ser, real e pragamaticamente, altermundista”

    Veja lá se percebe que o problema nem sequer é esse, é bem pior, NINGUÉM NOS QUER EMPRESTAR DINHEIRO a não ser a juros incomportáveis e se não baixarmos o défice teremos de sair do euro e nessa altura é que vai doer mesmo, principalmente aos pobres.

  33. tina

    Na cabeça dos anti-asuteridade, eles ainda acham que a UE irá tomar conta de nós, seja o que acontecer. Isso aconteceu até agora com a Grécia, porque não também com Portugal, Espanha, etc? Mas se Portugal seguisse também esse caminho, então não haveria qualquer dúvida que eles nos diriam a ambos para sair do euro e as populações dos Estados-Membros respirariam de alívio por se livrarem dos parasitas do Sul. Não é só a questão de sustentar os parasitas que chateia, é pertencer ao mesmo clube que eles que também é desagradável

    Se o governo recuar agora é porque ele também se está nas tintas. Tal como um pai que se cansa e deixa os seus filhos fazerem as diabruras que quiserem.

  34. Cara Helena Matos,
    Não nos conhecemos. Sou um privilegiado do sistema. Há quem também goste de me chamar besta. Porque, nesta coisa do exercício democrático, dá-me para os discursos inflamados, culpa, quem sabe, dos privilégios a que tive acesso. Não consigo perceber a razão da sua generalização. Certamente que, como pessoa letrada, conseguiu tirar pela pinta a proveniência dos milhares que ontem protestaram pelas ruas. Eu vi de tudo: agricultores, velhinhos, crianças, licenciados, empregados, falsos recibos verdes, desempregados, senhoras chiques de D&G em riste. Tem razão, é a elite que sai às ruas, talvez não aquela que detém o maior poder económico ou melhores condições, mas a que se mistura com os seus pares para fazer chegar a algum lado a voz do seu descontentamento. O povo foi para praia, diz? Espero, apenas, que tenham levado protector, que as consultas de dermatologia estão caras e os melanomas são assunto sério.

    Pergunto-lhe (questão vazia, porque como habitué destas lides virtuais, duvido que se dê ao trabalho de promover o diálogo com quem lê as suas opiniões partilhadas; se estiver errado, pergunte ao Google quem sou, ele e eu somos amigos de longa data), o que propõe, então? Fechar as praias e os shoppings nos dias de manifestação? Fisgar os transeuntes e obrigá-los a fazer uso dos direitos que lhes foram conquistados e que, por vezes, se esquecem de exercer? Usar os pelourinhos que ainda se encontram perdidos nas cidades portuguesas, amarrar os dissidentes e pintá-los com ovos podres e tomates?

    O mundo está recheado de activistas que se sentam em mesas de café, está tudo mal e fica pior depois da terceira cerveja, principalmente se não houver tremoço para acompanhar. Sabe quem saiu ontem à rua? Não foi o povo todo, é verdade. Talvez alguns tenham ido para a praia, outras para as compras, outros (blasfémia) tenham ido trabalhar para manter uma sociedade que já não se rege pelos ciclos solares, que têm de servir o café e a água aos anarquistas que não têm é nada para fazer. De um privilegiado para outro, digo-lhe: as suas palavras traem-na, Helena, está na elite pensante que podia louvar o esforço alheio mas se alimenta da tentativa fútil de moldar os pensamentos do povo menos letrado. Esforço inglório, digo-lhe já. Porque a revolução mudou. Portugal já não é um país de agricultores iletrados e meninas roliças de buço proeminente. O povo, Helena, foi para as universidades à custa dos pais que cresceram à sombra dos doutores, dos que tiveram de baixar a cabeça e engolir o orgulho para que os filhos pudessem chegar mais longe. O povo, a pouco e pouco, vai perdendo o medo e, quem sabe, se inspire neste “pequeno” arranque para inspirar outros, num regime semi-pavloviano: elogiamos o povo por sair à rua e ele vai continuar a fazê-lo, dizemos que não vale a pena e ele resigna-se e fica em casa.

    Eu, como boa besta que sou, vou continuar a dizer: obrigado. Obrigado por terem saído à rua, por terem ido à primeira manifestação da vossa vida, por não cederem à tentação de incendiar carros, por terem abdicado de meia dúzia de horas da vossa vida para encherem as lentes das máquinas de gente e palavras, por irem às manifestações há mais de vinte anos apenas por saberem terem o direito de protestar, por ficarem na rua mesmo quando os ânimos se exaltam, por acreditarem que a vossa voz vai ecoar mais alto. A si, Helena, também lhe agradeço, por partilhar a sua opinião, por me permitir exercer o meu direito democrático ao mostrar que teremos de concordar em discordar. Sem chamar nomes ou fazer demasiadas generalizações, excepção feita na questão do privilégio. Apenas, e apenas, porque sou um cavalheiro.

    Atentamente,
    Filipe Bernardes

    P.S. Vou usar uma das classes como exemplo para sublinhar o horror dos privilégios, a que conheço melhor da sua lista, Helena. Os designers que refere têm a capacidade de testar até ao limite a paciência de um santo; eu sei, tenho trabalhado com eles nos últimos anos e digo várias vezes que me tiram a vontade de viver. Mas, depois, há o resto: trabalham até mais tarde que a maioria das pessoas, ficam noites sem dormir em verdadeiras epopeias de caça ao milagre, aceitam ser mal pagos e constantemente desrespeitados como preço de fazerem aquilo que gostam. Mas, normalmente, são boas pessoas, com um imaginário infinito e uma estética apurada. Ah, e quase todos gostam de unicórnios.

  35. Joshua

    @lucklucky explique lá o que quis dizer, não percebi, tem de ser mais claro. Sobre o Chile, o queria dizer era isso: que o povo português e o país estão a ser usados como cobaias para experimentações das políticas neoliberais mais duras. Este receituário já foi aplicado noutros cantos do Mundo, por exemplo, em países da América Latina, designadamente no Chile de Pinochet..

    @tina ainda acredita que é o deficit é condição sine qua non para estarmos no Euro? Os deficits são a consequência, não a causa. Estou a ver que bebeu bem a retórica de que “nós” somos os parasitas, do vivemos em bungalows junto à praia a beber água de coco, de que trabalhamos o mínimo possível e que vivemos dependentes do dinheiro alemão. Mais uma vez são discursos e pensamentos preguiçosos. Vácuos e a roçar a xenofobia. Adiante, a questão centra-se na vulnerabilidade da banca alemã e congéneres. Enquanto houver risco para eles, os “amigos” da UE estarão por cá. Ah, e não se esqueça, que os “défices” dos parasitas do Sul são os excedentes dos países do Norte.

    Se o governo não recuar, teremos problemas. Governar contra os governados nunca deu resultado.

  36. @Joshua “Governar contra os governados nunca deu resultado.”. É o modelo inspirado no pai tirano, que sabe o que é melhor para a prole e não admite opiniões contrárias. É a gestão autocrática, que não cede mesmo quando está errada, porque admitir o erro é admitir a fraqueza, e um “líder” não pode ser fraco.

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