Os pobres são burros

É mais ou menos isso que os comentadores de esquerda estão a assumir quando dizem que o plano Crato corresponde a uma segmentação social da escola.

60 pensamentos sobre “Os pobres são burros

  1. João Branco

    É um facto que as taxas de aprovação na escolaridade obrigatória são fortemente correlacionadas com o nível de escolaridade e sucesso económico dos pais (isto mesmo sem contarmos com o facto de que as taxas são de aprovação são maiores nas privadas, a que os de menos recurso tem menos capacidades de acesso). Dizer isto não é o mesmo que afirmar que quem tem menos dinheiro é mais burro, mas é simplesmente afirmar que as oportunidades efectivamente iguais para todos não se conseguem simplesmente por todos terem (teoricamente) igual acesso à escola.

  2. Carlos Guimarães Pinto

    A relação existe, mas não é linear. E aqueles que, apesar do seu background social, conseguem ter boa performance, merecem as melhores condições de estudo. E essas condições de estudo dependem, e bem, da criação de um ambiente propício ao estudo que não inclua ter que partilhar a sala de aula com alguém que claramente necessite de um currículo alternativo (reprovar 2 vezes até ao 6º ano é um bom indicador disso). É ofensivo para os pobres achar que é normal os seus filhos reprovarem duas vezes em 6 anos. Não é.

  3. jhb

    O que é ofensivo é decidir que alguém por reprovar 2 vezes até ao 6º ano não merece mais que um emprego de canalizador (sem ofensa ao canalizadores, obviamente). Especialmente quando se sabe que são as condições sócio-económicas e do meio familiar que determinam principalmente o desempenho escolar.

    O que o governo vai conseguir é mesmo uma segmentação social da escola. E este post é de uma desonestidade intelectual de antologia.

    “A relação existe, mas não é linear”… Isto sim é fazer pouco do pobres e dos burros…

  4. lucklucky

    Já começam a haver alguns sinais contra o sacrifício e a destruição de muitos alunos com capacidade pela ideologia de esquerda que domina o ministério os sindicatos dos professores

    Ainda falta muito mais, não há razão para haver aulas de recuperação e não haver aulas de avanço.

    E é bom lembrar que os alunos pobres com capacidade são os mais prejudicados pela não discriminação.

  5. Pisca

    Uma pergunta e para os betinhos filhos de pais ricos como fazem ? Vão criar uns colégios para tratar do assunto ou arranja-se algo do tipo “equivalências”, para seguirem em frente ?

  6. A. R

    É ainda mais difícil encontrar uma ideia acertada na esquerda que um carro eléctrico a carregar nos milhares de postos espalhados pelo país pelos desvarios do exilado de Paris.

  7. Carlos Duarte

    Caro CGP,

    Normalmente não concordo consigo, mas neste caso foi “na mouche”. Pessoalmente, prefiro o modelo alemão (em que a “via de estudos” não é escolhida por chumbos, mas por exames) mas este é um passo no caminho certo.

    Caro jhb,

    Pois, disse tudo: “(…) não MERECE mais que um emprego de canalizador (…)”.

    O seu problema (e da esquerda) é um de status, i.e., um canalizador (ou um trolha, ou um torneiro, ou um outro trabalhador manual qualquer) é MENOS que um Ex.mo Sr. Prof. Dr. Eng., LOGO o Governo, ao direccionar alguém que MANIFESTAMENTE não tem capacidades para seguir um ensino científico para uma área técnica, está a desvalorizar essa pessoa.

    Não tem nada a ver com “merecimento”, ninguém “merece” um curso ou uma profissão. Merecem, sim, todos a OPORTUNIDADE de tentarem um curso ou profissão. Mas essa oportunidade depende das competências do próprio – se não as tem, é dever de quem o educa (seja a Escola do Cerco ou o Colégio N.Sr.a do Rosário) de direccionar essa pessoa para outra saída.

  8. fernandojmferreira

    Eu gosto especialmente da ideia da esquerda da “sem oportunidades iguais…”

    Aqui ha atrasado vi um video do Thomas Sowell em que ele dizia mais ou menos assim: “Eu e o Michael Jordan tivemos exactamente a mesma oportunidade de virmos a ser jogadores de basquetebol… A diferenca e’ que ele tem merito no basquetebol e eu nao…”

  9. A. R

    “as taxas de aprovação na escolaridade obrigatória são fortemente correlacionadas com o nível de escolaridade e sucesso económico dos pais” Falso ou mal contextualizado! Tem mais a ver com a educação que os pais dão: pais embora pobres mas de famílias unidas e sólidas capazes de dar um educação de rigor, exigência, esforço e responsabilidade conseguem igualmente bons resultados. As falhas familiares podem ser parcialmente colmatadas pelo rigor, exigência e autoridade na Escola.

    A Escola pública enfeudada a preconceitos ideológicos marxistas falhou neste último propósito.

  10. Ramone

    Uma coisa parece ser consistente. Queixam-se mais os ricos do que os pobres. É só ver os primeiros na tv a queixarem-se por tudo e por nada – com o gajo do Pingo Doce à frente de todos (poucos se queixam tanto como ele), já os pobres só de vez em quando lá alguém lhes pergunta alguma coisa.

  11. João Branco

    “Falso ou mal contextualizado! Tem mais a ver com a educação que os pais dão: pais embora pobres mas de famílias unidas e sólidas capazes de dar um educação de rigor, exigência, esforço e responsabilidade conseguem igualmente bons resultados.”
    É estatisticamente verdadeiro. Não é por haver exemplos de pais e filhos pobres que conseguem bons resultados que a afirmação deixa de ser verdadeira (estou a falar de correlações e de grupos, não estou a falar de casos individuais).

    “Eu e o Michael Jordan tivemos exactamente a mesma oportunidade de virmos a ser jogadores de basquetebol… A diferenca e’ que ele tem merito no basquetebol e eu nao…”
    O que é uma falácia. Os dois não tiveram as mesmas oportunidades, porque tem capacidades diferentes, tiveram educações diferentes e nasceram em tempos diferentes. Estatisticamente era muito pouco provável que um negro nos anos 50 fosse um jogador da NBA, por exemplo.

    Vamos a ver se nos entendemos: as oportunidades que cada um teve individualmente podem ou não ser aproveitadas (entre outras razões por diferenças individuais de capacidade e educação), mas se assumirmos que todos os grupos de pessoas tem capacidades agregadas equivalentes (do grupo, não cada individuo por si), não há razão para pensar que verdadeira igualdade de oportunidade não se deva traduzir em igualdade de resultados (de novo para o grupo). Ou seja, se virmos os grandes números, ou assumimos que os grupos tem capacidades diferentes ou ausência de resultados iguais significa diferença entre oportunidades. Isto é estatística simples, não é ideologia.

  12. “não há razão para haver aulas de recuperação e não haver aulas de avanço”

    Porque é que há de haver aulas de avanço? Os alunos mais inteligentes/interessados podem sempre ir a uma biblioteca buscar livros sobre matéria mais avançada e estudarem por eles; não é preciso estar a gastar recursos (salas, professores, etc.) adicionais com eles.

  13. Para o Joao Branco – Modifico, entao, para um exemplo que podera ser mais familiar para os portugueses: Os miudos que comecaram a jogar a bola com o Cristiano Ronaldo tiveram as mesmas oportunidades de serem futobolistas do que ele… A diferenca esta no talento…

  14. Aladin

    “Dizer isto não é o mesmo que afirmar que quem tem menos dinheiro é mais burro, mas é simplesmente afirmar que as oportunidades efectivamente iguais para todos não se conseguem simplesmente por todos terem (teoricamente) igual acesso à escola.”

    O facto é estatísticamente verdadeiro. E deve-se ( há estudos americanos que para aí apontam), muito mais ao que os pais fizeram 9 meses antes do nascimento, do que ao que fazem depois, eles, o sistema educativo, etc.

    Dito de outra maneira, os pais “ricos” são ( estatisticamente, falando), mais inteligentes ( por isso é que são mais bem sucedidos e, logo, mais ricos), A probabilidade de terem filhos mais inteligentes é maior.

    Isto em grandes números, claro. E deles não é lícito concluir que TODOS os filhos de ricos são mais inteligentes que TODOS os filhos dos pobres.

    As “oportunidades” são importantes, claro ( para aí 30%), mas o mais importante é aquela cadeia helicoidal….

  15. Aladin

    O raciocínio do João Branco é puramente ideológico e os factos e as explicações lógicas e razoaáveis ( relembrar a tesoura de Ockam) teimam em não se ajustar à sua tese.
    Onde está o gato? Na tese ou na realidade?

  16. Aladin

    “entre outras razões por diferenças individuais de capacidade e educação”

    Ah! Diferenças individuais, claro. E de onde é que elas surgem?

    Na verdade, estudos com gémeos verdadeiros apontam para a muito maior relevância ( no sucesso individual) destas “diferenças individuais” do que da influência do meio ( educação,oportunidades, etc)
    E isso é algo que todos os criadores de cavalos já sabem há milénios…..

  17. Aladin

    “mas se assumirmos que todos os grupos de pessoas tem capacidades agregadas equivalentes”

    Essa assumpção é puramente ideológica. Na realidade, os grupos de pessoas não têm capacidades agregadas equivalentes.
    Se agarrar em 10 000 jamaicanos e em 10 000 portugueses, aleatóriamente, aposto singelo contra dobrado que a média do tempo aos 100 metros dos jamaicanos, é significativamente superior à dos portugueses.

  18. jhb

    “Pois, disse tudo: “(…) não MERECE mais que um emprego de canalizador (…)”.

    O seu problema (e da esquerda) é um de status, i.e., um canalizador (ou um trolha, ou um torneiro, ou um outro trabalhador manual qualquer) é MENOS que um Ex.mo Sr. Prof. Dr. Eng., LOGO o Governo, ao direccionar alguém que MANIFESTAMENTE não tem capacidades para seguir um ensino científico para uma área técnica, está a desvalorizar essa pessoa.”

    Carlos Duarte,

    Se você OBRIGA um miúdo a ir aprender o ofício de canalizador porque tem más notas, está obviamente a dizer que acha ele não tem capacidade para mais e que por isso não merece mais, por mais que o miúdo queira ser médico ou astronauta.

    Como o desempenho escolar está ligado às condições económicas e sociais do meio familiar do aluno, os alunos em piores condições serão efetivamente IMPEDIDOS de seguir uma via de ensino que os leve a melhores profissões.

    Este governo está a transformar um sistema de ensino que deveria ajudar os alunos a ULTRAPASSAR as suas limitações, que, repito, são condicionadas maioritariamente por fatores socioeconómicos, num sistema que CASTIGA os alunos pelas suas limitações.

  19. Aladin

    “Como o desempenho escolar está ligado às condições económicas e sociais do meio familiar do aluno, os alunos em piores condições serão efetivamente IMPEDIDOS de seguir uma via de ensino que os leve a melhores profissões.”

    1º – O desempenho escolar está MAIS ( muito mais) ligado às aptidões inatas, do que ao meio.
    2º – A melhor profissão é a que cada um estiver apto a desempenhar. Há pessoas com aptidões para medicina e pessoas com aptidões para serralharia. O que define se uma é “melhor” que a outra é o mercado. Actualmente, um bom serralheiro até pode ganhar mais que um bom engenheiro. Se um indivíduo com boas capacidades para arquitectura, for desaguar em medicina, provavelmente será um mau medico. E vice-versa.
    3º -Se regar todas as plantas com a mesma quantidade de água e lhe der os mesmos nutrientes. a colheita será má. Há plantas para as quais a água chega, outras para quais não chega, outras para as quais é excessiva. O mesmo com as pessoas.

    Enfim, veja-se o caso suiço: os miudos vão sendo crivados em termos de aptidões e capacidades logo no 1º ciclo. E encaminhados para o tipo de ensino adequado às suas aptidões vocacionais. As portas não se fecham, cada indivíduo pode dar a volta aos testes, mas o sistema assegura que se formam bons médicos, bons engenheiros, bons carpinteiros, bons serralheiros, etc.
    E ser um bom agricultor é pior do que ser um bom médico? Porquê?

    O nosso actual sistema de ensino é mais ou menos assim:

    -Os bons alunos vão para medicina, engenharia, etc
    -Os alunos a seguir vão para gestão, direito, etc, e acabam a mandar nos primeiros
    -Os alunos medíocres vão para ciência política, são eleitos e mandam nos anteriores
    -Os maus alunos vão para a economia paralela, exploração de casinos, trafico de drogas, crime organizado, clubes de futebol, sucateiros, etc, e acabam a mandar nos outros todos.

  20. APC

    Ah, o belo do “dumbing down”… este último comentário espelha o título do post em todo o seu esplendor…

  21. João Branco

    Aladin, leia o que eu disse:

    “ou assumimos que os grupos tem capacidades diferentes ou ausência de resultados iguais significa diferença entre oportunidades”.

    No seu caso, como explicita acima, assume que os grupos tem capacidades diferentes (i.e., “Os pobres são burros” como diz o titulo). A alternativa, provada pelos resultados estatísticos, é que mesmo que não tenham capacidades diferentes, os pobres serão mais afectados pela ausência de oportunidades iguais.
    Logo, o pressuposto aceite não afecta o resultado: mais pobres serão levados para os cursos técnicos que do que ricos (segmentação social).

    Agora perante isto, pode-se ainda argumentar que é um preconceito afirmar que os cursos técnicos são “inferiores” ao ensino superior. Mais uma vez a estatística mostra que em todo o mundo, e particularmente em Portugal, ter um curso superior vai em média levar a melhores remunerações durante a vida activa. Logo, pelo menos por esta perspectiva, o mercado valoriza mais os cursos superiores do que os cursos técnicos.

    Por favor, indique-me onde está a visão “puramente ideológica” nas afirmações anteriores.

  22. jhb

    “Há pessoas com aptidões para medicina e pessoas com aptidões para serralharia. ”

    Ok. E quais são as aptidoes para medicina e para serralharia? É que parece que isso está tabelado algures…

    “O que define se uma é “melhor” que a outra é o mercado.”

    Mas não era a aptidão da pessoa que define o que é a a melhor profissão?

    “Se um indivíduo com boas capacidades para arquitectura, for desaguar em medicina, provavelmente será um mau medico”

    Ok. A próxima vez que for a um médico, antes que tudo, pergunto-lhe se tem jeito para o desenho.

  23. Carlos Duarte

    Caro jhb,

    E está Vc. de novo: porque carga de água é que ser, sei lá, advogado é melhor que ser canalizador? Vc. enferma do erro que, por estudar mais, irá ter uma melhor profissão.

    Se se analisar a população num todo, isso é verdade: melhores qualificações EM MÉDIA resultam em maiores rendimentos EM MÉDIA ao longo da vida. Mas o que a média não lhe diz é se para o sujeito “x” ter mais qualificaçõe ou menos (ou ser advogado ou canalizador) resultará em maior rendimento.

    E sim, o miúdo pode querer ser médico ou astronauta ou astrofísico ou prémio Nobel da Literatura, mas se não tiver as CAPACIDADES para tal, não o vai ser… por mais que queira. Da mesma maneira que se quiser ser o Ronaldo (para usar o exemplo do fernandojmferreira), por mais que treine e corra, se não tiver CAPACIDADES para tal, não o vai ser.

    As pessoas (e a Esquerda, por ideologia) confundem igualdade de OPORTUNIDADES com igualdade de RESULTADOS: a escola pública deve, dentro do possível, garantir aos alunos as mesmas OPORTUNIDADES. Os RESULTADOS dessas oportunidades, no entanto, dependeram da capacidade (inata e não só) do aluno.

    Pegando no seu exemplo do médico, a escola garante, à entrada do 1º ano do ensino, que TODOS os alunos têm igual OPORTUNIDADE de, após 12 anos de ensino básico e secundário mais 6 anos de ensino superior, se formarem em Medicina. O que o Estado não pode é garantir que todos os alunos se irão formar em Medicina (por várias razões sendo a mais óbvia que não é do interesse à Sociedade ter médicos incapazes).

    Isso dos factores socioeconómicos ser o principal factor de sucesso escolar é treta, e se Vc. perguntar a qualquer professor ele dir-lhé-á isso mesmo. Tem peso? Tem, especialmente no que diz respeito às condições que aluno tem em casa para estudar. Mas depende MUITO da capacidade intelectual do aluno e, passo a expressão, se o mesmo for como uma porta não lhe adiantará nada ter pais pobres ou ricos (salvo ir parar à Lusófona ou à Independente, é claro).

  24. Carlos Duarte

    Caro João Branco,

    “No seu caso, como explicita acima, assume que os grupos tem capacidades diferentes (i.e., “Os pobres são burros” como diz o titulo). A alternativa, provada pelos resultados estatísticos, é que mesmo que não tenham capacidades diferentes, os pobres serão mais afectados pela ausência de oportunidades iguais.
    Logo, o pressuposto aceite não afecta o resultado: mais pobres serão levados para os cursos técnicos que do que ricos (segmentação social).”

    E as oportunidades não são iguais no ensino público? Agora, não me diga que um aluno que faz 9 anos sem chumbar tem as mesmas capacidades que um que chumba 3 anos, na mesma turma e escola!

  25. Nunes

    Conheço alguns bons engenheiros que neste momento seriam canalizadores. Quem perde com isso é a sociedade… e o mercado!

  26. Carlos Duarte

    “Ok. E quais são as aptidoes para medicina e para serralharia? É que parece que isso está tabelado algures…”

    Isso não se “tabela”, mas uma das aptidões para a medicina é capacidade intelectual que é avaliada por meio de exames e frequência do ensino. Alguém que chumba 3 anos e salvo casos MUITO específicos, NÃO possui essas aptidões (e é absolutamente cruel passar a ideia que as possui) pelo que não me parece nada desajustado que o Estado procure alternativas em que a pessoa seja, de facto, mais apta.

    Mas dou-lhe um exemplo: eu fiz o meu preparatório e secundário numa escola (à altura) de “província”, em que era normalíssimo ter colegas que desistiam aos 16 anos para irem trabalhar “para as obras”. A grande maioria deles QUERIA ir para as obras, queria ser trolha ou pedreiro ou electricista. O que eles NÃO queriam (e os obrigavam) era a ficar na escola, a aprender a Batalha de Aljubarrota e reacções ácido-base. Não punham os pés nas aulas, fugiam à GNR (que andava atrás deles para os trazer para a escola) e muitos deles, em vez de aproveitarem esse tempo a serem formados no que queriam ser, em ambiente adequado, formavam-se “às escondidas”, nos biscates, sem segurança.

    “Mas não era a aptidão da pessoa que define o que é a a melhor profissão?”

    Errr, não. A aptidão define qual a melhor profissão para uma pessoa, o mercado qual a profissão com melhor remuneração. Coisas diferentes.

  27. Carlos Duarte

    “Conheço alguns bons engenheiros que neste momento seriam canalizadores. Quem perde com isso é a sociedade… e o mercado!”

    Vc. conhece bons engenheiros que chumbaram 3 anos entre o 5º e 9º anos???? Agradecia a indicação de tais luminárias!

  28. jhb

    Caro Carlos Duarte,

    As capacidades que você fala, exceto em casos extremos, não são determinadas à nascença, ou não principalmente. Aliás, parece-me inteiramente razoável esperar que a diferença entre um bom aluno e um aluno medíocre seja o resultado das circunstâncias da vida escolar dos alunos.

    Aliás não entendo o discurso da direita que por um lado insiste em que o sucesso escolar é em grande medida determinado por capacidades inatas e imutáveis de aprendizagem e por outro lado insiste em separar os bons dos maus alunos, para que os últimos não prejudiquem os primeiros, o que contradiz o pressuposto das capacidades fixas, independentes e insensíveis às condições da escolaridade dos alunos.

    Se um bom aluno pode ser prejudicado por não ter as condições adequadas de aprendizagem, um mau aluno não pode ser beneficiado por condições favoráveis?

  29. Carlos Duarte

    Caro jhb,

    “Se um bom aluno pode ser prejudicado por não ter as condições adequadas de aprendizagem, um mau aluno não pode ser beneficiado por condições favoráveis?”

    Uma coisa são condições de aprendizagem, outra coisa é capacidade de aprendizagem. A intersecção desses dois factores resulta na aprendizagem efectiva por parte do aluno.

    Vamos imaginar que os alunos são pilotos de carros: um é um piloto de um Porsche e o outro um de Land Rover. O sistema actual de ensino equivale a dizer que todos os carros são bons é para corrida em pista. Logo, os pilotos apenas treinam em pista MAS o treino tem de ser igual. Como o Land Rover tem dificuldade em andar acima de 120 km/h e curva mal, apenas treinam em estradas estreitas e rectas (para o piloto do Land Rover não se sentir mal). Resultado: fica com um piloto com carro para competição em pista que não sabe curvar e outro piloto com carro SEM capacidade de competição em pista.

    Imagine agora que, em vez disso, o Porsche ia treinar para uma pista DE ACORDO COM AS SUAS CAPACIDADES e o Land Rover ia treinar todo o terreno (sei lá, para o antigo Dakar). O resultado final é que ficaria com um bom piloto de pista e um bom piloto de todo o terreno.

  30. Nunes

    trabalhar na vinha, nos campos, duas horas de autocarro pra ir à escola. admira-se de para esse exemplo haver chumbos? eu admiro-me é de haver passagens! chumbar é indicador de capacidades intelectuais?

  31. Aladin

    Assentemos nalguns pontos:
    A chamada inteligência geral, (g), que resulta da medida de várias habilidades cognitivas (WAIS-III) , tem uma natureza biológica, é incontornável e depende do próprio hardware do cérebro.
    É ela a maior responsável pelas elevadas correlações positivas entre as diferenças individuais e aprendizagem.
    As diferenças individuais nos chamados testes de inteligência, por exemplo, derivam da base genética, adquirida por hereditariedade, e das diferenças ambientais, que são importantes, mas menos.
    Estudos com gémeos monozigóticos, dizigóticos e crianças adoptadas, permitiram extrair conclusões sólidas e aferir correlações significativas.
    Em crianças, a base genética apresenta correlações na casa dos 0,5 com o QI, e em adultos essa correlação chega aos 0,8.
    São correlações elevadas.
    Entre gémeos monozigóticos criados separadamente, as correlações chegam aos 0,78 (estudos europeus e americanos .)
    Por sua vez, as correlações entre crianças geneticamente não relacionadas, mas criadas juntas em famílias adoptivas, atingem o máximo de 0,2 (estudos americanos)

    Estes resultados provam inequivocamente que:
    1: o factor genético, cujo imprimatur é feito no momento da fecundação, é o mais importante.
    2: o meio não é despiciendo, principalmente na infância.
    3.Os pares de gémeos verdadeiros que passam a vida separados, apresentam um factor g quase igual ao dos que estão juntos (correlações de 0,76 e 0,78, respectivamente, ver Prof Ian Deary)

    É evidente que o ambiente cultura e familiar tem também um efeito significativo nas habilidades intelectuais das pessoas e vice-versa. Pessoas de QI elevado ficam mais tempo na escola do que pessoas de baixo QI. Escolas com mais desafios e bons programas de ensino, tendem a ser frequentadas por indivíduos com maiores QI’s.
    A má nutrição prolongada, escolas fracas, exposição a metais pesados, o abuso do álcool e do tabaco pelas mães durante a gravidez, etc., contribuem também para baixar o QI.
    Em suma, a acção do gene processa-se num ambiente, pelo que é importante criar condições nas quais cada indivíduo, independentemente de sua origem familiar ou social, tenha uma oportunidade para atingir ou realizar todas as suas capacidades inatas.
    Mas há que entender que estas são diferentes, os resultados estão viciados à partida pela lotaria biológica, e não há encarar este assunto como um tabu.
    Eticamente condenável não é reconhecer que as pessoas são biologicamente diferentes mas sim descriminá-las negativamente em função dessa diferença e nos aspectos em que ela nada tenha a ver com o caso.
    Faço esta ressalva, porque há casos em que a descriminação é útil.
    Se, por exemplo, um comandante militar, para uma operação nocturna tiver de optar entre soldados de pele negra e pele branca, sendo tudo o resto igual, obviamente escolhe os de pele negra, que, à partida, têm uma vantagem natural em termos de camuflagem.

  32. lucklucky

    “Porque é que há de haver aulas de avanço? Os alunos mais inteligentes/interessados podem sempre ir a uma biblioteca buscar livros sobre matéria mais avançada e estudarem por eles; não é preciso estar a gastar recursos (salas, professores, etc.) adicionais com eles.”

    1 – que mais direito têm os alunos fracos aos recursos que os bons, a não ser pela ideologia igualitária que sacrifica os alunos com capacidades?

    2 – os aluno com capacidades ao estarem nas aulas em que correm o risco de perder o interesse não estão a “gastar recursos”? Ainda mais porque não estão a aproveitar nem a ser aproveitados?

    3- onde está escrito que o sobreinvestimento nos alunos fracos não é pior e este não deveria ser nos bons – aqui obviamente volta o problema 1 invertido, mas uma vez que você defende o sacrifíco dos alunos com capacidades em nome do igualitarismo a desigualdade de investimento não o chocará…

    4- E finalmente o corolário de toda a sua ideologia, o Ensino Publico é obrigatório, logo um aluno não pode ir para a biblioteca aprender, não pode ter um tutor. Não vale nada porque não vai fazer testes – não existem, não vai discutir sobre o que aprendeu porque não tem ninguém. A Escola está desenhada para a mediocridade em nome da igualdade. E é só uma.

    Quem não ouviu um professor dizer de um aluno: “aquele se não estivesse neste ambiente talvez pudesse ir longe.”?

    É o igualitarismo de um sistema de ensino que não tolera a diferença nem concorrência – as privadas não são concorrentes, para começar têm de seguir o currículo do Kremlin da 5 de Outubro- , que cobra mais e mais impostos prometendo a prosperidade e riqueza tem como resultado um país que não cresce há mais de 10 anos.

    Como a Esquerda e Direita Sociaalista não aceitam concorrência, temos uma educação de casino, os recursos são todos colocados no mesmo cesto, se falha, o falhanço é geral. Foi o que aconteceu.

  33. Carlos Duarte

    “33.trabalhar na vinha, nos campos, duas horas de autocarro pra ir à escola. admira-se de para esse exemplo haver chumbos? eu admiro-me é de haver passagens! chumbar é indicador de capacidades intelectuais?”

    Durante o preparatório, um dos melhores alunos da minha turma era desses. E não, não chumbava. Era mais díficil? Concerteza. Se as condições em casa fossem melhores, teria ainda melhor notas? Não dúvido. Mas o GROSSO da sua capacidade estava lá e era demonstrada, com trabalho “no campo” e tudo.

  34. Rui Silva

    Em relação ao tíulo ” Os pobres são burros ” não me parece verdadeiro,
    no entanto se título fosse ” Os burros são pobres ” penso que concordaria , uma vez que a inteligencia é uma caracteristica intrinseca do individuo, enquanto que a formação académita é uma caracteristica extrinseca.
    Parece-me fazer sentido que as pessoas inteligentes consigam melhores resultados que as menos inteligentes.

    rui Silva

  35. jhb

    “as privadas não são concorrentes, para começar têm de seguir o currículo do Kremlin da 5 de Outubro”

    Ensinemos o Criacionismo e a Teoria da Evolução e os alunos depois que escolham em qual acreditar, não?

  36. João Branco

    Carlos Duarte: “E as oportunidades não são iguais no ensino público?”

    De acordo com os resultados obtidos e com a visão de que a prova de oportunidades iguais são os resultados iguais, obviamente não.
    Se incluir factores genéticos como diferenciadores e totalmente explicativos dos resultados diferentes, está a dizer que existe uma predisposição genética para ser pobre que é transmitida hereditariamente (a hipótese eugénica). Se considera que existe uma mistura dos dois factores, ainda assim terá de concluir que as oportunidades efectivas não são iguais porque ainda assim como indica, os gémeos idênticos são afectados pelo meio e o efeito eugénico mantém-se.

    Em qualquer destes casos, os pobres serão levados maioritariamente a cursos técnicos, com aumento da segmentação social e a consequente perpetuação (e mesmo o aumento) das desigualdades.

    Dependendo da posição individual de cada um, este resultado pode ser considerado desejável, indesejável, ou um “custo necessário” para permitir melhor condições de ensino (que irá beneficiar principalmente os que já tem capacidades e recursos).

  37. Carlos Duarte

    “De acordo com os resultados obtidos e com a visão de que a prova de oportunidades iguais são os resultados iguais, obviamente não.”

    O erro está aí mesmo. Para oportunidades iguais os resultados NÃO SÃO iguais. Para oportunidades iguais e individuos com as mesmas capacidades, aí sim, os resultados devem ser SEMELHANTES (não iguais, devido aos factores exteriores ao indíviduo).

    “Se incluir factores genéticos como diferenciadores e totalmente explicativos dos resultados diferentes, está a dizer que existe uma predisposição genética para ser pobre que é transmitida hereditariamente (a hipótese eugénica). Se considera que existe uma mistura dos dois factores, ainda assim terá de concluir que as oportunidades efectivas não são iguais porque ainda assim como indica, os gémeos idênticos são afectados pelo meio e o efeito eugénico mantém-se.”

    Não, não estou. Estou a dizer (eu e o Aladin) que existe uma predisposição genética para certo tipo de capacidades, sejam intelectuais (que é o cerne desta discussão) sejam físicas (olhe para os 100 e 200 m nas Olimpiadas). Pode-se discutir depois qual a relação (e se existe correlação e causalidade) entre certo tipo de capacidades inatas e a capacidade financeira mais tarde na vida.

    Ninguém aqui disse que o meio não afecta o desempenho dos alunos, mas sim que o meio NÃO É o principal factor, mas antes a capacidade do aluno.

    Mais, acho que esta discussão desviou-se para assuntos complementares mas não directamente relevantes. A questão que se põe é se alguém com 3 chumbos tem capacidade para prosseguir estudos “intelectualizados” ou se deve ser encaminha para um ensino mais “técnico” ou “prático”. A minha opinião é que alguém que chumba 3 vezes entre o 5º e o 9º ano NÃO TEM – até mais ver e existe a possibilidade de regressar ao ensino não-vocacional por exame – capacidade para (e usando exemplos do jhb) ser “médico ou astronauta”.

    Se essa capacidade se deve a fatores inatos ou adquiridos, é absolutamente irrelevante. O Estado deve garantir igualdade de acesso dos cidadãos aos serviços por si prestados e serviços iguais para situações iguais. O que não pode (nem deve tentar) é fornecer RESULTADOS iguais, porque isso não depende (só) do Estado.

  38. rr

    Carlos Duarte e Aladin, que me dizem deste texto do andré macedo, do dn? Acho que responde bem as vossas teses?
    ministro da Educação quer desenvolver o ensino vocacional. Muito bem. Como seria bom que os estudantes pudessem escolher formações técnicas capazes de lhes transmitir (também) um saber profissional. Como seria excelente que estes cursos respondessem (também) às necessidades do mercado de trabalho. Como seria bom que não se desperdiçasse recursos atirando para cursos superiores pessoas que não os querem fazer. Já se pensou no tempo que poderíamos poupar? Na inteligência, energia e talento que um plano assim libertaria? Aposto que seríamos um país mais feliz e competitivo.

    Mas se é assim tão evidente, porque nunca se deu este passo como deve ser? Porque será que a concretização se revela tão difícil? Porque será que as famílias e os alunos evitam esta escolha? A resposta está no projeto macabro de Nuno Crato. De acordo com o ministro, quem irá para estes cursos? Ora bem, além dos voluntários – coitadinho, tem 14 anos, mas não dá para mais… -, os que chumbarem duas vezes no ensino secundário também têm o destino traçado. É um castigo: és uma besta, vais já para jardineiro; sim, terás mais uma oportunidade para voltar ao ensino regular, mas para já ficas-te por aqui. Depois, se passares os exames do 9.º ou 12.º anos, logo veremos.

    Não há dúvida: se a via profissional é apresentada como uma punição, é lógico que poucos – entre os bons e talentosos – quererão juntar-se a este gueto onde a qualidade será ridiculamente baixa. É lógico que só as famílias mais pobres ou desinformadas aceitarão este afunilamento precoce, cruel e estúpido das perspetivas. Os outros nem por um segundo pensarão em seguir este caminho (a segunda divisão!) que o próprio Governo se encarrega à partida de desvalorizar. O que isto revela de Nuno Crato é apenas um terrível cheiro a naftalina.

    Na Alemanha, pátria do ensino vocacional, ninguém é chutado da “escola regular”. Não se fecham portas. Não se elevam barreiras aos 14 anos em lado nenhum do mundo civilizado. Avaliam-se competências, oferecem-se alternativas. Não se apressam escolhas à reguada. A ligação às empresas é uma das maneiras de fazer isto com algum êxito: são as associações de empresários que, na Alemanha, ajustam a oferta de cursos profissionais às necessidades do mercado. Não há rigidez, há flexibilidade e oportunidade – a oportunidade de, na idade adequada, estagiar numa empresa. É por isso que 570 mil alunos alemães se inscreveram nestes cursos em 2011, contra os 520 mil que preferiram a universidade. Não foi porque lhes enfiaram orelhas de burro na adolescência.

    Nuno Crato vive preocupado em exibir autoridade. Quer chumbar, punir, travar. Vê a escola como um centro de exclusão, não como espaço de desenvolvimento de competências sociais, culturais e técnicas – com regras, competição e exigência. Não tem um plano educativo desempoeirado: sofre de reumatismo ideológico. Engaveta os alunos. Encolhe o País. Reduz a riqueza. É matemático

  39. Carlos Duarte

    Caro rr,

    Eu li o artigo e o André Macedo “espetou-se” (à grande) na comparação com a Alemanha.

    Na Alemanha existem exames entre os diversos anos de ensino (para além de recomendações vocaionais) e dependendo dos resultados, os alunos candidatam-se às escolas que pretendem. Os melhores tendem a ir para aos Gymnasiums e os piores acabam nas Hauptschulen ou Gesamtschulen. Em teoria, todos podem ir para a Universidade, mas estas restringem o acesso aos melhores. Como exemplo – e acho que isso mudou – a Universidade de Dortmund, para Engenharia Química, pedia Latim como disciplina de acesso. Resulado? Só os provenientes de Gymnasiums lá iam parar (fora concursos especiais).

    O ensino vocacional “aparece” nas Hauptschulen de forma introdutória e só se desenvolve após terminar o curso de ensino (o equivalente ao final do nosso 9º ano), em escolas técnicas. A ideia que “não se fecham portas” é completamente descabida: é muito, mas muito díficial a alguém numa Hauptschule entrar na Universidade sem “passar” pelo Gymnasium.

    Mais, existe um factor (que é tocado ao de leve no texto) que conta muito: alguém com uma formação técnica é reconhecido e dado valor como tal. Um canalizador é tão importante como um jurista. Não exite a mentalidade “de cá” de uns serem melhores que os outros.

  40. lucklucky

    “Ensinemos o Criacionismo e a Teoria da Evolução e os alunos depois que escolham em qual acreditar, não?”

    E?
    Não se fala do Marxismo e Comunismo na Escola Publica? O Comunismo matou e mata muitos mais que o Criacionismo.
    Por exemplo fazer publicidade ao tabaco é proibido, ao comunismo não é.
    Explique a razão?
    Como a Liberdade é mais importante e a competência das pessoas deve estar a ser sempre testada – pois o teste permanente diminui o grau das bolhas especulativas deve haver liberdade quer do comunismo, criacionismo ou qualquer outro ismo.
    Se quiser fazer uma escola comunista deve ter total liberdade para o fazer..Tal como publicidade ao tabaco, ao criacionismo ou qualquer outra ideia.

    Mas as ideias estatistas, salazaristas e comunistas continuam em força…

  41. rr

    carlos, onde é que viu o espalho do andré?
    Já agora, encontrei outro artigo complementar ao do andré, sobre o mesmo assuntoCom um pormenor importante: é escrito por alguém residente na alemanha.Portanto, poucas duvidas para se duvidar:

    há coisa que me irrita nos colunistas portugueses é a sua habilidade de estragar boas análises e críticas contundentes, com as quais eu tenderia a concordar, com um tratamento muito pouco rigoroso dos factos e exemplos que mencionam.

    Este texto, hoje tão celebrado por essa internet fora, é mais um exemplo do mesmo – a análise é boa, a crítica é justa, a segunda parte é ou ignorância ou é demagogia. E, com um acesso tão facilitado à informação como aquele que temos hoje em dia*, não sei se há uma verdadeira distinção entre ignorância e demagogia – são duas facetas diferentes do vale-tudo argumentativo e da falta de exigência e honestidade intelectuais que tornam possível o triunfo dos Nunos Cratos desta vida.

    (*os relatórios da OCDE por exemplo podem ser lidos em várias línguas e são muito claros quanto às consequências da separação das vias de ensino e aos resultados de diferentes modelos de separação das vias de ensino, independentemente da sua permeabilidade. No caso específico da Alemanha, o país da OCDE que em conjunto com a Áustria separa as crianças mais cedo, aos 10 anos, os números reais da permeabilidade entre vias de ensino são irrisórios, a desigualdade é preocupante e os indicadores sugerem uma muito reduzida mobilidade social, com muito poucas crianças cujos pais não tinham formação universitária a frequentarem cursos superiores – em 2012 mais de dois terços dos estudantes universitários alemães eram filhos de pais com educação superior e só 2% vinham de agregados familiares cujos pais tinham apenas concluído uma educação profissional ou a Hauptschule, a menos exigente das três vias de ensino. É este sistema que André Macedo pinta de cor de rosa como o paraíso do ensino vocacional)

    Intenções de Rita Maria às 17:09

    E já agora carlos, o link:
    http://infernocheio.blogspot.pt/2012/08/a-galinha-da-vizinha.html

  42. Carlos Duarte

    Caro rr,

    Agradeço o link e sugiro-lhe que leia o texto e comentários de novo. O espalhanço está lá descrito (em resumo, o sistema alemão NÃO É como o André o descreve. É um sistema rígido, com pouca mobilidade – basicamente à base de exames).

  43. Aladin

    Caro RR, a filosofia do projecto do Nuno Crato é, muito parecida com o sistema suíço. Embora não tão arrojada…
    Ora investigue o sistema educativo suiço e terá uma epifania…

  44. Aladin

    “No caso específico da Alemanha, o país da OCDE que em conjunto com a Áustria separa as crianças mais cedo, aos 10 anos, os números reais da permeabilidade entre vias de ensino são irrisórios, a desigualdade é preocupante ”

    É, os alemães estão mesmo mal, como se sabe. Com um sistema tão mau e tão desigual, têm muito que aprender com o nosso sucesso.

  45. Carlos Duarte

    “É, os alemães estão mesmo mal, como se sabe. Com um sistema tão mau e tão desigual, têm muito que aprender com o nosso sucesso.”

    Eheheheheh

  46. 35 – Mas se os bons alunos não precisam de aulas de avanço, já que podem aprender sozinhos (e eu falo por experiência própria – era um dos melhores aluno nas turmas em que andei e nas disciplinas que me interessavam, como ciências e história andava sempre uns 3 anos à frente do programa por coisas que estudava por mim, sem precisar de aulas para nada), qual é o beneficio de gastar recursos com eles? E mais, onde é que eles são “sacrificados” (seriam sacrificados se eles precisassem de aulas, mas creio ter demonstrado que não precisam).?

  47. Há, um ponto que eu deveria ter frisado – eu sou contra a obrigatoriedade dos alunos com aproveitamento assistirem a aulas. Creio que isto altera um pouco os termos do problema.

  48. “Não se fala do Marxismo e Comunismo na Escola Publica? O Comunismo matou e mata muitos mais que o Criacionismo.”

    Não sabia que as ideologias tinham granadas e matavam. Será isto criacionismo histórico?

    “(…)eu sou contra a obrigatoriedade dos alunos com aproveitamento assistirem a aulas.”

    Eu também tenho simpatia por essa ideia.

    Algo muito aconselhável de se ver e, principalmente, reflectir:

    “A Educação Proibida” é um documentário que questiona a lógica da escola moderna e a forma de como compreender a educação, tornando visíveis as diferentes experiências educacionais não convencionais que colocam a necessidade de um novo paradigma educacional.

    O documentário pretende alimentar reflexões e debates sociais sobre as bases que sustentam a educação actual, promovendo o desenvolvimento de uma educação integral centrada no amor, no respeito, na liberdade e na aprendizagem.”

  49. Aladin

    “Mas se os bons alunos não precisam de aulas de avanço, já que podem aprender sozinhos (e eu falo por experiência própria ”

    Um argumento bastante fraco, MM.

    É um desperdício gastar muito tempo a aprender coisas que se podem aprender em pouco tempo, com orientação. É por isso que até o MM teve de ser ensinado a ler, a escrever, etc.
    Talvez lá chegasse por si mesmo, mas certamente levaria muito tempo, tempo que lhe faltaria para aprender outras coisas.
    Por outro lado, uma coisa é a capacidade de apreender novos conhecimentos, outra é a vontade de o fazer, ou a capacidade de o fazer de um modo optimizado e coordenado.
    É por isso que os sobredotados necessitam de desafios e estímulos certos. Alguém que os guie na floresta do conhecimento. Têm eles muito a ganhar e têm a sociedade muitissimo a ganhar. De facto são estas pessoas os game changers, aqueles nos quais o investimento tem maior potencial de rentabilidade.
    Em termos puramente contabiliisticos, faz todo o sentido investir mais nestes do que nos menos dotados.
    O sistema actual, assente na correcção política ( marxismo cultural), é puramente moralista: de um lado os “fracos e oprimidos”, de outro os “fortes e opressores”. E a procura da “igualdade” leva a que se rebaixem os fortes e se elevem os fracos. É pura ideologia.
    Tem algumas vantagens em termos de coesão social mas, à la longue, conduz à mediocridade e à falta de rasgo, tudo se dissolvendo numa grande e decadente mediania que, Spengler dixit, não resiste ao tempo.

  50. professor

    Os filhos de pobres não são necessariamente burros . Mas os burros , filhos de pobres ou de ricos , sobretudo os indisciplinados, devem ser excluídos (ad minus , da turma – o que hoje é difícil por razões financeiras…) da Escola e serem obrigatoriamente inscritos em Escolas profissionais com elevado grau de ocupação .Mas se hoje não existe uma industria que os absorva , têm pelo menos uma hipótese de emigração mais digna … para alem das evidentes vantagens sociais …
    Tudo o resto não passa de tretas ideológicas que não dão pão a ninguém …

  51. 52 – acerca do seu argumento, talvez se aplique algumas das coisas que escrevi neste post

    http://ventosueste.blogspot.pt/2010/09/ha-prejuizos-sociais-na-educacao-ii.html

    “Em termos puramente contabiliisticos, faz todo o sentido investir mais nestes do que nos menos dotados.”

    Para isso seria necessário demonstrar que o valor acrescentado de investir nestes é maior do que de investir nos menos dotados (note o “acrescentado” – se o mesmo investimento fazer alguém passar do nivel 18 para o nivel 20 ou alguém passar do nivel 1 para o nivel 9, o valor acrescentado parece-me maior no segundo; e quando falo em “níveis” não estou necessariamente a falar em notas, estou apenas a tentar quantificar o output da aprendizagem)

  52. 53 – e acha que um aluno indisciplinado de uma escola profissional deve ser excluido da turma e inscrito obrigatoriamente numa escola via de ensino?

    Digo desde já que não tenho nada contra o ensino profissional (tenho sentimentos divididos sobre se deve começar aos 15 anos – como penso que é hoje – ou se deveria começar aos 12 – como penso que era antigamente)

  53. professor

    55. MM .
    Acha que um aluno indisciplinado o é mais numa Escola Profissional do que numa escola de que escola apenas tem o nome ?
    (N.B. Só não fui “professor primário” , que apesar de tudo admiro bastante…)

  54. Mariana

    Se bem me lembro, o vosso Filipe Faria defendia num poste, há uns tempos, que diferentes estudos revelavam diferenças biológicas hereditárias, manifestando-se nos QI’s dos indivíduos, que tinham um peso fantasticamente grande, mesmo determinante, no estatuto sócio-económico de cada um. Ai, ai, se hipocrisia pagasse imposto,,,

  55. Aladin

    MM, a bengala dos “níveis” é sua. Na vida real não existem. O que lhe disse é que são os indivíduos mais dotados que criam novos paradigmas, inventam coisas, mudam as regras do jogo e fazem surgir valor onde ele não existia. Nem todos, claro, mas em termos estatísticos é assim mesmo. 100 génios a trabalhar, produzem, provavelmente, mais ideias novas e potencialmente benéficas do que 100 tarolos. É cartesianamente evidente, não precisa de demonstração.
    No desbravar do conhecimento, todos os indivíduos necessitam de orientação. Mesmo os mais dotados ganham com isso, porque existem sobre uma montanha de conhecimento acumulado e para chegar ao hedge desse conhecimento, necessitam tempo. Menos, se forem encaminhados, mais se descobrirem o caminho por si mesmos.

    Uma vez no limiar do conhecimento, então sim, estão entregues a si mesmos, estão a fazer caminhos novos, a acrescentar conhecimento à montanha.

    Mas do que estamos a falar é do ensino pré-universitário, aquele onde as pessoas absorvem o conhecimento que existe e outros criaram.
    E nesta nível parece do mais elementar bom senso que os mais dotados sejam levados à maior velocidade possível até ao topo da montanha.
    É aliás por isso que determinados indivíduos ( não estou a falar do Relvas, nem do Sócrates), dão saltos “quanticos” no percurso escolar e desaguam numa universidade aos 11 ou 12 anos de idade.
    Se não fosse apoiados, ajudados, encaminhados, desafiados, marcariam passo nos níveis habituais, feitos para a maioria.

  56. Jader José

    Cavalheiros, eu percebo que a discussão variou entre o sentido biologico e o sentido social da inteligencia. Dewey, Piaget ou mesmo Vigostky que estudaram bem profundamente a questão chegaram a poucos consensos sobre essas querelas.. Porque a inteligência social se liga ao capitalismo?. Uma garota que tem um bom corpo tem chances de ascender materialmente aqui no Brasil, vai arrumar uma pensão por causa de filho, apesar dos casos de bastardia não poderem ser desprezados. Um garoto sabido vai arrumar um jeito de ganhar uns trocados. Para ser rico é necessária inteligencia social, isso poucas têm. Eu vejo que a situação financeira é um estado de consciência da pessoal que visa o dinheiro nas suas relações. E isso nem faculdade, nem escola, nem ninguém ensina porque parte de uma inquietude pessoal.
    A monogamia interfere na criação dos filhos. Filhos sem pai, sem maãe, criados pelos avós não sofrem tantas cobranças quanto os pais que são juntos, unidos, se amam. A maioria dos pobres é assim, eles não ligam tanto para dinheiro. O que importa é fazer bem feito o que tiver que ser feito. Devido a essa convicção ele desempenha bem as funções que forem estabelecidas. Seja matar inimigos no deserto, seja apertar parafusos, seja vender sorvete na praça. Os pobres estão mais por dentro do sentido da vida de que os ricos.
    Porém, alguns sujeitos tem a inquietude cientiífica, são pessoas que não aceitam dogmas, normalmente são frias, guiadas pela razão, não se deixam seduzir pelos vicios. E tem gente assim tanto nas exatas quanto nas humanas. E se eles se reproduzem menos ou mais não chega a ter tanta importância quanto a equação número de cadeiras e número de jovens de faixa etária escolar em determinada região. Onde eu quero chegar. Os conselhos e a fiscalização exercem muita rigidez no corpo profissional que pode exercer algumas atividades. Para ser médico você precisa estudar 16 anos a mais que para ser encanador e isso não é fator genético. É fator motivacional, é determinação, é realmente estar se preparando as vezes 10 anos com a mesma turma, onde vários querem ser médicos. Um miúdo que abandona o colégio no 5° ano é porque os pais realmente não se importam com o futuro profissional dessa criança, ou que ele já tenha vontade própria aos 13 anos.
    O ensino público obrigatório é do mesmo jeito no Brasil. Alunos são remanejados de um colégio para outro a vida escolar inteira. Não geram convivência. Não desenvolvem a inteligência com segurança. Sem os medos de errar e ser debochado na frente de todos, entre outras coisas. Alunos com mais de 5 reprovações em Ensino Fundamental. Isto é, na 6° série, de uma série de 12. Eles realmente prejudicam os que estão na faixa e prejudicam ainda mais os que eram para estar lá e não estão, que são as crianças de 12 anos. Muita criança fora da escola.
    E um menino de 16 que se acompanha de outra de 12 é normalmente para delinquir. Chamar a usar drogas, seduzir as meninas e etc. As escolas aqui funcionam sem assistência social, sem psicólogas. Sem ambulatório. Só com os professores, as cadeiras, a lousa, a sala e os alunos. As vezes até sem o livro e sem o caderno. Que como forma de protesto eles não levam, de modo a desorganizar a sala do orientador. Zombar e desrepeitar o professor.
    A escola só para deixar os miúdos encarcerados pelo tempo mínimo exigido para se concluir o periodo letivo.
    Situação precária mas mesmo assim os professores fazem verdadeiros milagres tentanto captar recursos, tentando aprovar nos exames para ingressar na faculdade. Aqui no Brasil será destinada cota de 12,5% aos alunos do ensino público obrigatório. Contendo nesse espaço, também cota para índios e negros. É uma maneira de se reparar o dano produzido por 200 anos de influência escolastica da academia. Agora será que as academias de origem francesa no Brasil conseguirão absorver esse contigente que chega praticamente com essa bagagem que me referi suncitamente.

  57. Cavalheiros, eu percebo que a discussão variou entre o sentido biologico e o sentido social da inteligencia. Dewey, Piaget ou mesmo Vigostky que estudaram bem profundamente a questão chegaram a poucos consensos sobre essas querelas.. Porque a inteligência social se liga ao capitalismo?. Uma garota que tem um bom corpo tem chances de ascender materialmente aqui no Brasil, vai arrumar uma pensão por causa de filho, apesar dos casos de bastardia não poderem ser desprezados. Um garoto sabido vai arrumar um jeito de ganhar uns trocados. Para ser rico é necessária inteligencia social, isso poucas têm. Eu vejo que a situação financeira é um estado de consciência da pessoal que visa o dinheiro nas suas relações. E isso nem faculdade, nem escola, nem ninguém ensina porque parte de uma inquietude pessoal.
    A monogamia interfere na criação dos filhos. Filhos sem pai, sem maãe, criados pelos avós não sofrem tantas cobranças quanto os pais que são juntos, unidos, se amam. A maioria dos pobres é assim, eles não ligam tanto para dinheiro. O que importa é fazer bem feito o que tiver que ser feito. Devido a essa convicção ele desempenha bem as funções que forem estabelecidas. Seja matar inimigos no deserto, seja apertar parafusos, seja vender sorvete na praça. Os pobres estão mais por dentro do sentido da vida de que os ricos.
    Porém, alguns sujeitos tem a inquietude cientiífica, são pessoas que não aceitam dogmas, normalmente são frias, guiadas pela razão, não se deixam seduzir pelos vicios. E tem gente assim tanto nas exatas quanto nas humanas. E se eles se reproduzem menos ou mais não chega a ter tanta importância quanto a equação número de cadeiras e número de jovens de faixa etária escolar em determinada região. Onde eu quero chegar. Os conselhos e a fiscalização exercem muita rigidez no corpo profissional que pode exercer algumas atividades. Para ser médico você precisa estudar 16 anos a mais que para ser encanador e isso não é fator genético. É fator motivacional, é determinação, é realmente estar se preparando as vezes 10 anos com a mesma turma, onde vários querem ser médicos. Um miúdo que abandona o colégio no 5° ano é porque os pais realmente não se importam com o futuro profissional dessa criança, ou que ele já tenha vontade própria aos 13 anos.
    O ensino público obrigatório é do mesmo jeito no Brasil. Alunos são remanejados de um colégio para outro a vida escolar inteira. Não geram convivência. Não desenvolvem a inteligência com segurança. Sem os medos de errar e ser debochado na frente de todos, entre outras coisas. Alunos com mais de 5 reprovações em Ensino Fundamental. Isto é, na 6° série, de uma série de 12. Eles realmente prejudicam os que estão na faixa e prejudicam ainda mais os que eram para estar lá e não estão, que são as crianças de 12 anos. Muita criança fora da escola.
    E um menino de 16 que se acompanha de outra de 12 é normalmente para delinquir. Chamar a usar drogas, seduzir as meninas e etc. As escolas aqui funcionam sem assistência social, sem psicólogas. Sem ambulatório. Só com os professores, as cadeiras, a lousa, a sala e os alunos. As vezes até sem o livro e sem o caderno. Que como forma de protesto eles não levam, de modo a desorganizar a sala do orientador. Zombar e desrepeitar o professor.
    A escola só para deixar os miúdos encarcerados pelo tempo mínimo exigido para se concluir o periodo letivo.
    Situação precária mas mesmo assim os professores fazem verdadeiros milagres tentanto captar recursos, tentando aprovar nos exames para ingressar na faculdade. Aqui no Brasil será destinada cota de 12,5% aos alunos do ensino público obrigatório. Contendo nesse espaço, também cota para índios e negros. É uma maneira de se reparar o dano produzido por 200 anos de influência escolastica da academia. Agora será que as academias de origem francesa no Brasil conseguirão absorver esse contigente que chega praticamente com essa bagagem que me referi suncitamente.

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