Lisboa à parte, o resto é decerto paisagem

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Anunciando a privatização da ANA em bloco, o Governo Português não atenta apenas contra o desenvolvimento económico de uma inteira região: o norte. Não desfere apenas uma machadada em qualquer noção de autonomia que poderia ter saído destes tristes anos de centralismo. O Governo vai mais longe. Propõe-se a travar o franco crescimento do turismo, colocando em cheque uma das suas bases – e quem sabe o que o destino reservará às low costs. Insiste em misturar a sua exemplar gestão do Aeroporto Francisco Sá Carneiro com outras menos eficientes, sustentando o Norte – como sempre o fez nas mais diversas áreas – os desvairos de Lisboa. E cai no erro comum deste estilo de privatizações: a criação de um Monopólio num sector que a competição poderia fazer prosperar. Para bem, não só da região Norte, mas do país em geral. Que lhes valha a sorte de já nem terem lata para enfeites coloridos como a ideia das Regiões Piloto – bem mais enterrada que a nossa economia.

PS: O PSD bem que podia tomar nota da infeliz ironia de despertar os espíritos regionalistas num atentado contra um Aeroporto que leva o nome do seu Fundador – um Regionalista convicto.

8 pensamentos sobre “Lisboa à parte, o resto é decerto paisagem

  1. Zé da esquina

    Há aqui demasiados erros factuais para deixar passar em branco:
    1 – Porque achas que a privatização em bloco trava o crescimento do Porto? Na verdade o crescimento do Porto (ou antes, o abrandamento do ritmo fantástico a que cresceu nos últimos 5 anos) vai acontecer seja qual for o modelo escolhido apenas pelo facto de que o motor de crescimento tem sido a Ryanair e a Ryanair pura e simplesmente não vai basear mais aviões no Porto o que significa que o crescimento de passageiros vai ser substancialmente mais lento
    2 – Porque achas que o aeroporto do Porto tem sido melhor gerido que Lisboa? Podemos com certeza afirmar que o Porto, com menos investimento, tem tido um crescimento muito maior em termos de passageiros mas isso não é necessariamente resultado de uma melhor gestão, mas antes de condicionantes muito mais favoráveis (p.ex.: localização que facilita o crescimento uma vez que o site de Lisboa é extremamente limitado, existência de uma base low cost – sendo que isto promove o crescimento em passageiros e não necessariamente em receitas, base de partida substancialmente menor). Na verdade eu acho que a gestão do aeroporto de Lisboa tem sido muito mais eficaz em tocar nalguns pontos negativos da operação, por exemplo na geração de receitas comerciais que são fracas no Porto
    3 – Porque falas num monopólio? Crês que o aeroporto do Porto pode ser um concorrente de Lisboa (e vice-versa)? O Porto nunca será um hub e Lisboa (leia-se Portela) nunca será um aeroporto adequado para low-costs. As limitações do próprio local e desenho definem-no. Assim sendo não vejo porque, num monopólio natural como aeroportos, não possa ser promovida a concorrência interna através de unidades de negócio autónomas (que existem) e gerir sim as sinergias que um pricing combinado do sistema pode gerar.

  2. «O Porto nunca será um hub e Lisboa (leia-se Portela) nunca será um aeroporto adequado para low-costs».

    Sim, é verdade que o modelo de privatização anunciado nunca o irá permitir.

  3. Pingback: A privatização da ANA e o fim da autonomia da gestão do aeroporto Sá Carneiro « O Insurgente

  4. Zé da esquina

    Eduardo, não tem nada a ver com o modelo de privatização! A portela nunca será adequado para low-cost porque tem custos que incompatibilizam alguma vez essa utilização. Ou achas que é por acaso que a Ryanair não quer estabelecer uma base na portela e é praticamente o único defensor sério de um Portela+1 (p.ex. no montijo)? Não podes operar a portela a cobrar as taxas baixas que uma operação low-cost a sério exige. (A easyjet tem um perfil diferente da ryanair)

    e o Porto não tem dimensão nem localização nem infra-estrutura para ser hub. Nem tráfego O&D suficiente para suportá-lo.

  5. Mário Amorim Lopes

    Compreendo a revolta, mas não a surpresa. Orçamentos regionais desequilibrados, QRENs, Administração Pública, centros de decisão, todos os ministérios, grandes obras públicas e um longo etc. têm sido concentrados em Lisboa. E quando o Porto, ou qualquer outra cidade do país, faz por si, vem a CML meter-se ao barulho, que nem o Redbull Air Race.

    Isto não é de agora e há muito que deveria ter terminado. Regionalização é urgente. Chega deste centralismo bolorento.

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