Permita-me discordar

Hélder Rosalino considerou hoje que “não há margem para aplicar mais medidas direccionadas exclusivamente para os funcionários públicos”.

Podem finalmente começar a extinguir e fundir organismos públicos e a racionalizar os quadros de pessoal. É o que fazem as empresas privadas que não podem recorrer a financiamentos coercivos. Quando as receitas torna-se necessário acomodar a despesa. E não o inverso, como sucede no estado. Como questionava o AAA no último Prós & Contras, quantos desempregos eram anteriormente funcionários públicos?

20 pensamentos sobre “Permita-me discordar

  1. Paulo Pereira

    Este governo é incompetente e inutil. Não fez praticamente nada para simplificar e reduzir o estado não-social.

    Os maiores cortes foram na saude e na educação, o despesismo e compadrio ficou intacto !

  2. Luís Lavoura

    Sem pôr em causa a ideia deste post, atrevo-me a sugerir que bastantes funcionários públicos são médicos, enfermeiros, juízes, professores, militares, polícias, e quejandos. O número de funcionários públicos que poderiam ser despedidos através da estratégia sugerida por este post, sem fazer decair o nível dos serviços prestados à população, será provavelmente bem menor do que o que o Miguel julga.

  3. Miguel Noronha

    Podem extinguir departamentos e ministérios inteiros. Eu começava pelo da Burocracia. Perdão, o da Economia.

  4. hcl

    Está-se a preparar terreno para mais um assalto ao 13º mês dos privados (IRS adicional).

    O que é patético é que, ao não reformar nada efectivamente, para o ano vai ter que se ir ao subsídio de férias.

    Tudo para não alterar o poder/dimensão do Estado.

  5. Não é importante a análise qualitativa do universo do funcionalismo público. É a quantidade de despedimentos que centra as atenções. É uma questão de crença, não de inteligência racional! O estado-minímo é, por desígnio teórico, o objetivo mor e angular para um amanhã que canta. Menos Estado, mais “privado” (mesmo sabendo que os monopólios privados ocuparão o lugar do Estado) e Portugal cumprir-se-á.

  6. Paulo Pereira

    O ministério da segurança social também não serve para nada . pode ser fundido nas finanças com o da economia.

  7. Luís Lavoura

    Como questionava o AAA no último Prós & Contras, quantos desempregos eram anteriormente funcionários públicos?

    Esta questão fica muito bem num debate televisivo mas, infelizmente, mistura alhos com bugalhos. É que não se pode confundir um médico ou um polícia, funcionários públicos que prestam serviços essenciais aos cidadãos, com, por exemplo, o funcionário de um stand de automóveis ou a trabalhadora da indústria têxtil, que executam trabalhos não-essenciais e cuja procura varia fortemente com o tempo.
    Como é evidente, se a procura de automóveis ou de vestuário baixam, os funcionários dos stands de automóveis ou as trabalhadoras da indústria têxtil são despedidos, e nenhum mal há nisso. Pelo contrário, se um professor é despedido, ficam alunos por ensinar – ou mal ensinados. Se um enfermeiro é despedido, ficam doentes por tratar.

  8. Manuel Costa Guimarães

    Zé,

    Portanto, para si, está tudo bem como está?

    “É uma questão de crença, não de inteligência racional! ” Permita-me discordar, pois é uma questão de números. Temos demasiados FP’s. Check. Não há dinheiro. Check. Grande parte da despesa do Estado é com os FP’s. Check. Consegue seguir a inteligência racional da coisa e imaginar o passo seguinte?

  9. Miguel Noronha

    1. Quantos dos funcionários dos ministérios da economia, agricultura ou da sec estado da cultura prestam serviços essênciais?

    E aqui nem estou a pensar na hipótese de o estado deixar de ser proprieatário de escolas e hospitais (mesmo que continuasse a garantir o acesso a estes serviços).

    2. E havendo faltam de fundos para manter a actual estrutura qual é a sua opção?

  10. Dervich

    “Temos demasiados FP’s. Check” – Não, não check, isso não está demonstrado em lado nenhum, a não ser no domínio das convicções…

    “Grande parte da despesa do Estado é com os FP’s. Check.” – Não, não check, num ano em que você cortou 20% dos vencimentos, a despesa do estado subiu!! “Consegue seguir a inteligência racional da coisa?” – Isso pergunto eu a si!

  11. Carlos Duarte

    Caro Miguel Madeira,

    Em princípio, concordo consigo (e concordo igualmente com as ressalvas do Luís Lavoura), mas existem vários problemas, alguns que foram “arranjados” pelo Governo:

    1 – Antes de mais, o princípio da equidade e do mal menor, que deve reger a actuação do Governo. Quando este cancela 13º e 14º meses aos funcionários públicos (e bem, na minha opinião) deve “balancear” com outras medidas, como cancelar (ou melhor, declarar a nulidade) das PPP. Acho que ainda estamos a espera sentados por isso…

    2- Depois, existe a questão prática de QUEM decide quem é dispensável e com que critérios. Se existem situações em que a situação seria clara (como extinção de serviços, com despedimento colectivo por esse mesmo motivo), despedir 5 pessoas num serviço de 10 é muito, mas muito complicado.

    3- Finalmente, temos a questão da sustentabilidade da medida: quais serão os encargos a curto e médio prazo de despedir alguém (em indemnizações, subsídios de desemprego e, eventualmente, impacto nos serviços) quando comparados com manter essas pessoas? É que convém não esquecer que, se despedir 10.000 funcionários públicos com 24 anos de “casa”, o Estado terá de desembolsar o equivalente a 2 anos de salário “à cabeça” e ainda pagar o respectivo subsídio. Ou seja, durante 2 ano fica 3x mais caro (e não temos dinheiro) do que mante-los ao serviço – resumindo, fica mais barato pagar 5 anos de salários e manter os empregos do que despedi-los.

  12. APC

    “Não, não check, isso não está demonstrado em lado nenhum, a não ser no domínio das convicções…”

    Entre altos comissariados, conselhos consultivos, conselhos nacionais, institutos e comissões disto e daquilo, com competências difusas e muitas vezes com sobreposições de áreas de competência, tem mesmo a certeza de que dizer que temos demasiados FP’s é meramente do domínio das convicções?

  13. Manuel Costa Guimarães

    “isso não está demonstrado em lado nenhum” Já vi isso muitas vezes demonstrado neste blog. Não me parece que sejam todos socratianos no Insurgente.
    “a despesa do estado subiu” E então? Não deixa de ser a maior parte do bolo da despesa, pois não?

  14. Há menos de 2 semanas perdi uma manhã inteira numa Câmara Municipal tendo sido recebido por 3 funcionários com o mesmo título profissional.
    Constactei uma coisa curiosa mas muito comum na FP, o nível de autoridade, era inversamente proporcional à idade.
    O que dá para deduzir obviamente como é que o progresso na carreira se faz.

    O assunto era ridículo, todos os 3 me deram razão, mas tudo acabou em mais um requerimento para o Presidente, que vai ser, como espero deferido.

    Conclusão da história:
    -Já que, todos os eventuais problemas de responsabilidade civil, do assunto em causa, sou sempre eu que os tenho de assumir (e para isso pago um seguro de responsabilidade civil profissional), a solução óbvia para assuntos desta natureza, com poupança de despesa publica e de aumento de produtividade, era pura e simplesmente despedir 3 FPs.

    Eu conseguia despedir tanto funcionário público sem que se notasse a sua falta…
    .

  15. Muito bem, um exercício de “inteligência racional”: por favor, apresentem (os crentes, de preferência, na “manípula invisível”) os tais estudos que comprovam que há, efetivamente, funcionários públicos “a mais” (entre aspas, pois por enquanto é muito relativo haver “a mais”, pois sabemos que em muitas àreas do Estado há “a menos”).

  16. Manuel Costa Guimarães

    “entre aspas, pois por enquanto é muito relativo haver “a mais”, pois sabemos que em muitas àreas do Estado há “a menos”

    A menos quê? Horas de trabalho? Trabalho efectivo?
    Então afinal o que nos falta são mais FP’s?! Adoro o cheiro a Marx pela manhã…

  17. Miguel Noronha

    A sério. Eu gostava de saber o que fazem de útil vários organismos do estado. Particularmente na economia, agricultura e cultura.

  18. Pingback: Uma nota « O Insurgente

  19. “A menos quê? Horas de trabalho? Trabalho efectivo?

    Sim, a menos. Então porque razão existe tanto “outsourcing” da Administração Pública? Porque existe o famigerado “quadro de mobilidade”?

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