Em plena “silly season”

Passar férias fora de casa é um direito. Nem que seja com o dinheiro dos outros. Já sei a quem vou pedir financiamento para as minhas viagens.

51 pensamentos sobre “Em plena “silly season”

  1. Nós somos viciados em Silly Seasons. Tanto, tanto, que até a constitucionalizamos. Veja-se o ponto 2.d) do 59º artigo da Constituição Portuguesa:

    “Incumbe ao Estado assegurar as condições de trabalho, retribuição e repouso a que os trabalhadores têm direito, nomeadamente o desenvolvimento sistemático de uma rede de centros de repouso e de férias, em cooperação com organizações sociais.”

    E mais nada!

  2. Miguel Noronha

    A constituição foi elaborada em plena silly season. Essa da “rede de centros de repouso” (presumo que a função seja exercida pelo INATEL) é do melhor.

  3. Miguel Noronha

    “É ir à vontade que o dinheiro depois “aparece”.”
    Nessa só o Jorge Sampaio é que acredita.

  4. Miguel Noronha

    Claro que não. Foi má vontade minha. Como aliás se pode constatar pela citação do artigo que aqui deixo:

    “Não me digam que não há dinheiro porque isso é falso. Quando se diz que Portugal é o País mais desigual da Europa diz-se que o dinheiro, mais do que ser pouco, está mal distribuído. Fosse outra a nossa organização social e, este Verão, a maioria dos portugueses poderia sair de casa para descansar e divertir-se com as suas famílias. Como é direito seu.”

  5. José Pedro

    Não sei se:
    1) Daniel Oliveira pensa mesmo que os ricos são tudo uma cambada de gatunos ou
    2) está apenas na demagogia

  6. António Machado

    É um direito falar, é um direito respirar, para os pobrezinhos tudo é um direito. Para quem dá de comer a essa gente é só deveres. No tempo do meu pai tinhamos na fábrica dezenas de crianças a trabalhar sete dias por semana com mais rentibilidade que as dezenas de homens que emprego hoje. Ainda por cima estes têm direito a dois dias de descanso por semana, ordenado no final do mês, férias e mais férias. E eu a pagar, em vez de ficar com dinheiro para investir mais e dar de comer a outros.

  7. Aqui está um brilhante exemplo da mentalidade que ainda existe nalguns empresários portugueses (felizmente, já não são muitos). Pelo caminho que defendem, Portugal teria que se esforçar por ser a China da Europa (em falta de regulamentação das relações laborais, entenda-se).

  8. jhb

    Caro António Machado,

    Não se preocupe. Com o andar das coisas, em poucos anos o sistema publico de educação português irá desaparecer e o mercado de trabalho infantil voltará a florescer…

  9. “Com o andar das coisas, em poucos anos o sistema publico de educação português irá desaparecer e o mercado de trabalho infantil voltará a florescer…”

    Impossível. As políticas estatistas conduzem sempre ao progresso da humanidade. Como aliás se constata pelas últimas décadas em Portugal.

    O que faz falta é um líder com coragem para partir os dentes aos “especuladores” e aos “mercados” (um Louçã, um Castro, um Chávez ou, quem sabe, um Machado) e tudo voltará a entrar nos eixos do Progresso.

  10. jhb

    “Impossível. As políticas estatistas conduzem sempre ao progresso da humanidade. Como aliás se constata pelas últimas décadas em Portugal.”

    Eu diria que passar de uma taxa de analfabetismo de 30% para uma de 9% (ainda bastante alta) em 30 anos é progresso.

  11. António Machado

    O senhor André está a insinuar que hoje se vive melhor do que no tempo do Senhor Doutor Professor António de Oliveira e Salazar? Não sabia que entravam comunas neste blogue.

  12. Miguel Noronha

    “Bom exemplo da má interpretação que faz do que lá é dito”
    Ora então explique lá a sua versão.

  13. “Não sabia que entravam comunas neste blogue.”

    Entram bastantes. Especialmente nas caixas de comentários. Suponho que sejam atraídos pela audiência do blogue.

    Quando os comentários são inteligentes, a presença dos ditos comunas é apreciada.
    Quando se limitam a ser palhaçõs, nem por isso. Mas mesmo esses, dentro de certos limites, sempe vão dando algum colorido à coisa.

  14. “Eu diria que passar de uma taxa de analfabetismo de 30% para uma de 9% (ainda bastante alta) em 30 anos é progresso.”

    Eu também. Mas recomendo cuidado com falácias de tipo post hoc ergo propter hoc.

  15. António Machado

    Sim, os palhaçõs sempe vão colorindo alguma coisa. Obrigado pela alegria que me dá todos os dias.

  16. Miguel Noronha:
    É simples. O articulista refere o facto de Portugal ser o país “mais desigual da europa” (o que é dito, desde há muito, por diversos estudos citados pela comunicação social). Por isso entenda-se, para além da concentração da riqueza, os leques salariais em que a diferença entre os extremos é a mais elevada. Se assim não fosse, o nível de vida médio dos portugueses seria suficiente, não para ir passar férias a Cancun (exemplo caricatural dado pelo articulista), mas para ter férias. Só isto.

  17. jhb

    Então não foi o sistema publico de educação (mais estatista que isto não há) que causou a diminuição do analfabetismo?…

  18. “Obrigado pela alegria que me dá todos os dias.”

    Ainda bem que se reconheceu no comentário. Abona a seu favor. Mas não tem de agradecer.
    A importância que atribui ao blogue está bem patente nos múltiplos comentários que por aqui vai deixando.

  19. António Machado

    Bolas André, agora você ofendeu-me. Eu reconheci-me, foi, André? Você não tem humanidade nenhuma e sabe como magoar alguem. Bolas André, foi pena você não se ter reconhecido também. Não abona nada a seu favor.

  20. Miguel Noronha

    “Se assim não fosse, o nível de vida médio dos portugueses seria suficiente, não para ir passar férias a Cancun (exemplo caricatural dado pelo articulista), mas para ter férias. Só isto.”
    Estou a ver que opta por ignorar o que ele escreve. É uma opção.

  21. H.

    É simples. O articulista refere o facto de Portugal ser o país “mais desigual da europa” (o que é dito, desde há muito, por diversos estudos citados pela comunicação social). Por isso entenda-se, para além da concentração da riqueza, os leques salariais em que a diferença entre os extremos é a mais elevada. Se assim não fosse, o nível de vida médio dos portugueses seria suficiente, não para ir passar férias a Cancun (exemplo caricatural dado pelo articulista), mas para ter férias. Só isto.

    Só?

    Onde é que acha que o “nível de vida médio” dos cidadãos proporciona maiores possibilidades de ter férias: no Cazaquistão, Étiopia, Roménia e Grécia ou nos EUA, Singapora e Hong Kong? No Burundi ou na Suíça? Na Bielorrúsia ou na Austrália?

    As férias pagam-se com dinheiro, não com igualdade.

  22. Susana

    As férias eram o que um homem quisesse, ou pudesse, até o excelso Daniel Oliveira nos elucidar a nós que, não, férias é sair de casa. Mas atenção, que ir a Cancun pode até preencher estes requisitos, não deixando no entanto de ser umas férias menores, coisa de povão vendido e mal agradecido que vai Pingo Doce nos feriados. Férias a sério, sabe-as fazer o Daniel Oliveira, que infelizmente não sacou da sua cartilha para nos ensinar onde ir, como ir ou como estar. Fico a aguardar.

  23. “Onde é que acha que o “nível de vida médio” dos cidadãos proporciona maiores possibilidades de ter férias: no Cazaquistão, Étiopia, Roménia e Grécia ou nos EUA, Singapora e Hong Kong? No Burundi ou na Suíça? Na Bielorrúsia ou na Austrália? ”

    Já que pergunta… Com a exceção da Austrália que, salvo erro, já está no top 10, optava por países com melhor IDH (índice de desenvolvimento humano): Noruega, Finlândia… por aí.

  24. Ah! Faltou uma parte da resposta. Uma menor diferença (nunca justificável, já que, na maior parte dos casos, estamos a falar de salários de empresas sem concorrência), permitiria mais “bolo” disponível para uma melhor distribuição.

  25. António Machado

    Eu para ir de férias ia para o Sudão Sul. Lá não há a porcaria do estado a cobrar impostos para escolas públicas ou hospitais como em países socialistas, atrasados e miseráveis como a Dinamarca. Muito pior que a Coreia do Norte.

  26. H.

    Já que pergunta… Com a exceção da Austrália que, salvo erro, já está no top 10, optava por países com melhor IDH (índice de desenvolvimento humano): Noruega, Finlândia… por aí.

    Ah! Faltou uma parte da resposta. Uma menor diferença (nunca justificável, já que, na maior parte dos casos, estamos a falar de salários de empresas sem concorrência), permitiria mais “bolo” disponível para uma melhor distribuição.

    Isso pode ser uma resposta – a outra pergunta qualquer que não a minha.

    Nos EUA, Singapura e Hong Kong a desigualdade é maior que em Portugal. No Cazaquistão, Etiópia, Grécia e Roménia é menor.

    O que você escreveu no seu comentário, mesmo que inconscientemente, é que uma diminuição da desigualdade em Portugal implicaria um aumento do nível médio de vida e maior capacidade do português médio em adquirir férias fora de casa. A assumpção, bizarra e ignorante, é que a economia é um jogo de soma zero.

    Acha que se identificar os 10000 portugueses com rendimentos mais altos, os expropriar e taxar punitivamente, o que provavelmente conduziria a uma diminuição da desigualdade – como você a entende – no curto prazo, o português médio terá mais possibilidades de comprar férias?

  27. Miguel Noronha

    “Acha que se identificar os 10000 portugueses com rendimentos mais altos, os expropriar e taxar punitivamente, o que provavelmente conduziria a uma diminuição da desigualdade – como você a entende – no curto prazo, o português médio terá mais possibilidades de comprar férias?”
    Possivelmente a prazo levaria até a um aumento da pobreza. É fácil perceber porquê.

    Mas este fetichismo com a “desigualdade de rendimentos” é fascinante. Se o Bill Gates se mudasse com o seu “pé de meia” para Portugal a desigualdade aumentaria brutalmente. E depois? Seria negativo?

  28. Há quem estjeja muito contentinho com o que tem e não consiga ir além do “catecismo” que lhe inculcaram. Há quem não goste de sair da sua zona de conforto e se mantenha; às voltas, a inventar argumentos para não sair do mesmo sítio. Mesmo que não o assumam, aqui fica a listinha do top 10 do IDH, o tal que segundo a vossa teoria, tem miseráveis condições de vida, comparativamente com o luxo em que todos vivemos: http://pt.wikipedia.org/wiki/Anexo:Lista_de_pa%C3%ADses_por_%C3%8Dndice_de_Desenvolvimento_Humano

  29. Miguel Noronha

    Noto que ficou algo chateado por não conseguir provar o seu ponto quanto à desiguladade de rendimentos. É a vida.

  30. Miguel Noronha

    Sei. Mas como também eu e outros já explicamos e ainda não conseguiu contrariar a desigualdade de rendimentos não explica nem implica grande coisa. Há países bem acima de nós no ranking onde a desigualdade é superior.

  31. Qual ranking? O do IDH? Olhe que não… Ao contrário do que parece defender, a desigualdade de que falamos não tem que ver com a existência de milionários, ao lado de gente com o ordenado mínimo (como parece ser a opinião de um comentador que falou no Bill Gates). Tem que ver com a forma como a riqueza é distribuída ao serviço da comunidade (não tem que estar no bolso de cada um). Ora, como por cá o discurso dominante defende que temos um “estado social” (quando na realidade e com a mui honrosa exceção da saúde, nunca tivemos nada que se aproxime disso), está tudo dito.

  32. Miguel Noronha

    …até porque no topo do indice encontramos estados bem menos “sociais” que o nosso.

  33. Como sabe, o IDH refere-se não apenas à riqueza produzida num determinado país (economia), mas também ao modo como ela é aplicada na educação, saúde, ambiente… os tais serviços a que, para simplificar, aplidei de “ao serviço da comunidade”. Isso é uma verdadeira forma de distribuição de riqueza, porque, independentemente, do rendimento que cada um consiga do seu trabalho, são asseguradas condições mínimas de qualidade de vida. Nomeadamente férias… Isso pode ser feito através de impostos, através de facilidades concedidas a investimentos em serviços sociais (EUA, por exemplo) pode ser feito estipulando máximos para pensões de reforma (o que garante mínimos razoáveis, como por exemplo na Suíça), pode ser feito das mais variadas maneiras que por um qualquer “mistério” os nossos governantes não aprendem e, pelos vistos, é estranho muitos cidadãos. Ora, diz o Miguel que nos 29 antes de nós, há estados bem menos sociais do que o nosso. Não há. O que há é um enorme logro em relação ao nosso dito “estado social”. Porque quando se fala em verbas desse nosso “estado” (e penso que é a isso que se refere), lá vêm as parcelas da vigarice (betão e alcatrão), do desperdício (na saúde, educação, autarquias), dos desvios (segurança social), do clientelismo (cargos do estado), duma série de perversões que os adversários do Estado Social pretendem que se confunda.

  34. Miguel Noronha

    Estou a ver que não conseguiu encontrar sustentação para a sua tese sobre a desigualdade de rendimentos.
    Mas isso não implicava inventar fábulas sobre o estado social. Bastava dizer que se tinha enganado. Acontece.

  35. Miguel: A sua resposta não me surpreende, porque nunca tive a ilusão de que iria, numa simples caixa de comentários, por em causa os mandamentos do catecismo por que pratica. Mas, com calma, vá pensando no assunto. Ponha à prova o valor real do mito do PIB como indicador único, veja que sentido faz o modo como se gastou (e não investiu) todo aquele dinheiro no nosso estado que, para si, é social, procure respostas sinceras para o tal mistério nacional que faz de cada português um trabalhador de eleição… quando vai para o estrangeiro, compare o regime de propriedade português (sobetudo da terra, muito ligado ao que aconteceu com a especulação imobiliária) com o de outros países, endim, tente por um pé de fora da sua zona de conforto.
    Já agora: tenho muitas dúvidas de que a lista ordenada citada pelo leitor jhb seja a correta, porque me parece usar as fórmulas anteriores. No entanto, foi essa que usei no meu anterior comentário, onde Portugal aparece num simpático 31 lugar.
    Cumprimentos

  36. jhb

    Na lista do comentador Trinta e três os EUA aparecem em 4º lugar e na lista do IDH ajustado pela desigualdade os USA aparecem na 23ª posição.

    Quanto mais não seja pelo facto de haver um ajustamento do IDH por causa da desigualdade, parece-me bastante claro que esta é um factor importante no desenvolvimento das sociedades.

  37. Miguel Noronha

    “-me bastante claro que esta é um factor importante no desenvolvimento das sociedades.”
    Eu diria que é importante para os autores do indice. A validade do IDH é outra questão.

  38. Pingback: O Estado devia garantir vouchers para Férias « O Insurgente

  39. Este era o comentário que tentei deixar no post de Ricardo Lima, mas ele não deixou: Talvez ainda valha a pena vir aqui recordar o que a História ensina sobre a conquista desse direito. Para já fico-me por recordar a FNAT (Fundação Nacional para a Alegria no Trabalho), essa nstituição que atravessou toda a ditadura e que tinha por objetivo responder às exigências da OIT e permitir… IR de férias. Para alguns que pretendem aproveitar o balanço da crise para… esbarrarem contra a parede (pois, eu sei que agora vão saltar os argumentos de que TODOS andaram a gastar à tripa forra e, de norte a sul, 10 milhões e quinhentos mil portugueses não pararam de recorrer ao crédito).

  40. Pingback: O direito ao esclavagismo e à ignorância – Aventar

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