The Elephant in the Room, Silence and Denial in Everyday Life

O acto de cumprimentar alguém é, desde há muito, uma forma muito evidente de estabelecer hierarquias, de mostrar (ou não) respeito, de afirmar uma determinada relação com outra pessoa, de expressar sentimentos e por aí adiante. Nas relações entre países a forma de cumprimentar foi ao longo dos tempos motivo de vários engulhos. Na China imperial antes da decadência Qing, qualquer embaixador de outro país só seria recebido pelo imperador se fizesse o kowtow, reconhecendo assim a suserania do Filho do Céu. Na Ásia do Sueste budista, onde a realeza tem estatuto de divindade, houve várias altercações até que se conseguisse que os embaixadores europeus (que representavam também eles monarquias) não ficassem obrigados à prostração perante o rei – os estrangeiros que não representavam os seus governos sempre às prostações para cumprimentar a realeza estiveram obrigados. Em tempos muito mais recentes, a rainha de Inglaterra (cuja propaganda afirma não se ajoelhar perante ninguém), na sua tentativa de se sintonizar com os britânicos, suavizou o protocolo e tornou a vénia de obrigatória em opcional. Não há nada de inocente, portanto, na forma de cumprimentar pública e oficial. O atleta que recusou apertar a mão da duquesa de Cambridge fez um statement político, de resto inteiramente na linha das comunidades muçulmanas na Europa que não só recusam integrar-se como pretendem que os seus costumes sejam aceites na Europa mesmo quando estes violam os valores europeus. Eu tenho sempre defendido que não deve haver qualquer  tolerância para esta imposição islâmica. A rainha de Inglaterra e o governo britânico aparentemente foram prevenidos da intenção do atleta de não apertar a mão da duquesa e aceitaram esta imposição. Pois estiveram mal. Deviam ou ter dito ao atleta que se queria medalha se portava segundo a convenção britânica ou, em alternativa, não submetiam a duquesa a esta recusa, fazendo a entrega da medalha outra pessoa que não representasse a Grã-Bretanha. A mensagem do atleta iraniano e das autoridades britânicas foi aqui clara: a hierarquia favorece o Irão. Vamos de cedência em cedência até termos, como temos, hospitais italianos a proporem-se para realizar mutilações genitais, tribunais alemães a aceitar que as mulheres muçulmanas levem uns sopapos do marido ou polícias de vários países a fazerem por não investigarem os crimes de honra das comunidades muçulmanas, para nem falar das violações anais às raparigas muçulmanas (para lhes manter o hímen intacto para o casamento; também deve ser um acto de respeito).

Mas não. Neste problema que são os muçulmanos na Europa não se pode falar. Toda a gente sabe do problema mas não se deve falar. E, quando se fala, deve ser muito em geral, porque em qualquer caso particular há sempre atenuantes. E se se fala, então é porque se é um intolerante para com outras culturas. Ou – e porque os muçulmanos têm especial aptidão por desrespeitarem os direitos humanos das mulheres – é histeria e exagero feminino, se não mesmo salivar de fúria feminista.

(O título do post é de um livro de Eviatar Zeruvabel, de que me lembrei ao ver quanta gente acha normalíssimo que um iraniano vá a Inglaterra impor os seus costumes estrangeiros à futura rainha do país que visita).

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4 pensamentos sobre “The Elephant in the Room, Silence and Denial in Everyday Life

  1. paam

    (O título do post é de um livro de Eviatar Zeruvabel, de que me lembrei ao ver quanta gente acha normalíssimo que um iraniano vá a Inglaterra impor os seus costumes estrangeiros à futura rainha do país que visita).

    O Iraniano nao impôs os seus costumes porque saudar um membro da realeza britânico com uma vénia é um costume tradicional britânico. O protocolo foi respeitado segundo as convenções britânicas, por ambas as partes, e nenhum valor europeu foi desrespeitado, do meu ponto de vista.

    Por outro lado, concordo com a Maria João no ponto em que a Europa não deve tolerar costumes que violem os seus valores e que não se deve ceder a imposições de outras culturas, qualquer que seja.

  2. Maria João Marques

    Exacto, Paam, no geral está toda a gente de acordo e em cada caso particular há sempre explicações para que, afinal, deva ser o europeu a ceder ao islâmico.

  3. Pingback: Estado e desporto « O Insurgente

  4. lucklucky

    Seria interesante ver como as reacções de tolerância à intolerância mudariam se a princesa fosse preta.

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