Portugal vs. estado

 

De acordo com o Público, Mário Soares fez um apelo patriótico contra as privatizações. Soares terá afirmado: “Vender as Águas de Portugal, vender a TAP, vender tudo e o que é que fica do nosso país?” Ficamos nós, senhor ex-presidente. As pessoas que ainda cá vivem. Portugal somos nós, não as empresas públicas que sugam o nosso esforço, o nosso dinheiro e nos obrigam ir embora, para outro país, outros locais, onde não se viva preso, nem amarrado, a empresas que mais não são que cruzes que nós, portugueses, os verdadeiros donos de Portugal, carregamos.

É esta noção de país público, este confundir o estado com o país que permitiu que o Estado Novo durasse tantos anos. Este deturpar da realidade que explica o fracasso deste regime, pois que nem com uma revolução fomos capazes de mudar a narrativa dominante dos nossos governantes.

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15 thoughts on “Portugal vs. estado

  1. Raquel Vila

    Em completo acordo com o texto.Os que andam amarrados a ideias de nabo, que não dizem nada à resoluçao dos probemas que o país enfrenta, antes os agravam, deviam ter consciência de que é um dever calarem a bem da nossa paciencia que já nao pode escutar tanta boutade..Vá beber o seu chá, dr Soares e deixe de pretender que os portugueses se indignem com algo que tem de ser levado a cabo, a bem de quem paga os seus impostos.

  2. tina

    Excelente!

    Com ainda tanta pobreza no país, Mário Soares defende que devemos continuar deitar dinheiro fora. Isso diz tudo sobre o socialismo, o que conta é o controlo do Estado e não o bem estar das pessoas.

  3. paam

    Só falta o TrackBack 😉
    https://oinsurgente.org/2012/05/18/mario-soares-o-arauto-do-austeridade/

    A memória do Mário Soares já não é o que era…

    “O certo é que na anterior intervenção do Fundo Monetário Internacional em Portugal, em 1983, o subsídio de Natal dos funcionários públicos foi pago em títulos do Tesouro, certificados de aforro, tendo o subsídio de férias permanecido intacto.”
    http://www.dinheirovivo.pt/Economia/Artigo/CIECO052468.html?page=0

    “Mas foi Soares, quando foi primeiro-ministro, que começou a vender o Estado aos privados. Foi ele que quem criou a primeira lei de delimitação de sectores em 1977 (Lei 46/77) e quem em 1983, quando era primeiro-ministro (com o Decreto-Lei 406/83) a tornou mais ampla. Criou os primeiros bancos privados, extinguiu empresas públicas (dos transportes marítimos) e permitiu que o sector privado entrasse nos adubos, cimentos e seguradoras.

    Foi também ele o responsável pela primeira revisão constitucional de 1982, que iniciou o desmantelamento do sector económico do Estado e quem encorajou a seguinte revisão constitucional de 1989, assinada por Cavaco Silva e Vitor Constâncio, que foi a estocada final nas joías da coroa do Estado com a regovação do principio da irreversibilidade das nacionalizações realizadas depois do 25 de Abril.”
    http://expresso.sapo.pt/o-teatro-das-marionetas-do-dr-mario-soares=f724435

  4. Paulo Pereira

    Privatizar monopolios como a AdP pode ter um custo elevado para a sociedade, tal como se verifica com a privatização da EDP.

    Nestes casos é mais razoável concessionar a gestão e não privatizar, tal como o Relvas / Borges aconselha .

  5. Assunção

    A Águas de Portugal é uma empresa do estado que se serve de um monopólio de um produto sem elasticidade. Passar essa empresa para a mão de privados estrangeiros implica que agora temos estrangeiros a controlar o acesso e fornecimento de um bem essencial para a vida de qualquer um, cujo mercado é um monopólio e cuja elasticidade é perto de zero. O facto de que o fornecimento de água é um monopólio não é um capricho comunista que é consequência de uma economia centralizada: é a consequência de vivermos na realidade. Por exemplo, em lisboa só há uma Castelo de Bode, e por muito que agitem a biblia da Ayn Rand isso não fará com que a geografia mude para criar mais bacias hidrográficas semelhantes para poder competir com essa.

    Se realmente se preocupam com o cenário de haver alguém a sugar os vossos esforços então invistam uns segundos a pensar em como serão poupados os fossos esforços quando uma empresa estrangeira, ou até mesmo um estado como a China, controlarem o que corre na vossa torneira e o que precisam de se esforçar para terem lá algo a correr. Pensem um bocado no que será se tiverem uma empresa estrangeira, ou até mesmo um estado como a China, a controlar a viabilidade do Alqueva de contribuir para abastecimento do país de alimentos. Depois de pensarem nisso digam lá se essas ideias tolas acabam por evitar que alguém suge os vossos esforços, ou se não levarão a que mais esforços sejam efectivamente sugados.

    Vocês andam a apelar entusiasticamente ao estado português para que venda a corda para enforcar “as pessoas que ainda cá vivem”, e parece que todo esse fundamentalistmo vos impede de ver isso.

  6. Anti-gatunagem

    Desmantelem-se os monopólios e privatizem-se. Por que havia de haver monopólios, públicos ou privados?
    Para controlar as pessoas? Para a galp vender o combustível muito mais barato em Espanha do que em Portugal, por ter o monopólio da refinação? etc, etc, etc!
    Monopólios são para quem quer chular em vez de servir os outros e com a qualidade do seu trabalho levá-los a procurar os seus produtos e serviços. Por isso mesmo as mais importantes leis dos mercados são para impedir os monopólios e a concertação de preços entre empresas concorrentes.
    Monopólios são para um estado abusador, que quando se vê OBRIGADO a desfazer-se deles os passa aos seus capangas co-aventalados disfarçados de privados.

  7. Assunção

    Anti-gatunagem,

    Não estás a compreender o problema.

    A questão aqui é que é impossível que certos mercados não sejam monopólios. O abastecimento de água é um deles. O facto de toda a região de Lisboa ser abastecida por uma única bacia hidrográfica, cujo aproveitamento é feito na barragem de Castelo de Bode, não é um resquício de um regime totalitário. É uma consequência de vivermos no mundo real. Por muito que se esforce, o Anti-gatunagem não vai conseguir construir uma barragem para captação de água perto de lisboa, nem a infra-estrutura necessária para abastecer a população. O máximo que poderia fazer para arranjar água seria montar uns esquemas de dessalinização, mas obviamente que isso incorre em custos de operação tão elevados que é impossível sequer pensar em competir com seja quem for.

    Logo, a única questão que se coloca é se o monopólio da Águas de Portugal é controlado pelo estado português ou por outra entidade qualquer, incluindo o estado chinês. O monopólio está lá, e estará sempre lá. Quando confrontado com essa escolha, qual das hipóteses melhor serve os interesses dos cidadãos portugueses? A conclusão é clara.

    Sabendo isto, essa ideia disparatada que uma privatização resolve todos os males não só está completamente desligada da realidade como também revela uma incapacidade de compreender quais são os problemas em mãos. Há casos em que as privatizações fazem todo o sentido, alguns dos quais resultarão naturalmente numa clara melhoria dos serviços prestados à população. No entanto, as privatizações não são uma panaceia, e quando feitas de forma irresponsável, irreflectida e inconsciente resultam na venda da corda para nos enforcarmos. Isso não surpreende ninguém. Logo, porque é que havemos de fazer de conta que o fanatismo por uma ideologia sobrepõe-se à realidade?

  8. paam

    Cara Assunção,

    É possível que a concessão a privados, para a gestão e manuntenção, seja mais eficaz do que a gestão pública. Tudo depende do modelo utilizado. Não tem a ver com fanatismo. Existem casos de sucesso, assim como de fracassos, na aplicação de vários modelos. Mas, como se trata de um bem essencial, este caso deve ser tratado de forma responsável e todas as opções devem ser consideradas. Recomendo-lhe a leitura deste artigo genérico:

    http://en.wikipedia.org/wiki/Water_privatization

  9. tina

    “então invistam uns segundos a pensar em como serão poupados os fossos esforços quando uma empresa estrangeira, ou até mesmo um estado como a China, controlarem o que corre na vossa torneira e o que precisam de se esforçar para terem lá algo a correr.”

    mas não é isso o que se passa com a energia, por exemplo? Nós dependemos da energia nuclear de França, do petróleo dos árabes, etc. Pode não ser um monopólio a controlar o abastecimento energético, mas bastaria um deste falhar para o país entrar em caos.

  10. lucklucky

    “implica que agora temos estrangeiros a controlar o acesso e fornecimento de um bem essencial para a vida de qualquer um”

    As ideias do mercantilismo social fascista continuam…
    E se Castelo de Bode fosse noutro País?
    E? Portugal não produz o suficente para comer. pelo menos comer como come. Portugal não produz carros em suficiente quantidade nem barcos e?
    Devemos ser muito bons naquilo que fazemos e trocar essas coisas por coisas que é melhor serem feitas noutro local.

  11. “nós, portugueses, os verdadeiros donos de Portugal”… Essa e’ a grande ilusao… O estado e’ o dono de Portugal e os politicos, que estao no governo, sao os “monarcas por 4 anos”.
    Os portugueses nem sao verdadeiramente donos dos bocadinhos de propriedade, quer sejam casas ou terrenos. Essa e’ outra ilusao. Os portugueses sao apenas “inquilinos”, sujeitos ao pagamento de impostos sobre a propriedade, como se de uma renda se tratasse, devida ao verdadeiro proprietario, o estado. Caso o inquilino se recuse a pagar, ira ser “despejado” e e’ expropriado e/ou preso.
    O estado, dada a sua natureza, nunca pode ser o “defensor e o garante da propriedade privada” ja que a unica maneira de se financiar e’, exactamente, pela expropriacao de fundos que nao lhe pertence, aos quais chama impostos. Um “expropriador garante da propriedade privada” e’ uma total contradicao.

  12. Anti-gatunagem

    Não Assunção! Basta não serem os mesmos a controlar a água em TODO o país. Dividam o monopólio em diferentes áreas, impeçam que os mesmos controlem várias e fiscalizem. É esse o papel do estado, não é fazer. Se alguém abusar, intervenham em defesa de todos.
    Se nacionalizaram o bpn porque os subornos do freeport e de outros aventalados passaram por lá, porque é que em situação de verdadeira necessidade, num bem essencial para todos, o estado não poderia intervir decisivamente?
    Os defensores do estado são os seus maiores detractores porque nunca acreditam que ele sirva para o pouco que devia servir e caem na contradição de achar que o estado que não serve para o pouco fundamental que devia servir, se vê por isso, obrigado a servir para tudo o resto.

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