double standards

As greves dos médicos, dos enfermeiros, dos professores e de todos os outros grupos de pressão que começam a fazer-se ouvir resultam essencialmente de um grave problema que afecta a sociedade portuguesa: a falta de exemplo ao mais alto nível. Aos meus olhos, a coisa resume-se a isto: a) dizem-nos que não há dinheiro para pagar salários e meios nas funções económicas e sociais exercidas pelo Estado; b) mas há dinheiro para pagar PPP’s ruinosas, para todo o tipo de boys e boyzinhos, ou ainda para lombo de porco preto alimentado a bolota na Assembleia da República, e; c) portanto, se quem manda não dá o exemplo, por que raio hei-de eu fazer diferente?!

A falta de ética na gestão da coisa pública é uma matéria para a qual sou particularmente sensível, porquanto me parece especialmente corrosiva. Mas, infelizmente, a censura mediática e cívica que hoje existe em Portugal não é ainda exercida com a intensidade exigível. A culpa morre sempre solteira, sobretudo quando envolve poderosos, e enquanto isto assim permanecer a indignação crescerá de tom. Portugal não precisa de um Estado grande – pelo contrário, a nossa tendência para dormir à sombra da bananeira recomenda um Estado pequeno -, mas Portugal precisa certamente de um Estado forte e que dê o exemplo. Um Estado que pague a tempo e horas, que saiba exercer as suas funções nucleares de forma eficaz e expedita, que não atrapalhe a vida da maioria dos cidadãos, que não onere a vida da maioria dos cidadãos e que não sirva de bananeira para os espertos.

8 pensamentos sobre “double standards

  1. PiErre

    “Um Estado que pague a tempo e horas, que saiba exercer as suas funções nucleares de forma eficaz e expedita, que não atrapalhe a vida da maioria dos cidadãos, que não onere a vida da maioria dos cidadãos e que não sirva de bananeira para os espertos.”
    .
    Um Estado desses é um Estado que não existe, nunca existiu e nunca existirá em parte alguma do mundo.
    Trata-se de uma mera utopia.

  2. Sou médico

    100% de acordo. Mas, destruir o SNS e enriquecer os sistemas privados de saúde é um claro plano promíscuo da agenda pessoal de Paulo Macedo. Isto é muito mais do que falta de ética…nojo

  3. Carlos Duarte

    Caro Ricardo Arroja,

    É mais que óbvio que o principal problema é esse: o Estado não tem o direito de cortar em muitos para poupar poucos, é ao contrário! Se são tomadas medidas penalizadores (e têm de o ser) estas devem ser feitas de forma a afectar o menor número de cidadãos possível e evitar afectar os já mais desprotegidos.

    Se o Estado acha por bem cortar 13º e 14º mês aos funcionários públicos (e eu pessoalmente não acho mal, malgré o acordão do Tribunal Constitucional), tinha obrigação de, mal saíram as conclusões do Tribunal de Contas, rasgar os contratos das PPP!

  4. paam

    Isso acontece porque os deputados não representam a população. Representam os interesses dos partidos, dos lobbies e, claro, os seus próprios interesses. Se em vez de 230 deputados tivéssemos 180, 10 por distrito, eleitos dirtectamente pelas populações desses distritos talvez as coisas fossem diferentes. As pessoas saberiam quem os representaria e poderiam pressionar os deputados para que estes levassem a sua voz ao parlamento.

  5. A. R

    Quando se luta contra a fome 300 professores sindicalistas do PCP vêem o seu salário pago pelo contribuinte para não dar aulas: a coisa custa 7 milhões de Euros. Isto mais uns largos milhões para os abortos denota a degeneração moral que chegou aos habitantes da Casa da Democracia que ontem, sem arrependimento nem nojo pelo que fizeram estes anos, gozaram o Povo que lhes paga as idiotices que bolsam a toda a hora.

  6. #4 “As pessoas saberiam quem os representaria e poderiam pressionar os deputados para que estes levassem a sua voz ao parlamento.”
    As “pessoas” sabem quais são os partidos que votaram e governam. Porém, continuam a apostar na mesma receita “plebiscitária”.

    #5 “…300 professores sindicalistas do PCP vêem o seu salário pago pelo contribuinte para não dar aulas: a coisa custa 7 milhões de Euros. Isto mais uns largos milhões para os abortos…”
    Bem, há sindicalistas de todas as cores (por exemplo, nos Trabalhadores Social-Democratas). Bem seria se o mal do nosso Estado se centrasse apenas no sindicalismo e no aborto. A questão é outra, por exemplo, em tempo de cortes “orgânicos” (excepto para o Ministério da Administração Interna) o que faria você? Certamente, numa obrdagem racional, tentaria cortar proporcionalmente os cabimentos financeiros a cada ministério e começaria logo pelo ministério com maior “fatia orçamental”? Pois, bem, mas atualmente o ministério com o maior peso orçamental é intocável. Veja bem que a tranche financeira até aumentou no Orçamento de Estado para 2012. E vai aumentar ainda mais. Quer saber qual é? É o Ministério dos “Juros usurários”, diretamente tutelado pelo Primeiro-Ministro e pela clique financeira (nacional e internacional).

  7. Não me parece que a despesa com enfermeiros ( com um salário de 1000 euros mensais) face à sua produtividade seja um grande problema… Todos fossem como os enfermeiros e estas questões de défice não se colocariam…

  8. Pingback: grupos de pressão « O Insurgente

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