Direita Vs Esquerda ou Autoritários Vs Liberais

Podem ver a confirmação da frase por exemplo aqui ou aqui.

Como ainda hoje provou a ministra da justiça, a verdadeira luta ideológica não é entre um conjunto de valores sociais e outro conjunto de valores sociais, mas sim entre aqueles que confiam cegamente na Função Pública, sacrificando tudo aos seus sonhos e aqueles que percebem que a Liberdade é fundamental para que a sociedade se organize de forma eficiente e a inovação floresça.

Como George Orwell já afirmava em 1948.

61 pensamentos sobre “Direita Vs Esquerda ou Autoritários Vs Liberais

  1. Zebedeu Flautista

    O que diria o Sr. Orwell sobre o paraíso semi libertard dos USA com uma taxa de encarceração superior a autoritária Rússia ou ao totalitarismo Cubano e varias vezes superior a restante escumalha fabiano-sucia-facha da OCDE. Valha nos ao menos a gestão privada das choldras que sempre ajuda a ir inovando e aperfeiçoando as gaiolas.

  2. Rod Silva

    O Zebedeu tem toda a razão. O Estado Americano é igual a qualquer Estado (…ou pior). Estado é Estado. Coerção e violência são as suas regras. Não percebo é em que é que a frase do Zebedeu contraria o que o Ricardo Campelo de Magalhães diz !!! Acho que até reforça.

  3. tina

    Em termos administrativos, a função pública pode ser tão boa como a privada. Por exemplo, gerir os transportes, os hospitais, etc. Em Portugal os serviços públicos até são bastante eficientes, em minha opinião. O problema é que para atingir esse grau de eficiência, o Estado gasta muito mais dinheiro do que um serviço privado gastaria.

  4. Renato

    Uau… por em causa o dogma libertário de que o sector privado é SEMPRE melhor que o sector público é, nas palavras do Vasco, confiar cegamente na Função Pública. É nestes momentos que a linha que separa o Insurgente do 5 Dias ou do Arrastão se torna pateticamente ténue.

  5. tina

    Zebedeu, se a Rússia ou Cuba tivessem tantos imigrantes como os USA, a taxa de encarceração não seria nem 2, nem 4, nem 6 vezes superior à dos USA mas sim pelo menos 10 vezes.

  6. José

    Estamos a aldrabar um bocado. A ministra da justiça constatou apenas um facto, que o mito da suprema eficiência dos privados sobre o sector públicio está por provar. Acusá-la de ser autoritária e de confiar cegamente na função publica por esse comentário revela uma cegueira ideológica profunda e uma total desconexão com a realidade, que faz lembrar a pancada dos comunistas com as referências abusivas do termo «fascismo».

  7. Pisca

    TIna

    Imigrantes nos USA ? Explique lá isso, os que já lá viviam que eu saiba eram as nações Indias, e o genocidio desses povos é sempre cuidadosamente escondido,o resto foi tudo de cambulhada para lá, claro que os de origem anglo-saxonica se acham agora os unicos puros da zona, é isso que quer dizer ?

  8. tina

    De acordo com estatísticas (wikipedia), em 2009, 39,4% dos presos eram pretos não hispânicos e 15,9% eram hispânicos. Mesmo que se considere uma pequena percentagem dos 39,4% como migrantes, não se pode desprezar a influência que a população migrante tem nas taxas de encarceramento.

  9. tina

    E o que é estranho é que o Zebedeu Flautista se venha queixar dos presos nos USA quando é sabido que o governo de Cuba mata e encarcera inocentes. A falta de vergonha da esquerda deve-se ao facto de eles se julgarem tão moralmente superiores que já se esqueceram que na realidade são mesmo muito moralmente desprezíveis.

  10. António

    “É nestes momentos que a linha que separa o Insurgente do 5 Dias ou do Arrastão se torna pateticamente ténue.”

    Pois é.

    Teóricos fanáticos são igualmente sectários e cegos, tanto à esquerda como à direita, tanto entre estatistas como ente liberais…

    Quando a realidade choca com a teoria…que se lixe a realidade!

    É que a realidade é o mediano, o cinzento, colorido, mistrurado. A realidade é que os bons também são maus e os maus também são bons. E a maior são simplesmente mais ou menos…

    A realidade é chata! O pessoal curte mais declarações contundentes, distinções claras: A é certo, B é errado…

  11. 7 – não consigo perceber o que é que os 39,4% de negros não-hispânicos interessam para a questão; alguns serão imigrantes? Provavelmente (embora pelo menos os imigrantes das Caraibas tenham indicadores de integração social melhores que os negros americanos “de origem”); mas provavelmente muitos dos brancos não-hispânicos também o serão.

    Só nos 15,9% hispãnicos é que é de esperar uma proporção significativa de imigrantes.

  12. Aladin

    A questão sobre a eficiência pública e privada, não se pode dirimir com casos particulares.
    A gestão pública pode ser eficiente ou deficiente, tal como a privada.
    A grande diferença é que na gestão pública não há directa penalização pelo erro e em 100 gestores públicos haverá certamente alguns que são zelosos e e bons gestores.
    Exactamente como nas empresas privadas.
    Mas as privadas mal geridas desaparecem. Morrem.
    As públicas mal geridas, não desaparecem. Crescem.
    É como as células cangerígenas. As células saudáveis assim que começam a falhar, recebem da mitocôndria um sinal para morrer. Nas cancerígenas a apoptosis não funciona.

    E se toda a gestão for pública (estados comunistas), então uma má gestão pode ser catastrófica. Um má gestão privada, afecta apenas o seu pequeno entorno.

  13. António

    Aladin, até estaria disposto a concordar com a sua teoria…mas depois lembrei-me da realidade!

    AIG, BPN…os maiores bancos americanos e ingleses…A BMW e Mercedes (que se não fosse o Estado alemão tinham desaparecido nos anos 50)…

    São mal geridas, assumem riscos absurdos, cometem fraudes gigantescas e…quando tudo explode o Estado entra com BILIÕES dos contribuintes para as salvar e os seus gestores ainda pagam a si mesmos chorudos bónus com o dinheiro dos contribuintes!

    Os seus argumentos são completamente teóricos, idealistas, sem respaldo pela realidade.

  14. tina

    “Mas as privadas mal geridas desaparecem. Morrem.
    As públicas mal geridas, não desaparecem. Crescem.”

    Exatamente. As públicas mal geridas crescem ao ponto de matar o país, quais ervas daninhas. Foi isto o que aconteceu à URSS.

  15. António

    Tina,

    Explique lá como é que a sua teoria liberal-darwinista explica: AIG, BPN; RSB, GM entre muitos outros casos…

  16. tina

    O António refere situações singulares que só vêm confirmar a exceção à regra. Além disso, se o Estado quer financiar empresas falidas é porque é burro ou tem algo a ganhar. No caso do BPN, do qual eu tenho melhor conhecimento, é sabido que o Estado deveria ter deixado o banco morrer ou quando muito ter pago os depositantes, já que foi em parte a falta de vigilância por parte do Banco de Portugal que levou a uma situação destas.

  17. lucklucky

    “O que diria o Sr. Orwell sobre o paraíso semi libertard dos USA com uma taxa de encarceração superior a autoritária Rússia ou ao totalitarismo Cubano e varias vezes superior a restante escumalha fabiano-sucia-facha da OCDE.”

    E o que é que tem que ver uma coisa com outra? O nível de crime dos Suecos-Americanos nos EUA está ao mesmo nível na Suécia. O mesmo dos Alemães-Americanos, e provavelmente dos Portugueses-Americanos – coisa que seria interessante de saber já agora…

    O nível de crime dos Afro-americanos é que ´é o mais alto. E note-se que a maioria do crime violento é feito contra as pessoas da própria etnia.

    Também é os resultados da política anti-liberal das drogas, que devem ser livres de ser transaccionadas…

    “Explique lá como é que a sua teoria liberal-darwinista explica: AIG, BPN; RSB, GM entre muitos outros casos…”

    Não há nada justificar, as empresas falham. Podem ser as melhores numa década e podem falhar na década seguinte. E depois? é a liberdade de decidir dos Homens e isso inclui decidir mal.

    É você que tem de justificar a sua teoria socializante para justificar salvar quem como a AIG, BPN, GM etc falhou. .

  18. António

    Lucklucky,

    Creio que nunca defendi o salvamento de nenhuma dessa empresas, aqui nem me lado nenhum. Nem me considero socialista (nem liberal).

    Só constatei que a retórica que defende os “privados” cegamente, não vendo que nos privados há péssimas gestões, fraudes etc, é falha. Como é falha a ideia de que os “privados” quando erram são punidos com a morte. É falso. É falso há muito tempo.

    O capitalismo não é um sistema de mercado liberal. É um sistema que tende a ser corporativo e promiscuo, em que as grandes empresas e os estados estão tão enrolados que nem sequer é fácil distingui-los.

  19. António

    Tina,

    Pois devia ter deixado o BPN morrer..mas porque é que não deixou? Será que é porque entre os políticos (nomeadamente do PSD, que concordaram com tudo caladinhos) e os donos e gestão do banco havia tanta promiscuidade que não resistiram em pegar no nosso dinheiro e metê-lo lá?

    E A AIG, O RSB, a GM e todos os outros que foram intervencionados? Porque é que foram intervencionados? Porque é que pediram e aceitaram a intervenção, esses grandes porta estandartes do “capitalismo-“privado”-liberal”? É que a “excepção” conta-se em TRILIÕES de dólares. Algo assim como o orçamento de Estado português das próximas décadas…bela excepção.

    O “capitalismo” é algo muito diferente de um idealizado mercado liberal, que não existe, e nunca existiu.

  20. Spongebob

    António, perceba uma coisa, o Liberalismo não defende essas intervenções em empresas privadas. O LIberalismo defende que o Estado não intervenha na Economia ainda para mais com bailouts. O que está a dizer só prova que as teorias keynesianistas estragam o Capitalismo. Ou pensa que o Obama (e anteriormente Bush) são liberais?..

  21. lucklucky

    “Só constatei que a retórica que defende os “privados” cegamente, não vendo que nos privados há péssimas gestões, fraudes etc, é falha. Como é falha a ideia de que os “privados” quando erram são punidos com a morte. É falso. É falso há muito tempo.”

    A falha faz parte do Privado, sem falha não há pesquisa do que é melhor,. E é sempre assim na evolução da Humanidade seja no publico ou no privado. A diferença é que o Privado é um entre muitos e o Publico é todo o edifício que vem abaixo.

    O Privado é a liberdade de associação, criação e com isso vem os erros dos Homens. Esta é parte ética.

    Depois temos as vantagens do erro estar associado a uma ideia quando existem em muitas ideias diferentes em prática a serem testadas, quer dizer que tudo não vem abaixo por uma causa. Além de nos informar de algumas das más ideias.
    Embora possa ocorrer em alguns casos é raro todos apostarem no mesmo, especialmente se a cultura aceitar a diferença.

    Um exemplo é a Educação Publica e Falsamente Privada em Portugal. Apostou-se tudo numa política – não se tolerando liberdade alguma de ensino- e o país está em recessão há mais de 10 anos- mascarado como estagnação pela dívida a aumentar. Não é mais que uma Educação de Casino apostando tudo numa única política.
    Quando corre mal corre mal para toda a gente. Esta ministra estará certamente contente por correr mal para todos em vez de só para alguns.

    É claro que isto tem que ver muito onde a mentalidade portuguesa se liga às ideias marxistas. Enquanto se a vida correr mal para mim prefiro que o meu vizinho corra bem, muito bem até. Sei que há muito mais hipóteses de vir mais tarde correr bem para mim, para a maior parte dos portugueses a economia é um jogo onde a soma a nula típica das ideias de esquerda e o despeito se juntam: se correr mal para mim é bom que corra mal ao vizinho para ele não se ficar rir…

  22. Fernando S

    Antonio 19. : “O capitalismo não é um sistema de mercado liberal. É um sistema que tende a ser corporativo e promiscuo, em que as grandes empresas e os estados estão tão enrolados que nem sequer é fácil distingui-los.”
    .
    O “capitalismo” tal como existe actualmente … Por isso é que é preciso privatizar e liberalizar ainda mais !!
    A ideia comum de que o liberalismo é a defesa pura e simples dos “privados” é um mito.
    O liberlismo é precisamente contrario a toda e qualquer forma de “promiscuidade” do Estado com os privados. Esta promiscuidade resulta sobretudo da existencia de um Estado demasiado grande, intervencionista, que se mete em tudo e que pretende arbitrar entre interesses privados favorecendo uns e penalizando outros. A defesa desta promiscuidade é precisamente o que defendem hoje os adeptos de um Estado gigantesco e omnipresente e de governos com politicas publicas generalizadas e ambiciosas. Estas ideias são ainda hoje dominantes à direita como à esquerda. São sobretudo o cerne das ideias das diversas esquerdas (democratas-cristãs, sociais-democratas, socialistas, comunistas,…).
    Em Portugal, nas ultimas décadas, foi o aumento do peso do Estado na economia que favoreceu a promiscuidade de que se queixa o Antonio e que conduziu o pais para a situação critica em que se encontra actualmente.
    Privatizar e liberalizar não é defender interesses “privados”. Antes pelo contrario, é acabar com os privilégios e tratamentos de favor de que beneficiam muitos “privados” por parte do Estado, dos governos, das administrações publicas, dos “amigos” bem colocados nos ministérios e nos serviços publicos, é reduzir o peso do Estado e retirar assim a muitos “privados” a possibilidade de se aproveitarem do Estado para a realização de certos interesses particulares contra outros interesses, privados e colectivos, tão ou mais legitimos.
    A economia, a produção e a distribuição de bens e serviços, não é uma função do Estado. O Estado tem outras funções bem mais importantes e indispensaveis. Em matéria economica pode ter funções regulação mas deve ser neutro, não deve ser arbitro e agente economico ao mesmo tempo. A economia deve ser deixada aos privados, a todos os privados, a todos os cidadãos. O Estado deve apenas garantir que nas suas vidas os cidadãos, os privados, todos os privados, benificiam dos mesmos direitos e da mesma liberdade, que não há discriminações e privilégios a favor de uns e a desfavor de outros.

  23. Pisca

    Quando se fala em boa gestão é isto:

    “Estado fica dono do Europarque com um “buraco” de 30 milhões
    Banca executa aval assinado por Catroga para obra inaugurada por Cavaco.

    Santa Maria da Feira, que fica a 30 quilómetros do Porto, é conhecida por ser a “capital” mundial da cortiça, a sede da mais célebre “Feira Medieval” nacional e do famoso Centro de Congressos e de lazer Europarque.
    Situado mesmo junto à A1, este enorme “elefante branco” está a poucos dias de cair nos braços estatais. A Associação Empresarial de Portugal (AEP), que contou com financiamentos avalizados pelo Estado para construir o Europarque, não tem dinheiro para continuar a pagar o serviço da dívida do complexo, deixando para o Estado a solução do problema.”

  24. tina

    “Pois devia ter deixado o BPN morrer..mas porque é que não deixou? Será que é porque entre os políticos (nomeadamente do PSD, que concordaram com tudo caladinhos) e os donos e gestão do banco havia tanta promiscuidade que não resistiram em pegar no nosso dinheiro e metê-lo lá?”

    Devia informar-se primeiro. Cadilhe foi quem mais contestou a intervenção que Teixeira dos Santos acabou por levar avante. Cadilhe defendia que tudo podia ser resolvido com muito menos dinheiro mas foram Sócrates e Teixeira dos Santos que insistiram em nacionalizar o banco. Desta maneira conseguiram parar a investigação ao banco. Entre muitas outras coisas, a investigação teria mostrado claramente que Constâncio já tinha sido avisado sobre irregularidades mas que não tinha feito nada.

  25. António

    Pois é Tina, o vigilante é que é culpado da fraude e incompetência… Em breve vão acusar os policias dos assaltos!

    Isso é o que eu chamo de cegueira sectária!

  26. tina

    Da TSF:

    Miguel Cadilhe mostrou que não vê nenhuma razão económica ou financeira para a nacionalização daquele banco.
    «Não excluo que haja motivações que não tenho que identificar. Cada um fará a sua leitura», disse Miguel Cadilhe, perante os deputados da comissão parlamentar de inquérito ao caso BPN.
    O antigo presidente do Banco Português de Negócios acusou ainda o Governo de nacionalizar o banco quando o conselho de administração da entidade bancária «começou a identificar responsáveis e a entregá-los à justiça».
    Miguel Cadilhe, ex-ministro das Finanças, lançou várias críticas ao Governo, nomeadamente ao ministro das Finanças, Fernando Teixeira dos Santos, por ter rejeitado a proposta alternativa à nacionalização que foi apresentada pela sua equipa de administração.

    «Contrariamente ao que foi afirmado pelo Governo, a nossa proposta não ia pendurar-se no dinheiro dos contribuintes, contrapôs.
    O antigo responsável do BPN apontou ainda várias críticas ao Banco de Portugal, afirmando que «houve grave e demorada falha de supervisão bancária em Portugal».

    Por isso, a intervenção do Estado mais uma vez provou ser ruinosa para o país. O facto de os corruptos neste caso serem do PSD é de somenos importância comparado com a gestão desastrosa levada a cabo pelo Partido Socialista. O peso do BPN no défice foi igual aos cortes nos subsídios da gestão pública!!!. PS e gestão pública é receita garantida de desastre, porque não se preocupam com o dinheiro dos contribuintes.

  27. António

    Lucklucky, Sonpgebob e Fernando,

    Eu sei que os liberais não defendem esses bailouts. Os liberais, supostamente, defendem o darwinismo, a luta pela sobrevivencia pura e dura, sem proteções e paraquedas (mas depois, alguns, também defendem o perdão, amor universal-fraternal católico, assim como as intervenções do “ocidente” contra os infiéis e onde tem interesses em matérias primas, que as mulheres devem ficar em casa e ser submissas ao homem, que as drogas sejam ilegais, que o Estados devem ter direito a omitir e mentir informação aos seus próprios cidadãos, etc)…

    O que eu apontei é que a realidade, o “capitalismo-democrático-ocidental”, não é liberal. Nunca foi. E ainda estou para conhecer o espaço-tempo que terá sido ou será.

    O “liberalismo” é um ideal utópico.

    Quando os “privados” se vêem à rasca adoram os bailouts, como se viu pelos maiores privados do mundo, porta estandartes do capitalismo liberal. Os privados, se podem, sacam todo tipo de subsidios e agradecem todo tipo de proteção que o Estados disponibilizar. Até exigem mais. Os privados, se podem, actuam em monopólios, etc.

  28. António

    Tina,

    E a AIG, aqueles mega bancos todos de wall street, a GM, etc..?

    A culpa é toda do Greenspan e dos organismos públicos que devia ter visto e não avisaram? Olha, o Elliot Spitzer viu, acusou em praça pública, e arranjaram maneira de lhe fazer a folha…

    Eu assisti a tudo: o PSD (o Cadilhe não estava na assembleia nem fazia parte dos quadros do PSD então), o Cavaco, concordaram com tudo… aliás, o que o teixeira fez foi seguir o exemplo do que já o Bush, o Clinton, o Blair e os Irlandeses tinham feito.

  29. Ramone

    “In Late Victorian Holocausts, Mike Davis charts the unprecedented human suffering caused by a series of extreme climactic conditions in the final quarter of the 19th century. Drought and monsoons afflicted much of China, southern Africa, Brazil, Egypt and India. The death tolls were staggering: around 12m Chinese and over 6m Indians in 1876-1878 alone. The chief culprit, according to Davis, was not the weather, but European empires, with Japan and the US. Their imposition of free-market economics on the colonial world was tantamount to a “cultural genocide”.

    (…)

    “Lytton believed in free trade. He did nothing to check the huge hikes in grain prices, Economic “modernization” led household and village reserves to be transferred to central depots using recently built railroads. Much was exported to England, where there had been poor harvests. Telegraph technology allowed prices to be centrally co-ordinated and, inevitably, raised in thousands of small towns. Relief funds were scanty because Lytton was eager to finance military campaigns in Afghanistan. Conditions in emergency camps were so terrible that some peasants preferred to go to jail. A few, starved and senseless, resorted to cannibalism. This was all of little consequence to many English administrators who, as believers in Malthusianism, thought that famine was nature’s response to Indian over-breeding. ”

    http://www.guardian.co.uk/books/2001/jan/20/historybooks.famine

    “More than thirty million famine related deaths occurred in British India between 1870 and 1910, a phenomenon Mike Davis in his recent book has called the “Late Victorian Holocaust.”

    Click to access NATURE%20and%20EMPIRE%20-%20LAXMAN%20SATYA%20ARTICLE.pdf

  30. Aladin

    “O “liberalismo” é um ideal utópico.”

    Exactamente o oposto.
    A obra seminal do liberalismo ( Adam Smith) constata que há nações ricas e nações pobres, analisa-as e extrai da realidade observada as causas pelas quais umas são ricas e outras são pobres.Parte da experiência para a teorização. Exactamente o contrário de uma ideologia utópica.
    As ideologias funcionam ao contrário: descrevem o amanhã que canta. o futuro radioso, o céu que nos espera e articulam politicas para lá chegar.
    O liberalismo não pretende atingir a perfeição, o céu na terra, a sociedade sem classes, a igualdade, enfim as utopias. Constata simplesmente que há coisas que funcionam e coisas que não funcionam. E preconiza que se façam coisas que funcionam.
    Chamar a isto um “ideal utópico” é a cabal demonstração que não se tem a mínima ideia do que se está a falar.

    De resto o liberalismo contempla uma infinidade de variantes, que vão de Adam Smith a Hayek, passando por Tocquevile, Bastiat, Stuart Mill, Popper, Friedman, Durkheim etc.
    No que respeita à sociedade, que é afinal o que interessa aqui, o liberalismo concebe-a como sendo composta por indivíduos que procuram maximizar o seu bem-estar, pelo que as regras devem ser o mais justas possível. Admite que há indivíduos que têm mais êxito que outros no mercado das aptidões e por isso aceita o princípio de que a recompensa deve ser diferente.
    Aceita as desigualdades desde que sejam funcionais e justificadas, isto é, que se fixem num nível tal que, para as esbater, se prejudicassem todos, a começar pelos mais fracos.
    Na verdade, a maioria das pessoas pensa exactamente assim, aceita este tipo de desigualdades e considera-as legítimas (toda a gente acha normal que o médico seja mais bem pago que o escriturário).
    Os que rejeitam o liberalismo, vão buscar os casos extremos, as injustiças que existem em todas as sociedades, pretendendo que “isso” é que é o liberalismo, ou seja criam o demónio, catalogam-no a gosto e depois atiram-lhe tomates.
    Curiosamente usam nessa vendetta os próprios princípios do liberalismo, ou seja criticam as sociedades liberais por desrespeitarem os princípios liberais.
    É um paradoxo..
    Na verdade, as injustiças que permanecem são exactamente o resultado da menos liberalismo, mesmo daqueles que assim se reivindicam.
    Dou um exemplo: a Europa e os EUA são altamente proteccionistas relativamente aos produtos agrícolas de África. Fazem-no à revelia das boas práticas liberais que aconselham o livre comércio. Se houvesse mais liberalismo, os produtos africanos seriam vendidos livremente no espaço europeu. Ganhariam os africanos e os consumidores europeus que teriam bens mais baratos. Perderiam alguns interesses ligados à agricultura, nomeadamente os produtores.
    A falta de liberalismo apenas beneficia alguns e prejudica milhões. É este sempre o resultados dos mercados altamente regulados.
    Que os poucos beneficiados façam crer aos prejudicados que isso é no seu interesse, é que nunca deixa de me espantar.

  31. António

    Pois é Aladin,

    Acabas de confirmar o que eu disse:”Dou um exemplo: a Europa e os EUA são altamente proteccionistas relativamente aos produtos agrícolas de África. Fazem-no à revelia das boas práticas liberais”

    Esse é apenas um exemplo, entre muitos, de que o sistema “capitalista-democrático-ocidental” não é liberal. Foi o que eu disse, exactamente. Obrigado por reforçar com mais esse exemplo.

  32. tina

    Pode ser a culpa do Greenspan, por que não? O que acontece é sempre assim: os órgãos estatais não executam competentemente o papel que lhes cabe e ainda por cima se vêm meter onde não são chamados.

    Se o estado nem sequer consegue resolver matérias importantíssimas como a justiça e a supervisão bancária!…

  33. Fernando S

    Antonio 28. : “Os liberais, supostamente, defendem o darwinismo, a luta pela sobrevivencia pura e dura, sem proteções e paraquedas …”
    .
    Outro mito. Pelo menos para a maioria numérica dos que se reclamam do liberalismo (exceptuando talvez algumas correntes pouco representativa).
    O liberalismo integra o Estado de Direito, o primado da lei, da ordem, e até de alguma forma de ordem moral. Não advoga nenhuma sociedade “selvagem”, a lei do mais forte, etc, etc.
    O liberalismo é por um Estado minimo. Mas não exclui que o Estado até possa ter algum papel na protecção dos mais defavorecidos.
    De resto, os liberais até defendem que os recursos publicos de natureza social sejam concentrados no apoio aos mais defavorecidos, em vez de serem desperdiçados em inumeras intervenções publicas inuteis e prejudiciais, e em vez de servirem para “apoiar” sobretudo os que não precisam ou precisam menos.
    Acresce que os liberais não consideram que a solidariedade organizada seja apenas uma missão do Estado – a sociedade civil esta tão bem ou melhor capacitada para realizar esta solidariedade, quase sempre com mais coração, mais eficiencia, e até mais recursos. Foi assim no passado, é ainda assim hoje em dia, pode ser ainda mais com um sociedade civil mais livre e mais rica.

  34. António

    Fernando S,

    “Exactamente como nas empresas privadas.
    Mas as privadas mal geridas desaparecem. Morrem.
    As públicas mal geridas, não desaparecem. Crescem.
    É como as células cangerígenas. As células saudáveis assim que começam a falhar, recebem da mitocôndria um sinal para morrer. Nas cancerígenas a apoptosis não funciona.”

    Isto é darwinismo: luta pela sobrevivencia, sobrevivência dos mais aptos, morte e desaparecimento dos menso aptos…

    Nada contra (ou a favor). Só constato que na realidade essa luta pela sobrevivência nunca concretizou um liberalismo ideal, puro, baseado no individuo, com total liberdade. O jogo da realidade pede associação, grupos ( entre os quais o Estado, empresas, igrejas, universidades, etc), e contempla jogo sujo, como contempla fraternidade e solidariedade para com os mais fracos.

  35. Aladin

    Como disse, e bem, o Fernando S, a caricatura aqui feita do liberalismo é afinal o anarquismo, e pretende fazer crer que o Estado não existe, só o indivíduo. Grossa asneira.
    O estado liberal existe, tem funções e é um Estado de Direito. Baseia-se em direitos-de (liberdades), iguais para todos e que o próprio estado não pode violar, mas apenas regular e garantir. O Estado tem funções inalienáveis… mas não pode crescer ao ponto de comer a carne de que é suposto ser o esqueleto.
    A igualdade de oportunidades está pois no cerne do liberalismo, .mas não a “igualdade de resultados”, essa sim, injusta, porque desrespeitadora da individualidade do ser humano e produtora de reais desigualdades.
    O exemplo mais dramático passa-se na educação. As boas almas queriam um ensino em que todos tivessem os mesmos resultados, sem quadros de honra , sem distinções, sem emulações, alegando que não era possível vencer a desigualdade de oportunidades (família, genes, etc).
    Na prática quem tem mais possibilidades, estuda mais, vai para o privado ou paga explicações. Na prática, são os que nada têm que acabam por ser prejudicados com o ensino massificado e medíocre que lhes cria ainda uma maior décalage.

    Claro que o liberalismo não tem a força explicativa do marxismo, ou de outra qualquer religião ou ideologia, justamente porque não é uma ideologia .Por seu lado, o socialismo , o fascismo, o nazismo, o comunismo, etc, são ideologias, desvarios construídos à priori, a montante e à revelia dos factos. São, por isso intrinsecamente falsas, procurando adaptar o ser humano a si próprias
    A verdade é que as práticas liberais têm resultado razoavelmente bem e se é verdade que o verdadeiro capitalismo ( o definido por Max Weber) não proporciona igualdade (nem a isso aspira), as ideologias que o contestam muito menos o fazem, bem pelo contrário.
    E comparar a perfeição da “coisa em si” que não existe-a utopia comunista- com o que existe-o capitalismo democrático- é pura desonestidade. O real fica sempre a perder….
    Há religiões que prometem coisas melhores.

    Quanto ao amanhã, o facto de o liberalismo não ter escatologia nem utopias mobilizadoras, não impede que seja portador de sentido, principalmente pela ideia simples e forte que lhe está subjacente: garantir a autonomia e o bem-estar do indivíduo.
    É só esse o programa e é nítido que é nesse sentido que o mundo tem evoluído.
    A regressão às palermices estatizantes é sempre possível, mas é tb sempre um beco sem saída.
    Mas compreendo as pessoas que aspiram por um Estado que as proteja. Chamar pela mãe é sempre a tentação de quem não tem a força e a coragem para se fazer à vida.
    O problema é que a sociedade que daí resulta é disfuncional e decadente. No imediato estamos no regaço da mãe, amanhã teremos fome.

  36. George Orwell

    Every line of serious work that I have written since 1936 has been written, directly or indirectly, against totalitarianism and for democratic socialism, as I understand it.

  37. hf

    as sociedades mais florescentes foram sempre estados fortes e centralizados como a civilização romana, a egipcia, a otomana, a chinesa, a babilónica e de certa forma a grega. Não creio que possam ser consideradas sociedades “disfuncionais e decadentes” face ao mundo que as rodeava.

  38. 38 -Muitas dessas sociedades foram conquistas pelas tribos “descentralizadas” que as rodeavam. E tem certeza que muita dessa “fluorescencia” não era uma ilusão derivada do hábito de medirmos o nivel de vida das sociedades do passado pelo nivel de vida da sua elite dominante (claro que quanto mais centralizado for o poder, mais brilhante parecerá o nivel de vida da sua elite, porque tem mais camponeses a que cobrar tributos ou escravizar)?

    E qual é a “certa forma” em que a civilização grega tinha estados fortes e centralizadores (mesmo a babiliónia tenho as minhas dúvidas.

  39. Aladin

    “Não creio que possam ser consideradas sociedades “disfuncionais e decadentes”

    Fui ao mapa e reparei que o Império Romano não existe, o Egipto dos Faraós é hoje um país do 3º mundo, o Califado Otomano não se vê, o Império Chinês foi derrotado por meia dúzia de ingleses a lutar do outro lado do mundo, os babilónios já só existem no museu, etc.

    Um sucesso….imagino o que acontecerá quando finalmente entrarem em decadência….

  40. Fernando S

    hf 38. : “as sociedades mais florescentes foram sempre estados fortes e centralizados …”
    .
    “Florescentes” em que condições e a que preço ?… E seriam mesmo os mais estatalistas e centralizados do seu tempo ?…
    Também os sistemas mais deshumanos e inconsequentes (até aos fascismos e comunismos do século XX) “foram sempre estados fortes e centralizados”.
    Não creio que o cerne da questão esteja aqui …

  41. Fernando S

    Antonio (35.),
    .
    Até acho que o darwinismo e a ideia da sobrevivencia dos mais aptos foi muito util para a compreenção da evolução das espécies. Não é o unico factor explicativo, existem outros, há um largo e interessante debate a este respeito.
    O que não é correcto é querer aplicar o mesmo modelo a realidades sociais – o “darwinismo social” é um absurdo, nunca existiu, não existe em lado nenhum, não é modelo que valha. De resto, são poucos os que se reconhecem nesta ideia e a defendem nos termos caricaturais em que é normalmente apresentada.
    A esmagadora maioria dos liberais não defende certamente este tipo de ideias.
    Quando muito o conceito de “luta pela sobrevivência” pode ser ajustado para a realidade social. O esforço individual pela sobrivência e pela melhoria das suas condições de vida é uma constante da natureza humana. Em todos os tempos e em todas as formas de sociedade. Incluindo, e de que maneira, nas sociedades mais socialistas e comunistas.
    O problema central da organização das sociedades é preciamente o das condições que permitem enquadrar e potenciar o conjunto dos esforços individuais pela sobrevivência e pelo bem-estar.
    Como já referi anteriormente, e como o Aladin bem explica aqui em cima, o liberalismo não defende qualquer tipo de anarquia sem lei nem moral que conduziria naturalmente ao esmagamento dos mais fracos pelos mais fortes. Antes pelo contrario. O liberalismo é por um Estado de Direito, pelos direitos e deveres dos indivíduos em sociedade, incluindo a protecção dos mais fracos.
    No plano económico, o liberalismo é por uma concorrência com principios e regras. Nada que se pareça com uma qualquer luta selvagem, por sinal bem mais frequente e natural em regimes e formas de sociedades que pouco ou nada têm a vêr com um capitalismo de tipo liberal.
    Parece-me que a frase do Aladin se refere a esta sã concorrência entre empresas. Convém não perder de vista que uma empresa é uma utilização de recursos com vista à produção de bens e serviços socialmente úteis. Se os recursos são mal utilizados e os bens e serviços produzidos não são os mais úteis, então há um desperdício de recursos. Numa economia de mercado uma empresa privada ineficiente apenas pode sobreviver se ajustar o seu funcionamento no sentido de ser mais eficiente e mais útil. Caso contrário deixa de ser rentável e acaba por ir à falência. “Morre”. Isto não significa que os recursos, incluindo as pessoas, desaparecem. Normalmente, os recursos e as pessoas são depois novamente utilizadas noutros projectos produtivos e empresariais. Desta vez de modo mais eficiente. Trata-se de uma “destruição” provisória para permitir uma “criação” mais sustentável e eficiente. Com o Estado e as empresas públicas não se verifica este mecanismo de ajustamento virtuoso. As empresas públicas ineficientes e até inúteis podem sobreviver por muito tempo absorvendo recursos “públicos”. Recursos estes que são necessáriamente desviados do resto da sociedade civil e da economia. O que faz baixar a eficiência do conjunto. Para algumas empresas públicas ineficientes poderem existir, e até crescer, muitas empresas privadas acabam por não crescer, por definhar, por morrer, e até nunca chegam a nascer. O mesmo raciocionio pode ser feito relativamente a empresas “privadas” que benificiam de privilégios e subsídios do Estado. Este tipo de empresas, públicas e/ou privadas, são os “fortes”, enquanto que outras empresas, sempre privadas, que não têm estes previlégios e até pagam pelos privilégios dos outros, são os “fracos”. Algo que está bem mais perto de um “darwinismo social” do que uma sã concorrência num mercado livre.

  42. hf

    MM em todas as civilizações havia efectivamente uma generalização da qualidade de vida, testemunhável através dos objectos do dia a dia (cerâmicas, utensilios em metal etc) como da especialização do trabalho. Uma proto classe média podemos dizer. Por outro lado a decadência dessas sociedades parece estar sempre ligada a uma degenerescência do estado.
    Aladin por esse argumento, se formos ver quais são as sociedades em crescimento de hoje…

  43. rr

    Ora viva, fernando s, há quanto tempo nao o via aqui ou nos blogues? Bem vindo de Novo(sou honesto na saudação, as divergencias ideologicas não sao questoes pessoais).Já debati consigo algumas vezes
    Fernando s, nao tendo as coisas corrido muito bem a nivel de execução orçamental, que decisões o fernando acha que serão decididas? Concordará o fernando s que mais impostos é improvavel nao é? Acho que os dados da receita indicam isso

  44. “testemunhável através dos objectos do dia a dia (cerâmicas, utensilios em metal etc) como da especialização do trabalho.”

    Isso por si só não testemunha nada – se tivermos uma sociedade em que parte das pessoas tem muitos objectos do dia-a-dia e outra parte (a maioria?) da população são escravos e outra sociedade em que quase toda a gente é um agricultor/pastor livre vivendo numa aldeia independente rodeada por florestas e montanhas, e tendo um nivel de vida um pouco melhor (e uma qualidade de vida muito melhor) que os escravos da outra sociedade, mas sem terem muita tralha em casa, é possivel que o nivel de vida geral na segunda sociedade seja melhor do que na primeira, mas que na primeira haja mais cerâmicas, utensílios de metal, etc., recolhivbeis pelos arqueólogos

  45. Fernando S

    rr,
    Agradeço e retribuo a saudação, com a mesma abertura e sinceridade.
    Efectivamente, como diz, já debatemos e divergimos varias vezes no passado.
    Retive nomeadamente que o rr me considera um … socialista !!… Ou seja, para si há apenas meia duzia de “verdadeiros” liberais e tudo o mais é socialismo servido com diferentes condimentos.
    Respeito a sua maneira de pensar. Mas não posso deixar de notar que “liberais” como o rr acabam por contribuir para reforçar a visão caricatural do liberalismo que os opositores de uma maior liberalização da economia, da direita à esquerda, mas sobretudo à esquerda, costumam avançar. Como se pode ver por alguns dos comentarios aqui em cima.
    Quanto ao assunto especifico da execução orçamental que o rr traz de novo à baila, não vejo nada que altere os termos das nossas discussões e divergencias anteriores.
    A execução orçamental está a correr menos bem do que seria desejavel ? É pena mas não é nenhuma surpresa num contexto de recessão e incertezas nos planos interno e externo. Significa que provávelmente a austeridade actual não é suficiente e que vai ser necessário continuar a cortar despesas e a aumentar impostos. Seria possivel evitar mais impostos reduzindo ainda mais e despesa publica ? Talvez. Ou talvez não. A verdade é que as alternativas politicas viáveis ao actual governo, dentro e fora da coligação CDS-PP, se opõem a mais cortes nas despesas. No quadro das opções democráticas dos portugueses, o actual governo ainda é o que de menos iliberal se pode arranjar. Por isso mesmo, e respondendo directamente à sua pergunta, acho que um novo aumento de impostos é praticamente inevitável. Pelo menos para 2013. A troika vai muito provávelmente aceitar alguma derrapagem no déficit orçamental para 2012 mas vai certamente continuar a exigir que o governo continue a aplicar uma dosagem fina de cortes na despesa e aumentos de impostos. Já sei que o rr vai argumentar que o aumento de impostos é a principal causa da queda nas receitas fiscais. Continuo a não concordar. Claro que o aumento das taxas de imposição tem sempre um efeito negativo sobre a economia e sobre as receitas fiscais. Mas a causa principal da queda nas receitas fiscais é a própria recessão. Que, por sua vez, depende mais dos bloqueios estruturais da economia portuguesa e da desacelaração do crescimento mundial do que das medidas fiscais do actual governo.

  46. Apsear da riqueza do argumentário e a beleza estética das intervenções, apenas queria adicionar aqui um pequeno contra-exemplo (que penso que não foi referido pelos anteriores eescribas): o escândalo da manipulação das “taxas libor” entre bancos privados. Se os agentes privados, há quem dia com alguma parcimónia do regulador (vejamos, limitado e totalmente compremetido com o status), num enquadramento light de regulação já manipulam as taxas interbancárias (sempre com o objetivo mor do capitalismo, lucro, a tudo o custo – o tal fitness criterium do darwinismo económico) imaginem num esbelto espaço-temporal em que a regulação era inexistente e todos os agentes privados se regiam pela “mão invisível” (consequência: um estado fascista, monopolista e corporativista)?

  47. rr

    fernando s,temos pano para mangas.Eu confesso que dei uma oportunidade, ao seu pensamento
    “Retive nomeadamente que o rr me considera um … socialista !!… Ou seja, para si há apenas meia duzia de “verdadeiros” liberais e tudo o mais é socialismo servido com diferentes condimentos.
    Respeito a sua maneira de pensar. Mas não posso deixar de notar que “liberais” como o rr acabam por contribuir para reforçar a visão caricatural do liberalismo que os opositores de uma maior liberalização da economia, da direita à esquerda, mas sobretudo à esquerda, costumam avançar. Como se pode ver por alguns dos comentarios aqui em cima.”
    Se o fernando reparar, o programa na sua essencia é parecido com os do ps: aumentos de impostos,e mexidas muito ao de leve na despesa.Visão caricaturial é a imagem dos 2 partidos do bloco central(ps e psd) a defenderem uma coisa na oposição, e praticaram o seu contrário no governo.A opiniãos outros fernando não pode condicionar o meu pensamento.O fernando diz que se o psd e cds cortassem muito na despesa e baixassem impostos, afastariam os seus votantes.Penso exatamente o contrário.Esse foi o mandato para o qual foram eleitos.
    Ah e, não acho que o fernando seja socialista, mas libertário ou austriaco , também nao digo.É a diferença entre a cdu e a fdp alemã(fdp é o nome do partido realmente)

    “A execução orçamental está a correr menos bem do que seria desejavel ? É pena mas não é nenhuma surpresa num contexto de recessão e incertezas nos planos interno e externo. Significa que provávelmente a austeridade actual não é suficiente e que vai ser necessário continuar a cortar despesas e a aumentar impostos. Seria possivel evitar mais impostos reduzindo ainda mais e despesa publica”
    -Engraçado que quando alguma coisa com socrates falhava, era por culpa dele, e agora já é culpa da recessão mundial.Mas é o que digo: portugal é um mosteiro de freis tomazes.E respondendo-lhe á questão de com apenas descida mais acentuada da despesa dispensava aumentos de impostos, digo-lhe que sim é possivel e resultaria.Mas o fernando sabe que isso incomodaria lobbies da saude, da electricidade que muitos são amigos deste governo.É aqui que se ve os verdadeiros reformistas.Volto a repetir: uma descida mais vigorosa da despesa seria mais apoiada pelos eleitores do que um aumento de impostos.Mas também acrescento o seguinte: o psd muitas vezes alinhou se com a fenprof e os sindicatos.Mas já desenvolverei este tema na resposta seguinte

    Por isso mesmo, e respondendo directamente à sua pergunta, acho que um novo aumento de impostos é praticamente inevitável. Pelo menos para 2013. A troika vai muito provávelmente aceitar alguma derrapagem no déficit orçamental para 2012 mas vai certamente continuar a exigir que o governo continue a aplicar uma dosagem fina de cortes na despesa e aumentos de impostos. Já sei que o rr vai argumentar que o aumento de impostos é a principal causa da queda nas receitas fiscais. Continuo a não concordar. Claro que o aumento das taxas de imposição tem sempre um efeito negativo sobre a economia e sobre as receitas fiscais. Mas a causa principal da queda nas receitas fiscais é a própria recessão. Que, por sua vez, depende mais dos bloqueios estruturais da economia portuguesa e da desacelaração do crescimento mundial do que das medidas fiscais do actual governo.”
    – Vou argumentar pois fernando. E eu sabia que o fernando ia-se escudar na recessão.Mas desde logo fernando, uma recessão significa pobreza e falta de poder de compra.Por consequencia as pessoas deixam de comprar, de investir, porque a nossa fiscalidade foca-se no sector comercial.Se tenho menos dinheiro, logo tenho que fazer uma gestão mais criteriosa dele.Ora, o aumento da fiscalidade , visando o aumento da receita, só se consegue pela via do aumento ou manutenção do consumo.Mas como estamos em recessão(bem dito sim) se teem menos dinheiro, menos consomem, logo um aumento de impostos só resultaria neste cenário se as coisas perdessem a cabeça é que iam estoirar os seus parcos salários nos produtos.Ou seja fernando, nao podemos querer o sol na eira e a chuva no nabal
    Mas ó fernand, esse argumento da recessão antes de desmentir o meu da fiscalidade, antes reforça-o.É verdade que temos já recessão há uns anos, ou crescimento anémico, pronto mais coisa menos coisa é esta a situação.Mas não se esqueça que a receita que é usada há 35 anos cá em portugal, é aumentar-se os impostos e o estado fazer pouco.Normalmente quem faz a “papinha” toda são os privados.Mas o estado não pratica esses principios.Como tal, a solução é sempre mais intervenção na vida das pessoa e mais roubo.O fernando também tem de dizer que a recessão existe , porque outros aumentos de impostos aconteceram no passado, principalmente no governo ps, que aumentou a fiscalidade , em vez de reformar verdadeiramente.Falta-lhe dizer que o resultado disso tudo é termos uma das mais altas pressões fiscais na europa,o que causa a recessão que vivemos,.Por isso fernando, não o posso acompanhar na convicção de haver ainda margem para mais aumentos de impostos, quando a economia e as pessoas não teem dinheiro suficiente para os pagar.É mesmo assim fernando, bem pode o governo assaltar tesouros e cofres, que neste momento só encontrarão ar.Porque é a economia que gera as receitas

  48. hf

    MM, um pastor “livre” numa aldeia “independente” na alemanha, na escocia ou das estepes russas do inicio do milenio por exemplo estaria muito mais sujeito às agruras dos conflitos e das arbitrariedades dos chefes locais, às pilhagens e saques das outras aldeias do que um habitante de pompeia que sabia ler e escrever, bebia vinho francês, comia cereais vindos de africa etc.. As chances do pastor se tornar escravo ou passar fome eram infinitamente maiores. O incremento do nível de vida só é possivel graças a uma paz duradoura e abertura de grandes circuítos comerciais e isso só com um super estado.

  49. Aladin

    “e isso só com um super estado.”

    Razão pela qual, as pequenas cidades italianas, os fenícios, os judeus, Cartago, etc, foram tão mal sucedidos nas rota comerciais.
    E as próprias cidades gregas. Ou as feitorias portuguesas espalhadas por todo o litoral africano e asiático.

    O que vale é que Veneza era um super estado, bem como Tebas, Atenas, Esparta, Portugal, etc.

  50. hf

    se fosse mauzinho diria “e onde é que eles estão agora? Mas quer-me parecer que esse tipo de entrepostos comerciais só fazem sentido como porta de passagem entre uma civilização e o resto do mundo. Os hititas e egipcios no caso dos fenicios, a europa ocidental no caso dos portugueses, e o império bizantino no caso de veneza. O certo é que qualquer alteração nos impérios adjacentes teve sempre repercussões trágicas para estes mini-estados. Veja-se como a queda de constantinopla ditou o fim imediato do poder da republica veneziana.

  51. Aladin

    “onde é que eles estão agora”

    Sei lá, talvez Suiça, Luxemburgo, Mónaco, Andorra, Singapura, Hong Kong (ainda), etc, etc.
    Para Superestados não estão nada mal…

  52. Aladin

    Já agora, hf, uma leitura de Gibbon, talvez lhe mostre que os grandes Impérios que citou, implodiram todos. Não por causas externas, mas por decadência interna.
    Too big….

  53. Fernando S

    Caro rr,

    Agradeço “a oportunidade que deu ao meu pensamento” () e a sua resposta.
    Já é um avanço deixar de dizer que sou socialista. Finalmente algum sentido das nuances nestas questões de colocação política e ideológica. Tem razão, não sou efectivamente “libertário”. Também não sou nenhum incondicional da dita “escola austríaca”. De resto, não sou incondicional de coisa nenhuma nem sigo nenhuma cartilha. Mas, pelos vistos, passou-lhe despercebido que, noutras discuções aqui havidas com comentadores de inspiração keynesiana, até defendi ideias que devem muito à visão da sociedade e da economia de vários autores mais ou menos associados à “escola austríaca”. Detalhes sem importância … Também não creio que as diferenças entre a CDU e a FDP alemãs sejam assim tantas como o rr pretende. No fim de contas, a FDP tem feito parte da coligação de governo de Angela Merkel e no passado chegou mesmo a aliar-se com o PSD.
    Dito isto, confesso que fico sempre algo desapontado por vêr que o rr se preocupa mais em insistir na critica a posições como a minha do que às de outros comentadores que se opoem claramente e explicitamente a quaisqueres políticas de pendor mais ou menos liberal. Esta sua intervenção neste post é mais um exemplo.

    Mas vindo agora à sua argumentação sobre as opções que estão em cima da mesa quanto às politicas do governo no sentido de ultrapassar a crise financeira e económica em que se encontra o nosso país.
    Como o rr, eu também acho que as despesas públicas e os impostos devem ser significativamente reduzidos.
    Mas, ao contrário do rr e de alguns liberais mais radicais, muito bem representados aqui no “O Insurgente” mas muito minoritários em geral, não penso que seja viável a curto prazo ir muito mais longe na redução de despesas e proceder simultâneamente a uma redução da carga fiscal. Por duas ordens de razões.
    Em primeiro lugar, porque penso que, muito embora seja desejável e possível ir reduzindo muitas das despesas do Estado, tenho a noção de que este processo não é fácil, mexe com muita coisa, tem efeitos sobre a economia e sobre a sociedade dificeis de controlar e gerir, deve obedecer a um programa faseado num tempo que vai muito para além do curto prazo. Trata-se de um processo estrutural de médio/longo prazo. De qualquer modo, mesmo as economias adicionais nas despesas suceptiveis de serem obtidas a curto prazo nunca seriam suficientes para fazer face à situação de emergência nas contas públicas e evitar assim aumentos de impostos ou, ainda menos, permitir reduções generalizadas de impostos. Qualquer programa sustentável de redução da carga fiscal tem de ser posterior à ultrapassagem da emergência nas contas públicas e deverá ir de par com a redução estrutural das despesas públicas. No plano da teoria a análise do rr subestima a importância do factor tempo nos processos de ajustamento económico e concentra-se exclusivamente em aspectos conjunturais de curto prazo (aumento de impostos = baixa do poder de compra = baixa do consumo = baixa da procura efectiva = baixa dos investimentos = baixa da produção = menos receitas fiscais = etc). Neste aspecto o rr afasta-se dos ensinamentos da sua “escola austríaca” e aproxima-se bem mais da sintese “neo-clássica-keynesiana” da segunda metade do século XX !…
    Em segundo lugar, porque não creio que existam actualmente condições políticas para a aplicação de um programa liberal “de choque” do género que o rr e outros imaginam e desejam. Penso que o rr se engana redondamente quando pensa que os eleitores do PSD e do CDS apoiariam sem reservas e sem falhas um programa deste tipo. As motivações deste eleitorado não são homogéneas, há para todos os gostos. Claro que ninguém deseja aumentos de impostos e que toda a gente concorda com cortes em despesas públicas inúteis e imorais. Mas ninguém aprova os cortes que afectam de algum modo o seu nível e qualidade de vida (todos querem saúde e educação gratuitas, combustível mais barato, empregos bem pagos na função pública, subsídios de férias e Natal, etc, etc). Os cortes são bons apenas quando tocam os outros, a começar pelos “políticos”. A verdade é que os cortes que poderiam ser mais ou menos consensuais teriam sobretudo um significado “moral” mas não resolveriam certamente o problema imediato das finanças públicas. No fim de contas, a parte mais realista e consequente do eleitorado PSD-CDS tem a noção, mais ou menos intuitiva ou racionalizada, de que, pelo menos nesta fase, o corte nas despesas tem os seus limites e o agravamento da fiscalidade é incontornável. E a parte restante, mais “centrista” e bem menos estável e fiel no seu apoio aos partidos da actual coligação e ao seu governo, tende antes a protestar contra todo o plano de austeridade aproximando-se assim das oposições à esquerda (incluindo as dos sectores mais “sociais-democratas” e “democratas-cristãos” do PSD e CDS, respectivamente). Ou seja, como tenho dito, as alternativas políticas viáveis ao actual governo e ao actual padrão de austeridade situam-se mais à esquerda e apontam para saídas ainda mais iliberais. Assim sendo, não vejo nenhuma utilidade em estar a especular sobre a hipotética bondade de uma terapia liberal “de choque” para a economia portuguesa.

  54. António

    Onde é que existe o “liberalismo”?

    O Aladin (que está para os liberais como um Bernardino Soares está para o PCP) até disse que nem os EUA nem a Europa são liberais.

    Outros comentadores liberais disseram, explicitamente: nem Bush, nem Obama são liberais. Aliás, bailouts de mega empresas privadas é uma espécie de socialismo corporativo para ricos…

    Neste blog de liberais estão fartos de malhar no PPC e seu governo, e em quase todos os ministros, nomeadamente da economia e das finanças. Ora, sendo eles nominalmente de direita, estando a tentar seguir o mais à letra possível a receita da troika… e, segundo os liberais deste blog…também são socialistas!!!

    Onde é que existe, ou existiu, de facto, esse tal de liberalismo? Ou é, como me parece cada vez mais, um ideal utópico que não existe em lado nenhum na realidade?

  55. Aladin

    “Ou é, como me parece cada vez mais, um ideal utópico ”

    Não, não é utópico. em si, embora seja mutatis mutandis, como a teoria quântica: não é facilmente captado pelo senso comum e por isso na prática é tão dificil colocá-lo em acção. No fundo tata-se mais de um caminho, do que um destino.

    Digamos que pode tb ser um tipo “ideal” no sentido weberiano…designa um núcleo de ideias centrais para além das quais se desdobra em várias “espécies” (económico, político, filosófico, etc) e graus, como já disse lá atrás.
    Não sendo fácil encerrá-lo numa definição, usa-se uma epistemologia que considera que o ser humano é racional e que as entidades colectivas (classes, estatutos, nações, estado, partidos, etc) são constituídas por indivíduos. Ou seja, rejeita o holismo, rejeita a reificação das entidades colectivas, e é isso que marca a sua fundamental distância aos ismos totalitários (comunismo, socialismo nacional e internacional, fascismo, islamismo, etc.)

    A dificuldade em aplicá-lo entende-se facilmente: a maioria das pessoas tem dificuldade em compreender que a ordem espontânea possa ser melhor que uma ordem planeada, apesar de os maiores avanços da espécie e as sociedades mais justas e funcionais serem o resultado da ordem espontânea. Somos mamíferos, tendemos a preferir um pai que nos dê uma ilusão de protecção do que um sistema de interacção que nos garante uma efectiva protecção.

    Adam Smith, na “Riqueza das Nações” limita-se a constatar que há países mais ricos que outros e procura “descascar” as razões dessa riqueza, para daí extrair, não dogmas, mas algumas hipóteses interpretativas que respeitam os factos que efectivamente ocorreram.
    O liberalismo não projecta criar uma sociedade perfeita, mas sim identificar práticas que parecem resultar. Uma abordagem “científica” (vénia a Karl Popper.)

  56. Aladin

    Claro que na prática, quando alguém tem poder, tem uma invencível tendência para acreditar que ele está imune à tentação do poder e que as suas boas intenções são reais e efectivas.
    São raras as pessoas que se relativizam a si mesmas….

  57. António

    Aladin,

    O Bernardino também é culto e inteligente como você. E também está sempre a “voltar às bases”, ás teorias, doutrinas…e a realidade , para ele, também confirma tudo o que o Marx dizia e nunca vê nada de positivo no capitalismo, e para ele liberal e diabo são coisas próximas…você é mesmo muito parecido.

    Também é parecido a fugir às questões: onde (tempo-espaço real…não “existências quanticas”!!!) é que esse tal de liberalismo existiu ou existe?

    Eu prefiro comparar realidades. O argumento de que o “verdadeiro comunismo” nunca foi aplicado e tem sido prevertido e temso de lutar sempre para ir nessa direção…blablabla…benfica x sporting…

    A pergunta foi: se os Eua e Europa, o Bush e Obama, O Psd, o Passos Coelho e a troika não são liberais…onde é que existe , ou existiu, o liberalismo?

  58. rr

    “Como o rr, eu também acho que as despesas públicas e os impostos devem ser significativamente reduzidos.
    Mas, ao contrário do rr e de alguns liberais mais radicais, muito bem representados aqui no “O Insurgente” mas muito minoritários em geral, não penso que seja viável a curto prazo ir muito mais longe na redução de despesas e proceder simultâneamente a uma redução da carga fiscal. Por duas ordens de razões.
    Em primeiro lugar, porque penso que, muito embora seja desejável e possível ir reduzindo muitas das despesas do Estado, tenho a noção de que este processo não é fácil, mexe com muita coisa, tem efeitos sobre a economia e sobre a sociedade dificeis de controlar e gerir, deve obedecer a um programa faseado num tempo que vai muito para além do curto prazo. Trata-se de um processo estrutural de médio/longo prazo. De qualquer modo, mesmo as economias adicionais nas despesas suceptiveis de serem obtidas a curto prazo nunca seriam suficientes para fazer face à situação de emergência nas contas públicas e evitar assim aumentos de impostos ou, ainda menos, permitir reduções generalizadas de impostos. Qualquer programa sustentável de redução da carga fiscal tem de ser posterior à ultrapassagem da emergência nas contas públicas e deverá ir de par com a redução estrutural das despesas públicas. No plano da teoria a análise do rr subestima a importância do factor tempo nos processos de ajustamento económico e concentra-se exclusivamente em aspectos conjunturais de curto prazo (aumento de impostos = baixa do poder de compra = baixa do consumo = baixa da procura efectiva = baixa dos investimentos = baixa da produção = menos receitas fiscais = etc). Neste aspecto o rr afasta-se dos ensinamentos da sua “escola austríaca” e aproxima-se bem mais da sintese “neo-clássica-keynesiana” da segunda metade do século XX ”

    Sim fernando, implica mexer com interesses do estado, lobbies e interesses.Implica que o estado faça uma dieta.Causa manifestações dos sindicatos,energias renovaveis, construtoras e comedores do estado? Claro que sim, mas muito pior do que isso é as pessoas passarem já fome e andarem na miseria, apenas para sustentar um estado gordo e anafado, que não se reforma.Qual é a a coerencia disso? A crise é para todos meu caro, e há que ter “cojones”.Mas pelos vistos , o governo como certas pessoas, não os teem os ditos,e teem medo dos rebuiços.Não tenha medob das manifestações fernando.
    Dito isto, acho perfeitamente possivel ir mais longe na despesa.É preciso coragem, mas a situação do pais assim o exige.A questão é muito simples: porque haverão as pessoas de fazer dieta e o estado não.O estado é que tem de se reformar
    E depois há algo que o fernando insiste em nao querer perceber,Nós temos uma carga brutalissima já, como até o fmi reconhece.Mesmo se a recessão já durar há anos, isso deve-se ao aumento da fiscalidade, dai eu achar que o factor tempo não é válido neste caso.Como é que voce ainda pode achar que aumentar ainda mais a fiscalidade , aumentará as receitas.Desculpe-me mas como é que ainda pode achar que as receitas podem aumentar com mais aumentos,se as pessoas mal teem dinheiro para comer?Desculpe-me que me diga , mas como é que ainda pode achar que é possivel mais receitas, com mais fiscalidade, se o rendimento das pessoas evolui na direcção proporcionalmente inversa? Só quem acredita em milagre ou que tenha muita fé em nosso senhor jesus cristo é que pode acreditar nisso, que nos somos super-homens e não existe céu para o sacrificio.Mas voce pensa que nós portugueses somos um povo rico, que ainda resta algum dinheiro para ser escoado em impostos? Pueril no minimo,Mas é a minha opinião atenã

    “Em segundo lugar, porque não creio que existam actualmente condições políticas para a aplicação de um programa liberal “de choque” do género que o rr e outros imaginam e desejam. Penso que o rr se engana redondamente quando pensa que os eleitores do PSD e do CDS apoiariam sem reservas e sem falhas um programa deste tipo. As motivações deste eleitorado não são homogéneas, há para todos os gostos. Claro que ninguém deseja aumentos de impostos e que toda a gente concorda com cortes em despesas públicas inúteis e imorais. Mas ninguém aprova os cortes que afectam de algum modo o seu nível e qualidade de vida (todos querem saúde e educação gratuitas, combustível mais barato, empregos bem pagos na função pública, subsídios de férias e Natal, etc, etc). Os cortes são bons apenas quando tocam os outros, a começar pelos “políticos”. A verdade é que os cortes que poderiam ser mais ou menos consensuais teriam sobretudo um significado “moral” mas não resolveriam certamente o problema imediato das finanças públicas. No fim de contas, a parte mais realista e consequente do eleitorado PSD-CDS tem a noção, mais ou menos intuitiva ou racionalizada, de que, pelo menos nesta fase, o corte nas despesas tem os seus limites e o agravamento da fiscalidade é incontornável”
    E.. desiste-se de reformar o estado porque há uma casta, que vai ter de aprender a viver com os seus meios, e como a maioria dos nossos trabalhadores, de empresa privada,, e que essa casta vai fazer muita fanfarra e birras contra o governo?Governar é fazer escolhas:Ou a economia ou os funcionários publicos.Não são homogeneos, mas nesse eleitorado, são mais os que preferem reforma do estado do que os que preferem manter tudo e aumentar impostos.Não podemos ser eleitoralistas

    .
    Os cortes são bons apenas quando tocam os outros, a começar pelos “políticos”. A verdade é que os cortes que poderiam ser mais ou menos consensuais teriam sobretudo um significado “moral” mas não resolveriam certamente o problema imediato das finanças públicas.”
    É um questão de “cojones” de reformar, mandar e governar, não de brincar aos sindicatos.H+a critérios mais importante do que do consenso, e tanto o governo como o fernando estão a ser um pouco eleitoralistas.

    “eleitorado PSD-CDS tem a noção, mais ou menos intuitiva ou racionalizada, de que, pelo menos nesta fase, o corte nas despesas tem os seus limites e o agravamento da fiscalidade é incontornável. E a parte restante, mais “centrista” e bem menos estável e fiel no seu apoio aos partidos da actual coligação e ao seu governo, tende antes a protestar contra todo o plano de austeridade aproximando-se assim das oposições à esquerda (incluindo as dos sectores mais “sociais-democratas” e “democratas-cristãos” do PSD e CDS, respectivamente). Ou seja, como tenho dito, as alternativas políticas viáveis ao actual governo e ao actual padrão de austeridade situam-se mais à esquerda e apontam para saídas ainda mais iliberais. Assim sendo, não vejo nenhuma utilidade em estar a especular sobre a hipotética bondade de uma terapia liberal “de choque” para a economia portuguesa”
    Olhe que nao sei.Vejamos:pcp e be nao contam, e o ps e psd, podiam até ser o mesmo partido, se quer que lhe diga.Se me permite dize-lo, não ha diferenças substanciais entre o que socrates fez no ultimo ano,e o que este governo faz.Centrista parece-me a paula teixeira da cruz(veja o que ela disse) ou porque não o vitor gaspar.Não me diga que prefere um relvas a esses centristas
    Eu nao sou austriaco fernando.Apoio uma economia social de mercado, como a suécia e a dinamarca.

  59. Sara Fragoso

    A questão do sector público mal gerido tem a ver com um aspecto: a sua politização. Se não se aproveitassem as empresas públicas e o para colocação dos chamados “boys” poderem enriquecer e alcançarem posições a que nunca chegariam apenas pelos seus próprios méritos o problema não se colocaria ou teria uma dimensão completamente diferente. Veja-se o que se passa com as empresas familiares, quando o critério para a ocupação de determinados postos é a relação familiar e não a competência de cada um: a empresa não se sustenta.

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