A Grécia italiana

No New York Times

Today, Sicily’s regional government has 1,800 employees — more than the British Cabinet Office — and the island employs 26,000 auxiliary forest rangers; in the vast forestlands of British Columbia, there are fewer than 1,500.

Out of a population of five million people in Sicily, the state directly or indirectly employs more than 100,000 of them and pays pensions to many more. It changed its pension system eight years after the rest of Italy. (One retired politician recently won a case to keep an annual pension of 480,000 euros, about $584,000.)

Today, Sicily’s regional government has 1,800 employees — more than the British Cabinet Office — and the island employs 26,000 auxiliary forest rangers; in the vast forestlands of British Columbia, there are fewer than 1,500.(…)

That system has come at a cost. Last month, Italy’s audit court issued a scathing report saying that Sicily had 7 billion euros, about $8.5 billion, of liabilities at the end of 2011 and showed “signs of unstoppable decline.” Sicily’s unemployment rate is 19.5 percent, twice the national average, and 38.8 percent of young people do not have jobs.

Felizmente a imprensa interncional ainda não se lembrou (pelo menos de forma tão visível) de fazer artigos similares sobre as “peculiariedades” da IIIª República Portuguesa.

9 pensamentos sobre “A Grécia italiana

  1. Andre

    O problema deste tipo de notícia é que serve de suporte a quem defende que só deve ser ajudado quem “merece”, e que só merece quem se porta bem. Não é verdade. Deve ser ajudado (bailed out) quem põe em risco a estabilidade do sistema como um todo. Se se porta bem ou mal isso é irrelevante.

    Imaginemos dois cenários: Os Portugueses portam-se bem, reduzem a despesa pública, tornam-se mais produtivos graças a reformas estruturais implementadas em tempo record etc… e no final continuam sem capacidade para cumprir as suas obrigações junto de credores internacionais. No entanto, as perdas resultantes de um default Português seriam rapidamente absorvidas pelos mercados sem consequências de maior para a zona Euro.
    Os Italianos não fazem grandes esforços de ajustamento, não reformam a sua economia etc… Mas como o stock de dívida pública italiana é o terceiro maior do mundo (atrás apenas de Japão e Estados Unidos) as perdas resultantes de um default Italiano põem em risco todo o sistema do Euro, com consequências desastrosas para as economias do norte (sobretudo a Alemã).

    Moralmente, um governante Alemão deverá ajudar a resolver o problema da Itália, porque isso protege os seus cidadãos, e pode ignorar o problema Português, ou pelo menos manter-se a uma distância respeitável.

    O que interessa é resolver o problema, e a resposta não deve depender do mérito dos países, mas sim da eficácia das soluções.

  2. Miguel Noronha

    “Moralmente, um governante Alemão deverá”
    Gostei. Não sei me mais da parte do “deve” se do “moralmente”

  3. lucklucky

    Nada como perversos incentivos , têm dado bons resultados não é André? Ainda não entendeu que nada salva uma boa parte da Europa de regressar á riqueza que tinha anos 90 porque depois foram bolhas? – e isto na melhor das hipóteses. Pois os sinais de estupidez que levarão a Europa à riqueza dos anos 80 já andam por aí.

  4. Carlos

    Não percebo a notícia do NYT nem qual o seu objectivo. Quanto mais pobre estruturalmente é um território menos emprego gera, o funcionalismo é apenas uma das formas de minorar o problema como poderão ver se analisarem o Uganda, a Libéria ou o Burúndi.
    Neste caso, o que existe não é mais do que uma transferência interna de recursos do norte para o sul de Itália. Em Portugal encontram o mesmo fenómeno se forem comparar a região de Lisboa e Vale do Tejo com a do Alentejo.

  5. Miguel Noronha

    “Quanto mais pobre estruturalmente é um território menos emprego gera, o funcionalismo é apenas uma das formas de minorar o problema”
    Portanto. Quanto mais pobre um dada zona geográfica mais empregos não produtivos teremos. Não sei se idêntificou a causa do problema ou apenas a forma do perpetuar mas acho que percebi a lógica.

  6. Carlos

    Miguel, apenas fiz uma constatação. O problema do sul de Itália tem séculos e não sou eu que me abalanço a dar palpites. Mas de certeza que a solução não passa por criar mais Estado…, o “mais Estado” apenas é o resultado de não ter havido outras soluções…

  7. Miguel Noronha

    Nesse caso parece que o “resultado” também bão está a resultar. Talvez se exprimetarem o oposto…

  8. António Machado

    Numa população de 5 milhões o estado emprega directa ou indirectamente cerca de 100000!!!!??!?!?! Não há economia que resista assim. Está na hora da máfia siciliana tomar de vez todo o poder daquilo e impor ali uma sociedade verdadeiramente liberal. Quem não beijar a mão padrinho, leva um balázio no meio da testa que é para aprender.

  9. Euro2cent

    > A Grécia italiana

    Julguei que alguém se estava a referir à Magna Graecia clássica. Era mais a Itália grega.

    (Toda a Sicilia, com a Siracusa do tirano de Platão à cabeça, e muitas outras cidades do sul de Itália – a Crotone de Pitágoras, por exemplo – eram tão gregas como Esparta, Tebas, Atenas, Delos ou Mileto.)

    Por coincidencia, a TV está a passar uma comédia italiana sobre um funcionário transferido para o sul de Itália, aterrorizado pela sua sobrevivência entre os cafres e os ratos – leva uma ratoeira oferecida pelo filho pequeno.

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