No Fio da Navalha

 

O meu artigo de hoje no i, sobre como resolver o problema normal da falta de homens de bem no poder.

Subjectividade vs. objectividade

Apesar dos sacrifícios feitos pelos cidadãos, vai ser difícil cumprir a meta do défice das contas públicas. A queda nas receitas comprova que o esforço dos privados não chega para pagar as contas do Estado e o quanto este vive acima das nossas possibilidades. Ademais, as notícias vindas a público têm chamado a atenção para os negócios que o Estado celebrou nos últimos anos e que foram vantajosos para alguns e fortemente prejudiciais para as contas públicas, ou seja, para todos.

Infelizmente, este tipo de informação ainda não serviu para tirarmos as ilações necessárias. Na verdade, o que se ouve na rua e entre a maioria dos comentadores é que é preciso seriedade na governação. Que ela é necessária, ninguém duvida. Mas que resolva todos os problemas, já é mais difícil. Não sendo os homens nem anjos nem santos, não é possível garantir a total imparcialidade de um governante.

Precisamos de critérios mais objectivos que a honestidade para termos bons governantes. Se o poder corrompe, o remédio será reduzi-lo. Se não queremos promiscuidade entre Estado e privados, a solução está em tirar o Estado da equação. Tê-lo a manter a ordem pública, levar as cabo as suas funções essenciais, conseguindo, sempre que necessário, ajudar os mais desfavorecidos. Se os negócios ficarem para quem de direito, não há confusões e ficamos menos dependentes dos tais homens de bem que ninguém conhece.

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8 thoughts on “No Fio da Navalha

  1. Sísifo

    1.º) Espremido o teu «articulum», não há substância, é um monte de vacuidades.

    2.º) Retirar o Estado de todo o lado, com uma outra exceção, sendo que a segurança e a justiça vêm à cabeça, foi, em parte, o que nos trouxe até aqui (a confiança em que o privado se organiza e se auto-regula é uma fantochada, como se viu).

    3.º) O esforço dos privados… Devo lembrar-te que o grande momento para a redução do «deficit» foi o sacar do SN e SF aos FP.

    4.º) De facto, se tirarmos o Estado da equação, ficamos nas mãos dos empresários. Lindo! LOL

    Ele há cada patusco…

  2. Observador

    Precisamos de tudo o que diz e mais alguma coisa.

    Há tanto por onde cortar para endireitar as contas.
    Há tanto onde ir buscar dinheiro para endireitar as contas.
    Há tanto onde poupar para endireitar as contas.

    Por exemplo:

    1 – Renegociar, já, os famigerados contratos leoninos das PPP passando o risco para os privados;
    2 – Renegociar, já, as escandalosas Rendas energéticas;
    3 – Acabar de imediato com as vergonhosas Subvenções dos políticos;
    4 – Cortar, para já, 50% dos apoios estatais às Fundações;
    5 – Reduzir, para já, o Orçamento da Presidência da República em 50%;
    6 – Reduzir, para já, o Orçamento da Assembleia da República em 50%;
    7 – Reduzir, para já, os apoios aos Partidos Políticos em 50%;
    8 – Accionar de imediato a gatunagem que levou o BPN a prejudicar o erário público em muitos MILHARES DE MILHÕES;
    9 – Reduzir de imediato o número de Vereadores Municipais para metade;
    10 – Reduzir de imediato o número de Administradores em todas as Empresas Públicas para metade;
    11 – Reduzir ao mínimo as viagens ao estrangeiro dos governantes e certificar se essas viagens estão a ser feitas em classe económica como o Primeiro-ministro prometeu, para se poupar na despesa pública;
    12 – Verificar se estão desligados os ARES CONDICIONADOS dos Organismos do Estado como prometeu a Ministra Cristas no Verão de 2011, para que se poupe na despesa pública;
    13 – Proibir, mas proibir mesmo, e responsabilizar criminalmente quem, seja quem for que, utilizando viaturas do Estado ultrapasse as velocidades limitadas por lei, para se poupar na despesa pública;
    14 – Restringir drasticamente o uso de telemóveis do Estado, para se poupar na despesa pública;
    Mas a Opinião Pública também deve ser informada de imediato para onde foram os cerca de 50.000 MILHÕES que resultaram da Privatização da EDP e da REN e da entrada no Orçamento do Estado dos Fundos de Pensões dos Bancários.
    Esse dinheiro dava absolutamente para pôr o défice em ordem, para injectar meios financeiros na economia e ainda para restituir tudo o que foi cortado aos funcionários públicos e aos reformados. Então para onde é que foi esse dinheiro? Expliquem? Nem a oposição fala disto, porquê?

  3. hcl

    Resumindo, o poder corrompe e não existem incorruptíveis, juntando-se o “Libido Dominandi” à equação está tudo estragado .
    A solução é dispersar/pulverizar/fragmentar o poder?
    Eu também acho.
    É possível?
    Não. É como pedir a um tipo para sair de cima da Marilyn Monroe (desculpem a rudeza da comparação). Só à paulada.

  4. JS

    “..o remédio será reduzi-lo…” nem “…tirar o Estado da equação…”
    A solução chama-se “check and balances”, contra-poderes. A receita é velha e conhecida .
    Deputados na Assembleia da República genuinamente independentes -mais de metade- eleitos e a prestar contas aos seus eleitores, e não aos partidos que os nomearam, como acontece agora.
    Candidatos a Presidente da República sem o mais ténue passado partidário. Fácil de perceber porquê.
    Juízes de TC e Procurador da República escolhidos pela tal AR, com maioria de independentes.
    A Comunicação social está em grande evolução. Mas para já, toda ela longe dos subsídios directos e indirectos, do Estado. “To prone to fail”. Paciência.

    O poder só pode ser outorgado com outros fortes contra-poderes, que se fiscalizem mutuamente.
    Exactamente o que esta Constituição, infelizmente ainda em vigor, não proporciona.
    E até não custa perceber porquê, e porque ainda está em vigor.
    Exactamente. Porque “… o poder corrompe …”. E o doente, com este mal, não só se julga são, como ainda se julga imbuído (divinamente) de uma missão salvadora do seu semelhante!. Grande mal.

  5. Ricardo Batista

    Sísifo Dixit

    “1.º) Espremido o teu «articulum», não há substância, é um monte de vacuidades.”
    Julgo que tirar o Estado da equação é bastante concludente. Vacuidade só mesmo a afirmação acima.

    “2.º) Retirar o Estado de todo o lado, com uma outra exceção, sendo que a segurança e a justiça vêm à cabeça, foi, em parte, o que nos trouxe até aqui (a confiança em que o privado se organiza e se auto-regula é uma fantochada, como se viu).”
    Viu-se onde? Consegue dar um exemplo em que os privados tenham actuado sozinhos (sem o abrigo do Estado!!!) onde isso tenha custado 1€ aos contribuintes?
    Antes que caia na tentação informo-o já, caso ainda não o saiba, que a banca funciona sob o abrigo do estado. Na verdade é apenas graças a essa protecção que estamos constantemente com problemas de “moral hazard”. Arrange um exemplo agora.
    Isto é mais uma vacuidade!

    “3.º) O esforço dos privados… Devo lembrar-te que o grande momento para a redução do «deficit» foi o sacar do SN e SF aos FP.”
    Uma maneira muito simples de pensar no problema é esta: A empresa A está em graves dificuldades. Acha o Sísifo lógico que para resolver os problemas que criou sejam a sua estrutura de custos que tem que mudar, ou as dos seus clientes?

    “4.º) De facto, se tirarmos o Estado da equação, ficamos nas mãos dos empresários. Lindo! LOL”
    Mentira. Ficamos nas nossas próprias mãos!

    “Ele há cada patusco…”
    Concordo

  6. António Machado

    Claro que os esquerdóides não tardam em tentar assustar-nos com frases feitas, como aquela que diz que o poder tem horror ao vazio, ou coisa que o valha. Enfim, frases feitas.

  7. “Se não queremos promiscuidade entre Estado e privados, a solução está em tirar o Estado da equação.”
    Ou, porque não, os privados da equação?

    Gostava de saber onde é que o Observador foi buscar os 50.000 milhões… inventando por inventando porque é que não disse que eram 500.000 milhões?

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