O muro da desvergonha

Excerto da crónica de Alberto Gonçalves no DN

É um dos princípios oficiais do “olimpismo”: toda a forma de descriminação relativamente a um país ou a uma pessoa com base na raça, religião, política, sexo ou outra é incompatível com a pertença ao Movimento Olímpico.

O engraçado é que não parece. Nos Jogos em curso, os judocas libaneses recusaram treinar no mesmo espaço que os seus adversários israelitas, manifestação discriminatória que em teoria enxotaria os atletas em causa da competição. Na prática, porém, a organização londrina optou por respeitar o ligeiro anti-semitismo e, apressada e discretamente, colocar uma espécie de muro que separasse as delegações. Ambas as partes aceitaram o compromisso e o episódio terminou aí, sem um castigo, um protesto, uma vigília, o esboço de um boicote concertado ao Líbano.

Se calhar é impressão minha, mas suspeito que o desfecho teria sido outro caso os belgas recusassem a proximidade de africanos, os americanos confessassem repugnância face a asiáticos ou, digo eu, os israelitas simulassem náuseas junto de árabes em geral. O “olimpismo” não tolera intolerâncias. Excepto a do costume.

17 pensamentos sobre “O muro da desvergonha

  1. lucklucky

    E o islamista tric – que lembra o euroliberal – finge-se de cristão. Quando a limpeza feita pelos Árabes Muçulmanos dos Árabes Cristãos está quase completa. E só não está mais por causa de existência de Israel.

  2. edgar

    O Alberto Gonçalves a insurgir-se contra a descriminação “com base na raça, religião, política, sexo ou outra”(!?), citado no Insurgente?
    Não há dúvida que o mundo está a adr uma grande volta…

  3. A. R

    Até uma moçoila enviam para casa por não aprovarem o namorado. A rapariga vai ter que pedir autorização para namorar a estes comités e apresentar a biografia do namorado.

  4. “Olimpismo”, mais uma ‘jura’ entre outras. Temos todos, infelizmente, assuntos bem mais sérios com que nos preocuparmos: O flagêlo da fome, é um excelente exemplo!

  5. Rafael Ortega

    Estas pessoas ainda não aprenderam que racismo é só se for de brancos contra outras raças ou étnias.

    Quando houve uma bronca há uns anos em Loures e as comunidades cigana e africana andaram aos tiros uns aos outros no meia da rua, andaram a dizer às televisões que detestavam os outros, que os iam correr do bairro a tiro de caçadeira, etc., veio toda a esquerdalhada dizer que aquilo não era racismo (que é coisa de brancos burros e de direita), era preconceito interétnico (que é coisa de pessoas boas e simples, mas que não lhes explicaram ainda as maravilhas do multiculturalismo).

  6. jhb

    “aquilo não era racismo (que é coisa de brancos burros e de direita)”

    Para os brancos burros e de direita, racismo é uma pessoa de uma raça nao gostar de outra por esta ser de uma raça diferente. O racismo, propriamente entendido, tem a ver com outras coisas para além da cor da pele (digamos assim) que os brancos burros e de direita nao sao capazes de entender. E também nao lhes interessa entender, porque nao estao minimamente interessados em combatê-lo. A sua indignaçao com casos desse tipo é que como nao sao considerados racismo, nao lhes permite dizer que “racismo há em todas as raças” e assim desculpar o seu, este sim, racismo, de branco burro e de direita.

  7. pois

    “Ninguém a impede de escrever sobre o tema no seu blog”
    Aparentemente também ninguém o impede de ser tendencioso no seu.

  8. Miguel Noronha

    “Aparentemente também ninguém o impede de ser tendencioso no seu.”
    Pode fazer um blog apenas dedico a expor aquilo que acha ser o meu facciosimo. Está a ver? Já lhe deu uma excelente ideia para um blog. Quem é amigo?

    “Amigo, aconselho-o a ir falar com o Ricardo Campelo de Magalhães”
    Sempre é mais inteerssante do que falar consigo. É capaz de ser um bom conselho.

  9. pois

    “Sempre é mais inteerssante do que falar consigo.”
    Não se importa se eu fizer minhas estas suas palavras?

  10. pois

    “Pode fazer um blog apenas dedico a expor aquilo que acha ser o meu facciosimo.”
    Faria um blog se tivesse algo mais a acrescentar ao que já é dito, e bem, por esse mundo fora. Ao contrário de certas pessoas que eu conheço.

  11. Miguel Noronha

    “Não se importa se eu fizer minhas estas suas palavras?”
    Absolutamente. Mas você é que insiste em falar comigo.

  12. edgar

    jsp, tem razão, peço desculpa.
    Li o texto e continuei no erro pensando no crime do racismo.
    Foi um lapso, esqueci-me de reler o meu comentáriocomentário.

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