Alexandre Alves, a FNAC e o PCP

Uma acusação extremamente grave que deveria ser investigada. Seja calúnia ou verdade, o processo não se deveria ficar pelas páginas dos jornais. Infelizmente estamos em Portugal.

O ‘barão vermelho’ está no centro de uma nova polémica. Zita Seabra, ex-dirigente comunista expulsa em 1988, revelou que a antiga FNAC (Fábrica Nacional de Ar Condicionado), do empresário Alexandre Alves, servia para o PCP colocar microfones em gabinetes do Governo na década de 80. Ao SOL, o PCP responde que «essa pessoa não merece qualquer crédito».

A FNAC era «uma empresa estratégica» e «simpática» para o PCP – afirmou Zita Seabra, esta quarta-feira à noite, na SIC Notícias. A editora e ex-deputada do PSD acusou ainda que a FNAC era financiada pela então RDA (República Democrática da Alemanha), «não por fabricar ares condicionados», mas porque permitia «colocar microfones» em «sítios nevrálgicos» e «órgãos de poder» onde tinha fácil acesso, uma vez que funcionários da FNAC entravam «em tudo o que era gabinetes».

13 pensamentos sobre “Alexandre Alves, a FNAC e o PCP

  1. Tiago

    É interessante como, apesar dessa bomba ter sido lançada já há uns dias, ainda não apareceu ninguém associado ao PCP a comentar esta afirmação. O silêncio é ensurdecedor, e também a inacção por parte dos visados. Leva a crer que o caminho que adoptaram foi o da completa imobilização, a fim de não agitar as águas com receio de que algo mais possa vir ao de cima.

  2. p D s

    Tiago,

    então e que dizer do “silencio ensurdecedor” da Zita Seabra, no periodo compreendido entre a década de 80 e os dias de hoje ?

    não lhe parece no minimo estranho, que a Zita, supostamente sabendo dos supostos ilicitos, tenha mantido silencio todos estes anos ?

  3. Miguel Noronha

    Também é um dúvida pertinente. Mas isso só acresce à necessidade de se investigar apropriadamente o caso.
    E recordo só há duas opções. Ou se trata de uma calúnia grave ou de uma acusação gravissima que incide sobre o PCP e os seus principais dirigentes.

  4. jose mota

    acusação gravíssima por que? em portugal é tudo gravissimo e depois acaba em nada. Toda a gente sabe que o PCP no 25 abril deu aos sóvieticos toneladas de informação doe stado protugues e sempre foi um satélite do URSS a rainha dos microfones escondidos. Se os socialistas espanhóis escutavam a oposição há 1 ano atrás e o sócrates tb tinha uma secreta que trabalhava nesse sentido, pq é que o pcp havia de ser melhor ?

  5. Joaquim Amado Lopes

    Miguel,
    Embora não me surpreendesse minimamente que fosse verdade, neste caso estou com o pDs.

    Se é calúnia, a resposta do PCP é compreensível. Um processo em tribunal apenas serviria para dar espectáculo e não se chegaria a lado algum. Assim, o PCP dá a Zita Seabra a importância que ela merece e deixa-a com o ónus da prova. Aqui não se aplica “se o PCP não vier para a comunicação social arrancar os cabelos deve ser verdade e estão apenas a tentar escapar por entre os pingos de chuva”.

    Para já, a única investigação que este caso merece (por parte das autoridades ou da comunicação social) resume-se a uma pergunta a Zita Seabra: tem provas do que afirma?
    Até Zita Seabra apresentar essas provas, será apenas mais uma cretina a alimentar as páginas dos (muitos) pasquins. Além de que, verdade ou mentira, a Zita Seabra só sai muito mal desta história.

  6. Miguel Noronha

    “Para já, a única investigação que este caso merece (por parte das autoridades ou da comunicação social) resume-se a uma pergunta a Zita Seabra: tem provas do que afirma?”
    Julgo que não será bem assim. Aquilo de que a ZS acusa o PCP e Alexandre Alves deve ser crime público pelo que deverá (ou deveria) ser investigado mesmo sem nenhuma das partes formalizar a acusação.

    Um aparte relativamente a esta história. Uma investigação das empresas ligadas ao PCP (muitas delas fecharam actividade com a implosão da URSS) traria certamente pormenores bastante interessantes.

  7. É grave, mas não é uma acusação fácil de provar.
    Receio que a PGR pouco possa fazer: ir aos arquivos históricos do PCP? Para tal é necessário haver indícios, caso contrário nunca um juiz autorizará semelhante viagem ao mundo perdido do PCP. Solicitar a cooperação da justiça alemã, com vista à consulta dos arquivos da Stasi? Também não se afigura fácil.
    Esta “estória” será assunto mais para historiador do que para procurador. Mas só num futuro distante, quando for possível o acesso ao espólio do PC.

  8. Joaquim Amado Lopes

    Miguel (6),
    “Aquilo de que a ZS acusa o PCP e Alexandre Alves deve ser crime público pelo que deverá (ou deveria) ser investigado mesmo sem nenhuma das partes formalizar a acusação.”
    Daí a pergunta a Zita Seabra: “tem provas do que afirma?”
    Além de que, a ter ocorrido, o crime provavelmente já terá prescrito e, a ser esse o caso, afectar recursos públicos a investigá-lo será um desperdício de mais do que tempo.

  9. Miguel Noronha

    Parece que o caso é suficientemente grave para justificar tal dispêndio.
    Nem é preciso explicar porquê.

  10. Tiago

    jose mota,

    ter uma organização (PCP) a espiar sistematicamente os governos democraticamente eleitos de Portugal ao serviço de potências estrangeiras (RDA, URSS), a ser verdade, é dos casos mais graves de que há memória neste regime democrático.

  11. Joaquim Amado Lopes

    Miguel Noronha (9),
    Tiago (10),
    A “denúncia” de Zita Seabra só merecerá uma investigação a partir do momento em que esta apresenta provas do que afirma. Até lá, vale fumo. Não que eu acredite que tal não se passou mas precisamente pelo contrário. Considerando a actuação pública do PCP e a forma como nesse partido as regras são “entendidas”, surpreender-me-ia muito que não tivesse sido feito o que Zita Seabra diz que foi feito.

    Mas, sem provas (e mais do que provavelmente até mesmo com provas), este caso acabará como de costume. Numa montanha de nada, além de “figuras públicas” sem vergonha na cara virem a público “rasgar as vestes” e “exigir” que toda a verdade seja apurada e tornada apresentada aos portugueses. “Figuras públicas” essas que de certeza absoluta sabem já mais sobre o caso do que qualquer “investigação” ou “inquérito” poderá vir a “apurar”.

    Quanto aos “casos mais graves de que há memória neste regime democrático”, convém recordar Camarate e a palhaçada em que se tornou.
    Só os demasiado ingénuos “acreditarão” que qualquer investigação sobre este caso resultará em mais do que um “diz que disse”, com muito tempo e recursos desperdiçados e ninguém a ser responsabilizado seja pelo que fôr.

    Assim, antes de se “exigir” que o caso seja investigado, digam qual o resultado que querem que seja alcançar e se acreditam que poderá ser alcançado nem que seja apenas em parte.
    Se alguém julga que se conseguirá mais do que várias versões sobre os factos e nenhuma certeza, só me posso rir. E para obter uma versão basta pôr Zita Seabra em frente de uma câmara e fazê-la explicar tudo tintim-por-tintim. Se começar a dizer frases vagas ou não quiser apresentar todos os detalhes que lhe sejam pedidos (e terão que lhe ser pedidos de forma clara e objectiva), então ficarão com uma ideia do poderão esperar de uma “investigação oficial”.

    Já estou farto de “inquéritos” e “investigações” que são realizados apenas para entreter a populaça e para criar o fumo necessário para que os culpados não sejam responsabilizados. Para isso, mais vale que não sejam feitos.

  12. lucklucky

    “ter uma organização (PCP) a espiar sistematicamente os governos democraticamente eleitos de Portugal ao serviço de potências estrangeiras (RDA, URSS), a ser verdade, é dos casos mais graves de que há memória neste regime democrático.”

    Não percebo qual a dúvida. O que é que julga que os Partidos Comunistas fizeram sempre?

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