Qual dos dois é o PM verdadeiro?

Tendo vivido alguns anos em Lisboa, e ao ter presenciado uma parte do desastroso governo do PS, já de volta ao Brasil acompanho com horror e temor as notícias e análises sobre o governo do PSD, que prometeu o que podia e descumpriu o que não poderia. Sendo eu um filho adoptivo de Portugal, que alimenta um amor pelo país que jamais sentiu pelo Brasil, sinto-me destroçado pela crise económica provocada por sucessivos governos e que parece encontrar neste governo actual mais um aliado do que um inimigo.

E no meio desse turbilhão político e das justificativas do governo do primeiro-ministro Passos Coelho sobre o que é ou não é possível de fazer, não consigo mesmo compreender porque é que há um PM para os portugueses e outro para a imprensa estrangeira; um que parece lidar politicamente com a realidade (e a reconhecer que a solução está na iniciativa privada, não no governo) e outro que parece recusar-se a ouvir a si mesmo como conselheiro.

Em entrevista à revista VEJA, a maior e mais influente revista brasileira, eis algumas respostas do PM que os portugueses ainda não viram:

1- O objetivo é tirar o Estado da economia, acabar com o Estado patrão, dono de empresas. Pretendemos atrair capital novo para Portugal, recebendo empresas que podem ter relevância para internacionalizar a nossa economia e tornar nossas empresas mais competitivas.

2- Queremos que os empresários tenham menos receio de contratar novos funcionários, tornando mais flexível o número de horas de trabalho e resolvendo melhor os conflitos trabalhistas. A maioria da população está de acordo com essas mudanças, porque a crise a fez refletir sobre isso. 

3- Se quisermos um país mais competitivo, o que só pode surgir do lado privado, teremos de reduzir o peso do setor público. Teremos de corrigir também a rede assistencialista de tal modo que aqueles que realmente precisam da ajuda social possam recebê-la, sem abusos.

Se estamos de acordo quanto a isto porque é que isto não é promovido à actuação política em vez de ficar restrito ao plano da retórica? O governo do PM que os portugueses têm visto, infelizmente, é bastante diferente do que concedeu entrevista à revista brasileira, como temos visto diariamente neste Insurgente.

Essas duas dimensões da realidade fazem-me lembrar o discurso do governo brasileiro sobre a situação económica do país e a realidade da economia nativa enfrentada pela sociedade brasileira e que ludibriou durante muito tempo quase toda a imprensa europeia.

O país dos políticos, definitivamente, não é o mesmo dos indivíduos que nele habitam.

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11 pensamentos sobre “Qual dos dois é o PM verdadeiro?

  1. Sebastien De Vries

    Bruno,
    O saque vai continuar e não só em Portugal, independentemente do que dizem ser.
    Veja o BCE…a fragilizar-se e a comprar lixo e a vender bom papel, …
    Nunca vi época tão parecida como a de 30 no sec. XX ou a Inglaterra do Sec. XVII..
    Ora, sabemos que é na confusão das ideias que surgirão momentos decisivos (ou trágicos) da História.

  2. vivendipt

    Valeu Bruno!
    Portugal foi capturado pelo capitalismo de estado e por uma rede maçónica tendo criado uma suposta elite…
    Esta elite sabe que para se conseguir “libertar” Portugal tem de se ir contra eles mesmos.
    A maioria da sociedade ainda acredita no estado social só não percebe porque cada dia que passa está a ficar mais pobre.
    Desmantelar este projeto socialista vai ser bastante difícil.
    É mais fácil Portugal acabar destruído.

  3. Pingback: A ler « BLASFÉMIAS

  4. Obrigado pelos comentários, que, infelizmente, só fazem aumentar o meu pessimismo. Lamento profundamente pelo estado de coisas que, de muitas formas, obrigam-me a adiar o tão esperado retorno à Portugal.

  5. Ramone

    “O objetivo é”; “Pretendemos”; “Queremos que”; “Se quisermos (…) teremos de”

    ahahahaha dizem que esta entrevista é a de um indivíduo à imagem de um governo que a direita gostaria, um governo que não intervem, que deixa em paz, etc…

  6. neotonto

    Também entraria para a discussao como bibliografia a publicaçao de um livro que recolhe a temática “De como nos visitou o FMI 1983-1985 e saimos idemnes da visita”. Subtitulo: As coisas que nao se deveriam fazer.
    Mais ainda fica pendente de apariçao nas livrarias. Ë pena porque é livro de autoajuda cuia leitura nao estaria de tudo mal dada a circunstancia actual.
    Lástima. O tempo e as suas circunstancias e apremios…(ou a falta dele)

  7. Miucha

    estaremos no 1º acto e estará ele a falar do 2º ou do 3º…? Espero que não seja uma tragédia, mas uma saga inspiradora… muito sinceramente, até porque votei no homem. Foi o primeiro político que vi que tinha umas ideias verdadeiramente libertárias/ liberais, mas isto foi no tempo em que MFL era a cara do PSD (entrevistas em que reiterava aquilo que agora veicula para o exterior – diminuição do Estado na sociedade, na esfera privada e empresarial et al) e ele era a oposição interna. Ser liberal deve ser muito difícil com aquelas lojas, bancadas, e demais satélites em Lisboa, tudo a orbitar pesada e cerradamente à volta da Coisa Pública… Lisboa é um bairro cheio de maus hábitos.

  8. Pingback: Vazio partidário « O Insurgente

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