Os pontos nos ii

 

O PS anda aos saltos com as novas medidas de austeridade. Comecemos com um aparte: sou contra as subidas de impostos, principalmente quando não acompanhadas de uma forte e dolorosa descida da despesa pública. Mas, e voltando ao PS, só não compreendo o seguinte: se esta subida dos impostos, que é uma forma de fazer baixar o custo do trabalho (e o nosso nível de vida) vai ao encontro do que o Krugman (que o PS e a esquerda idolatram) defendeu há poucos meses em Lisboa, qual é o motivo para tanta fúria?

Que o Partido Socialista, que faliu o país, queira tirar dividendos políticos desta situação, tudo bem. É o jogo político. Que o queira fazer de forma ligeira, impunemente, esquecendo o que fez e o que defendeu no passado (mais despesa e mais endividamento, como caminho para a recuperação económica) é que não. Ou não estamos hoje a sofrer para pagar a dívida contraída com vista à recuperação económica vislumbrada pelo PS?

Anúncios

6 thoughts on “Os pontos nos ii

  1. FilipeBS

    “Que o Partido Socialista, que faliu o país, queira tirar dividendos políticos desta situação, tudo bem. É o jogo político.”
    .
    Tudo bem??? Tudo bem nada! O jogo político desta partidocracia em que vivemos é talvez o maior responsável pelo lamaçal em que estamos metidos. O jogo político tem-se sempre sobreposto à verdade e ao interesse do país.
    .
    A partidocracia destruiu Portugal.

  2. fernandojmferreira

    Filipe, o pais nao tem interesse. O colectivo nao tem interesses. O colectivo nao tem uma mente, desejos, objectivos. Quem os tem sao unicamente individuos. Portanto, nao existe tal coisa “o interesse do pais”.

  3. FilipeBS

    Caro Fernando, obviamente que o colectivo não tem mente. Eu diria que o interesse do país/colectivo é o somatório dos interesses individuais. Se for benéfico para a maioria dos indivíduos haver uma boa gestão do Estado e do seu orçamento (ex. procurando mais frequentemente situações de superavit do que de deficit; evitando o crime nas ruas; mantendo níveis de poluição abaixo do crítico, etc…), então poderiamos chamar a isso “o interesse do país”. Não concorda? No fundo, é só uma questão de terminologia. Não seja tão fanaticamente libertário.

  4. fernandojmferreira

    Filipe,

    nao e’ uma questao de fanatismo, e’ a constatacao de factos. Concordo consigo quando diz que o interesse do colectivo e’ o somatorio dos interesses individuais e e’ APENAS isso. Agora quando voce diz “se for benefico para a maioria dos individuos haver uma boa gestao do estado e do seu orcamento…” surgem algumas questoes:

    Quem determina o que e’ benefico para a maioria dos individuos? Sao os politicos? Nao funciona! O mundo esta como esta exactamente por causa de um monte de politicos que acham que tem a capacidade de decidir o que e’ benefico para todos. Determina-se o que e’ benefico votando nos assuntos directamente? Era uma melhor solucao do que a dos politicos mas surge outro problema. E’ que o que maioria acha benefico, ou certo, ou justo nao e’ necessariamente benefico, certo ou justo. O colectivo tem de usar coercao para impor essa decisao aos outros e, normalmente, isso implica que estes sejam forcados a PAGAR por essas decisoes.

    E como ficariam aqueles que votaram contrariamente ao que a maioria votou? Como ficariam os seus interesses individuais? Tera menos importancia o interesse de um individuo do que o interesse de dois individuos? ou dez? ou um milhao? O colectivo nao tem de se esforcar por encontrar a solucao mais benefica, certa ou justa para todos, basta encontrar o que e’ “benefico, certo ou justo” para metade do colectivo +1. Por isso, todas as decisoes colectivas e coercivamente impostas, criam ganhadores e perdedores.

    Eu acredito que uma sociedade livre geraria todas essas coisas que o Filipe mencionou: Cada individuo que queira prosperar tem de produzir mais do que consome. Se todos os individuos tiverem um superavit individual, o colectivo tera um superavit; num ambiente de liberdade e respeito absoluto pela propriedade privada, quero crer que a criminalidade seria muito mais baixa do que que vemos no mundo de hoje. De qualquer modo, a criminalidade que existisse seria resolvida e punida de maneira diferente; Novamente, a propriedade privada e’ fundamental para manter niveis de poluicao baixos. Para entender isto basta perceber o que e’ a “tragedia dos comuns”.

    Cumprimentos!

  5. FilipeBS

    Estamos de acordo em tudo ou quase 😉 Como dizia, é sobretudo uma questão de terminologia. O caro Fernando extrapolou as minhas afirmações. Quando eu me referi ao “interesse do país” não estava necessariamente a defender meios ‘top-down’ que definam e zelem por esses interesses colectivos. Creio que a questão eterna e fundamental é: qual o mínimo de funções devem os indivíduos outorgar ao Estado. A meu ver, há efectivamente alguns aspectos da nossa vida terrena que devem ser zelados pelo domínio público. O Fernando não pode garantir que seja do interesse de todos ‘não matar’ e ‘não roubar’. No entanto, estamos certamente de acordo que ‘não matar’ e ‘não roubar’ são valores absolutos que devem ser respeitados, independentemente do que possa pensar a maioria. Deste argumento advém a necessidade do Estado ser concessionário de algumas funções mínimas.
    Seja como for, eu não sou um libertário radical 😀 , portanto, e sendo a favor de uma sociedade muito mais livre do que aquela que temos hoje, não sou a favor do desmantelamento total do Estado. Caso contrário, quem garante o respeito absoluto pela propriedade privada?

  6. fernandojmferreira

    Caro Filipe,

    grato pela sua resposta. Respeito a sua opiniao, embora nao concorde com ela.

    O Filipe levanta alguns pontos interessantes para os quais gostaria de chamar a sua atencao.

    “Qual o minimo de funcoes que os individuos devem outorgar ao estado?” Para alem desta ser uma eterna questao do tipo “quem nasceu primeiro, o ovo ou a galinha”, como se determina esse minimo e quem o determina? sera, mais uma vez, a maioria? e o que a minoria acha, nao conta?

    Muitos defensores da Liberdade defendem um “estado minimo”. O problema que surge aqui e’ quando se reconhece a natureza do proprio estado. O estado e’ um monopolio territorial. Dentro de uma determinada fronteira fisica, o estado tem o monopolio da seguranca e da justica (funcoes consideradas minimas por alguns libertarios) e, para os financiar, cobra impostos, ou seja, quantias de dinheiro cobradas coercivamente e determinadas unilateralmente pelo estado.

    E’ objectivo natural do estado crescer, ja que isso implica mais area territorial, mais recursos naturais para explorar e mais populacao para cobrar mais impostos. Esperar que o estado exista e se mantenha pequeno e’ o mesmo que meter um obeso morbido numa fabrica de doces e esperar que ele se mantenha magro, E’ uma utopia. E a historia demonstra isso mesmo. No principio do seculo XX, a media da despesa dos estados andava em 10% do PIB. Passados 100 anos anda entre 30 e 50% do PIB. A tendencia e’ para continuar a crescer. So vai parar de crescer porque a instituicao estado, como a conhecemos hoje, vai acabar por colapsar sob o seu proprio peso. Vai comer-se a si mesmo. E’ uma cobra que come a propria cauda. E’ insustentavel.

    Depois, como e’ que os individuos outorgam poderes ao estado? Por exemplo, o poder de cobrar impostos, ou seja, tirar a um individuo parte do fruto do seu trabalho. Se eu chegar ao pe do Filipe e disser: “Filipe, a partir do proximo mes passas a entregar-me 100 euros por mes (eu determinei essa quantia unilateralmente) porque conheco muita gente pobre e quero ajuda-los e acho que tu ganhas o suficiente para te governares e 100 euros nao te vao fazer falta. Se te recusares a entregar-me o dinheiro, eu ponho-te na cadeia e exproprio-te de outros bens que tenhas.” Mais certo, o Filipe acharia que esta a ser roubado e tem toda a razao. Eu, como individuo, nao tenho o poder de taxar ninguem. Um conjunto de individuos tambem nao tem esse poder. Como podem, entao o estado ter esse poder? Como podem individuos outorgar ou conceder um poder ao estado que nao tem? Nao faz sentido! A realidade e’ que o colectivo nao tem legitimidade.

    Nao matar e nao roubar sao, certamente, valores absolutos, direitos naturais como alguns pensadores lhes chamaram. Uma sociedade ser livre nao quer dizer que nao existe criminalidade. Violacoes desses direitos existiram na mesma, mas seriam tratados de maneira diferente. Nao entendo como pode o Filipe concluir que o estado seja necessario para que o “nao roubar” seja garantido, ja que o estado so existe roubando. Os impostos necessarios a sua existencia sao roubos.

    Pela mesma razao, o estado nao e’ o garante absoluto da propriedade privada, muito pelo contrario. O estado tem o monopolio da violacao da propriedade privada. Na realidade, a existencia do estado implica que a propriedade privada e’ uma ilusao. Senao vejamos:

    O estado forca-me a pagar impostos sobre a propriedade que detenho, como se de um arrendamento se tratasse. Se o amigo Filipe arrendar uma casa e nao pagar a renda, o que acontece? E’ despejado. Experimente o amigo Filipe recusar-se a pagar o imposto sobre a propriedade. O estado, muito provavelmente, expropria-o, despeja-o. Do mesmo modo, o meu amigo nao tem poder sobre a sua propriedade. O estado tem esse poder ja que, se o amigo Filipe quiser construir, por exemplo, tem de ser autorizado pelo estado; se quiser ampliar a sua casa, o mesmo; Ate se quiser pintar a sua casa de outra cor, tem de pedir autorizacao e pagar.

    Na realidade, o estado e’ o unico proprietario de todo o monopolio territorial. Aos individuos que suportam o proprio estado e’ apenas permitida “autorizacao de residencia”. Isto nao e’ propriedade propriedade privada, muito longe disso…

    Cumprimentos!

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.