Ensaio sobre a tolerância, e sobre as qualidades morais de quem não a pratica

It is easy to be conspicuously compassionate if others are being forced to pay the cost
Murray Rothbard
Esta é a falácia moral, bem revelada por Rothbard, Rand, Peikoff, e outros, que muitos ignoram (ou fazem por ignorar): a redistribuição efectuada pelos mecanismos estatais (vulgarmente designada de “solidariedade”) não radica na genuína bondade humana, é de uma bondade forçada, imposta, paga com o dinheiro dos outros. A solidariedade é, no limite, e no plano moral, um acto de egoísmo, porque fundamentalmente não se aspira a um acto de solidariedade do sujeito para com os outros, mas dos outros para com o próprio. A solidariedade tem o seu suporte na lei, e não no coração dos homens, nem no exercício da liberdade. É fácil ser solidário; difícil, é ser generoso.
Adenda: Há aqui na caixa de comentários um debate interessante, mas que está mais centrado no plano da eficiência do que propriamente nas razões morais que eu aponto no post. No plano utilitário, podemos discutir se é mais eficiente ou não haver mais ou menos solidariedade, leia-se, redistribuição forçada, e se ela pretende garantir a segurança ou diminuir as desigualdades (aceito a primeira, desconfio que a segunda, friso, no plano da eficiência, não tem acontecido). Já no plano moral, considero que não há valor moral em actos em que as consequências são suportadas por terceiros, e em que a iniciativa te carácter legal, e não voluntário. Era simplesmente esse o motivo do post. Aceito discutir o tema no plano utilitarista, e se tiver tempo, ainda hoje, faço um curto post sobre isso (também publicado na caixa de comentário).

52 pensamentos sobre “Ensaio sobre a tolerância, e sobre as qualidades morais de quem não a pratica

  1. Paulo Pereira

    O sistema dual capitalismo / estado social é o mais eficaz até hoje inventado.

    O estado social fornece aos capitalistas uma populacao saudável, educada e com elevados níveis de consumo .

    Toda a sociedade ganha , mas quem mais ganha são os empreendedores , que são quem carrega a economia nos seus ombros !

  2. jhb

    “não radica na genuína bondade humana”…
    Exacto. Deixar algo tão importante como a ajuda aos mais carenciados à “bondade humana”, algo tão idiossincrático e variável, seria colocar
    a vida destas pessoas ao sabor dos humores das outras.

    “A solidariedade tem o seu suporte na lei, e não no coração dos homens, nem no exercício da liberdade.”

    Como devia ser. O coração dos homens é demasiado inconstante. A lei existe para dar estabilidade às sociedades.

  3. Carlos Duarte

    Caro RAF,

    Em termos “frios e calculistas” (se quiser), é no interesse da Sociedade em geral a existência de um certo nível de assistencialismo (ou “solidariedade”) pois permite mitigar tendências eventualmente destrutivas resultantes da existência de desigualdade extrema. Ou seja, é um mecanismo de auto-defesa.

    Em termos morais, aí discordo do assistencialismo social ser um “acto forçado” de carácter singular. É tão forçado como outro qualquer acto de governo (como a manutenção da chamada “ordem pública”).

  4. paam

    Caro jhb,

    “Deixar algo tão importante como a ajuda aos mais carenciados à “bondade humana”, algo tão idiossincrático e variável, seria colocar
    a vida destas pessoas ao sabor dos humores das outras.”

    “O coração dos homens é demasiado inconstante. A lei existe para dar estabilidade às sociedades.”

    O Estado não nos alimenta mas nós não morremos à fome. Não sei se vive em Portugal, mas se procurar há uma coisa chamada Banco Alimentar, criada por instituições particulares de solidariedade, sustentada pela idiossincrática e variável “bondade humana” portuguesa, que providencia assistência a centenas de milhares de pessoas carenciadas e, pelo que tenho observado, tem funcionado muito bem. E conseguem-no através “Lutaa contra o desperdício, recuperando excedentes alimentares, para os levar a quem tem carências alimentares, mobilizando pessoas e empresas, que a título voluntário, se associam a esta causa.”

    Por isso, permita-me discordar porque a verdade é que a sociedade civil portuguesa já deu provas que, sem intervenção do Estado, consegue fazer mais com menos de forma voluntária.

  5. jhb

    Caro paam,

    Por mais louvável que seja o trabalho do banco alimentar contra a fome, há que reconhecer que o seu alcance é limitado e que o problema da probreza necessita a mobilizaçao de recursos muito superiores aos disponibilizados pela sociedade civil (senao fosse assim, a pobreza já tinha sido erradicada já há muito tempo). Além disso estes recursos tem de ser mobilizados em permanência e de uma forma espacialmente abrangente o que implica a existência de estruturas fixas de apoio dedicadas inteiramente a esta missao.

    Outra coisa, a solidariedade nao se resume a dar de comer a quem tem fome e de beber a quem tem sede. O, ou um, sistema de ensino público gratuito e universal é talvez a melhor arma de combate à pobreza. E quem diz de ensino, diz também de saúde. Daí que a solidariedade seja uma questao de políticas públicas e nao de vontade privada. É que como diz o autor do post, ser generoso é díficil…

  6. Carlos Duarte

    “Uma espécie de pagamento de protecção?”

    É um contraponto “soft power” (se quiser) à polícia / tribunais. Em termos práticos “troca” intimidação (ou te portas bem, ou vais preso) por suborno (não precisas de te portar mal porque nós cuidamos de ti).

  7. Carlos Duarte

    Caro paam,

    De acordo, mas caso não existam essas associações ou se as mesmas não forem universais, o Estado deve “ocupar” as lacunas. O Estado deve servir como “rede de segurança” caso as restantes salvaguardas sociais (que podem e devem ser incentivadas por este – nem que seja não atrapalhando!) falhem.

  8. “…porque a verdade é que a sociedade civil portuguesa já deu provas que, sem intervenção do Estado, consegue fazer mais com menos de forma voluntária…”

    Há centenas de anos que já damos provas disso.
    E não é só na “sopa dos pobres”.
    E também globalizámos esse modo de conduta, para outros povos.

    Estudar um pouco de História de Portugal não fazia mal a ninguém.
    (Escrita por Historiadores, não por bloquistas…)
    .

  9. “…o problema da probreza necessita a mobilizaçao de recursos muito superiores aos disponibilizados pela sociedade civil (senao fosse assim, a pobreza já tinha sido erradicada já há muito tempo).”

    Caro jhb

    Não sei se reparou, mas nesta frase nega a sua própria opinião…
    .

  10. “Daí que a solidariedade seja uma questao de políticas públicas e nao de vontade privada.”

    Caro jhb

    Chame a isso outra coisa qualquer.
    Quem é pago para fazer um trabalho, por muito competente que seja, não está a ser Solidário.
    Solidariedade implica empatia e isso não se decreta…
    .

  11. ” a redistribuição efectuada pelos mecanismos estatais (vulgarmente designada de “solidariedade”) não radica na genuína bondade humana, é de uma bondade forçada, imposta, paga com o dinheiro dos outros”
    Acho que ninguém pretende que a chamada “solidariedade” radique na bondade humana. As políticas públicas de “solidariedade” são essenciais para um país funcionar.
    Deixar as pessoas ignorantes a morrerem à fome e de doenças, por exemplo, destrói qualquer Estado. Para já aumenta a criminalidade e origina revoltas. O que o Estado pouparia em gastos sociais seria em grande parte gasto em segurança, isto é, em repressão.
    Depois a “solidariedade” tem por efeito aumentar a mobilidade social e a educação das populações, factores essenciais não só ao progresso mas também à manutenção do próprio Estado.
    Há dois mil anos havia no Mundo dois Estados com populações semelhantes e um produto interno bruto semelhante, Roma e China.
    Destes, a China continua a existir, mais pujante do que nunca enquanto que o Império Romano há muito que desapareceu. Porquê?
    Bom, podemos alinhar várias razões, uma é de que se calcula que a taxa de alfabetismo no Império Romano nem chegava ao 1% enquanto que na China andaria pelos 20%…
    Ahhh! E outra razão.
    Li em tempos que as instituições mais antigas que havia no Mundo eram a Igreja Católica e a China e que tinham em comum um ponto muito importante, em qualquer delas, qualquer jovem por mais humildes que fossem as suas origens, se estudasse e trabalhasse podia aspirar aos mais altos cargos. O que era verdade, na Igreja Católica um pobre que entrasse para um seminário podia chegar a cardeal e, na China, existiam os exames de mandarinato que permitiam a qualquer chinês, desde que fosse culto, chegar aos mais altos postos do Império.
    Em resumo, a “solidariedade” pública é uma política ditada pela inteligência e pela sobrevivência…

  12. Joaquim Amado Lopes

    paam (8),
    “Por mais louvável que seja o trabalho do banco alimentar contra a fome, há que reconhecer que o seu alcance é limitado e que o problema da probreza necessita a mobilizaçao de recursos muito superiores aos disponibilizados pela sociedade civil (senao fosse assim, a pobreza já tinha sido erradicada já há muito tempo).”
    Não será precisamente o contrário?

    Apesar dos vastíssimos recursos “mobilizados” pelo Estado, a pobreza não foi erradicada. Assim, fará muito mais sentido argumentar que o Estado não consegue resolver o problema da pobreza, que os recursos que retira à sociedade civil para o tentar resolver poderiam eventualmente ser muito melhor usados por esta na criação (e distribuição?) de riqueza e que o assistencialismo do Estado na realidade tem contribuido para a perpetuação e até aumento da pobreza.

  13. jhb

    “Não sei se reparou, mas nesta frase nega a sua própria opinião…”

    Mais claro: se os recursos mobilizados pela sociedade civil fossem suficientes para erradicar a pobreza, esta já tinha sido erradicada porque a sociedade civil já há muito que vai tentanto…

  14. jhb

    “Quem é pago para fazer um trabalho, por muito competente que seja, não está a ser Solidário.”

    Nao me referia ao trabalho no terreno, mas sim à questao da definiçao das políticas públicas.
    Ainda assim, se é uma questao de $$$ há trabalhos muito melhor pagos que os de assistente social, por ex.

  15. jhb

    “Apesar dos vastíssimos recursos “mobilizados” pelo Estado, a pobreza não foi erradicada. Assim, fará muito mais sentido argumentar que o Estado não consegue resolver o problema da pobreza, que os recursos que retira à sociedade civil para o tentar resolver poderiam eventualmente ser muito melhor usados por esta na criação (e distribuição?) de riqueza e que o assistencialismo do Estado na realidade tem contribuido para a perpetuação e até aumento da pobreza.”

    As políticas de solidariedade existem porque a sociedade civil nao foi capaz de resolver o problema da pobreza. Terá sentido voltar atrás neste aspecto?

  16. APC

    E o Estado tem sido assim tão eficaz? É que me parece que quando o dinheiro começa a escassear, escasseia por todo o lado, apostar em politicas absolutamente ineficazes vai, como o Joaquim Amado Lopes referiu e bem, perpetuar e agravar a pobreza já existente, quando esses recursos poderiam estar a ser canalizados para algo muito mais produtivo… o Estado para dar a uns tem de tirar (mais) a outros.

  17. Joaquim Amado Lopes

    jhb (20),
    “As políticas de solidariedade existem porque a sociedade civil nao foi capaz de resolver o problema da pobreza.”
    Também se pode argumentar que as “políticas de solidariedade” existem porque são uma forma de controlo sobre a população (os que recebem e os que pagam) e de comprar votos. E que são essas políticas que perpetuam a pobreza.

  18. jhb

    “Também se pode argumentar que as “políticas de solidariedade” existem porque são uma forma de controlo sobre a população (os que recebem e os que pagam) e de comprar votos.”

    Também se poderia argumentar que muitos daqueles que praticam a solidariedade adoptam uma posiçao de superioridade moral sobre aqueles que eles próprios pretendem ajudar e muitas vezes caem na tentaçao de ditar como é que os pobres hao de levar as suas vidas ou de ditar o sentido do voto dos mesmos…

  19. Diga-se que todo este argumento só faz sentido se dirigido a quem defenda a redistribuição coerciva com argumentos de “solidariedade”; para quem a defenda com argumentos do género “os pobres têm direito a (pelo menos parte) da riqueza dos ricos, e portanto a redistribuição – seja feita através do IRS ou através do «dá o telemóvel ou levas» – é simplesmente por essa riqueza nas mãos dos seus legitimos usufutuários” esse argumento não tem grande relevância.

  20. Vasco

    Tanta gente a declarar o politicamente correcto!!
    As pessoas têm é que se fazer à vida e o resto é música!

  21. pois

    Eu não o julgo, religiosamente falando. Agora você poderia começar a olhar para o espelho antes de começar a apontar o dedo aos outros.

  22. A. R

    Tirar-nos à força para dar aos outros é uma espécie de escravatura imposta pelos ociosos sobre quem trabalha.

  23. pois

    Pagar salários miseráveis e obrigar as pessoas a pedir para comer é uma espécie de escravatura imposta pelos donos do capital a quem trabalha.

  24. pois

    Religiosamente falando. O resto são questões éticas.
    Eu percebo que não me perceba, afinal não percebe nada do livrinho que tanto gosta de apregoar.

  25. Há aqui na caixa de comentários um debate interessante, mas que está mais centrado no plano da eficiência do que propriamente nas razões morais que eu aponto no post. No plano utilitário, podemos discutir se é mais eficiente ou não haver mais ou menos solidariedade, leia-se, redistribuição forçada, e se ela pretende garantir a segurança ou diminuir as desigualdades (aceito a primeira, desconfio que a segunda, friso, no plano da eficiência, não tem acontecido). Já no plano moral, considero que não há valor moral em actos em que as consequências são suportadas por terceiros, e em que a iniciativa te carácter legal, e não voluntário. Era simplesmente esse o motivo do post. Aceito discutir o tema no plano utilitarista, e se tiver tempo, ainda hoje, faço um curto post sobre isso.

  26. pois

    Tem toda a razão Rodrigo, eu não estava centrado no Post, apeteceu-me trolar o Vasco, por vezes dá-me para estas coisas. Mas abdico do seu convite, se não se importa. Colocando a moralidade da coisa de parte, que moral só tem valor individualmente, considero que em termos de eficiência o estado social tem muitas lacunas, é verdade, mas deixar o cuidado dos mais desfavorecidos ao livre arbítrio da caridade, resulta no que resultou a história da humanidade nos anos anteriores à instalação do dito. Lamento não ter tempo mas tenho que ir fazer qualquer coisa pela vida para não ser acusado de ocioso.

  27. Joaquim Amado Lopes

    jhb (23),
    “Também se poderia argumentar que muitos daqueles que praticam a solidariedade adoptam uma posiçao de superioridade moral sobre aqueles que eles próprios pretendem ajudar e muitas vezes caem na tentaçao de ditar como é que os pobres hao de levar as suas vidas ou de ditar o sentido do voto dos mesmos…”
    Quem pratica a “solidariedade” fá-lo-á por motivos que interessam ao próprio e a mais ninguém. E se impõem condições à prestação da “solidariedade”, os “beneficiários” têm a capacidade de recusar ambas.
    O que os “beneficiários” da “solidariedade” não podem fazer é EXIGIR que os “solidários” prestem a “solidariedade” sem impôr quaisquer condições.

  28. paam

    Temos mesmo um problema cultural grave. Ainda se tenta acabar com os problemas por decreto. Porque é que não decretamos, por exemplo, o fim do insucesso escolar? Obrigamos um aluno de 18 valores a “ceder”, por uma questão de solidariedade, 8 valores a um aluno que tenha tido uma negativa de 2 valores. Desta forma ambos os alunos têm positiva e acabamos com o insucesso escolar. Acham que funcionava? Não, o aluno de 18 valores deixada de estudar já que não via qualquer retorno do seu esforço. É justo? Não. Então porque é que acham justo obrigar uma parte da sociedade a ceder parte do seu salário para pagar uma renda, nalguns casos ad aeternum, a outra parte da sociedade? Depois acontece a mesma coisa que no caso do aluno de 18 valores. Os trabalhadores não veêm qualquer retorno do seu trabalho e nalgum casos conseguem mais beneficios sem fazer nada do que a trabalhar e a ganhar 485 euros.

    Só para referir um caso concreto, conheço um individuo que não trabalha à mais de uma década, recebeu uma casa nova com uma renda ridicula, paga àgua, luz e gás a preços irrisórios, têm direito a um “salário” livre de impostos, levam-lhe a comidinha preparada a casa, não paga quaisquer impostos, incluindo taxas moderadoras, e ainda faz uns biscates não declarados. No final do mês consegue mais que muitas pessoas que trabalham. Com este sistema de solidariedade compensa trabalhar? E não me venham dizer que é um caso isolado porque as formas de abuso deste sistema de solidariedade são conhecidas de todos. O que não falta são pessoas que trabalham durante 6 meses para depois ficarem em casa durante os próximos 18 meses a receber o subsídio de desemprego.

    Solidariedade sim, mas para quem realmente precisa e de forma voluntária.

  29. jhb

    “E se impõem condições à prestação da “solidariedade”, os “beneficiários” têm a capacidade de recusar ambas.”

    Este é o argumento mais utilizado para excusar os abusos dos “piedosos”.

    Seria um pouco como um escravo a bordo de um navio negreiro no meio do oceano pedir melhores condiçoes
    e o capitao dizer-lhe “ou aceitas as condiçoes ou podes abandonar o barco. Ninguém te vai impedir”.

    “O que os “beneficiários” da “solidariedade” não podem fazer é EXIGIR que os “solidários” prestem a “solidariedade” sem impôr quaisquer condições.”

    Porque nao? Se o propósito é dar de comer a quem tem fome, porque nao dar-lhes de comer simplesmente?…

  30. Joaquim Amado Lopes

    jhb (39),
    Suponho que nunca tenha ouvido o ditado “dá um peixe a um homem e alimenta-o por um dia, ensina-o a pescar e alimenta-o para a vida”.

    O “propósito” é o que quem dá quiser. Pela minha parte, acredito que o objectivo não deve ser dar de comer a quem tem fome mas ajudar quem não tem condições para ganhar o seu sustento a poder vir a ter essas condições. Isso inclui dar-lhe de comer no entretanto. Mas “dar peixe” a quem, podendo, não quer “aprender a pescar” é um desperdício de comida.

    Quanto à comparação de “solidariedade” com “um escravo a bordo de um navio negreiro” só tenho uma pergunta: perdeu completamente a noção do ridículo ou não faz ideia do que está a ser discutido?

  31. Paulo Pereira

    O papel da solidariedade aplicada através do Estado Social pertence a uma moral mais fundamental que a individual, que é a moral do interesse da grande maioria.

    Uma sociedade capitalista altamente complexa, com elevadissimo nivel e qualidade de vida como a actual precisa de mecanismos que assegurem o seu funcionamento.

    Só um mecanismo como o Estado Social comprovadamente assegura a manutenção e evolução do capitalismo e do aumento continuo da qualidade de vida.

    O Estado Social tem um custo irrisório face aos beneficios que produz no presente e no futuro. Grande parte dos custos são reciclados em consumo de bens e serviços produzidos pelo sector privado.

  32. Carlos Duarte

    Caro RAF,

    Uma lei anti-esclavagista é moral por si mesmo? Ou seja, ao estar a forçar alguém a abdicar de direitos e propriedade sua (esclavagistas) para benefício de terceiros (os escravos) torna o “acto” de libertar um escravo um acto não-moral por não ser voluntário?

  33. jhb

    Joaquim Amado Lopes,

    Quanto ao “ensinar a pescar”, lembro-lhe que esse é o objectivo de um sistema de educaçao público, gratuito e universal, onde qualquer pessoa possa aprender o que necessita para singrar na vida, independentemente de ter capacidade ou nao de cobrir os custos da sua educaçao. Este sistema, por isto mesmo, é um dos pilares da solidariedade social.

    Quanto ao meu sentido do rídiculo, duas coisas:

    1. Um pobre, tal como um escravo, nao desejou ser tal coisa. As circunstancias da vida é que o levaram à sua condiçao.
    2. Um pobre, tal como um escravo, encontra-se numa posiçao de extrema fragilidade social, dependendo de outras pessoas para
    a sua sobrevivência. E, obviamente, sujeito ao arbitrío das pessoas que se encontram em posiçoes de força em relaçao a ele.

  34. Demasiada ética e pouca moral nalguns comentários…

    Desenhámos o ateísmo para substituir as religiões… O Cristianismo é bem mais coerente com a Natureza humana e a necessidade intrínseca do ser humano em fazer o bem e o sucesso duma sociedade…

  35. pois

    Voltando às questões de fé:
    Não pude deixar de reparar que há certos pecados mortais que são mais mortais que outros. Numa sondagem oficiosa, aqui nesta casa reparei que a inveja como, pecado mortal, teve uns absolutos 5 votos positivos, enquanto que a inveja, como pecado mortal, teve somados 5 votos negativos. Ora meus amigos, os pecados mortais valem todos os mesmo, não vale andar a escolher. Inclui a soberba que é aquele pecado mortal que vocês cometem quando se acham no direito de dizer aos outros o que fazer ou não fazer com as respectivas partes genitais.
    Caro Mauro, levaram anos a tentar lavar-me o cérebro, não conseguiram, não é você concerteza que vai ser bem sucedido. Os ateus que conheço fazem muito mais pelo bem e sucesso da sociedade que os hipócritas como o senhor.

  36. Carlos Duarte,

    Dogmaticamente, ninguém é libertado por outrem, na medida em que ninguém deixa de ser livre, se considerarmos que a liberdade é um estado interior. A escravatura traduz-se na privação total do uso da liberdade, e nessa medida, viola um dos direitos mais básicos e essenciais à realização pessoal. O erro do seu raciocínio é assumir que alguém liberta outrem, quando em rigor, o que se deve pensar é na possibilidade do escravo exercer voluntariamente a sua liberdade. Há aí, peço desculpa, um raciocínio um bocado enviesado.

  37. pois

    Rodrigo, grande volta não?
    Assim, dogmaticamente, também se pode dizer que quem é “obrigado” a pagar para o estado social também nunca perde a sua liberdade, porque essa é interior, ou não?
    Está-me a baralhar, ou isso ou anda baralhado.

  38. pois

    Mauro Germano, creio que lhe devo um pedido de desculpas.
    Só considero hipócrita a direita religiosa.
    Posso-me ter enganado em relação a sí, perdoe-me a o preconceito em relação à sua presença aqui.

  39. Joaquim Amado Lopes

    jhb (43),
    O que diz sobre o sistema de ensino só se aplica ao ensino obrigatório (que foi alargado de forma irresponsável e demagógica até ao 12º ano), não ao ensino superior. A partir daí, a formação/educação deve ser responsabilidade de cada um.

    Quanto ao resto, o seu “raciocínio” falha num aspecto elementar (daí as aspas): ao contrário da pobreza, a escravidão é imposta, mantida pela força e constitui a negação de um direito absoluto e inquestionável.
    Há quem tenha mais facilidades na vida porque teve a sorte de nascer com mais aptidões que a média ou tem quem o ajude mas isso não é nem nunca pode ser reclamado como tratando-se de um direito.

    “1. Um pobre, tal como um escravo, nao desejou ser tal coisa. As circunstancias da vida é que o levaram à sua condiçao.”
    Ninguém escolhe ser obeso. Ninguém escolhe ser diabético, Ninguém escolhe ser calvo prematuramente. Ninguém escolhe ser infeliz no casamento. Ninguém escolhe que os filhos o/a desrespeitem.
    Obesidade, diabetes, calvície prematura, infelicidade matrimonial e bestas como filhos não tornam ninguém comparável a um escravo.

    “2. Um pobre, tal como um escravo, encontra-se numa posiçao de extrema fragilidade social, dependendo de outras pessoas para a sua sobrevivência. E, obviamente, sujeito ao arbitrío das pessoas que se encontram em posiçoes de força em relaçao a ele.”
    Isso aplica-se a todos os que, por velhice ou doença, dependam de outros para satisfazer as suas necessidades básicas e não os torna escravos. Não se aplica aos pobres a menos que estes sejam impedidos de estudar e/ou trabalhar mas nesse caso não são comparáveis a escravos, são efectivamente escravos.

    Se insistir em que a pobreza é equivalente à escravatura apenas confirma que perdeu realmente a noção do ridículo.

  40. jhb

    Tranquilize-se, eu não disse que pobreza é equivalente a escravatura.
    Quando se diz que os portugueses, tal como os espanhóis gostam de ir à praia, não se está a dizer que os portugueses são como os espanhóis, ou sim?

    “…Ninguém escolhe ser calvo prematuramente…”
    Agora quem perdeu o sentido do ridículo é você. Estamos a falar de condições sociais. Se alguém é calvo, obeso ou diabético pode muito bem lidar com isso de uma forma satisfatória.

  41. Joaquim Amado Lopes

    jhb (51),
    “Tranquilize-se, eu não disse que pobreza é equivalente a escravatura.
    Quando se diz que os portugueses, tal como os espanhóis gostam de ir à praia, não se está a dizer que os portugueses são como os espanhóis, ou sim?”
    Estou a perceber. Na minha ingenuidade, pensei que estava a referir semelhanças entre pobres e escravos relevantes para a discussão mas afinal eram meros comentários laterais, do género “os portugueses, tal como os espanhóis gostam de ir à praia”.

    “Estamos a falar de condições sociais. Se alguém é calvo, obeso ou diabético pode muito bem lidar com isso de uma forma satisfatória.”
    O que é que isso significa?

    As condições sociais, tal como as condições médicas, dependem de muitos factores além da vontade de cada um, podem ou não ser impostas por terceiros, podem ou não ser alteradas por acção do próprio e podem ou não ser algo com que se consiga viver “uma forma satisfatória”.
    Não existe o direito a não ser pobre da mesma forma que não existe o direito a ser saudável ou feliz. É-se pobre, doente ou feliz em consequência de uma série de factores, decisões e acontecimentos. O que existe é o direito a não se poder ser impedido de se fazer por não ser pobre ou por ser saudável ou feliz. No respeito pelos direitos dos outros, naturalmente.

    E exactamente o que quer dizer com “satisfatório”? Por acaso ser pobre implica necessariamente uma vida insatisfatória?
    O que é que “ser pobre” significa para si? Um “pobre”, para poder ser classificado como tal, não tem acesso a quê concretamente?

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