No seguimento de É urgente expurgar o socialismo da constituição,
Paradoxo constitucional (2) de Adolfo Mesquita Nunes:
Não há ninguém que hoje não defenda cortes na despesa. Já é um avanço. Hoje sabemos que ter as contas em ordem é condição essencial para o crescimento. Hoje está claro que, quanto mais o Estado cortar na despesa, menos os contribuintes têm de pagar por ela.
É certo que, na hora de concretizar esses cortes, as opiniões começam a dividir-se de uma forma que favorece a indecisão. Assim que se anuncia um corte, logo aparece quem diga que o corte devia ser feito noutro lugar ou com outra proporção ou apenas depois de outros cortes ..
.. há que olhar para a composição da despesa pública. As despesas com a segurança social, a saúde e a educação constituem cerca de 75% dos encargos do Estado. As despesas com prestações sociais e salários correspondem a cerca de 70% dos encargos do Estado. Cerca de 70% dos gastos com educação ou com segurança e ordem pública prendem-se com salários. E note-se que as restantes áreas, as primeiras sacrificadas em qualquer política de contenção, estão já quase reduzidas ao seu mínimo (sofrendo cortes muitas vezes injustos), uma vez que os vários governos procuram preservar as áreas sociais e estão impedidos de resolver o problema pelo lado dos salários.
Isto não é ideologia. É a realidade a bater-nos à porta. E, se queremos cortes, temos de encarar a realidade de frente.