Menos Intervenção do Estado na Economia, Menos Corrupção

Gráfico compilado por Lino M. Gill – presidente dos Estudantes pela Liberdade – com dados públicos da Transparency International e do Heritage. Podem ver o artigo original no OrdemLivre.org. Alguém ainda acha estes dados surpreendentes?

38 pensamentos sobre “Menos Intervenção do Estado na Economia, Menos Corrupção

  1. neotonto

    Estes da Transparency International + Heritage sao de uma preguiça escandalosa. Onde é que figura no gráfico o Principado de Mónaco?

  2. Orlando

    Note-se que as ordenadas do gráfico correspondem a “percepção de corrupção” e não “corrupção” efectivamente dita. Entretanto,cá por Portugal, o que não faltam são casos de corrupção onde interveem grupos privados.

  3. jhb

    Caro RIcardo Campelo de Magalhaes,

    Este post é de uma trivialidade atroz. Primeiro que tudo é uma tautologia, porque para haver corrupçao é necessário que haja um agente do Estado envolvido. logo onde há menos Estado haverao menos agentes dísponiveis para ser corrompidos. Trivial.

    Suponho que isto seja o principal argumento liberal no que toca à relaçao entre o envolvimento do Estado na economia e os níveis de corrupçao. Isto apenas mostra a trivialidade do pensamento liberal. E mostra também a falácia liberal, porque se um indíviduo corrompe um agente do Estado com vista a obter benefícios económicos, entao os liberais deviam aplaudir a corrupçao, pois na óptica liberal um acto de corrupçao nao é mais que uma tentiva de um agente económico destruir as amarras impostas pelo Estado que o impedem de ser “verdadeiramente livre”.

    Pelo conteúdo do post, a soluçao liberal para o problema da corrupçao seria afastar o Estado da economia, deixando os agente económicos livres para desenvolverem a sua actividade. Acabando com toda a regulaçao que impede que os agentes económicos sejam “verdadeiramente livres”, a utopia liberal seria realidade. O problema é que esta “libertaçao” traria consequências nefastas para a sociedade visto que a “racionalidade” do lucro seria imposta sobre todas as outras consideraçoes económicas, sociais e ambientais que a regulaçao procura proteger.

    A outra mostra de trivialidade é considerar o problema da corrupçao apenas como uma funçao da maior ou menor presença do Estado na economia. Isto nao é surpreendente num liberal, que baseia toda a análise da realidade na questao da racionalidade económica. No caso da corrupçao, como em muitos outros, este paradigma de pensamento deixa de fora questoes históricas e culturais que sao muito mais importantes na hora de condicionar o nível de corrupçao numa sociedade do que uma simples percentagem do PIB.

  4. Olhando só para o gráfico, eu deduziria que os países com mais liberdade económica são mais corruptos, mas imagino que alguma das escalas esteja invertida.

  5. Mário Amorim Lopes

    jhb, a corrupção tem potencial para existir em todos os sectores e a vários níveis. No entanto, a estrutura onde tipicamente causa mais danos é no Estado, e não é difícil perceber porquê. Se aceitar a evidência que o humano zela primeiro por si e pela sua família, compreenderá facilmente que tem mais zelo pelo que é seu do que pelo que é dos outros. Tendo admitido isto, perceberá que terá mais zelo pelo erário privado – o seu – do que pelo público, o que, moralmente questionável por alguns, é o que é. Quase como termos dois olhos. Tendo isto assimilado, a argumentação de Proudhon sobre a propriedade privada não é mais do que um devaneio filosófico.

    Ou seja, quer reduzir a corrupção? Torne as estruturas locais, mais próximas do cidadão, pequenas, imputáveis e reguláveis e totalmente transparentes. Full disclosure. Acabou a missiva do “interesse nacional”. Contrariamente ao que frequentemente é escrito. O bem público deve ser reduzido ao que é efectivamente público.

  6. jhb

    Mário Amorim Lopes, nao creio que se possa falar em corrupçao no caso de relaçoes privado-privado, talvez prácticas comerciais duvidosas ou algo assim. O termo corrupçao, no meu ponto de vista, está reservado para os casos onde o interesse público sai claramente prejudicado quando um agente público, que deveria zelar pelo bom funcionamento das instituiçoes públicas, perverte este último para seu benefício privado.

    Também acho demasiado simplista essa divisao em aquilo que é do indíviduo e aquilo que é dos outros. Existem muitos bens que se podem considerar compartidos pelos cidadaos.

    “Ou seja, quer reduzir a corrupção? Torne as estruturas locais, mais próximas do cidadão, pequenas, imputáveis e reguláveis e totalmente transparentes. Full disclosure.”

    Concordo. Infelizmente, nao é esse o caminho por donde vamos. Quer no público, quer no privado.

  7. APC

    Caro jhb, os liberais são “triviais” e “racionais”. O jhb não é liberal, nem trivial, mas também não é racional, foi por termos pessoas como o jhb que deixamos a irracionalidade tomar conta e é por isso que estamos onde estamos.

  8. jhb

    Caro APC,

    Os liberais nao sao racionais. Os liberais examinam tudo, em primeiro lugar (e em último, na maioria das vezes) sob a luz da racionalidade económica, o que é muito diferente.

  9. «se um indíviduo corrompe um agente do Estado com vista a obter benefícios económicos, entao os liberais deviam aplaudir a corrupçao»

    Mais um idiota que sabe melhor que os próprios liberais o que é que eles deviam pensar. E depois ainda pega na forma como eles deviam pensar para tecer críticas. Se desonestidade intelectual pagasse impostos, não precisávamos da troika.

  10. Carlos Duarte

    Corrupção pode existir perfeitamente nos privados (pagar a um funcionário para este dar vantagens a quem pagou). A partir de uma certa dimensão, é extremamente comum nos departamentos de compras e vendas. Aliás, a partir de uma certa dimensão, o “modus operandis” de uma empresa privada torna-se em tudo similar ao funcionamento do Estado, com o mesmo nível de caciquismo, corrupção, nepotismo e por aí fora.

  11. Mário Amorim Lopes

    Carlos, pode e acontece, mas o nível de impacto é bem inferior a quando praticado por um Estado. Tomemos por exemplo as centrais de compras e as grandes distribuidoras. Os gestores intermédios pedem trocas e favores para favorecerem um produtor em detrimento de outro, mas o impacto disso é marginal. A corrupção que girou à volta das PPP, por exemplo, vai custar-nos até 2050. Portanto, reitero o que disse anteriormente: quanto maior a estrutura, pior. E o Estado é a maior das estruturas.

  12. jhb

    @10,

    No meu ponto de vista, a corrupçao aplica-se à passagem de bens do domínio público para o privado de formas que prejudicam o interesse público.

    No privado, pode passar algo semelhante, mas como envolvem bens privados, nao se deduz daí um prejuízo para o público.

  13. paam

    @13

    peculato
    (latim peculatus, -us)
    s. m.
    Desvio e roubo de dinheiros públicos por quem os tinha a seu cargo.

    corrupção
    s. f.
    1. Depravação.
    2. Suborno.
    3. Alteração.
    4. Sedução.

  14. hcl

    A corrupção existe no público e privado, mas, numa economia livre um funcionário corrupto prejudica a empresa onde trabalha e não o erário público.

    Numa economia fortemente estatizada como a portuguesa a corrupção , seja do Estado, seja das empresas “amigas”, seja das coorporações que parasitam o Estado normalmente afecta o erário público.

    jhb:
    Porque é que tem medo que os agentes económicos sejam “verdadeiramente livres”?
    Se tivesse uma empresa como é que se comportava? Deixava de ter princípios/ formação humana/ preocupações políticas?
    Porque é que acha que “os agentes económicos” têm chifres e cauda afiada?

    À última pergunta repondo eu. Condicionaram-no assim.
    Público-> bom : Privado->mau
    Dirigente público->pensa no bem público : Dirigente privado -> pensa no seu próprio bem.

    A realidade é assim:
    Público-> é o que é, bom e/ou mau: Privado->é o que é, bom e/ou mau
    Dirigente público->pensa no seu próprio bem : Dirigente privado -> pensa no seu próprio bem.

    A diferença é que dirigente público gasta o meu dinheiro (dinheiro fácil) e o dirigente privado gasta o dele (estou-me marimbando).

    Perto do fim da monarquia havia um sistema democrático com rotatividade entre 2 partidos (Regenerador e Progressista). Um deputado de um deles escreveu (não me lembro do nome / citação de memória):
    “A única solução é pertencer a um partido para não ser roubado pelos dois”.

    A história repete-se.

    Nota: Estupidamente não pertenço a nenhum.

  15. Carlos Duarte

    11. “Carlos, pode e acontece, mas o nível de impacto é bem inferior a quando praticado por um Estado.”

    15. “A corrupção existe no público e privado, mas, numa economia livre um funcionário corrupto prejudica a empresa onde trabalha e não o erário público.”

    Estamos de acordo que a corrupção pode afectar mais pessoas se for a nível de Estado mas, como tudo, depende do nível: vai do fiscal de obras da câmara (que afectará poucos) ou governo (que afectará muitos).

    Mas as empresas não o são “por si só” e é isso que temos tendência a esquecer: se a corrupção numa área de compras leva a empresa à falência (e conheço pelo menos 2 casos), quem “sofre” não é apenas o dono da empresa, mas os seus funcionários, fornecedores e mesmo clientes. E se a empresa for grande, o impacto também o pode ser.

    A título de exemplo, o maior problema da crise financeira não foi os bancos falirem – foi arrastarem com eles fundos de pensões. Existe sempre alguém, sem grande culpa (eventualmente culpa de confiar) que se lixa.

    Logo, a corrupção a nível privado é tão má como a nível estatal.

  16. jhb

    hcl:
    As empresas sao geridas de acordo com os principios da racionalidade económica. Os princípios/ formação humana/ preocupações políticas dos gestores pouco ou nada têm a ver com a forma como as empresas sao geridas. Como nao acredito na bondade intrínseca à racionalidade económica, sinto-me mais seguro se houver formas de limitar a liberdade económica quando esta é claramente prejudicial.

    Em relaçao a isto, deixo-lhe este excerto que exemplifica o meu argumento:

    “Phil Angell, Monsanto’s director of corporate communications explained the “critical role of the F.D.A. in assuring Americans that biotech food is safe” in discussions with Michael Pollan concerning Monsanto’s New Leaf Bt potato in 1998: “They (Europeans) don’t have a trusted agency like the F.D.A. looking after the safety of their food supply…. Monsanto should not have to vouch for the safety of biotech food. Our interest is in selling as much of it as possible. Assuring its safety is FDA’s job.””

    E deixe que lhe digo que em relaçao à segurança alimentar estamos muito mal servidos em termos de protecçao da saúde pública.

    Quanto ao condicionamento e a realidade, como diz há dirigentes públicos bons e maus, ou seja, uns que pensam no bem público e ou outros no seu próprio bem. E os dirigentes privados, bons ou maus, pensam só no seu próprio bem.

  17. Miguel Noronha

    “They (Europeans) don’t have a trusted agency like the F.D.A”
    Não sabe do que fala ou está a mentir deliberadamente: http://www.efsa.europa.eu/
    Para além disso existem agências nacionais que trabalham com as normas establecidas pela EFSA

  18. Miguel Noronha

    Não lhe estava a atribuir o eventual erro.
    Se as declarações são de 1998 é natural que com grande probabilidade já estivessem bastante desactualizadas.

  19. Mariana

    “Dirigente público->pensa no seu próprio bem : Dirigente privado -> pensa no seu próprio bem.” É esta a visão que os liberais têm do indivíduo.

  20. Mariana

    “Mais um idiota que sabe melhor que os próprios liberais o que é que eles deviam pensar.” Caro jhb, embora os liberais gostem de encher a boca com as liberdades individuais, eles têm um claro problema em aceitar a existência de outros indivíduos – vulgarmente e arbitrariamente conhecidos por comunas e agrupados num conjunto também designado por esquerdalha.

  21. hcl

    “Os princípios/ formação humana/ preocupações políticas dos gestores pouco ou nada têm a ver com a forma como as empresas sao geridas”

    Claro que têm.
    A racionalidade económica não é intrinsecamente má.
    Está a confundir abandalhamento do controle de qualidade com racionalidade económica.
    Está a confundir crime económico com racionalidade económica.

    Vender alimentos estragados/impróprios não é racionalidade económica. Pode ser desleixo ou crime. Em ambos os casos tem a ver com o comportamento dos gestores (e trabalhadores também).
    Numa economia livre e funcional levaria a sanções à empresa e havendo dolo a queixas-crime.

    “Quanto ao condicionamento e a realidade, como diz há dirigentes públicos bons e maus, ou seja, uns que pensam no bem público e ou outros no seu próprio bem. E os dirigentes privados, bons ou maus, pensam só no seu próprio bem.”

    99.9999% da população pensa primeiro em si e na sua família, depois amigos, depois conhecidos. Madre Teresa, Gandhi e outros estão no 0.0001% restante (por isso é que é difícil ser santo).
    Isto é normal (mais do que normal faz parte da nossa natureza humana), não é mau.
    Por ser normal é preciso muito (mais que muito) cuidado quando se dá poder e/ou dinheiro a alguém para gerir.

  22. Caro hcl, sobre a condição humana: se viemos ao mundo com certas ideias inatas (Platão, Descartes), se somos uma folha em branco que é preenchida na sociedade (Locke, Condillac), se nascemos naturalmente bons (Rousseau), ou o caso contrário (Hobbes), ou mesmo se somos uma combinação (Kant, Krause). Fico grato por ter desvendado um dos maiores enigmas humanos. Estou mesmo quase a converter-me à “racionalidade neoliberal”, mesmo quase.

  23. jhb

    “A racionalidade económica não é intrinsecamente má.”

    Certo. Nem boa.

    “Está a confundir abandalhamento do controle de qualidade com racionalidade económica.
    Está a confundir crime económico com racionalidade económica.

    Vender alimentos estragados/impróprios não é racionalidade económica. Pode ser desleixo ou crime. Em ambos os casos tem a ver com o comportamento dos gestores (e trabalhadores também).”

    Controle de qualidade, crime económico, desleixo, crime… Sao termos que implicam alguma normativa que regule o funcionamento das empresas. O que os liberais, ou libertários, defendem é que estas normas desapareçam, deixando os agentes económicos livres.

    “Numa economia livre e funcional levaria a sanções à empresa e havendo dolo a queixas-crime.”

    No caso dos alimentos impróprios para o consumo, concordo. Porque as pessoas sabem distinguir um ovo podre de um ovo bom.
    Mas pense no caso do amianto, por exemplo, que foi utilizado durante décadas antes de ser finalmente proibido pelos seus efeitos cancerígenos. Sem as autoridades reguladoras, o amianto muito provavelmente continuaria a ser utilizado.

  24. hcl

    jhb:
    Acho que, esquecendo a extrema-esquerda e a extrema-direita e os seus “Homen Novo” mais ninguém prevê uma sociedade sem crime.
    O problema da regulação é que tudo (sem excepção) é regulável. Desde o que come, ao que bebe, ao que diz, ao que lê, etc….

    Zé:
    Sempre que expressa uma opinião está a desvendar um enigma humano.
    Neste caso nem se aplica porque não está em causa como chegamos ao egoísmo (individual, familiar, de grupos). Se nascemos assim, se nos fazem assim, o que seja. Apenas é constatado que existe.
    Quanto à conversão, não estou confiante.

  25. jhb,
    Corrupção pode ser perfeitamente 1 Privado a corromper 1 funcionário de uma Universidade Privada para lá colocar o filho.
    E quem diz 1 Universidade Privada, diz 1 Colégio, 1 Hospital Privado, ou até os Jogos da Santa Casa.

  26. A Mariana devia voltar para a quarta classe para aprender a ler o que escrevi em cima: não fui eu que fiz!
    Mas creio que passa bem a ideia, para quem saiba interpretar o que lá está implícito.

    E já agora para não escrever “voltar para à quarta classe”…

  27. Mariana

    A grafiqueta passa de facto bem várias ideias: 1- quem fez o gráfico precisa de voltar para à quarta classe 2- quem a apresenta deve voltar para à quarta classe para aprender a fazer gráficos e ser mais critico em relação às variáveis que utiliza 3- quem olha placidamente a grafiqueta e se deixa convencer com o que o Ricardo pretende deveria voltar para à pré-primária sem nunca mais de lá sair. Finalmente, a expressão “voltar para à quarta classe” tem uma ideia implícita bem mais simples e clara que a sua grafiqueta.

  28. Mariana

    Caro Ricardo, então essa agilidade? Devia ter desconfiado que à primeira tinha sido um erro a teclar e na segunda uma brincadeira.

    Quanto à educação, sim, tem razão, agora é tarde para me deixar deslumbrar com as suas grafiquetas patéticas.

  29. João Paulo

    Carlos Duarte:
    “Mas as empresas não o são “por si só” e é isso que temos tendência a esquecer: se a corrupção numa área de compras leva a empresa à falência (e conheço pelo menos 2 casos), quem “sofre” não é apenas o dono da empresa, mas os seus funcionários, fornecedores e mesmo clientes. E se a empresa for grande, o impacto também o pode ser.”

    Exatamente. Os principais prejudicados são aqueles que se beneficiam com a existencia da empresa. Se ela falir, o dono pode ficar endividado, e os funcionários desempregados.

    Numa insituição pública, pode ocorrer simplesmente o contrário, mesmo endividada irá se manter atuando, receberá mais verbas. O prejuízo é compartilhado com todos. O mal não é cortado pela raiz.

  30. Jean

    Alguém ai sabe o que significa Percepção de corrupção, quais são os critérios??? Afinal os caras não iriam ser amadores …

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