Contradições

Eles defendem um estado forte. O estado deve ter presença em metade das indústrias e regular a outra metade. O estado deve ser prestador de serviços de defesa, segurança, saúde, educação, energia, comboios, autocarros, telecomunicações, correios, televisão, portos, serviços financeiros, aeroportos, companhias aéreas, universidades, auto-estradas, energias renováveis, computadores,… O estado deve regular os preços que as companhias de distribuição pagam aos seus fornecedores, o preço da gasolina, as licenças de táxi, o tamanho da laranja dos agricultores e a puta da tampa que os restaurantes têm que colocar no azeite servido aos clientes. Eles querem que todas as empresas dependam do estado de uma forma ou de outra. Eles defendem um estado omnipotente que controla cada aspecto da vida dos cidadãos. Eles defendem que todo esse poder nas mãos de uma dúzia de ministros é legítimo apenas porque é obtido de forma democrática.
Eles servem doces de bandeja a crianças e depois mostram-se chocados que elas os comam. Uma valente hipocrisia, é o que é.

14 pensamentos sobre “Contradições

  1. Pingback: Carlos Guimarães Pinto, no país dos sovietes | cinco dias

  2. Ricardo C.

    A prova que vivemos num país socialista é que, no essencial, para lá das determinações da Troika, nada foi alterado nas leis e na vida nacional, continuando tudo na mesma, do modo musculado de actuar da ASAE (e de outras autoridades reguladoras e vigilantes) ao Código Contributivo Socialista que contraria todos os princípios de uma sociedade liberal e mesmo o que se convencionou ser a norma de funcionamento das empresas (no que respeita às sociedades Unipessoais). Socialismo puro e do mais radical que é permitido na U.E.

    Custa-me dizê-lo, pois acreditei e votei num dos partidos deste governo, mas parece-me que com os socialistas a diferença teria sido praticamente inexistente.

  3. Tiago B.

    No momento em que a direita mais agressiva toma o poder… há quem insista nos “sensos-comuns” que nos trouxeram até ao desastre. Até há quem afirme de que existem provas de que vivemos num país “socialista”. Curiosa definilão de socialismo, onde nem nos serviços básicos, como a electricidade, gás e telecomunicações, nem uma empresa pública existe no nosso país. Curiosa definição, onde até a água, elemento fundamental à vida, está a ser alvo de privatizações em todo o país, pela mão do PS e PSD nas Câmara Municipais. Mas nada de novo, a mentira serve o poder e é para isso que servem os acólitos.

    Para o nível de ignorância do povo português, fruto objectivamente de políticas conduzidas pela tal direita – que ao que parece querem nos fazer acreditar que no fundo é socialista. A única coisa boa é que a argumentação é tão mediocre que só pode convecer mesmo os apóstolos desta gente. Curiosamente é a direita que ao longo dos anos se aproveita do Estado – ao mesmo tempo que pede a sua “redução” – para acrescentar ao seu bolso largos milhões. A banca é prova disso, anos e anos a gritar “Estado fora da economia”, para depois os mesmos banqueiros, sugarem o dinheiro dos contribuintes para colmotar o que andaram a distribuir em dividendos e em apostas no casino da bolsa.

    Mas nada é de estranhar, faz parte do jogo e da protecção ao Governo. Ataca-se no sentido de dar a entender que afinal este Governo até segue as políticas socialistas – que no senso comum traduzem um sentimento positivo a boa parte da população. E obviamente que nem uma palavrinha às alterações laborais, porque o Estado regular a actividade económica a favor dos patrões… já não é meter-se na economia. Só se mete na ecominoa se regular a favor dos trabalhadores.

    Nada de novo, na mediocridade intelectual da direita, que anda aos zigue-zagues a justificar que o aumento da exploração, dizendo pérolas: o polvo que suga os recursos do país, em que as grandes figuras conhecidas (são tão poucas…) vem todas da direita – com o meu discurso que o autor deste post – afinal é fruto do socialismo. À direita em Portugal não basta o que o Governo está a fazer… eles querem mais sangue, custe o que custar. Triste.

  4. C

    Vai aí alta teoria da conspiração nessa cabeça, Tiago.

    Verdade seja dita, votei num dos partidos que está no governo porque acreditei que iam liberalizar a economia, mas vejo que está tudo na mesma, apenas foram feitas algumas alterações cosméticas. O polvo socialista continua a governar este país, e não há nenhum partido verdadeiramente liberal e capaz de fazer um polvo à lagareiro para podermos por o país a andar para a frente.

  5. paam

    Tiago B., estou siderado pela sua superior capacidade intelectual de esquerda. A sua argumentação é sublime. Conseguiu identificar os problemas e apresentar soluções alternativas. É uma pena a ignorância do povo português. Se fossemos todos tão cultos como o Tiago viviamos hoje no paraíso. Triste.

  6. RC

    Eu compreendo o Tiago, revoltado pelas alterações ao código do trabalho. Mas presumo que o mesmo Tiago já não viu qualquer problema nas alterações ao Código Contributivo que, grosso modo, liquidaram as esperanças a quem trabalha já sem nenhum código do trabalho.

  7. lucklucky

    Tiago B por quanto tempo mais pensa que consegue enganar as pessoas?
    Sabe que quando o dinheiro dos impostos vai para quem você não gosta ainda continua a ser socialismo?
    Socialismo não acontece só quando o dinheiro dos impostos vai para quem você gosta.

    Em 1977 o Estado arrecadava 25% da riqueza e hoje arrecada mais de 50%. Depois lança poeira para os olhos fingindo que não é mais e mais socialismo…

    Socialismo tanto pode ir para os bancos como para associação recreativa da esquina, para pagar abortos ou para subsidiar nascimentos…
    Ou seja nem sequer percebeu que a Direita que temos é Socialista. Ter cada vez mais impostos e um Estado com cada vez maior poder é Socialismo.
    E a Direita aumentou os impostos sempre que esteve no Poder.
    Ou seja para fazer Socialismo. Para o Estado ficar maior.

    “onde até a água, elemento fundamental à vida”
    Pelos vistos a comida não é fundamental à vida…adiante como você é burro não percebe que “privatização” não é automaticamente mercado livre. Para haver liberalismo é preciso haver liberdade e mercado livre. Rendas do Estado não são liberalismo algum.

    E ainda se esqueceu que há cada vez mais regulamentos, leis, para aumentar o poder discricionário do Estado porque um país com milhões de leis vai escolher a dedo aquelas que aplica e a quem pois é impossível aplicar todas a todos. A burocracia Socialista e Kafkiana em acção.

    Também é socialismo a Dívida que o PS e com apoio do PSD na parte final despejou sobre todos nós. O poder enorme de um Estado e um Governo passar a Dívida Publica de 60% para 110% em 4 anos. Pior, pois ainda aumentou impostos. Isto só é possível quando o Estado tem o poder total só possível com o Socialismo.

  8. Brasilino Pires

    Não quero ofender, mas não resisto a perguntar (e perguntar não ofende): Como é que se pode ser tão estúpido?

  9. Paulo Pereira

    Este governo é inutil, porque mantem o Estado Não Social que arruina o país.

    Existem dezenas de entidades e milhares de chefias no sector publico que deviam ser fundidas ou extintas sem que ninguem desse pela sua falta.

  10. j. Correia

    Ao ler estes comentarios fico pasmado com tanta sabedoria. Afinal o que é socialismo? Será que estes ex. governantes podem ser considerados socialistas? Eu acho que já percebi! afinal segundo a vossa opinião o salazar também foi socialista.

  11. lucklucky

    “Afinal o que é socialismo? Será que estes ex. governantes podem ser considerados socialistas?”

    Os ex.Governantes aumentaram os impostos? os ex.Governantes aumentaram a dívida dos Cidadãos? Se a resposta é sim então são Socialistas. Aumentar os impostos é aumentar o Estado e a correspondente capacidade de influência do políticos.

    Quantos mais recursos tirados pelo Estado à Sociedade mais Socialista se é. Quanto mais se defende a presença da política em todos os aspectos da sociedade mais Socialista se é. Não sei qual a dúvida.

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