O que é o serviço público de televisão? (2)

A definição que parece reunir consenso é simples: O serviço público de televisão é a produção e difusão de conteúdos que canais privados não fazem. Dito assim, sem critério adicional que seja os ditos conteúdos não terem mercado que os paguem livremente.

Não se diz que o canal público de televisão deve produzir e transmitir determinado tipo de conteúdos que não são produzidos e transmitidos pelo mercado. Não há detalhe nem concretização, apenas uma definição lata e propositadamente difusa. De facto dentro deste “saco” cabe tudo, desde que não seja fornecido pelo mercado. Só o facto desta definição ser aceite sem ser recebida com escárnio ou mal dizer ajuda a explicar porque é que existe tanto desperdício de dinheiro dos contribuintes em tantas áreas do Estado.

Mais incrível do que esta definição é o facto de que é invariavelmente acompanhada da defesa da existência da RTP. Mais incrível porquê? Porque a RTP não tem nenhum tipo de conteúdo que não seja também transmitido pelos canais não públicos. Simplesmente não tem. Esta incoerência só não é incrível porque é a real.

10 pensamentos sobre “O que é o serviço público de televisão? (2)

  1. Márcia Luísa

    Sobre a RTP1, o conteúdo realmente não é muito diferente do dos canais privados, embora não chegue ao cúmulo da TVI. Passam os típicos programas de incentivo à não atitude crítica, ao não desenvolvimento do pensamento, ao receber passivamente a informação que, na verdade, está feita com o sistema. Ou seja, tem o objectivo de distraír as pessoas com coisas que não têm interesse nenhum para o progresso social, fazendo com que as coisas permanecam como estão. Televisão como meio de embrutecer e empobrecer a massa comum populacional. E as pessoas gostam tanto de não pensar, que a televisão dá-lhes o que querem para garantir audiências, degradando assim um serviço público que devia ser de apoio e incentivo à cultura portuguesa. A televisão é tão importante na vida das pessoas porque lhes transmite uma opinião já feita e acabada dos assuntos, que nem sonham o que poderá ser viver sem a mesma! Por isso é mais importante um canal telivisivo que uma maternidade. Podemos agradecer à comunicação social, sempre tão mediática…
    Portanto, o problema não se trata de ser um serviço público ou privado, mas sim, do conteúdo que transmite. Pode até ser privado, desde que seja de qualidade.
    O serviço público deveria assegurar aos portugueses programação distinta da do privado.
    Eu, sinceramente, só tenho é pena da RTP2… As pessoas que não têm TV por Cabo, que antes se podiam satisfazer no segundo canal com programas, muitos deles, de excelência, vendo a RTP privatizada e o canal 2 a ir ao ar… que alternativas restam? A sociedade torna-se cada vez mais brutinha porque o Estado simplesmente não conseguiu cumprir o seu dever… (ou aliás, até o cumpre bem demais!)

  2. Dervich

    “Porque a RTP não tem nenhum tipo de conteúdo que não seja também transmitido pelos canais não públicos”

    Não Ricardo enganou-se, é precisamente ao contrário, os canais não públicos é que têm conteúdos que não são possíveis de replicar na RTP, como sejam telenovelas non-stop das 17.00h às 00.00h, todos os dias, desde há mais de 10 anos…

  3. Ricardo G. Francisco

    Caro Dervich,

    Pode indicar-me que programas é que a RTP transmite que não seriam transmitidos por um canal privado?

  4. Dervich

    Porque é que “seriam” transmitidos se nos últimos 20 anos não o foram?!….

    Bem, a SIC transmitiu alguns programas de Vitorino d´Almeida entre as 2 e 4 da manhã….

    Downtown Abbey mudou 5 vezes de horário e 4 vezes de colocação semanal…para um total de 6 episódios…

    Em tempos também passou teatro, era a “Conversa da Treta” mas pronto…mudou 6 vezes de colocação semanal e acabou por ter um horário lá pelas 1.30h da manhã.

    Os programas de David Attenborough lá vão passando mas….quando calha e totalmente dobrados, já que não se pode pedir muito ao “pobão”…

    Segundo me lembro, foi o melhor que, neste contexto, conseguiu o canal privado.

    Espero que tenha o bom senso de não me questionar o que se passa com um outro ocupador de banda, mas esse, em tempos, parece que dava missas…mas, agora que já não tem “inspiração cristã”, devem ser outras coisas que nem sei bem o quê…casas dos segredos, conversas com mortos e assim, parece que é isso…

  5. Dervich

    Ok, a SIC também passou uma das melhores series de todos os tempos, “Band of Brothers”, obviamente sem qualquer destaque e perdida num horário discreto, lá pelas 18.00h de um Domingo ou coisa assim…

    Como vê Ricardo, eu até me esforço por lhe dar alguma razão…mas convirá que é difícil caramba!

  6. Ricardo G. Francisco

    Dervich,

    A minha pergunta foi: Que tipo de conteúdo passou na RTP que não passaria em um canal privado? Isto nos últimos anos.

  7. APC

    Downton Abbey e Band of Brothers, certo, excelentes séries sem sombra de dúvida, mas creio que justificar a existência da RTP porque os outros só passam 2 séries de qualidade (que não são o mesmo que “serviço público”, note-se) é, no mínimo, esticadinho… principalmente se pensarmos nas alternativas RTP, o Preço Certo ou os programas do Malato, que espalham cultura, glamour e conhecimento pelo “pobão”…

  8. O problema para os espectadores é sobretudo um problema de oferta de conteúdos. As transmissões da RTP 2, por exemplo, são replicadas nos canais temáticos por cabo. A questão é que, mesmo com a introdução da TDT, continuaram a existir a mesma oferta de canais, uma vez que a entidade responsável pela sua introdução é a detentora de uma das maiores marcas de distribuição de televisão paga. Isto só em Portugal.

  9. Pingback: Os governos e a RTP « O Insurgente

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