Dois terços dos alemães são austeritários

Diário Económico

De acordo com uma sondagem divulgada hoje, quase 66% dos alemães não concorda que se dê mais tempo a Portugal, Grécia e Espanha para cumprir as metas acordadas com a troika.(…) A poll da ZDF-Politbarometer, citada pela Reuters, também mostra que 63% dos alemães apoia a forma como a chanceler Angela Merkel tem gerido a crise de dívida(…).

Mais de metade dos alemães também não concorda com a mutualização da dívida na zona euro.(…) A mesma sondagem mostra que o partido conservador de Merkel continua a ser o mais popular na Alemanha, com um apoio de 36% dos sondados, dois pontos percentuais acima da última poll, de Maio

9 pensamentos sobre “Dois terços dos alemães são austeritários

  1. João Branco

    E isto é novidade para quém? Só para quem não segue a politica alemã. Na realidade, na maior parte das situações europeias, a politica da Chanceler tem ido muito para além (na direcção da Europa) daquilo que a base CDU/CSU/FDP gostaria. Isto dito, também vale a pena dizer que mais de 66% dos alemães acha que se deve manter a UE e, mesmo que muitos achem que abandonar o Mark foi um erro, pretende manter o Euro.

  2. Paulo Pereira

    2/3 dos alemães são então a favor da saida da Alemanha do Euro.

    Sem divida unica não é possivel haver moeda unica.

  3. João Branco

    Paulo Pereira, os alemães, tais como os gregos, querem a utopia. Querem uma moeda que só dê vantagens e não dê quaisquer desvantagens.
    Os alemães querem uma moeda estável mas não estão dispostos a pagar por isso com risco efectivo (possibilidade de perder dinheiro, obviamente).
    Os gregos querem uma moeda forte, mas não estão dispostos a pagar por isso com qualidade de vida (necessidade de pagar impostos e ter ainda pior serviços, obviamente).
    Acho que os portugueses ainda nem perceberam o que querem nem o que estão ou não dispostos a pagar por isso.

  4. ricardo saramago

    Os nossos antiausteritários também são austeritários quando se fala na Madeira.
    A natureza humana é assim.

  5. Paulo Pereira

    A Madeira beneficia de grandes transferencias monetárias a partir do estado central.

    Não se passa o mesmo na Zona Euro

  6. Dervich

    Esclareçam-me uma coisa:

    Que metas acordou a Espanha com a troika??!……Não foram os bancos espanhois que acordaram o que bem entenderam??!…
    Não foi a Irlanda que acordou metas??!…

  7. A Barreira Invisível
    Um passageiro num autocarro grego muda de lugar quando uma turista alemã se senta a seu lado. Num encontro social algures numa cidade alemã, uma mulher grega é apresentada por uma amiga alemã ao seu grupo de amigas; uma delas ironiza :” Não trouxe a carteira comigo”. Um político francês exclama com fervor :” Não somos um País qualquer ! Somos a França!”. O primeiro ministro do Luxemburgo vai abandonar a liderança do Eurogrupo em protesto contra as permanentes intromissões da dupla Merckel-Sarkozy. Um politico senior da Grecia, discursa emocionado contra as politicas de austeridade que são uma humilhação para um país com os séculos de história da Grécia. Carros incendiados e montras partidas em Madrid e Roma . Um deputado português discursa para o quem quer ouvir, que “se está a marimbar para o banco alemão que emprestou dinheiro a Portugal, nas condições em que emprestou”, sugerindo que “o país deve suspender o pagamento da sua dívida para deixar as pernas dos banqueiros a tremer”.

    E assim, o que começou por ser uma linha ténue de clivagem norte-sul, ameaça tornar-se num processo de desunião europeia, que nos pode fazer retroceder no tempo dezenas de anos, e deitar a perder tudo o que de positivo se foi capaz de construir a partir do pós-guerra: um mercado mais alargado, cooperativo e competitivo, livre circulação de pessoas, bens e serviços, transfusão cultural, uma moeda única, uma voz forte no mundo.

    Provavelmente um dos catalisadores do inicio desta desagregação acelerada da UE, terá surgido do outro lado do Atlântico, quando há alguns anos a esta parte a Reserva Federal americana manteve durante demasiado tempo as taxas de juro demasiado baixas, o que promoveu uma bolha imobiliária de proporções gigantescas, com um efeito devastador no sistema financeiro com ramificações um pouco por todo o mundo. Na UE, muitas das economias apesar de já muito endividadas, prosseguiram políticas expansionistas como forma de contrapor o processo de recessão aguda que ameaçava a todo o momento. O problema é que algumas dessas politicas expansionistas foram feitas à custa sobretudo de investimentos de “baixa qualidade” e com elevado grau de ineficiência de implementação, em vez de investimentos reprodutivos através de bens transaccionáveis, com maior capacidade de criação e manutenção de emprego a prazo. O que acabou por conduzir a um estado insustentável das finanças publicas por via de endividamento insustentável, com efeito devastador em economias ainda fortemente dependentes do Estado, e a uma separação, dentro da UE, entre países credores e países devedores.

    E quando seria necessário que a liderança politica da UE tratasse tão serio problema de forma tecnicamente segura e politicamente concertada, verificou-se, mês após mês, precisamente o contrário: tecnicamente foram e vão sendo tomadas lentamente medidas tímidas e incompletas; politicamente criou-se um directório autónomo, numa espécie de eixo franco-alemão, como que se esse directório representasse e compatibilizasse as vontades e interesses de toda a UE.

    E se tudo terá começado bem longe do poder de voto e de decisão do Povo, à medida que a crise se agudiza, os Povos estão sendo chamados a pronunciar-se sobre o seu destino, através do mecanismo democrático das eleições. E, tal como “em casa onde não há pão todos ralham e ninguém tem razão”, numa Europa do sul em plena crise recessiva de austeridade e desemprego, cada vez mais se ouvem vozes de indignação, revolta, retaliação, rejeição e negação, ressurgindo um pouco por todo o lado os nacionalismos exagerados, preconceitos antigos, e divisões esquecidas, próprias de um processo que começa a ficar descontrolado e aonde ninguém sabe ao certo como poderá acabar.

    Num mundo em que a competição é cada vez mais global, há um claro excesso de informação para um défice de senso comum. É isso que parece faltar um pouco por todo o lado: desde políticos e governantes até ao Povo que vota, passando pelos media que acabam por ter um efeito acelerador, para o melhor e para o pior nestes processos. Parar para pensar e priorizar em cada passo o que devemos salvaguardar em primeiro lugar: A UE como um espaço geográfico onde, apesar da diversidade de raças e culturas, vive um mercado comum, com politicas comuns, uma zona monetária estável, e um sentimento transversal de solidariedade e coesão social. De lideres a liderados essa premissa deveria estar sempre presente nas nossas posições de negociação, mobilização, concertação ou combate.

    É uma boa altura para o Povo dar esse exemplo e inspiração a quem tem mais responsabilidades na condução dos desígnios da UE.

  8. poroutrolado.com/ escreveu:

    “que nos pode fazer retroceder no tempo dezenas de anos”

    Deixar cair a UE não é recuar no tempo, é avançar na História pois a UE já está ferida de morte e, curiosamente, quem a feriu não foram os eurocepticos, foram os euroentusiastas que quiseram avançar a todo o vapor para uma integração que praticamente ninguém queria. Com excepção, claro, dos que vivem à custa da integração.

    “A UE como um espaço geográfico onde, apesar da diversidade de raças e culturas, …, e um sentimento transversal de solidariedade e coesão social”

    Só contaram pra Você!|

    A UE é cada vez mais um saco de gatos e isso nota-se logo pelas declarações inflamadas que se ouvem por cá de que “não somos a Grécia”, ou de que “não somos nem a Grécia nem Portugal” que se ouvem em Espanha, etc.

    A Europa nunca esteve unificada nem tem uma cultura comum, longe disso. O mais unificada que esteve foi durante o Império Romano, há já uns 15 séculos e, mesmo nessa altura é de referir que o Império Romano não era um Império Europeu, era um Império Mediterrânico.

    Os problemas citados no comentário de que não há política europeia, etc., estão na génese de todos os problemas mas o que os integracionistas não entendem é que não há nem pode haver, pois não há um substrato cultural comum e, principalmente, não há opinião pública europeia, há opiniões públicas portuguesa, espanhola, francesa, búlgara, finlandesa, etc., etc. nisto, pouco de comum há.

    Quanto mais depressa enterrarmos o falhanço europeu mais depressa avançaremos na História e resolveremos os nossos problemas. E é preciso que o façamos depressa pois, se não o fizermos rapidamente chegaremos à guerra.

    REMEMBER SARAJEVO!

  9. Pingback: A germanofobia tem destas coisas « O Insurgente

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