Persistir na asneira

Emissões de dívida soberana a taxas de juro negativas, algo que nunca antes acontecera, é mais um sinal dos tempos únicos que atravessamos. Um bom sinal para a União Europeia e para a Zona Euro em particular será a uniformização das taxas de juro pagas pelos diferentes Estados Europeus, o que irá significar o melhorar de toda a situação Europeia, mas a meu ver isso não irá acontecer, antes pelo contrário. Foi descoberto um ponto fraco da Zona Euro e os investidores mais agressivos estão a aproveitar esse facto. A única maneira séria de resolver o problema é o da mutualização das dívidas o que, inevitavelmente, ainda irá gerar muita discussão.

in “O Paradigma das yields negativas” de Francisco Lopes (Jornal de Negócios)

Que o descontrolo da despesa pública e do endividamente público e privado no “Clube Med” tenha sido incentivado pela “uniformização” das taxas de juro após a introdução do euro é algo que o autor das linhas supra parece não se aperceber. Não nos parece agora credível que os países do centro e da periferia tivessem acesso ao credito nas mesma condições mas foi isso mesmo que sucedeu na última década. Verdade seja dita que ninguém nos apontou uma arma à cabeça obrigando-nos a acumular dívida. Ainda para mais em tantos projectos de rentabilidade mais que duvidosa. A tal anestesia associada à esperança que mais cedo ou mais tarde alguém (leia-se, a Alemanha) viria pagar a conta fizeram o deleite de muitos governantes. Até que a realidade lhes bateu à porta e descobriram que os alemães estavam muito pouco inclinados para pagar contas alheias.

Desta feita, insistir na mutualização da dívida é recompensar o infractor e esperar por uma nova “uniformização” das taxas de juro é completamente inverossímel. Da mesma forma, esperava que por esta altura não fosse motivo de espanto as yields negativas que beneficiam os países com finanças públicas e economias mais sólidas. E que mesmo assim não convence muitos que preferem parquear os seus activos longe do alcance dos políticos da UE.

6 pensamentos sobre “Persistir na asneira

  1. Paulo Pereira

    Insistir na mutualização da divida é a unica forma de manter a Zona Euro .

    Como é óbvio não é possivel existir uma moeda única sem divida única porque qualquer desiquilibrio a nivel da balança corrente é amplificado e atinge a bançança orçamental.

    Quem quer moeda única tem de querer divida unica.

  2. ricardo saramago

    O aparente maná das taxas de juro negativas não deixará de provocar a médio prazo os seus efeitos perversos nas economias que agora parecem beneficiar.
    O subsídio à divida e ao consumo que este facto representa terá um preço elevado no futuro em desperdício e afectação irracional de recursos.
    É só uma questão de tempo até que esta irracionalidade provocado pelo medo se transforme em fuga generalizada de capital da zona euro.

  3. Paulo Pereira

    Se a malta vender euros , o euro desce e as exportações aumentam e as importações diminuem !

    Aliás isso já aconteceu a partir de meados de 2011 !

  4. vivendipt

    Massa de dívidas, recheadas com monetarização de dinheiro, cobertura de chantily socialista e por fim cerejas corruptas…

    E ainda há quem queira distribuir fatias deste bolo por toda a Europa??

    Pois, pois!

    vivendi-pt.blogspot.com

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