Sobre as razões do recente aumento no desemprego

“Subida do desemprego: um drama inevitável?” de Tavares Moreira (Quarta República)

A verdade é que o excesso de despesa em que a economia portuguesa viveu anos a fio, desde pelo menos 1997, em boa parte alimentado por gastos excessivos do sector público, ajudou a criar e expandir toda uma série de actividades, sobretudo no domínio dos serviços e do comércio – restauração, cafetarias, serviços de saúde e beleza, de limpeza, comércio a retalho, etc, etc – todas de mão-de-obra intensiva, que, quando a crise financeira se abateu sobre a economia, começaram a desaparecer como espuma batida pelo vento.

Acrescentemos a isso o sobredimensionamento do sector da construção e obras públicas, este alimentado por uma política de crédito bancário inacreditavelmente generosa, que o elevou a um nível de endividamento absurdo, o qual tem sofrido quebras acentuadíssimas da produção devido à semi-paralisia do mercado de habitação e à redução drástica das obras públicas – e também ele mão-de-obra intensivo.

Os sectores citados (…) têm sido os grandes alimentadores do desemprego, a que se somam muitas indústrias situadas a montante do sector da construção civil e obras publicas que viram o seu nível de actividade entrar em queda abrupta, arrastadas pelo colapso daquele sector.

O desemprego é, sem dúvida, uma chaga social que urge combater…mas o combate mais eficaz teria sido não incorrer nos imensos disparates de política económica e financeira cometidos ao longo de anos a fio, tendo atingido quase o delírio nos 6 anos que antecederam o terrível acordo com a Troika. Tendo abdicado desse combate, o desemprego tornou-se agora tão dramático quanto inevitável.

Um pensamento sobre “Sobre as razões do recente aumento no desemprego

  1. Trinta e três

    Análise simpática a de Tavares Moreira, como simpáticas são todas as análises feitas por quem, de algum modo, contribuiu para o estado das coisas. A relação estabelecida entre o crescimento que tivemos e a construção está corretíssima, mas longe de poder ser associada a qualquer “generosidade” do setor bancário (e são estes “eufemismos” que nos impedem sempre de ir à verdadeira causa das coisas). Tratou-se, isso sim, de parte de uma estratégia agressiva e vampiresca desse setor que, hoje, estamos a pagar. Depois- como sempre- cala-se a situação atual da indústria (sim, ainda existe!), sobretudo a exportadora, completamente “atropelada” pela crise europeia. Parece que há algum receio em discutir as estratégias da União Europeia, sobretudo quando se foi um seu defensor.

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