Se o problema fosse esse…

Monti sugere que, mais do que financiamento, o sul da Europa precisa de solidariedade: “Se a Alemanha e outros países estão interessados em que a atual política em Itália tenha futuro, [devem dar] apoio moral, não financeiro”, disse o estadista italiano, segundo traduções da entrevista feitas pelas agências EFE e Bloomberg.

Julgo que a “solidariedde não monetária” nunca foi problemática na UE. Aliás as tensões entre os países-membros só se tornaram notórias quando os falidos países do Sul se lembraram de exigir um aumento incodicíonal da “mesada” aos países do Norte. Na UE as declarações de amor eterno nunca foram problema e sempre foram tãp abundantes como inconsequêntes.

32 pensamentos sobre “Se o problema fosse esse…

  1. Miguel Noronha

    Em primeiro lugar não ganha. Deixa de gastar.
    Em segundo lugar, sãos os nvestidores que procuram refugio na dívida alemã estando dispostos a pagar um prémio acrescido. Não há aqui qualquer fluxo de dinheiro dos paises falidos para a Alemanha. Mas isso tem a ver com a segurança relativa do retorno. Algo que se fica a dever à performance das economias e à situação financeira de cada país.

  2. “Em primeiro lugar não ganha. Deixa de gastar.”
    Vista curta. A Alemanha está ganhar dinheiro, não só o Estado alemão.

    “Não há aqui qualquer fluxo de dinheiro dos paises falidos para a Alemanha. “
    Não sei como pode afirmar isso, assim, sem mais nem menos. Tem a certeza absoluta que não há nenhum investidor que procura o refúgio alemão, transferindo o “seu capital” dos países “intervencionados” para lá. Penso que é exatamente o contrário, os “detentores de capital” dos países “intervencionados” estão a fugir como ratos e devem ser uma parte (muuiiitooo) significativa dos que pagam “juros negativos” à Alemanha.

  3. Miguel Noronha

    “Tem a certeza absoluta que não há nenhum investidor que procura o refúgio alemão, transferindo o “seu capital” dos países “intervencionados” para lá”
    Não sei. Contrariamente aos socialistas não quero saber o que os outros fazem com o seu dinheiro. Bão é meu. Que eu saiba dinheiro público (que seria aquela com que teria que me preocupar) não é. O que sei é que As condições objectivas da economia portuguesa não são muito favoráveis ao investimento. Em especial na dívida pública. E mais que na Alemanha, os investidores têm procurado refugio fora da zona euro.

  4. Miguel Noronha

    “Alemanha está ganhar dinheiro, não só o Estado alemão”
    Pois. É o que dá ter uma economia bem mais dinãmica. Ganha-se dinheiro.

  5. lucklucky

    “Vista curta. A Alemanha está ganhar dinheiro, não só o Estado alemão.”

    Assim se vê o mercantilismo que grassa em certas cabeças. A esquerda nunca saírá do mercantilismo…vistas curtas de facto.

    A Alemanha não está a ganhar dinheiro nenhum, está a perder. Porque alguém investir para perder dinheiro só por segurança quer dizer que vai ficar mais pobre. Uma Europa mais pobre faz os Alemães ficarem mais pobres.
    Os Alemães deveriam é ficar aterrorizados porque investidores preferem investir em dívida perdendo dinheiro do que em negócios. Ninguém começa negócios, ninguém arrisca criar algo, ninguém faz coisa alguma.

    O argumento é ainda mais abjecto porque ainda por cima coloca o ónus como se os alemaões fossem culpados.

  6. Caro @lucklucky, desprezando os adjetivos, passemos à substância:
    A Alemanha não é somente o Estado alemão (pensava que era algo claríssimo para o amigo);
    A Alemanha está ganhar dinheiro ( você não leu o que o jornal Alemão destacou? ) e o Estado alemão também (financiar-se àquelas taxas é uma vantagem gigantesca).

    Agora, a sua louvável expressão:
    Uma Europa mais pobre faz os Alemães ficarem mais pobres.“;
    Depreendo pela sua expressão que é contrário à política “austeritária” que anda a governar a Europa e que, usando a lógica lucklucyiana, esta política de empobrecimento está a empobrecer Europa que, por sua vez, empobrece também os alemães. Certo?

    “porque investidores preferem investir em dívida perdendo dinheiro do que em negócios. Ninguém começa negócios, ninguém arrisca criar algo, ninguém faz coisa alguma.”
    Há muito tempo que os “investidores” investem em produtos especulativos (derivados, dívida pública, etc.) invés dos “negócios produtivos” (na “economia real”). Não é um problema de conjuntura, é algo estrutural deste “neoliberalismo” económico.

    “O argumento é ainda mais abjecto porque ainda por cima coloca o ónus como se os alemaões fossem culpados.”
    Quem? Como? Ao contrário de si eu diferencio políticas de povos.

  7. Miguel Noronha

    “Há muito tempo que os “investidores” investem em produtos especulativos (derivados, dívida pública, etc.)”
    Apraz-me registar que coloca a dívida pública nos “produtos espectulativos”. Mas é grave que quem se propõe falar destes temas não tenha ideia da função dos mercados financeiros e faça uma tremenda confusão entre os diversos produtos financeiros.

  8. “Apraz-me registar que coloca a dívida pública nos “produtos espectulativos”. Mas é grave que quem se propõe falar destes temas não tenha ideia da função dos mercados financeiros e faça uma tremenda confusão entre os diversos produtos financeiros.”

    Tem a razão (duas vezes) Miguel Noronha: 1) a dívida pública não é um “produto especulativo”, mas alvo de tremenda especulação (lapso meu). 2) de facto, não “tenho uma ideia” tão profunda e filosófica da função dos mercados financeiros como o Miguel, sou muito simplista: penso que a função “destes mercados” seja “ganhar dinheiro”, seja qual for o custo humano, social e ético. Pelo menos empiricamente é o que é, a roupagem “transcendente” deixo para os “blog-evangelistas” mais doutos neste e noutros assuntos.

  9. Miguel Noronha

    “sou muito simplista”
    Já tinha reparado. Mas deu para avaliar o nível de conhecimentos.

  10. Sabe como é, sou crente de que a intuição é um excelente ponto de partida para o conhecimento do universo. Ao contrário de si, que bafeja-nos com “conversa circular” e direccionada ao autor. É, portanto, um artista do comentário redutor.

  11. Miguel Noronha

    Eu referia-me a dinheiros públicos mas vejo que tem informações detalhadas que pretende partilhar.

  12. “Não é um problema de conjuntura, é algo estrutural deste “neoliberalismo” económico.”
    .
    O socialismo que se endivida para mostrar obra com o dinheiro dos outros (sendo estes outros uns malvados por quererem o seu dinheiro de volta) não tem nada de estrutural… É mesmo natural.

  13. pois

    E eu a pensar que tinha percebido que o problema de financiamento e respectivas taxas de juro passa por esses dois artigos,

  14. Miguel Noronha

    Se estudar um pouco de economia monetária (até pode ser a vesão neoclássicoa) já percebe

  15. pois

    Apanhou-me, a minha formação não é economia. Só alguém com conhecimentos como o Miguel consegue constatar os bons resultados que a austeridade está a trazer.

  16. Miguel Noronha

    Pronto. Não precisa ficar triste.
    De certeza que há qualquer coisa em que seja especialista. Nem que seja o Ben 10

  17. pois

    Não deixa de ser reconfortante saber que existem pessoas como o Miguel e o Mário Monti da Goldman Sachs com tantos conhecimentos de economia. Afinal o liberalismo dos mercados internacionais, (posso chamar-lhe liberalismo?), tem trazido óptimos resultados.

  18. Miguel Noronha

    “vai ter de me explicar
    Aqui não há Novas Oportunidades. Vai ter mesmo de estudar. O esforço vai ter se ser seu

  19. Mariana

    Seja o que for que aconteça ou o que se diga, Noronha andará sempre à procura de argumentos para realçar as virtudes daquele que tem mais dinheiro ou mais bombas. De certo que alguns Noronhas soviéticos, a seu tempo, intelectualizaram sobre as virtudes dos Gulags e outros Noronhas alemães discorreram sobre o racismo judeu em relação ao ariano puro nos distantes anos 30. Afinal, já naquele tempo haviam também muitos muros da desvergonha, não é verdade?

  20. “Seja o que for que aconteça ou o que se diga, Noronha andará sempre à procura de argumentos para realçar as virtudes daquele que tem mais dinheiro ou mais bombas.”

    Mesmo que não os encontre [os argumentos], ele “martela-os”, como um bom velho absolutista de mercado.

    “O socialismo que se endivida para mostrar obra com o dinheiro dos outros (sendo estes outros uns malvados por quererem o seu dinheiro de volta) não tem nada de estrutural… É mesmo natural.”

    Penso que, à excepção de um punhado de países, o regime económico que domina nas agremiações territoriais deste planeta é outro, o sacrossanto Capitalismo. O regime vigente, capitalismo com mantras neoliberais, é dependente de dívida, lucra com dívida e, consequentemente, estimula a dívida. Portanto, não é de espantar que seja “estrutural” que “os mercados”, na sua primordial missão de acumular riqueza, dêem primazia à especulação financeira em detrimento do financiamento “da economia real” (coisa do passado, sem dúvida).

  21. lucklucky

    ” A Alemanha está ganhar dinheiro ( você não leu o que o jornal Alemão destacou? ) e o Estado alemão também (financiar-se àquelas taxas é uma vantagem gigantesca).”

    E você continua…como especulador estatista. Não aprendeu nada nestes 10 anos.
    A Alemanha não ganha, perde. Nem vou entrar nos negócios que se perdem para o dinheiro ir para o Estado, para a economia política.
    Vejamos só um caso: Portugal. Qual foi um dos aspectos do desastre português?
    Os juros baixos que fizeram Portugal se endividar loucamente.
    A Alemanha terá todo o incentivo para se endividar ainda mais do já está – já não é pouco- e não terá economia que sustente a dívida – já está hoje para lá do limite com os outros compromissos.

    ““Uma Europa mais pobre faz os Alemães ficarem mais pobres.“;
    Depreendo pela sua expressão que é contrário à política “austeritária” que anda a governar a Europa e que, usando a lógica lucklucyiana, esta política de empobrecimento está a empobrecer Europa que, por sua vez, empobrece também os alemães. Certo?”

    E continua… Primeiro não há austeridade alguma: ninguém sequer começou a diminuir parte da dívida que é condição essencial.
    Segundo continua como especulador. Existe mais dinheiro que riqueza. mas você ainda quer ainda mais dinheiro, porque julga que ainda mais papel é mais riqueza.
    E depois os outros é que são especuladores.

    “porque investidores preferem investir em dívida perdendo dinheiro do que em negócios. Ninguém começa negócios, ninguém arrisca criar algo, ninguém faz coisa alguma.”
    Há muito tempo que os “investidores” investem em produtos especulativos (derivados, dívida pública, etc.) invés dos “negócios produtivos” (na “economia real”). Não é um problema de conjuntura, é algo estrutural deste “neoliberalismo” económico.

    Não. É algo estrutural aos Estados “Sociais” fora de controlo com um sistema político corrompido pela compra de votos e clientela. Além de aumentarem impostos. Não basta É preciso ainda vender dívida, défices sempre. Para isso tiveram os bancos centrais unidos em juros baixos durante esta década que passou. E assim continuam.

    Uma boa critica ao “liberalismo dos anos 80” que pode fazer é denunciar o falhanço dos bancos centrais.
    Mas esse falhanço pelos vistos está de acordo com ele….
    Os Bancos Centrais tiveram os seus poderes reforçados na década de 80 para impedir os políticos de imprimir dinheiro e repetir as altas inflações dos anos 70.
    Infelizmente a classe política-jornalista-financeira no Ocidente tornou-se cada vez mais igual, partilha cada vez mais da mesma cultura em vez de estar em posições antagónicas que sustentam o sistema e impedem bolhas de acontecer. Uma das razões é o mediatismo, ninguém quer ser visto como desmancha prazeres, pois assim fica sem futuro algum. Ora se todos pensam o mesmo é inevitável muito mais bolhas. A monocultura leva à implosão.
    Ora os Bancos centrais foram cada vez mais conformistas com os desejos políticos de facilitismo e própria sobrevivência no lugar. Quem quer parar crescimento de 4% ao ano e desemprego historicamente baixo porque o crédito saltou para níveis record. Se são todos como você não querem. Quem defender o contrário é um neo liberal sem coração é o motivo
    que lhe fica colado na testa.
    Como por lei não podiam imprimir papel fizeram tudo para imprimir papel futuro: facilitar o crédito.

    Nas Economia Ocidentais o Estado passou de 30’s% para mais de 50% numa boa parte dos países desde os anos 80. É isso a maior parte da causa.

    “O argumento é ainda mais abjecto porque ainda por cima coloca o ónus como se os alemaões fossem culpados.”
    Quem? Como? Ao contrário de si eu diferencio políticas de povos.

    Alemanha ganha dinheiro com desgraça dos outros e é culpada moral foi assim que entendi o que escreveu quando disse que não era só o Estado Alemão.

  22. Caro lucklucky, não há nenhum Estado que não “viva” de dívida. Não há nenhuma economia que não “viva” de dívida. É o corolário do “capitalismo com mantras neoliberais”. Portanto, se há um Estado que se financia (se endivida) com “taxas negativas” e a economia deste país se financia barato (através da gigantescas remessas de capital a preço de saldo) é mais que óbvio, tendo em conta o modelo “dividocrata”, que este país ganha, e muito.

    “Primeiro não há austeridade alguma: ninguém sequer começou a diminuir parte da dívida que é condição essencial.”
    A “austeridade” não é nenhum conceito filosófico ou económico. É um conjunto de medidas políticas (corte de salários, aumento de impostos, privatizações, depauperamento dos serviços do Estado, etc.) com impacto económico e social. A “austeridade” tem como objetivo prosaico de “reestruturar” a economia e a dívida, mas não funciona,como temos visto em vários laboratórios no mundo e na Europa. Pensava que o caso grego e os dados mais recentes da execução orçamental já o tinham esclarecido.

    “Existe mais dinheiro que riqueza. mas você ainda quer ainda mais dinheiro, porque julga que ainda mais papel é mais riqueza.”

    A banca é a maior produtora de “papel” neste sistema “dividocrata” e a principal interessada nas medidas expansionistas. Repare, mais uma vez, este problema (haver papel e não a correspondente riqueza de suporte) está inscrito em vários tratados e segue a máxima “dinheiro é dívida”. Começou com quem quebrou com “padrão ouro” e indexou a moeda ao “padrão petróleo”. Veja quem “produz dinheiro” (e forma como faz). Interessa aos “mercados financeiros” que continue assim, eles lucram imenso. Pouco tem a ver com Estados sociais.

    “Não. É algo estrutural aos Estados “Sociais” fora de controlo com um sistema político corrompido pela compra de votos e clientela. Além de aumentarem impostos. Não basta É preciso ainda vender dívida, défices sempre. Para isso tiveram os bancos centrais unidos em juros baixos durante esta década que passou. E assim continuam.”

    Bem, está confundir as finanças de um Estado com uma crise financeira sistémica. Pelo seu comentário, penso que seja daqueles que apontam que no “epicentro” desta enorme “crise financeira” estejam os défices e o Estado Social. Estes são a consequência, não a causa. Uma dica: o “subprime” não foi nenhum programa estatal de habitação social e a maior “bolha financeira” ainda está por rebentar.

    “Os Bancos Centrais tiveram os seus poderes reforçados na década de 80 para impedir os políticos de imprimir dinheiro e repetir as altas inflações dos anos 70.”

    Pelo contrário. Seguiram as leis do “consenso de Washington” e desregulamentaram, liberalizaram e permitiram a livre circulação de capitais. Não tiveram “os poderes reforçados”, desregulamentar e liberalizar não são sinónimos de poderes reforçados. Mais, basta a ver o que andaram a fazer (mais outras entidades reguladoras) desde do apanágio do neoliberalismo (anos 80) até ao prelúdio desta crise financeira (2006/2007).

    “Ora os Bancos centrais foram cada vez mais conformistas com os desejos políticos de facilitismo e própria sobrevivência no lugar. Quem quer parar crescimento de 4% ao ano e desemprego historicamente baixo porque o crédito saltou para níveis record. Se são todos como você não querem. Quem defender o contrário é um neo liberal sem coração é o motivo”.

    Os políticos são fantoches patrocinados por quem realmente ganha com este fluxo de papel. Os bancos centrais são hoje uma extensão dos grandes bancos mundiais. Basta ver a composição humana do BCE e do FED. Os “neliberais” defendem a desregulamentação, liberalização e privatização. São estes os desejos com que os bancos centrais e os políticos se conformaram. Um “neoliberal” é quem apoia isso, não o contrário. Só um aparte, bastou ver como que o “mercado” está tão bem regulado e controlado que a “mão invisível” adulterou as “taxas libor” na senda da auto-regulação. Só que a “mão invisível” era uma parte do mercado, ou seja, os seus players mais proeminentes que adulteraram as taxas para lucrar mais. Apenas isso. A auto-regulação só levará ao atropelo das leis com o objetivo de distribuir corporativamente o máximo lucro possível. Não é filosofia, é genética.

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