Um homem cheio de saudades

Da notícia ontem vinda a lume (notícia, vídeo), que mais uma vez regista uma situação de prepotência do uso da força policial e o uso moralmente abusivo de recursos públicos (no caso uma viatura do estado em actividades particulares do titular da pasta da Defesa Aguiar Branco), julgo interessante destacar alguns pontos.

O primeiro é que, aparentemente, o exercício de funções públicas no nosso país confere  ao seu titular, tanto no exercício da sua actividade privada como na pública, isenção da necessidade de cumprir as regras do Código da Estrada e as mais vulgar normas de civismo para com os demais cidadãos. Para tal, parece gozar aparentemente do enforcement activo do corpo pessoal de segurança, rápido a intervir como cão-de-fila, mas aparentemente estranhamente alheio e condescendente para com os abusos entretanto conhecidos.

O segundo, e que julgo ter passado à margem das notícias e reportagens, é tão ou mais interessante. Sendo que Aguiar Branco era sócio, à data da entrada no governo, de uma sociedade de advogados, e sendo que:

Tendo em conta o acima descrito, conjugado com as declarações do advogado detido para identificação (?) segundo as quais “é frequente o carro ao serviço do ministro estar às segundas e sextas-feiras parado naquele local [junto à sede da sociedade de advogados Aguiar-Branco & Associados]”, e tendo em conta o conteúdo da reportagem do jornal O Crime de 24 de Maio de 2012, ficam as dúvidas: qual é o vínculo que Aguiar Branco mantém com a sociedade de advogados da qual (espera-se) era sócio? Será que Aguiar Branco se desloca sistematicamente, duas vezes por semana, à sede da sociedade de advogados Aguiar-Branco & Associados para matar saudades ou para dar uma olhadela na decoração?

7 pensamentos sobre “Um homem cheio de saudades

  1. António Costa Amaral (AA)

    Será que Aguiar Branco se desloca sistematicamente, duas vezes por semana, à sede da sociedade de advogados Aguiar-Branco & Associados para matar saudades ou para dar uma olhadela na decoração?
    BURN! 😀

  2. ricardo saramago

    O cargo é só um part-time e desde que entrou para o governo aumentou muito a clientela do escritório.

  3. DF

    Bom gosto da parte da PSP, seja como for.
    De destacar que se lhe acontecesse alguma coisa era giro que a razão fosse “estávamos à procura de estacionamento”

  4. Pingback: Estado policial « Fuga de Ideias

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