No Fio da Navalha

 

O meu artigo de hoje para o jornal i.

A razão da liberdade

Se em “The Fountainhead” Ayn Rand nos descreve a vida de Howard Roark, o homem que quer ser um arquitecto independente sem vender a sua criatividade aos clichés dos que não pensam pela sua cabeça, em “Atlas Shrugged” Rand conta-nos o desaparecimento, misterioso e gradual, dos empreendedores e inovadores, que não querem mais dar o seu aval a um regime que apenas os vê como um meio para políticos se afirmarem perante as massas.

Ayn Rand foi uma filósofa norte-americana desaparecida em 1982. A sua obra, apesar de lida por Reagan e Green-span, está longe de ser conhecida. No entanto, a escolha de Paul Ryan, um católico influenciado pelas ideias randianas, para o ticket presidencial de Romney é um bom pretexto para ler e perceber o objectivismo de Rand: que o homem, só quando age racionalmente, analisa os factos de forma objectiva e se liberta dos sonhos irracionais dos que, em nome de ideais inexistentes, destroem a individualidade humana e, com ela, o que de mais rico e diversificado existe na vida.

A objectividade é o garante último da liberdade: é aprofundando a sua razão individual que cada homem se torna suficientemente forte e audaz para agir em liberdade; para dizer não e libertar-se dos que o vêem como um mero instrumento do poder. Assim, antes do muito que por cá se vai dizer de Ayn Rand, seria bom que a lêssemos. Esse é o único caminho que a razão nos indica para não sermos pau-mandado do ponto de vista dos outros.

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8 thoughts on “No Fio da Navalha

  1. jhb

    “However, it was revealed in the recent “Oral History of Ayn Rand” by Scott McConnell (founder of the media department at the Ayn Rand Institute) that in the end Ayn was a vip-dipper as well. An interview with Evva Pryror, a social worker and consultant to Miss Rand’s law firm of Ernst, Cane, Gitlin and Winick verified that on Miss Rand’s behalf she secured Rand’s Social Security and Medicare payments which Ayn received under the name of Ann O’Connor (husband Frank O’Connor).

    As Pryor said, “Doctors cost a lot more money than books earn and she could be totally wiped out” without the aid of these two government programs. Ayn took the bail out even though Ayn “despised government interference and felt that people should and could live independently… She didn’t feel that an individual should take help.”

    But alas she did and said it was wrong for everyone else to do so. Apart from the strong implication that those who take the help are morally weak, it is also a philosophic point that such help dulls the will to work, to save and government assistance is said to dull the entrepreneurial spirit.

    In the end, Miss Rand was a hypocrite but she could never be faulted for failing to act in her own self-interest. ”

    http://www.huffingtonpost.com/michael-ford/ayn-rand-and-the-vip-dipe_b_792184.html

    e o resto é conversa…

  2. migspalexpl

    epa isto tudo é muito bonito mas..

    “se liberta dos sonhos irracionais dos que, em nome de ideais inexistentes, destroem a individualidade humana”

    isto aqui é polemico, nao? nao devemos ter sonhos e ideais? entao como definir os que sao irracionais e inexistentes? nao existe um grande grau de subjectividade aqui? (sei la, podemos pensar em crenças num poder superior, em crenças numa sociedade melhor, em crenças numa personalidade melhor, cada um destes pontos com multiplas variações, onde está a linha da irracionalidade?

  3. Luís Vilela

    Relativamente ao primeiro comentário, segui a ligação que deixou. Para além das considerações mais ou menos pessoais que surgem nas caixas de comentários (o que é normal, infelizmente), pude aceder a referências factuais interessantes e que desmentem todo o artigo inicial. Repito, desmentem substancialmente o artigo inicial. “E o resto é conversa”???
    Saudações,
    Luís Vilela.

  4. lucklucky

    Tenho uma grande dificuldade em perceber o uso da palavra “objectivismo”… Ayn Rand diz coisas simples e correctas que ganhariam muito mais perdendo essa tralha.

    “…isto aqui é polemico, nao? nao devemos ter sonhos e ideais?..”

    Quando os sonhos implicam o obrigar o outro não, seja pela força das armas ou do voto para legitimar o uso das armas…Os “sonhos e ideais” implicaram até hoje impor ao outro qualquer coisa.

  5. jhb

    @3

    Pois sim, eu não li as “referencias factuais” porque sinceramente não espero nada de intelectualmente motivante escrito por uma sociopata como a Rand. Parece que ela defendia, que apesar do welfare ser a fonte de todos os males da sociedade, uma pessoa teria justificação para recorrer a ele porque, afinal, só iria receber aquilo que lhe foi roubado… Só não entendo é porque ela então não foi viver para um país sem welfare para começar…

    E o resto é mesmo conversa, lamento. Basicamente essa tipa defende que uma pessoa deve ser egoísta… Pois, e depois? Até parece que o egoísmo, nestes tempos, precisa de ser defendido…

    Melhor não podia ser dito.

  6. Acho que o que faz menos sentido nisso é a parte do “objectivismo” e da “objectividade” mesmo – afinal, acho que é mesmo o lado subjectivo e não-racional (note-se que não digo irracional) que nos dá a nossa individualidade.

  7. Acreditar numa suposta associação filosófica de Paul Ryan a Ayn Rand é tão credível quanto a alegação da ex-candidata à nomeação republicana, Michelle Bachmann, de ter lido Mises enquanto tomava banhos de sol na praia.

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