Duas enormes falácias numa curta frase

Sérgio Lavos no Arrastão

Está a ser conseguido um dos objectivos deste Governo: destruir o Estado Social (e, recorde-se, sem que o défice seja reduzido).”

A primeira. Infelizmente, contrariamente ao que o Ségio Lavos afirma, até agora não notei que o presente governo tivesse infligido grandes danos ao estado social. Na maior parte dos casos fizeram-se pequenos ajustes para aproximar as despesas das receitas. (Não sei se sabem mas é conveniente que as contas sejam pagas a tempo e horas)

A segunda. Não sei onde o Sérgio Lavos foi buscar a ideia que o défice orçamental não está a ser reduzid. Em 2010 foi de 9.1% e em 2011 de 4.2% (7.3% sem medidas extraordinárias). O que está em causa é o cumprimento das metas acordadas para 2012 e não propriamente uma redução do défice. O Sérgio Lavos parece estar a dizer que a austeridade não está a ter qualquer efeito. Muito pelo contrário. Sem as medidas tomadas para conter o défice público este seria bastante superior. E sem o acordo que nos deu acesso ao financiamento externo onde iriamos nós buscar o crédito para sustentar o défice?

17 pensamentos sobre “Duas enormes falácias numa curta frase

  1. Mário Amorim Lopes

    O Sérgio Lavos tem toda a razão! O que Portugal deveria fazer era ignorar esses mauzões e irresponsáveis dos credores porcos capitalistas e fazer um default da sua dívida pública doméstica e externa e, mal cortem o acesso aos mercados, pôr a Yacimientos Petroliferos Fiscales de Portugal (YPF-P), com sede tipo em Évora, a produzir petróleo, exportar gás, diamantes e diplomados em Engenharia Civil e Filosofia. Wait…

  2. Paulo Pereira

    Este governo tem feito mais cortes no Estado Social, educação , saude e s. social, do que no Estado Não Social burocratico e inutil.

    É um governo fraco e inutil.

  3. Sérgio Lavos

    Duas objecções às objecções do Miguel:

    1.º A destruição ou não do estado Social é uma questão de perspectiva. Eu acho que o grande aumento das taxas moderadoras, o fim de serviços de saúde, o racionamento nos hospitais, o corte no RSI, nas pensões, nos subsídios de desemprego, etc., visam acabar com o Estado Social. O Miguel provavelmente quer que o Governo ainda vá mais longe. Perspectivas diferentes, como disse.

    2.º Parece-me que é evidente que o Governo não vai cumprir a meta do défice. Mas também começa a haver sinais de que nem reduzi-lo substancialmente consegue. Provavelmente, apenas com o recurso a receitas extraordinárias ou mais medidas de austeridade irá conseguir ficar lá perto. Reduzir o défice, o grande desígnio do Governo, também se está a revelar bastante complicado.

  4. Miguel Noronha

    – ” A destruição ou não do estado Social é uma questão de perspectiva. Eu acho que o grande aumento das taxas moderadoras, o fim de serviços de saúde, o racionamento nos hospitais, o corte no RSI, nas pensões, nos subsídios de desemprego, etc., visam acabar com o Estado Social.”

    Quem me dera que isso fosse verdade. Não teria qualquer problema em dar-lhe razão. Porém, como explicou o Pedro Pita Barros que até se especializou em estudar estes assuntos, o racionamento sempre existiu e existirá no SNS. A partir do momento em que os recursos são escassos existe necessidadde de fazer escolhas acerca do destino destes. Ou seja, racionar. A mesma lógica se aplica aos restantes serviços públicos. É claro que dada as enormes limitações orçamentais e a incapacidade de nos endividarmos livremente (felizmente) o racionamento terá de ser maior. E repito, até agora não vi nenhuma alteração substâncial que me leve a regozijar com a redução do estado social.

    – “reduzir o défice, o grande desígnio do Governo, também se está a revelar bastante complicado.”

    Eu não disse que era fácil (embora até possa ser simples) mas não há evidências que não esteja a ser conseguido. Mesmo que não sejam atingidos os objectivos do MoU existe de facto uma redução substâncial do défice público. Mas suponho que tenha números para me desmentir.

  5. Joaquim Amado Lopes

    O significado dos termos parece ser realmente uma questão de perspectiva.
    Por exemplo, a perspectiva do Sérgio Lavos é a de que reduzir os serviços prestados pelo Estado é “acabar com o Estado Social”. A perspectiva de outros é a de que continuar a gastar dinheiro que não se tem resultará em não se ter dinheiro nenhum e o Estado acabará por não poder prestar quaisquer serviços.

    A perspectiva da avestruz (“se se ignorar a realidade ela não existe”) pode resultar para o Sérgio Lavos. Mas a realidade é imune a fantasias dogmáticas e resolver os problemas é mais recomendável do que fingir que eles não existem.

    Quanto ao “grande desígnio do Governo”, está a ser realmente bastante mais complicado do que tinha que ser. É o resultado de haver demasiadas avestruzes e de muitas serem militantes.

  6. Paulo Pereira

    Este governo prefere racionar a saude e a educação do que racionar as RTP’s , EDP’s e PPP’s.

  7. Miguel Noronha

    O que eu acho fantástico na notícia do Público é que apresentam uma redução no crescimento da despesa como “austeridade”.O que acontece é que o sistema está sub-financiado e vai sobrevivendo à custa de atrasos aos fornecedores e “chuta-se” o problema para a frente. Mantendo o financiamento a opção é mesmo cortar nos serviços.

    QUem me dera ter a opção de não participar no SNS.

  8. jhb

    A grande defensora do individualismo irredutível e arqui-inimiga do estado social inscreveu-se no Medicaid para poder
    obter ajuda do Estado para comprar os medicamentos para o cancro do pulmao… Imagine-se!

  9. Joaquim Amado Lopes

    jhb,
    Pode explicar como é que defender o direito de optar implica deixar de poder optar?

  10. Miguel Noronha

    Imagino que esteja a inventar
    Mas mesmo que fosse verdade. Isso seria uma escolha voluntária. Não uma imposição para participar no Medicaid. Eu disse que queria poder escolher se participo ou não no SNS. Não estou a ver qualquer tipo de incoerência.

  11. Miguel Noronha

    Não sei se já lhe tinha contado acerca do destino dos comentários off-topic nos meus posts. De qualquer forma fica avisado.

  12. Miguel Noronha

    Embora se possa e deva fazer um acompanhamento periodico o défice orçamental mede-se no final do ano. Há medidas que podem ainda não ter sido executadas ou novas que ainda podem ser implementadas. Recordo que o défice de 2011 sem medidas extraordinárias ficou nos 7.3%

    E de 2010 para 2011 existiu de facto ume redução do défice orçamental.

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