Um fellatio a Balsemão

O homem que se vangloriou em tempos de produzir Presidentes da República ganhou outra vez: não só cada família portuguesa continuará a pagar 56 euros por ano para que a RTP não faça concorrência no mercado de publicidade à SIC e à TVI, como o estado abdicará do encaixe financeiro com a venda do segundo canal para não irritar os senhores dos mídia. Muito provavelmente, o novo canal gerido por privados será um misto de RTP1 e RTP2, fazendo ainda menos concorrência à SIC e TVI, permitindo-lhes absover ainda mais receitas de publicidade. Uma grande vitória para donos desses canais com os derrotados do costume: os contribuintes.
A avalanche de notícias sobre o Ministro Relvas (que, ficamos a saber agora, não é só um espertalhão que actua nos limites da legalidade, mas também um covarde incompetente) provavelmente parará agora. Quando os partidos não são capazes de escolher pessoas acima de qualquer suspeita para gerir dossiers importantes, colocando-os à mercê dos interesses dos tubarões da imprensa, sabemos que a democracia tem um grande problema. Quando nos apercebemos que é Balsemão, que ninguém elegeu, quem tem a última palavra sobre políticas governamentais, sabemos que já não vivemos em democracia.

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12 pensamentos sobre “Um fellatio a Balsemão

  1. Sebastien De Vries

    1.- Sempre foi assim. Uma vez Balsemão, outra vez o ex-tiranete que foi PM ou alguém a seu mando, ou o coisita que passou de vereador a deputado, e de deputado a vereador cumulando;

    2.- Ao nível do Guiness o PSD era assim. Basta olhar para o que se passava nas autarquias.

    3.- Agora, …bem agora não há dinheiro. E há menos coisinhas, apesar de demograficamente o PSD ser o mesmo. O PSD tem militantes que estão a mudar de vida, e o critério é a antiguidade, …é a vida! A austeridade tem as suas vantagens.

  2. dervich

    Carlos Pinto, muitas vezes posso ser (e já fui) crítico dos seus posts mas, desta vez, acertou em cheio!

    Esta total vilipendiagem inspirada pelo Borges e carimbada pelo Relvas é ainda pior que a privatização pura e dura!

    Olha pá – “VAI ESTUDAR RELVAS!”

    Dervich

  3. jhb

    Balsemão devia ter lido Ayn Rand para saber o bom que é o mercado livre e a concorrência… Com capitalistas assim, pobre capitalismo.

  4. CSJ

    A palavra é “media”. É latim e significa “meios” (sim, é um plural). Se quiser ser purista pode escrevê-la em itálico. O que está no seu texto é uma transcrição “ortográfica” portuguesa da pronúncia inglesa de … media . Do latim, claro!

  5. Bolinhas

    O que sabemos de antemão: 1. um Governo em Portugal não pode despedir funcionários públicos, e na RTP seria necessário despedir muitos. 2. o Governo não tinha como dividir a RTP entre canal 1 e canal 2 porque muitos dos serviços são partilhados e seria um chiqueiro para o fazer. Positivo neste medida: o Estado passa a gastar menos 100M por ano na RTP. O que é absurdo é passarmos a ter 3 canais, deviam abrir uma licença nova, mas não o fazem para agradar aos privados e para a RTP continuar rentável e garantir que haja interessados. É capaz de ter sido a solução possível. Estou para ver é que serviço público passará a ser feito. Será mesmo necessário a renda ser tão elevada, não será superior aos custos (estimados) de apenas RTP2?

  6. vivendipt

    Milésimo posts no blog, A espuma dos dias

    Chegou a hora de apresentar o curso do crash.

    Um vídeo impressionante, de um autor americano realista, que vai permitir-lhe obter uma visão 360º sobre a atual realidade económica.

    O vídeo é intenso e extensivo mas de visualização obrigatória para quem quiser estar presente na verdade económica e ter a capacidade de não se deixar reduzir ao engano de uma qualquer político ou ideologia.

    http://vivendi-pt.blogspot.com/2012/08/o-curso-do-crash.html

  7. Pingback: Uma derrota para os contribuintes « O Insurgente

  8. Euro2cent

    > sabemos que já não vivemos em democracia

    Eu gostava era que quem acredita que a “democracia” é inerentemente boa largasse a chupeta e lesse história.

    Metade dos nossos problemas derivam de se ter injectado no gado inocente a noção que a democracia é uma espécie de santinha curandeira.

    Os patifes que o fizeram, e fazem, de certeza que se fartam de rir dos tolos que vigarizam a coberto disto. Como no caso presente.

    (E o CSJ está cheio de razão – usar uma palavra brasileira que grafa a pronuncia inglesa de uma palavra latina é aberrante.)

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