… ou como na silly season há quem esteja obcecado com o que se passa na casa da vizinha.
Quem tenha lido “Os Lusíadas” até ao fim sabe que a última palavra deste poema épico é “inveja”, sentimento muito comum entre os portugueses e outros povos onde se impôs o igualitarismo medíocre. Há quem considere que a inveja se acentuou entre os igualitaristas com o triunfo do capitalismo e de um suposto darwinismo social (haveria muito a dizer sobre isto) nas nações mais prósperas, precisamente aquelas onde se consolidaram os princípios básicos da autonomia individual, da liberdade, e da democracia liberal; curiosamente, as sociedades mais liberais são aquelas onde os hábitos de leitura, de estudo, da academia e da cultura estão mais enraizados e são mais valorizados como alavancas para a mobilidade social.
Em qualquer caso, nas minhas limitações brutais, não sou capaz de usar “Os Lusíadas” como base para as minhas dissertações. Adepto de uma cultura de massas pequeno-burguesa, recomendo ao Carlos Botelho que relaxe um pouco – o mundo não vai acabar amanhã – e ouça uma das músicas preferidas aqui do povão, de rimas fáceis que mesmo assim agradariam ao boémio Camões, um hit de Agosto entre as camadas menos iluminadas da população, onde se inclui com orgulho a puta analfabeta da direita liberal que vai com todos:





