A germanofobia tem destas coisas

Com a germanofobia a atingir por estes dias o estatuto de religião laica é natural que qualquer noticia negativa sobre a Alemanha (veja-se o recente europeu de futebol) seja, para muitos, motivo de júbilo. Ainda assim seria conveniente manter um mínimo de racionalidade coisa que neste post parece ter-se ausentado para parte incerta . 

A  autora parece acreditar que coisas que dão pelo nome de “liderança” ou “visão europeia” poderiam ter salvo a Grécia ou Portugal (ou mesmo a Espanha) da bancarrota. Aliás, não é difícil perceber que se tivesse havido maior empenho (leia-se endividamento) alemão em favor do Clube Med em vez de um simples “negative outlook” teriamos já assistido a vários descidas na notação da dívida alemã. E também não parece credível que a ameaça da Moody’s torne os alemães mais generosos.

28 pensamentos sobre “A germanofobia tem destas coisas

  1. lucklucky

    Se não existisse a Alemanha que tanto odeiam onde é que eles iriam buscar dinheiro?

    Analfabetos xenófobos que nem fazem contas nem percebem que a Alemanha mesmo que quisesse não poderia pagar. Não chega.
    Numa bizarra circunstância histórica os alemães são os novos judeus. Ódio por não pagarem mais – já dão subsídios mas pelos vistos não chega- Ódio por terem algum sucesso.

  2. José Pedro

    Concordo, não podemos atacar os alemães por defenderem os seus interesses ou culpá-los pelo que nós fizemos de mal nos últimos 30 anos.
    Mas, quem defende os nossos interesses?

  3. Paulo Pereira

    Os Euros não vêm da Alemanha mas do BCE .

    O BCE não pertence à Alemanha , que só terá menos de 20% de participação .

    O BCE pode resolver a crise do Euro em poucas semanas, caso o queira ou caso lhe seja ordenado fazer.

  4. Alexandre Gonçalves

    Se calhar o melhor é a Alemanha pedir ajuda a Portugal, não?
    ah? Não pode ser?
    Portugal não tem $$$$?
    Que pena.

  5. Alexandre Gonçalves

    Paulo Pereira,
    O BCE tambem poderia resolver a minha crise, se me desse aí 1 milhão em notas novinhas ninguem iria dar por nada…

  6. Alexandre Gonçalves

    Porque é que será que esta esquerdalhada toda em as caixas de comentários moderadas?
    Se calhar abrir a caixa de comentários deve ser liberal.

  7. José Pedro

    Mas aí voltamos à velha questão, o que o BCE seria emitir euros.
    E vcs sabem o que acontece a seguir?
    E podem lembrar-se do que já aconteceu na história mundial depois desse género de solução?

  8. lucklucky

    “O BCE pode resolver a crise do Euro em poucas semanas”

    Claro resolver a “crise do euro” é fácil. Viver miseravelmente com um Euro com muitos 0000’s é sempre possível. E implica um Estado tirânico agressivo que impede as pessoas de transaccionar em outras moedas.

    A crise na Economia é que é difícil mas o que é que isso interessa a Keynesianos obcecados por um pedaço de papel?
    Desde que haja papel para o Estado e o Governo do momento comprar votos está tudo bem.

  9. Criticar a ação do governo alemão (e não o povo alemão) no que diz respeito à política europeia, está muito longe de poder ser considerado “germanofobia”, a não ser para os propagandistas da causa merkliana. No entanto, para além do que a evolução das coisas vai mostrando, seria interessante que explicassem os fundamentos da fábula “dos malandros do sul que enganaram os ingénuos do norte”. De facto, quando por aqui governos e grupos económicos protegidos derretiam milhões em alcatrão, formações da treta e agricultura com jantes de liga leve; quando por cá já muitos denunciavam o triste fim da história, será que ninguém do norte da Europa conseguia traduzir as notícias portuguesas? E se sabiam o que se estava a passar, porque é que não travaram o desastre? É que a maneira como se conta a história oficial, dá a entender que todos os povos do sul andaram a meter dinheiro ao bolso e a aldrabar relatórios para enganar os ceguinhos do norte. Tretas!

  10. Miguel Noronha

    Não sei se se está a referir ao meu post ou a outro comentário mas eu respondo à mesma.

    “Criticar a ação do governo alemão (e não o povo alemão) no que diz respeito à política europeia, está muito longe de poder ser considerado “germanofobia””
    É verdade. Mas eu refiro-me à reacção da blogger que cito.

    “quando por aqui governos e grupos económicos protegidos derretiam milhões em alcatrão, formações da treta e agricultura com jantes de liga leve; quando por cá já muitos denunciavam o triste fim da história, será que ninguém do norte da Europa conseguia traduzir as notícias portuguesas? E se sabiam o que se estava a passar, porque é que não travaram o desastre? É que a maneira como se conta a história oficial, dá a entender que todos os povos do sul andaram a meter dinheiro ao bolso e a aldrabar relatórios para enganar os ceguinhos do norte. Tretas!”

    Não sei se se apercebeu mas acaba de demonstrar quão bem foram gastos os fundos comunitários por cá. E o problema é que para além do dinheiro deles andamos a pedir dinheiro emprestado para fazer essas obras.

  11. João Branco

    Obviamente que uma solução estilo “quantitative easing” ao nivel do BCE não seria inocente, e significaria na prática um imposto europeu redistributivo dos países credores para os devedores. No entanto, as pressões inflacionistas que isso provocariam são (compreensívelmente) empoladas pelos países credores (ver o efeito inflacionista que essa solução teve em nos EUA e no RU.. praticamente nulo).

    Mesmo sem QE, um target de inflação de 4% em vez de 2% para a zona euro não seria a hiperinflação do Zimbawe (mesmo que correspondesse na prática a 4,5% nos países do core) e tornaria o ajustamento menos doloroso (ao redistribuir a factura do ajustamento por maior número de pessoas). No entanto, obviamente, corresponderia a um imposto indirecto sobre os detentores de capital, e mais uma vez os países credores opõe-se.

    Dizer isto não é Germanofobia, é simples macroeconomia. As soluções propostas e aceites pelos países credores tem como principal (quase único) objectivo limitar o impacto directo das crise da dívida nas suas economias, mesmo que à custa das economias dos restantes países. Politicas “beggar-thy-neighbor”.

    Dir-me-ão que é realpolitik, e que (no fundo) sempre foi assim. E talvez até tenha sido, mas a ideia que passava para fora não era essa, e as percepções contam.

  12. Miguel Noronha

    “Mesmo sem QE, um target de inflação de 4% em vez de 2% para a zona euro não seria a hiperinflação do Zimbawe”
    Fico maravilhado com a forma precisa como alguns conseguem manipular as variáveis macroeconímicas e limitar os impactos com segurança.

  13. Miguel Noronha:
    Não, não foi bem gasto. Muito pelo contrário. Mas é essa história do “conseguimos enganá-los” que recuso. Em primeiro lugar, porque a conjugação verbal na primeira pessoa do plural, não acerta, nem de perto, nem de longe, nos que beneficiaram com o desastre. Em segundo lugar, porque nada de estruturante foi criado a partir desse gasto. Nem mesmo as autoestradas.

  14. João Branco

    “Fico maravilhado com a forma precisa como alguns conseguem manipular as variáveis macroeconímicas e limitar os impactos com segurança.”

    Miguel Noronha, porque é que um target de 4% é impossível de controlar e um target de 2% (que existe desde a fundação da união monetária, e tem sido sempre “atingido” com pequenas variações) não o é?

  15. Miguel Noronha

    “Mas é essa história do “conseguimos enganá-los” que recuso”
    Se o dinheiro fosse meu garanto que era exactamente assim que colocaria a questão

    “Em segundo lugar, porque nada de estruturante foi criado a partir desse gasto. Nem mesmo as autoestradas.”
    Não percebi bem esse argumento.

  16. Miguel Noronha

    Para além de estar a propor a duplicação do “imposto” anual, como já tinha referido acho fantástico que se pretenda que é possível controlar e limitar o impacto do crescimento nominal da moeda

  17. Paulo Pereira

    Insistir na ideia de que a compra de titulos pelo BCE traria uma grande aumento da inflação é conversa da treta .

    Nem a teoria nem a pratica confirmam essa ideia “mágica ” !

  18. Ricardo G. Francisco

    Paulo Pereira,

    A compra de títulos pelo BCE seria tecnicamente monetização da dívida. Na prática seria o banco central europeu financiar a despesa pública emprestando dinheiro a cada estado. Agora talvez se lembre de um ou dois exemplos do que chama de “conversa da treta”. Magia é a ideia socialista que permite transformar a credulidade de muitos nas fortunas de poucos. Autênticos Midas.

  19. Paulo Pereira

    Ricardo G. Francisco,

    Parece que para si o dinheiro é uma invenção perversa dos socialistas.

    Conversa da treta é aquela que não é baseada em factos mas sim em treta sem base lógica nem real, tal como a ideia tonta que a compra de tiltulos traz um grande aumento da inflação , é só treta !

  20. Miguel Noronha

    “a ideia tonta que a compra de tiltulos traz um grande aumento da inflação , é só treta !”
    Adoro uma boa argumentação cientifica

  21. João Branco

    Miguel Noronha, os exemplos históricos e modelos teóricos não permitem concluir que numa situação como actual quer a compra de títulos pelo banco central quer o aumento da taxa de inflação tivesse um efeito auto-catalitico que levasse a hiperinflação.

    Traria efeitos redistributivos de credores para pagadores e seria de facto um aumento de impostos, e pode ser combatido politicamente nesses termos, ou nos termos de poder levar a custos futuros (moral hazard), ou ainda pode ser argumentado que nunca existirá concordancia politica europeia para a sua implementação. Agora, dizer que ela implica automaticamente hiperinflação é, lamento concordar, um argumento pouco sério, ou se quisermos, conversa de treta.

  22. Paulo Pereira

    João Branco,

    Qual o mecanismo desses efeitos redistributivos e de aumento de impostos causados pela compra de titulos pelo BCE ?

    Miguel Noronha,

    A compra de titulos não tem impacto na inflação porque é apenas uma troca de activos financeiros, titulos que pagam juros por moeda que não paga juros, as provas são esmagadoras no Japão com mais de dez anos e nos EUA, RU, Suécia e EZone desde 2009.

    Andar a insistir na lengalenga da hiperinflação quando desde 2009 que está mais que falsificada é uma treta.

  23. João Branco

    Paulo Pereira: dois mecanismos redistributivos (um directo e outro indirecto): O directo seria o aumento da taxa de juro inerente aos países emissores com melhores ratings actuais e diminuição das taxas para os com piores ratings. Isso corresponde de facto a países credores actualmente com maior rating pagarem mais pela emissão de dívida e os devedores pagarem menos, o que equivale a uma transferência dos credores para os devedores.

    O mecanismo indirecto que é o causador do primeiro, é a possibilidade dos títulos não serem pagos na totalidade, o que significa que quem garantiu esses títulos terá custos (pelo menos de reputação se não de colateral), e mais uma vez os países credores teriam custos maiores porque seriam responsáveis por uma maior percentagem do capital de reserva.

    Estas são obviamente as razões porque os países credores não estão de acordo com a ideia…

  24. Paulo Pereira

    João Branco ,

    a) Não vejo porque é que a compra de titulos pelo BCE aumentaria os juros num determinado país

    b) O BCE não precisa de colateral nenhum e qualquer eventual perda será absorvida ao longo do tempo pelos lucros do BCE que são substanciais.

    c) Mais , as perdas serão muitissimo reduzidas dado que a intervenção do BCE permitirá reduzir a austeridade e assim aumentar o crescimento economico, o que reduz o risco e os juros, criando um ciclo positivo.

    d) A zona Euro tem uma balança corrente equilibrada e um deficit publico médio , por isso os riscos de crise económica são quase nulos.

  25. João Branco

    Paulo Pereira:

    em relação a a), a resposta foi-lhe dada pela Moodys esta semana sobre a notação da Alemanha e países credores.
    Em relação a b), em o colateral pode não existir directamente (em teoria, opção simplesmente “lets start the presses”) mas os custos reputacionais continuam a existir. E de qualquer forma, os tratados dizem que as responsabilidades são partilhadas em função da dimensão da economia dos países.
    Em relação a b) nas a questão dos lucros suportarem as perdas, a c) e d) isso são proposições de fé, e nisso eu não me meto (e de qualquer forma, são irrelevantes para a) se os mercados não acreditarem nisso).

  26. Paulo Pereira

    Nao são profissões de fé , são deduções lógicas .

    Esta mais que provado que os mercados preferem crescimento a austeridade .

    Alias todas as intervenções do BCE são acompanhadas por reduções de juros em toda a Euro Zone e pasme-se com subida do valor do Euro contra o dólar.

    Os mercados de divida dão valor à lógica!

    A reação da Modyes é natural face à nao intervenção do BCE , exactamente o que fala fazer.

    Sobre problemas de credibilidade da impressão , temos as provas dos Eua e do Japão e do RU que demonstram que nao existe essa fabula !

  27. lucklucky

    “Criticar a ação do governo alemão (e não o povo alemão) no que diz respeito à política europeia, está muito longe de poder ser considerado “germanofobia”

    Na maior parte dos casos é.
    A partir do momento em que os alemães são considerados xenófobos porque além de já pagarem subsídios ainda devem pagar as dívidas dos outros.

    “No entanto, obviamente, corresponderia a um imposto indirecto sobre os detentores de capital, e mais uma vez os países credores opõe-se.”

    Não são só os países credores que se opõem, é qualquer pessoa com o mínimo de senso. Especulação Financeira como imprimir dinheiro vai resolver nada. O problema vai muito além do Euro, e vai além da Dívida.
    A Dívida é já uma consequência de sociedades insustentáveis estruturalmente e com sistemas políticos que chegaram ao fim da linha. Onde quem produz e cria riqueza é cada vez mais penalizado, e onde X vota no político A para tirar a Y sem limite. Socialismo e Social Democracia caducos e corruptos.

    Por isso passámos de 30% da economia no Estado nos anos 80 para mais de 50% hoje. Como não há Republica Económica que limite o que o Sistema pode tirar a quem cria riqueza pagaremos o preço até tal acontecer. A festa só agora começou.

    “quando por cá já muitos denunciavam o triste fim da história, será que ninguém do norte da Europa conseguia traduzir as notícias portuguesas? E se sabiam o que se estava a passar, porque é que não travaram o desastre? É que a maneira como se conta a história oficial, dá a entender que todos os povos do sul andaram a meter dinheiro ao bolso e a aldrabar relatórios para enganar os ceguinhos do norte. Tretas!”

    Patético. Ninguém cá denunciou o fim da história, Se quiser o único que se aproximou foi Medina.
    Sim Portugal aldrabou relatórios, basta ir aos vários mil milhões que foram e são escondidos da dívida e como o défice foi diminuído artificialmente quando o Estado vende um prédio a uma Empresa Publica.E depois temos as jogadas das pensões.
    Como você é um nacionalista cego nem lhe entra na cabeça que o primeiro vigarizado são os portugueses.

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